Este é um artigo bom. Clique aqui para mais informações.

Espelho nos Olhos

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Espelho nos olhos
Álbum de estúdio de Banda Azul
Lançamento 31 de maio de 1988[1]
Gravação Julho de 1987
Estúdio(s) Estúdio 464, (RJ)
Gênero(s) Rock cristão, rock progressivo, folk rock, baião, música popular brasileira, pop rock
Duração 33 min, 54 seg
Idioma(s) Português
Formato(s) LP, K7
Gravadora(s) Bompastor
Produção Janires Magalhães Manso
Cronologia de Banda Azul
Final do Túnel
(1989)

Espelho nos Olhos é o álbum de estreia da Banda Azul, lançado em 1988 em LP. Na carreira, é o único trabalho do grupo mineiro tendo o cantor e compositor Janires na formação, que logo após as gravações morreria num acidente automobilístico. Espelho nos Olhos é considerado um dos clássicos do rock cristão no Brasil, numa época em que o gênero era altamente incipiente no país.[2][3]

O disco contém a forte influência letrística de Janires no repertório, autor da maioria das faixas, além de ser o produtor musical do projeto. Musicalmente, mescla gêneros como o rock progressivo com outros estilos, notadamente mais regionais, como o baião em "Baião Eletrônico" e a música popular brasileira em "Veleiro". O trabalho foi lançado oficialmente no dia 31 de maio de 1988 na cidade de Belo Horizonte pela gravadora Bompastor.

Trabalho considerado antológico para a história da música cristã nacional, foi o mesmo que registrou a maior parte das últimas composições de Janires, e que o tornou, mais tarde, como o álbum mais importante da discografia da Banda Azul. Em 2015, foi considerado, por vários historiadores, músicos e jornalistas, como o 12º maior álbum da música cristã brasileira, em uma publicação.[4][5]

Antecedentes e Gravação[editar | editar código-fonte]

O músico Janires Magalhães Manso, fundador do grupo Rebanhão deixa-o com alguns discos e obras produzidas. Do Rio de Janeiro, muda-se para Belo Horizonte com seu violão com objetivo evangelístico,[6] onde fez parte da Mocidade para Cristo, pregando e cantando nos eventos, além de apresentar um programa na rádio, chamado Ponto de Encontro, tendo lançado um LP de nome homônimo com canções suas e de outros artistas, e dois compactos com o Quarteto Vida.[7]

Na mesma época, Moisés di Souza, Eduardo da Costa (Dudu Batera) e Guilherme Praxedes, após participarem e ganharem um festival de música o Festsêmani em 1986; passaram a frequentar o "clubão" da Mocidade para Cristo e conheceram Eduardo Santos (Dudu Guita), que se tornou o guitarrista da banda. Finalmente, conheceram Janires e este tornou-se o vocalista do grupo, que na época ainda se chamava MPC.[8]

Área de embarque no Terminal Rodoviário de Belo Horizonte, onde Janires e Moisés estiveram em abril de 1987.

Durante um acampamento realizado pela MPC na cidade de Passos em novembro de 1986, com Moisés di Souza, Dudu Guita, Dudu Batera e Guilherme Praxedes surgiam as primeiras canções do primeiro disco da Banda Azul. Entusiasmados, seus membros se reuniam cerca de três a quatro vezes por semana para ensaiar, definir arranjos, unir e comentar as letras que vinham surgindo. Segundo um dos membros do grupo, a evolução musical a cada ensaio era notável.[7]

Em abril de 1987, o grupo iria fazer seu primeiro show, indo para o Rio de Janeiro. No Terminal Rodoviário de Belo Horizonte, Janires e Moisés comiam num restaurante, quando os dois olharam para uma o rótulo de uma bebida europeia, intitulada Banda Azul. Aquele nome agradou de Janires, que disse a Moisés que esse deveria ser o nome da banda.[7]

Ainda durante a viagem, os dois relembravam e riam do ocorrido na rodoviária, pois achavam o nome estranho. Ao usar o nome MPC, a situação era inviável, pois a cada evento seus membros tinham que explicar a sigla, e pior, tal nome pertencia à instituição religiosa a qual eram ligados. O primeiro evento com o nome "Banda Azul" foi realizado na capital fluminense, onde a banda se apresentou ao lado de Sinal de Alerta, Paulo César Graça e Paz e Cristina Mel. O produtor do evento ainda perguntou à banda o por quê daquele nome, e Janires respondeu: "É que entre nós não existe racismo. É azul claro pra um lado, e azul escuro pra outro."[7]

A Banda Azul começava a divulgar "Canção das Estrelas", e com o Som do Céu, um evento que reuniu quinze mil jovens na Praça do Papa em Belo Horizonte, o grupo se tornava notório na cidade e aos poucos no Brasil. A banda já recebia uma série de convites que enchiam a agenda do conjunto.[7] Segundo o cantor Carlinhos Veiga, só em Goiânia a Banda Azul havia se apresentado seis vezes naquele ano.[9]

