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Diferenças entre edições de "António Teixeira Rebelo"

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No ano anterior ao seu alistamento, com o fim da Guerra Fantástica, havia sido criada pelo [[Conde de Lippe]] uma ''"Aula Real de Artilharia"'' naquele Regimento, onde um ilustrado oficial suíço, chamado [[João Vitória Miron Sabione]], ensinava as cadeiras de ''"Matemática"'', ''"Fortificação"'', ''"Tática"'', ''"Artilharia"'' e ''"Desenho"'', obrigatórias para oficiais e praças do Regimento. O plano do Conde de Lippe para aquele tipo de aulas regimentais era tão detalhado, que ia até à obrigatoriedade dos livros a utilizar e à interdição de quaisquer outros; e sobre as matérias ensinadas eram prestadas provas, indispensáveis nas promoções.
 
À altura o Regimento De Artilharia de Valença, comandado por [[James Ferrier]], reflectia substancialmente o êxodo estrangeiro que ocorria nos corpos do exército, sendo composto por um terço de oficiais estrangeiros e tornando-se num epicentro das ideias [[maçónicas]] que chegavam a Portugal. António Teixeira Rebelo garantidamente teve acesso à discussão de muitas delas, bem como ao estudo da extensa biblioteca do comandante do regimento, profícua em bibliografia então proibida e que permitia aos oficiais daquela força lerem e recitarem escritores como [[Pope]], [[Voltaire]] e [[Holbach]], cujas obras estavam classificadas pela [[Santa Sé]] como heréticas e subversivas.
 
Como observou Ana Cristina Araújo, ''o meio militar, com os seus postos-chave preenchidos por oficiais estrangeiros com boa formação em quartéis e [[lojas maçónicas]], desempenhou um papel importante no processo de desarticulação dos tradicionais mecanismos de reconhecimento cultural e social''<ref name="araujo">ARAÚJO, Ana Cristina. A cultura das Luzes em Portugal. Temas e problemas. Lisboa : Livros Horizonte, 2003, p. 63.</ref>. Tais práticas tornaram Valença do Minho um dos principais núcleos de divulgação das idéias ilustradas em Portugal <ref name="ramos">RAMOS, Luís A. de Oliveira, ''“A irreligião filosófica na província vista no Santo Ofício pelos fins do século XVIII”'', in: Revista da Faculdade de Letras: História. Universidade do Porto, n. 5, 1988, pp. 173-188.</ref>.
 
O comandante do regimento - [[James Ferrier]] - tendo sido obrigado a abandonar Portugal, foi o autor, sob o pseudónimo de ''Arthur William Costigan'', duns importantes ''Sketches of Society and Manners in Portugal'' (2 vols., London, T. Vernor, 1788), onde criticou causticamente a situação portuguesa e onde advogou os princípios racionalistas e maçónicos.