Diferenças entre edições de "João de Barros"

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Filho bastardo de um nobre, Lopo de Barros, [[Corregedor]] de [[Entre Tejo e Guadiana]], foi educado na corte de [[Manuel I de Portugal|Dom Manuel I]], no período de maior apogeu dos [[descobrimentos portugueses]], tendo ainda na sua juventude concebido a ideia de escrever uma história dos portugueses no oriente. Sua prolífica carreira literária iniciou-se com pouco mais de vinte anos, ao escrever um [[romances de cavalaria portugueses|romance de cavalaria]], a ''[[Crónica do Emperador Clarimundo, donde os Reys de Portugal descendem]]'', dedicado ao soberano e ao príncipe herdeiro Dom João.
 
=== o retorno ===
Este último, ao subir ao trono como [[João III de Portugal|Dom João III]] em [[1521]], concedeu a ''João de Barros'' o cargo de capitão da fortaleza de [[São Jorge da Mina]], para onde partiu no ano seguinte. Em [[1525]] foi nomeado tesoureiro da [[Casa da Índia]], missão que desempenhou até [[1528]].
Em [[1534]] Dom João III, procurando atrair colonos para se estabelecerem no [[Brasil]], evitando assim as tentativas de penetração [[França|francesa]], dividiu a colónia em [[Capitanias do Brasil|capitanias hereditárias]], seguindo um sistema que já havia sido utilizado nas ilhas atlânticas dos [[Açores|A]], [[Madeira]] e [[Cabo Verde]], com resultados comprovados. No ano seguinte ''João de Barros'' foi agraciado com a posse de duas capitanias, em parceria com [[Aires da Cunha]], o [[Ceará]] e o [[Pará]]. Constituiu a expensas suas uma armada de dez navios e novecentos homens, que zarpou para o [[Novo Mundo]] em [[1539]].
 
A [[peste negra]] de [[1530]] levou-o a refugiar-se na sua quinta da Ribeira de Alitém, próximo de Pombal, vila onde concluiu o seu diálogo moral, ''[[Rhopicapneuma]]'', alegoria que mereceu louvores do [[Catalunha|catalão]] [[Juan Luis Vives]].
 
Regressado a [[Lisboa]] em [[1532]], o rei designou-o como feitor das casas da Índia e da Mina - uma posição de grande destaque e responsabilidade, numa Lisboa que era então um [[empório]], a nível europeu, para todo o comércio estabelecido com o oriente. ''João de Barros'' provou ser um administrador bom e desinteressado, algo raro para a época, como demonstra o surpreendente facto de ter amealhado pouco dinheiro com este cargo (quando os seus antecessores haviam adquirido grandes fortunas).
 
Casou com Maria de Almeida, 3.ª Senhora da Quinta de São Lourenço, em Santiago de Litém, Pombal, filha de Diogo de Almeida, nascido c. 1479, [[Escrivão]] do Armazém de Lisboa e 2.º Senhor da Quinta de São Lourenço, em Santiago de Litém, Pombal, e sua Capela na Igreja Matriz,<ref>«Um cavaleiro muito honrado em Pombal» (FA), escrivão do Armazém de Lisboa e senhor da quinta de São Lourenço, em Santiago de Litém (Pombal). Esta quinta é chamada «granja do alitem» num tombo de 1508 e era prazo da comenda de São Martinho de Pombal da Ordem de Cristo, em cujo cartório se diz que «esta granja traz ora emprazada diogo dalmeida scrivam do almazem de lixbooa», por prazo de duas vidas feito pelo rei, em que ele e sua mulher Catarina Coelho seriam a primeira e o que sobrevivesse poderia nomear a segunda, «por foro de doze dobras douro das de castella e duas galinhas e huuã duzia dovos». Na margem está escrito: «Trala agora Jº de barros feytor da casa da India genrro deste dº dalmeida p(er) aforam.to novo q lhe fez el Rey dom Jº nosso sõr p(er) cõta propria pensão se(m) mais acrecentam.to e(m) tres p.as de q elle e sua molher são a prim.ra».</ref> e de sua mulher Catarina Coelho, irmã de Lourenço de Cáceres, a quem foi encomendada a História da Índia, incumbência em que sucedeu seu sobrinho por afinidade João de Barros.<ref>[[Manuel Eduardo Maria Machado de Abranches de Soveral]], ''Ascendências Visienses'', Porto, 2004</ref> Dela teve cinco filhos e três filhas.
 
=== Expedição ao Brasil ===
Em [[1534]] Dom João III, procurando atrair colonos para se estabelecerem no [[Brasil]], evitando assim as tentativas de penetração [[França|francesa]], dividiu a colónia em [[Capitanias do Brasil|capitanias hereditárias]], seguindo um sistema que já havia sido utilizado nas ilhas atlânticas dos [[Açores]], [[Madeira]] e [[Cabo Verde]], com resultados comprovados. No ano seguinte ''João de Barros'' foi agraciado com a posse de duas capitanias, em parceria com [[Aires da Cunha]], o [[Ceará]] e o [[Pará]]. Constituiu a expensas suas uma armada de dez navios e novecentos homens, que zarpou para o [[Novo Mundo]] em [[1539]].
 
