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Diferenças entre edições de "Madame du Barry"

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{{Info/Biografia/Wikidata
| imagem =Du Barry.jpg
| imagem-tamanho = 245px340px
| legenda = Retrato por [[Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun|Élisabeth Vigée-Le Brun]], 1782
| nome = JeanneMadame Bécudu Barry
| outros_nomes=Marie-Jeanne Bécu<br>Mademoiselle de Vaubernier<br>Mademoiselle Lange
| títulonome_título1 = Condessa du Barry
| tipo-conjugue = Marido
| conjugue = Guillaume du Barry
| mãe = Anne Bécu de Cantigny
}}
'''Marie-Jeanne Bécu''', mais conhecida como '''''Madame du Barry'''''{{nota de rodapé|{{nota linguística|Segundo a regra comum, a partícula "''du''" deveria estar com inicial em maiúsculo, segundo entendimento corrente.<ref>{{citar web|URL=https://blogs.correiobraziliense.com.br/dad/particulas-de-nomes-estrangeiros-grafia/ |título=Partículas de nomes estrangeiros |autor=Dad Squarisi |data=10/8/2018 |publicado=Correio Braziliense |acessodata=7/1/2021 |arquivodata=7/1/2021 |arquivourl=https://archive.vn/mXRam}}</ref> Aqui, entretanto, por vários motivos e seguindo várias citações, preferiu-se pelo uso da partícula em minúsculo, como no original francófono.}}}}, e ainda '''Mademoiselle de Vaubernier''' ou '''Mademoiselle Lange''', e após seu casamento como '''condessa du Barry''' ([[Vaucouleurs (Meuse)|Vaucouleurs]], [[19 de agosto]] de [[1743]] – [[Paris]], [[8 de dezembro]] de [[1793]]) foi uma [[cortesã]] [[França|francesa]]; de origem humilde, foi "uma [[prostituta]] de luxo no círculo do poder real" e tornou-se [[amante]] do rei [[Luís XV de França]] (de 1768 a 1774), após a morte a rainha, e sucedendo a amante [[Madame de Pompadour]],<ref name=rtbr>{{citar web|URL=https://www.rtbf.be/lapremiere/article/detail_de-marie-leszczy-ska-a-mademoiselle-de-vaubernier-les-femmes-de-louis-xv?id=9949637|título=De Marie Leszczyńska à Mademoiselle de Vaubernier : les femmes de Louis XV |autor=Fabienne Pasau |data=4/11/2019 |publicado=La Premiere |acessodata=9/1/2021 |arquivodata=9/1/2021 |arquivourl=https://archive.vn/H4AEr}}</ref> o que lhe alçou à riqueza e à nobreza, tornando-se uma das principais [[mecenato|mecenas]] de sua época.
 
Morreu na [[guilhotina]] durante o período do [[Terror (Revolução Francesa)|Terror]] da [[Revolução Francesa]], quando contava cinquenta anos de idade.<ref name=anedota>{{citar periódico|periódico=A Defesa Nacional (jul-ago)|título=Perspectiva histórica da Revolução Francesa |número=744 |página=pp. 67-68 |URL=http://ebrevistas.eb.mil.br/ADN/article/view/5507/4753|autor=Paulo Zingg |ano=1989 |publicado=Exército do Brasil |acessodata=7/1/2021 |arquivodata=7/1/2021 |arquivourl=https://web.archive.org/web/20210107210004/http://ebrevistas.eb.mil.br/ADN/article/view/5507/4753 |citacao=Nesse texto o autor, Paulo Zingg, afirma ter Du Barry "oitenta anos de idade", o que é inverídico.}}</ref>
 
Em 1763, a sua notória beleza chama a atenção de Jean-Baptiste du Barry, libertino confesso. Torna-se sua amante e instala-se na casa deste em Paris, onde acorriam muitas personagens ligadas à música e às artes. De facto, o conde era um grande apreciador de música e, sobretudo, de pintura, tendo Jeanne obtido muitos dos seus conhecimentos.
 
==As mulheres de Luís XV ==
[[Ficheiro:Tabatière avec les portraits de Louis XV et Marie Leszczynska (Louvre, OA 10670) cropped.png|miniaturadaimagem|esquerda|320px|O casal real, [[Maria Leszczyńska]] e Luís XV]]
Luís, que era conhecido como "O Bem Amado" (''le Bien-aimé''), teve uma infância bastante triste, marcada por ter assumido o trono aos cinco anos de idade e pela morte da mãe; o rei teria, então, ao longo de sua vida uma índole triste e uma relação complicada com as mulheres, carente sempre da presença feminina e vindo a erigir a infidelidade num sistema público e privado.<ref name=rtbr/>
 
Casou-se aos quinze anos com a [[Polônia|polonesa]] [[Maria Leszczyńska]], com quem viveu feliz por uma década; entre 1727 e 1737 tiveram juntos nove filhos mas, com isto, seu corpo sofre as consequências das sucessivas gravidezes e o rei se distancia dela; passa a ter uma vida mais reclusa, deixando ao marido o caminho livre para sua aventuras.<ref name=rtbr/>
 
Na sociedade do século XVIII "o corpo e a sexualidade são colocados a serviço do poder, com acúmulo de privilégios, pensões, títulos e riquezas", e o maior exemplo disso são as cinco irmãs ''de Nesle'', das quais quatro foram amantes do rei, com destaque a [[Pauline Félicité de Mailly-Nesle|Pauline Félicité]]: oriundas da chamada "nobreza de espada", eram de uma das famílias mais antigas da nobreza do país, entretanto empobrecida; elas consideram que o papel de amante real é privilégio de nobreza e, assim, desenvolvem as estratégias para se sucederem na predileção do monarca.<ref name=rtbr/>
 