Com a popularidade da banda, surgiu então a vontade de gravar o primeiro trabalho do conjunto. Ao voltar de uma viagem nos Estados Unidos, Janires estava feliz e se sentia inspirado para um novo projeto, e desde então o grupo se dedicou à gravação de Espelho nos Olhos.[7] Em julho daquele ano, a banda estava no Rio de Janeiro, gravando a obra no Estúdio 464.[9] Segundo Moisés di Souza, com os cuidados e o carinho em cada detalhe do disco já era possível prever a qualidade do trabalho.[7]

Antes da finalização do projeto, na madrugada de 11 de janeiro de 1988, em Três Rios, município do Rio de Janeiro, o ônibus em que Janires estava se envolve em um acidente. O cantor estava partindo da capital fluminense em direção a um culto, e morreu. Quase mil pessoas estavam esperando por sua chegada na MPC, mas Janires não apareceu. O cantor também não teve a oportunidade de ter em suas mãos seu último disco finalizado e sequer conferir o projeto gráfico. Com sua morte, Moisés di Souza declarou que Espelho nos Olhos "já era histórico antes mesmo de ser lançado".[7][9][8]

Janires foi sepultado em Brasília, no Cemitério Campo da Esperança, onde todos os integrantes da Banda Azul estiveram reunidos com familiares de Janires e outros músicos, como Carlinhos Felix, na época vocalista do Rebanhão. Sobre a repercussão da morte do músico, Carlinhos Veiga declarou:[7][9]

Estilo e Influências Musicais[editar | editar código-fonte]

"O trabalho mais importante do grupo, devido ao seu alto teor poético e também pelo esforço envolvido por cada um de nós para que o álbum fosse concluído. Como cada um trazia experiências diferentes musicais, o álbum ficou recheado de novas harmonias e frases musicais, que adentrou os corações da moçada da época. Antes do disco ser prensado veio o falecimento do Janires que nos deixou a principio meio desorientados, mas o seu legado deixado nos deu forças para continuar."

—Moisés di Souza, 2012.[8]

Em seus trabalhos anteriores, Janires apresentou, como compositor, um material altamente poético e que musicalmente deriva de vários gêneros do rock. O mesmo aconteceu com o álbum de estreia da Banda Azul. Segundo o baixista da banda, a união criativa e as influências musicais de cada um gerou um trabalho rico, que viria a agradar muito bem a juventude da época.[8][7]

A faixa-título, "Espelho nos Olhos" é uma canção autobiográfica de Janires, versando sobre seus sonhos, sua conversão religiosa, suas viagens pelo país e os amigos que fazia. Um dos versos da composição dá a entender que o músico sabia que em breve morreria. A única canção cantada e escrita por Guilherme Praxedes, "Amigo Poeta", é uma homenagem ao vocalista da banda. Em "Veleiro" e "Meninos da Rua", a poesia encontra-se forte, principalmente com as influências da música popular brasileira na primeira citada. "Coração Azul" faz uma referência ao fim do regime militar no Brasil e "Trem da Amizade" a vários artistas e músicos cristãos da época. A introdução psicodélica de "Canção das Estrelas", com um solo de guitarra e tons de teclado se tornou um dos destaques da obra.[10][11]

Lançamento e Legado[editar | editar código-fonte]

Fachada do Palácio das Artes, local onde a Banda Azul realizou o show de lançamento do álbum.

Mesmo com a morte de Janires, o grupo decidiu continuar e Guilherme Praxedes assumiu a posição de vocalista.[12][13] O disco foi lançado oficialmente em 31 de maio de 1988, no Palácio das Artes, e seu lançamento foi noticiado pela mídia local de Belo Horizonte.[1][13] A partir daí, o grupo passou a se apresentar em todo o Brasil, fazendo vários shows na Bolívia, participando num programa televisivo, até que em 1989 a banda gravou seu segundo disco, Final do Túnel.[13]

Espelho nos Olhos foi aclamado pelo público cristão jovem em sua época[14] e acabou se tornando um marco para seu nicho, e o principal dos motivos se deve à morte de Janires. Em 2003, o músico foi homenageado numa gravação ao vivo no Som do Céu, onde participaram amigos e pessoas próximas ao músico. Houve participações de Vencedores em Cristo, Carlinhos Veiga, Paulinho Marotta, além de outros cantores e a Banda Azul, que cantou três canções na voz de Guilherme Praxedes, sendo uma com participação de Marotta e uma na de Dudu Guita.[15] O trabalho foi intitulado Tributo a Janires, e reuniu as principais canções do cantor, como "Espelho nos Olhos", "Amigo Poeta", "Foi por Você", "Coração Azul", "Veleiro" e "Canção das Estrelas". Todas essas canções foram incluídas no repertório.[16]

