Espaço geográfico

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' As paisagens revelam que elementos naturais e culturais se “misturam” num determinado lugar. Quanto mais elementos artificiais houver numa paisagem, maior foi a intervenção humana naquele lugar. Por elementos naturais nos referimos aos elementos produzidos na natureza que existem na paisagem antes da fixação das populações humanas, como a fauna, a flora, rochas, rios... Já os elementos culturais se referem às criações humanas, como casas, avenidas, indústrias, ferrovias, shoppings centers, etc. Alguns espaços geográficos se apresentam altamente humanizados, com poucos elementos da paisagem natural original, exemplo: Município de Nilópolis (RJ). Outros ainda possuem vários elementos naturais presentes na paisagem, como o Município de Parati (RJ). O tempo de formação de cada um desses elementos dá-se em duas escalas: os elementos da natureza são formados numa escala de tempo que chamamos de tempo geológico, ou seja, a formação de rochas, solo, mares, rios e montanhas levou milhões de anos. E os elementos produzidos e acrescentados à paisagem pela ação humana ocorre num intervalo de tempo de décadas, anos, século ou no máximo milênios. A essa escala de tempo chamamos de tempo histórico. Essa diferença de ritmo de produção levanta uma questão que vai nos acompanhar durante nossas aulas de Geografia: Nosso ritmo de extração de matérias-primas da natureza é muito mais rápido do que o tempo de reposição da natureza. O que isso pode provocar no futuro próximo? Essa é para vocês pensarem. Vocês também já devem ter percebido que as paisagens revelam profundas desigualdades sociais já à primeira vista. Algumas pessoas vivem em condomínios luxuosos em bairros servidos por ótima infra-estrutura, como na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. Outras vivem em áreas muito pobres, com limitada infra-estrutura, como os habitantes de comunidades e favelas. Por que essa desigualdade social tão grande? Por que em alguns lugares há tanta ofertas de empregos, serviços, lazer e infra-estrutura e outros lugares possuem tão pouco? Essa diferenças se dão por uma série de interesses particulares e coletivos que conflitam ou coincidem no processo de ocupação e construção dos espaços geográficos. Essa é outra questão que vai nos acompanhar durante nossas aulas de Geografia. Todas as ações humanas tem um motivo e uma intenção. Tudo tem um porquê e um para quê. Por que os lugares acham-se ocupados da forma que estão? Para que existem e a quem interessa a continuidade dessas difer utilizadas.[1]

Geografia física e espaço geográfico[editar | editar código-fonte]

Para a geografia física o espaço geográfico é o espaço concreto ou físico inserido na interface "litosfera-hidrosfera-atmosfera". É o espaço de todos os seres vivos, não só o espaço do homem. O espaço geográfico foi formado a 4,5 bilhões de anos quando a Terra foi formada. De lá para cá houve mudanças profundas na sua estrutura, composição química e na paisagem geográfica. Oceanos apareceram, oxigênio ficou abundante, devido o papel das algas e plantas superiores. Quando o homem surgiu na Terra ele já estava formado. Com o tempo a humanidade começou a modifica-lo através da tecnologia. Hoje as paisagens geográficas estão bastante modificadas, mas a natureza continua determinando tudo ou quase tudo. Só o fato do homem precisar respirar é um fator determinante.

Geografia humana e espaço geográfico[editar | editar código-fonte]

Na corrente conhecida como geografia tradicional, o conceito de espaço não era uma categoria central de pesquisa, pois os geógrafos trabalhavam principalmente com os conceitos de superfície terrestre, região, paisagem e território. Já a partir da década de 1950, com a chegada da geografia quantitativa, o conceito de espaço tornou-se central nas pesquisas em geografia humana. De fato, essa corrente do pensamento geográfico definia a geografia como a ciência que estuda a organização espacial, ou seja, a lógica que estabelece os padrões de distribuição espacial dos fenômenos e as relações que conectam pontos diferentes do espaço. Nesse sentido, a geografia precisava entender a lógica do comportamento dos agentes sociais para poder explicar a localização das atividades humanas e os fluxos de pessoas, mercadorias e informações que conectam os lugares. Mas, de meados dos anos 1970 em diante, o conceito de espaço foi totalmente redefinido pela geografia crítica. Essa corrente afirma que, assim como a cultura, a política e a economia são instâncias da sociedade, o mesmo ocorre com o espaço, que, como produto social, reflete os processos e conflitos sociais, ao mesmo tempo em que influi neles. Para a maior parte dos geógrafos críticos, como Milton Santos, Ruy Moreira, David Harvey, entre outros, o objeto de estudo da geografia é o espaço, concebido de forma humanizada e politizada como uma instância social.[2]

Segundo essa última concepção, que é a predominante na atualidade, a sociedade se expressa inteira no espaço geográfico, num feixe de relações sociais, políticas e econômicas que as pessoas estabelecem entre si e delas com o espaço. As relações entre as pessoas são construídas na família, no trabalho, na escola, na universidade, no lazer, na igreja, etc. As relações de trabalho nos últimos anos passam por uma enorme transformação provocada pela rapidez do avanço tecnológico e sua aplicação nos processos produtivos.

As paisagens mudam porque precisam incorporar novos objetos que a ciência descobriu e novos elementos que a técnica cria por meio do trabalho do ser humano. É partindo da ciência e da tecnologia que objetos são fabricados pelos homens. Alguns desses objetos são incorporados á nossa rotina sem maiores implicações, como o telefone celular, por exemplo. Outros objetos exigem implantação de novos arranjos espaciais que facilitem o seu uso pelas pessoas, no dia a dia, sabe:derruba isso constrói aquilo. E assim a paisagem muda. Isso sem considerar os fenômenos naturais, e como os terremotos, as inundações, os deslizamentos de terra e outros.

Nem sempre, porém, há essa mudança. Em certas paisagens geográficas, existem elementos culturais que pertencem a épocas diferentes da atual. Esses elementos foram preservados como memória de outro tempo, de outro modo com o as pessoas organizavam a vida em sociedade.

Problematização[editar | editar código-fonte]

Como suprir nossas necessidades materiais? O espaço geográfico é construído num processo que não termina. A natureza do lugar não acabou. Foi transformada, humanizada. Passa a fazer parte da cultura humana. As necessidades vitais permanecem: as plantas continuam a processar a fotossíntese para fornecer oxigênio à respiração; chuvas para reabastecer nossos mananciais; água limpa para o nosso consumo doméstico; irradiação solar; beleza dos patrimônios naturais dos ambientes protegidos.

Notas

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Moraes, Paulo Roberto. Geografia geral e do Brasil (em português). 4 ed. São Paulo: HARBRA, 2011. 721 p. p. 7. ISBN 978852940395-9
  2. Luis Lopes Diniz Filho. Fundamentos epistemológicos da geografia. Curitiba: IBPEX, 2009 (Metodologia do Ensino de História e Geografia, 6)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]