Devido talvez à ignorância dos seus pilotos, a frota não atingiu o objectivo pretendido, tendo andado à deriva até aportar às [[Antilhas]] [[Espanha|espanholas]]. Demonstrando um grande humanismo, talvez incomum para a época, pagou as dívidas dos que haviam falecido na expedição. No entanto isto resultou em grandes problemas financeiros a ''João de Barros'', com os quais teve que lidar até ao fim da vida, vendo-se mesmo obrigado a hipotecar parte dos seus bens.
 
=== A "Gramática da Língua Portuguesa" e as "Décadas" ===
Durante estes anos prosseguiu seus estudos durante as horas vagas, e pouco após a desastrosa expedição ao [[Brasil]], em 1540 publicou a ''[[Grammatica da Língua Portuguesa com os Mandamentos da Santa Madre Igreja|Gramática da Língua Portuguesa]]'' e diversos diálogos morais a acompanhá-la, para ajudar ao ensino da língua materna. A ''Grammatica'' foi a segunda obra a normatizar a [[língua portuguesa]], tal como falada em seu tempo – precedida apenas pela de [[Fernão de Oliveira]], impressa em [[1536]] – sendo entretanto considerada a primeira obra didática ilustrada no mundo<ref name="RHBN">{{citar web |autor=CANTARINO, Nelson |obra=Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 1, nº 8, fev/mar 2006 (Seção: Documento Por Dentro da Biblioteca) |url=http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=941 |publicado=Revistadehistoria.com.br |título=O idioma nosso de cada dia (texto parcial) |data= |acessodata=31 de janeiro de 2008}}</ref>
 
Pouco depois (seguindo uma proposta que lhe havia sido ainda endereçada por [[Manuel I de Portugal|Dom Manuel I]]), iniciou a escrita de uma históriahist''escobrimento quedos narrassemares ose feitosterras dos''sim portugueseschamadas nap em [[ÍndiaMadrid]] -em as ''[[Décadas da Ásia1615]]'', (''Ásiamuito dedepois Ioamda desua Barros,morte.[[Língua dositaliana|italiana]] feitosem que[[Veneza]], osem Portuguezes[[1563]]. fizeram[[João naIII conquistade ePortugal|Dom descobrimentoJoão dosIII]], maresentusiasmado ecom terraso doseu Oriente'')conteúdo, assimpediu-lhe chamadasque por,redigisse àuma semelhançacrónica dar''arros'' não históriapode livianarealizar, agruparemdevido osàs acontecimentosso pora livrocrónica em períodoscausa desido dezredigida anos.por Aoutro primeiragrande décadahumanista saiu emportuguês, [[1552Damião de Góis]], a segunda em. [[1553Diogo do Couto]] efoi aencarregado terceiramais foitarde impressade emcontinuar [[1563]].as Asuas quarta década"Décadas", inacabada,adicionando-lhe foimais completadanove. porA [[Joãoprimeira Baptistaedição Lavanha]]completa edas publicada14 décadas surgiu em Lisboa, já no [[Madridséculo XVIII]] em ([[16151778]], muito depois da sua morte[[1788]]).
 
Não obstante o seu estilo fluente e rico, as "Décadas" conheceram pouco interesse durante a sua vida. É conhecida apenas uma tradução [[Língua italiana|italiana]] em [[Veneza]], em [[1563]]. [[João III de Portugal|Dom João III]], entusiasmado com o seu conteúdo, pediu-lhe que redigisse uma crónica relativa aos acontecimentos do reinado de Dom Manuel - o que ''João de Barros'' não pode realizar, devido às suas tarefas na Casa da Índia, tendo a crónica em causa sido redigida por outro grande humanista português, [[Damião de Góis]]. [[Diogo do Couto]] foi encarregado mais tarde de continuar as suas "Décadas", adicionando-lhe mais nove. A primeira edição completa das 14 décadas surgiu em Lisboa, já no [[século XVIII]] ([[1778]] — [[1788]]).
 
Em Janeiro de [[1568]] sofreu um acidente vascular cerebral e foi exonerado das suas funções na [[Casa da Índia]], recebendo título de fidalguia e uma tença régia do rei [[Sebastião de Portugal|Dom Sebastião]]. Faleceu na sua quinta de Alitém, em [[Pombal (Portugal)|Pombal]], a [[20 de Outubro]] de [[1570]]. Morreu na mais completa miséria, sendo tantas as suas dívidas que os filhos renunciaram ao seu testamento.
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