Em dezembro de 2012, o cantor Carlinhos Felix lança o álbum ao vivo Lindo Senhor cujo repertório trouxe a canção "Baião Eletrônico", desta vez regravada com um arranjo pop rock. A faixa se tornou single do disco, lançado pela gravadora Sony Music Brasil.[17][18] Sobre a regravação, o cantor disse: "Baião Eletrônico é um clássico, se vocês observarem, fiz um arranjo caprichado, para uma música de alto nível."[19]

Em 2015, uma publicação, envolvendo vários portais notórios do segmento protestante, como o Super Gospel, Arquivo Gospel, O Propagador e outros, colocaram Espelho nos Olhos em 12º lugar dentre os maiores álbuns da música cristã brasileira,[4] considerando que o disco foi "o canto do cisne de Janires" e "um dos trabalhos mais ricos, musicalmente falando, dos anos 80".[5]

Faixas[editar | editar código-fonte]

Abaixo listam-se as faixas dos lados A e B, compositores e vocais do disco.[20]

Lado A
N.º Título Compositor(es) Vocais Duração
1. "Canção Das Estrelas"   Janires e Moisés di Souza Banda Azul 4:22
2. "Espelho Nos Olhos"   Janires Janires 3:50
3. "Foi Por Você"   Janires Janires 3:32
4. "Amigo, Amiga" Janires e Moisés di Souza Janires 2:54
5. "Veleiro" Janires Janires 4:00
Tempo Total - Lado A: 18 min, 20 seg
Lado B
N.º Título Compositor(es) Vocais Duração
1. "Baião Eletrônico" Janires e Moisés di Souza Janires 2:52
2. "Amigo Poeta" Guilherme Praxedes Guilherme Praxedes 3:04
3. "Meninos da Rua" Janires e Moisés di Souza Janires 3:00
4. "Coração Azul" Janires e Moisés di Souza Janires 3:14
5. "Trem da Amizade Janires e Moisés di Souza Janires 3:04
Tempo Total - Lado B: 15 min, 21 seg

Ficha Técnica[editar | editar código-fonte]

Abaixo listam-se os músicos envolvidos na produção e gravação do disco.[11]

Banda:

Equipe Técnica:

Referências

  1. a b Banda Azul lança hoje seu elepê "Espelho nos olhos", Jornal Estado de Minas, página 6, 31 de maio de 1988
  2. «Breve Histórico do rock evangélico». Arquivo Gospel. Consultado em 11 de agosto de 2012 
  3. «Conheça a história do rock gospel no Brasil». Gospel+. Consultado em 11 de agosto de 2012 
  4. a b «Sites cristãos produzem lista dos 100 maiores álbuns nacionais». Super Gospel. Consultado em 2 de setembro de 2015 
  5. a b «Os 100 maiores álbuns nacionais da música cristã». O Propagador. Consultado em 2 de setembro de 2015 
  6. «Como nasceu a música gospel». Gospel Sete. Consultado em 18 de agosto de 2012. Cópia arquivada em 18 de agosto de 2012 
  7. a b c d e f g h i j «Amigo é Coisa pra se guardar!... Janires». Moisés di Souza. Consultado em 18 de agosto de 2012 
  8. a b c d «Entrevista com Moisés di Souza, ex-integrante da Banda Azul». Missão Gospel. Consultado em 20 de junho de 2013 
  9. a b c d e «Saudades do Amigo». Carlinhos Veiga. Consultado em 18 de agosto de 2012 
  10. (2003) Créditos do álbum Tributo a Janires por Vários artistas. VPC Produções.
  11. a b (1988) Créditos do álbum Espelho nos Olhos por Banda Azul. Bompastor.
  12. Cleris Cardoso (16 de abril de 2012). «Após 16 anos, a Banda Azul está de volta com nova formação». Super Gospel. Consultado em 18 de agosto de 2012 
  13. a b c «Banda Azul». Gn1tv. Consultado em 18 de agosto de 2012 
  14. Salvador de Souza. «Breve Histórico do Rock evangélico». Arquivo Gospel. Consultado em 19 de agosto de 2012 
  15. «CD Tributo a Janires». Som do Céu. Consultado em 19 de agosto de 2012 
  16. «Tributo a Janires». Arquivo Gospel. Consultado em 19 de agosto de 2012 
  17. «CD Lindo Senhor (Carlinhos Felix) - Análise». Super Gospel. Consultado em 20 de junho de 2013 
  18. «Lindo Senhor de Carlinhos Felix». iTunes. Consultado em 19 de dezembro de 2012 
  19. «Entrevista: Carlinhos Felix». O Propagador. Consultado em 20 de junho de 2013 
  20. Luz, Érica de Campos Visentini da (2008). A produção musical evangélica no Brasil (PDF). (Tese, Doutorado em História). São Paulo: USP - Biblioteca Digital. p. 108