Saltar para o conteúdo

Diferenças entre edições de "Karl Lueger"

1 byte adicionado ,  19h35min de 21 de setembro de 2020
Karl Lueger nasceu numa família da pequena burguesia. Doutorou-se em Direito em 1866, e trabalhou como advogado liberal até 1870; em paralelo desenvolveu a sua oratória nas tabernas da periferia vienense. Entrou no Conselho Municipal em 1875, e rompeu abertamente com o liberalismo decimonónico, que tinha transformado o país, na década seguinte; em 1885 denunciava o capitalismo mundial, misturando muitos argumentos, e, entre estes, uma argumentação racista.<ref>William M. Johnston, ''L'esprit viennois'', París, PUF, 1985, p.69 (tr. ''O génio austro-húngaro. História social e intelectual, 1848-1938'', Oviedo, KRK, 2008)</ref>
 
Como político, surgiu num momento de situação débil para a classe média e para os pequenos artesãos, responsáveis pelo fulgor do liberalismo económico austríaco da segunda metade do século XIX que deu lugar aos grandes armazéns e ao fabrico industrial de bens. Enquanto advogado fundou o partido do "cravo branco", e com o lema "é preciso ajudar os pequenos" conseguiu arrastar as classes médias, que temiam ver-se delapidadas. Como disse [[Stefan Zweig]] nas suas memórias, "era exatamente a mesma camada social assustada que mais tarde congregou ao seu lado (...) Adolf Hitler, e K. Lueger serviu-lhe de modelo também noutro sentido: ensinou-lhselhes o manipulável que era o lema [[Antissemitismo|antissemita]], que oferecia aos descontentes círculos pequeno-burgueses um adversário palpável e, por outro lado, impercetívelmente desviava o ódio pelos grandes proprietários e a riqueza feudal".<ref>Stefan Zweig, ''O mundo de ontem. Memórias de um europeu''.</ref>
 
A primeira gazeta do partido, claramente demagógica, o ''Illustrierte Wiener Volkszeitung'', tinha como sub-título "Órgão dos antissemitas". Embora cedo moderasse o seu ódio, dizia sempre que ele "determinava quem é judeu ou não", prelúdio para terríveis consequências a partir de 1933.<ref>J. Riedl, ''Viena infame e genial'', Anaya-Mario Muchnik, 1995, p. 139.</ref> Em vão o cardeal de Praga, [[Franziskus von Paula Schönborn]], pediu ao [[Papa Leão XIII]] que suspendesse o apoio papal ao partido de Lueger (cuja foto figurava no escritório do Papa).<ref>J. Riedl, ''Viena infame y genial'', 1995, p. 140.</ref>
Utilizador anónimo