Estação Ferroviária de Casa Branca

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Casa Branca Logos IP.png
Vista geral da Estação de Casa Branca, antes da renovação de 2011.
Linha(s) Linha do Alentejo (PK 90,406)
Linha de Évora (PK 90,406)
Coordenadas 38° 29′ 53,24″ N, 8° 09′ 27,81″ O
Concelho Montemor-o-Novo
Serviços Ferroviários InterCidades
Horários em tempo real
Serviços Lavabos Elevadores Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Sala de espera Parque de estacionamento
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a estação da Linha do Alentejo, em Portugal. Para o apeadeiro na Linha do Vouga, veja Apeadeiro de Branca.

A Estação Ferroviária de Casa Branca é uma gare da Linha do Alentejo, que serve a localidade de Casa Branca, no concelho de Montemor-o-Novo, em Portugal. Funciona como ponto de entroncamento com a Linha de Évora, que termina na cidade de Évora.

Estação de Casa Branca, em 2009.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Vias e plataformas[editar | editar código-fonte]

Em Janeiro de 2011, contava com três vias de circulação, que tinham 550, 420 e 380 m de comprimento; as plataformas tinham 170 e 129 m de extensão, e 55 e 40 cm de altura.[1]

Localização e acessos[editar | editar código-fonte]

Esta interface situa-se na localidade de Casa Branca, tendo acesso pelo Largo 1º de Maio ou da Estação Ferroviária.[2]

Horários dos comboios do Sul e Sueste, em 1872.

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História da Linha do Alentejo

Inauguração[editar | editar código-fonte]

Esta interface encontra-se entre as Estações de Vendas Novas e Beja da Linha do Alentejo, que entrou ao serviço no dia 15 de Fevereiro de 1864.[3] Por seu turno, a linha até Évora abriu em 14 de Setembro de 1863.[4][5]

Casas para pessoal, na estação de Casa Branca.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Em 1902, ocorreu um incêndio de grandes proporções na estação de Casa Branca, que se iniciou no armazém de cortiças mas que depressa se espalhou a outras dependências, tendo sido destruída uma grande quantidade de mercadorias e danificadas várias infra-estruturas, incluindo o edifício de passageiros.[6]

Em 13 de Novembro desse ano, o Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, Manuel Francisco de Vargas pediu a construção de uma escola junto à estação de Casa Branca, para servir os filhos dos funcionários dos caminhos de ferro.[7] Este requerimento foi aceite por Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro no mesmo dia, devendo a escola ser construída pela Administração dos Caminhos de Ferro do Estado, e assumir a denominação de Escola Maria Amélia, em honra da rainha.[7]

Em 1 de Fevereiro de 1908, ocorreu um descarrilamento na estação de Casa Branca, que atrasou em cerca de uma hora o comboio real com destino ao Barreiro.[8] Pouco depois da chegada a Lisboa, a família real foi alvo de um atentado, tendo morrido o Rei D. Carlos e o príncipe D. Luís.[8]

Em 3 de Fevereiro de 1927, os empregados dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste aderiram à revolução no Porto, tendo entrado em greve e recolhido todo o material circulante em Casa Branca.[9] Em 11 de Maio desse ano, os Caminhos de Ferro do Estado passaram a ser explorados pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[10]

No ano de 1933, a Comissão Administrativa do Fundo Especial de Caminhos de Ferro aprovou a instalação de uma divisão de Via e Obras nesta estação.[11] No ano seguinte, foi alvo de grandes obras de reparação, por parte da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses[12], e, em 1935, foram construídas as instalações para a 12ª secção da divisão do Sul e Sueste da CP.[13]

Saída das linhas do Alentejo e de Évora, na Estação de Casa Branca, em 2009.

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Em 10 de Maio de 2010, foram suspensos os serviços na Linha do Alentejo, devido a um projecto da Rede Ferroviária Nacional para a remodelação da linha.[14] A circulação foi reatada no dia 23 de Julho de 2011.[15]

Referências literárias[editar | editar código-fonte]

O escritor Fialho de Almeida descreveu a passagem pela estação de Casa Branca, no seu livro A Cidade do Vício:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  2. «Casa Branca - Linha do Alentejo». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 12 de Junho de 2017 
  3. TORRES, Carlos Manitto (1 de Fevereiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 70 (1683). p. 75-78. Consultado em 28 de Julho de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  4. SANTOS, 1995: 111
  5. MARTINS et al, 1996:243
  6. «Linhas Portuguezas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 15 (339). 1 de Fevereiro de 1902. p. 42. Consultado em 28 de Julho de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  7. a b «Parte Official» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 15 (358). 16 de Novembro de 1902. p. 339-340. Consultado em 30 de Outubro de 2011 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  8. a b RAMOS, 2013:315
  9. MARTINS et al, 1996:256-257
  10. REIS et al, 2006:63
  11. «Direcção-Geral de Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 46 (1102). 16 de Novembro de 1933. p. 601-602. Consultado em 6 de Dezembro de 2011 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  12. «O que se fez nos Caminhos de Ferro Portugueses, durante o ano de 1934» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 47 (1130). 16 de Janeiro de 1935. p. 50-51. Consultado em 29 de Maio de 2013 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  13. «Os nossos Caminhos de Ferro em 1935» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 48 (1154). 16 de Janeiro de 1936. p. 52-55. Consultado em 29 de Maio de 2013 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  14. «Circulação ferroviária na linha do Alentejo interrompida a partir de hoje». Rádio Pax. 16 de Março de 2011. Consultado em 9 de Outubro de 2010. Arquivado do original em 9 de julho de 2009  |urlmorta= e |datali= redundantes (ajuda)
  15. «Circulação ferroviária na Linha do Alentejo é retomada hoje». Linhas de Elvas. 24 de Julho de 2011. Consultado em 30 de Outubro de 2011 [ligação inativa] 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALMEIDA, Fialho de (1982) [1882]. A Cidade do Vício 10.ª ed. Lisboa: Clássica Editora. 293 páginas 
  • SANTOS, Luís Filipe Rosa (1995). Os Acessos a Faro e aos Concelhos Limítrofes na Segunda Metade do Séc. XIX. Faro: Câmara Municipal de Faro. 213 páginas 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • RAMOS, Rui (2013). D. Carlos 1863-1908. Col: Reis de Portugal 8.ª ed. Lisboa: Círculo de Leitores e Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa. 392 páginas. ISBN 9724235874 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]



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