Entretanto, o papel de primeira-amante será, por vinte anos, ocupado por [[Madame de Pompadour]]; ela e o rei formarão, na visão de Cécile Berly, o "primeiro casal verdadeiramente político da história" e ela influenciará muitas das decisões politicas, recebendo em troca todas as críticas e descontentamento numa época em que era inconcebível criticar o soberano. Pompadour também controla a vida sexual do rei, escolhendo as "pequenas amantes" com quem ele se diverte - jovens treinadas e educadas, levadas ao entretenimento real. Com sua morte em 1764 esse sistema de favoritas e pequenas amantes tem fim e Luís passa a ter apenas aventuras noturnas.<ref name=rtbr/>
 
Foi somente após a morte da rainha Maria Leszczyńska que surge na Corte a figura de Madame du Barry; ela permanecerá por cinco anos alheia aos fatos políticos, deles desinteressada, até finalmente mudar essa situação e vir a um dia terminar de forma trágica sua trajetória.<ref name=rtbr/>
 
== A vida na corte ==
[[Ficheiro:PavillonFrançois-Hubert Drouais, Portrait de Mmela ducomtesse Du Barry -en Flore Louveciennes(1769).jpg|esquerda|miniaturadaimagem|[[Castelo''Condessa dedu Louveciennes|ChâteauBarry''<p><small detitle="François-Hubert LouveciennesDrouais">Por [[François-Hubert Drouais]], 1769</small></p>]]
{{Quote frame|"...Vós cuidais bem dos meus negócios, estou feliz convosco; mas cuidado com aqueles que estão ao vosso redor e aqueles que vos dão conselhos; isso é o que sempre odiei e o que odeio mais do que nunca.<br>Conheceis Madame du Barry (...) Ela é bonita, fico feliz com isso, e recomendo-lhe todos os dias ela também tenha cuidado com quem está ao seu redor e com quem lhe dá conselhos: e vós podeis acreditar que ela tem muitos assim.<br> Ela não vos tem ódio; ela conhece vossa mente e não vos representa um mal.<br>A explosão contra ela foi terrível, na maior parte errônea.<br>Estaríamos aos pés dela se...<br>Assim vai o mundo..."{{Nota de rodapé|livre tradução de: "''… Vous faites bien mes affaires, je suis content de vous ; mais gardez-vous des entours et des donneurs d’avis ; c’est ce que j’ai toujours haï et que je déteste plus que jamais.<br>Vous connaissez Madame du Barry (…) Elle est jolie, j’en suis content, et je lui recommande tous les jours de prendre garde aussi à ses entours et donneurs d’avis: car vous croyez bien qu’elle n’en manque pas.<br>Elle n’a nulle haine contre vous; elle connaît votre esprit et ne vous veut point de mal.<br>Le déchaînement contre elle a été affreux, à tort pour la plus grande partie.<br>L’on serait à ses pieds si…<br>Ainsi va le monde…''"}}|[[Luís XV]], 1769, carta ao [[Duque de Choiseul]]<ref name=rtbr/>|}}
 
Entretanto, Jean du Barry alimentava outros projectos para Jeanne: instado pelo marechal Richelieu, irá usar os bons ofícios da encantadora jovem para que Luís XV demita o [[Duque de Choiseul]], ministro dos Negócios Estrangeiros. É assim que, aos 19 anos, Jeanne Bécu é apresentada ao rei, então com 58 anos, que de imediato se apaixonou. Porém, para fazer dela sua amante oficial, era indispensável conceder-lhe um [[título nobiliárquico]]. O casamento de conveniência com o irmão de Jean du Barry, o conde Guillaume du Barry, permitiu-lhe usar com toda a licitude o título de Madame du Barry, o qual já antes indevidamente usava. Assim, em [[1769]], a Condessa du Barry, amante oficial do rei, foi apresentada à [[Corte (realeza)|corte]] com a devida pompa e o incontestável escândalo.
[[Ficheiro:François-Hubert Drouais, Portrait de la comtesse Du Barry en Flore (1769).jpg|esquerda|miniaturadaimagem|''Condessa du Barry''<p><small title="François-Hubert Drouais">Por [[François-Hubert Drouais]], 1769</small></p>]]
 
Este episódio foi evocado por Madame Campan, camareira-mor de [[Maria Antonieta]], nas suas memórias: «Mesdames [as irmãs] faziam uma vida muito distante do rei, que vivia sozinho desde a morte de [[Madame de Pompadour]]. Os inimigos do Duque de Choiseul não sabiam [...] como preparar e precipitar a queda do homem que se lhes atravessava no caminho. As mulheres com quem o rei se relacionava eram de tão baixa extracção que nenhuma seria capaz de urdir intrigas que exigissem grande subtileza. [...] Havia que arranjar ao rei uma amante capaz de criar um círculo à sua volta e de, na intimidade da alcova, minar a sólida e duradoura relação entre o rei e o seu ministro. De facto, a Condessa do Barry provinha de uma classe social inferior. A sua origem e educação, o seu estilo de vida, tudo nela transpirava vulgaridade e despudor. Ao casá-la com um homem cuja linhagem recuava até [[1400]], julgaram que poderiam evitar o escândalo».<ref>Traduzido da versão inglesa de: ''Mémoires de madame Campan, première femme de chambre de Marie-Antoinette'' [http://www.gutenberg.org/files/3891/3891-h/3891-h.htm#p254 (''Memoirs of the Court of Maria Antoinette, Queen of France. Being the Historic Memoirs of Madam Campan, First Lady in Waiting to the Queen'')]</ref>