Estação Ferroviária de Riachos-Torres Novas-Golegã

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Riachos-Torres Novas-Golegã
BSicon BAHN.svg
a estação de Riachos - Torres Novas - Golegã, em 2009
Identificação:[1] 32466 RIA (Ria-TNov-Gol)
Denominação: Estação de Riachos-Torres Novas-Golegã
Classificação: E (estação)[2]
Linha(s): Linha do Norte (PK 102,095)
Altitude: 30 m (a.n.m)
Coordenadas: 39°25′55.95″N × 8°30′16.36″W

(≍+39.43221;−8.50454)

(mais mapas: 39° 25′ 55,95″ N, 8° 30′ 16,36″ O)
Concelho: bandeiraTorres Novas
Serviços: Logo CP 2.svgBSicon LSTR orange.svgR
Conexões: Serviço de táxis
Equipamentos: Bilheteira ou máquina de venda de bilhetes Sala de espera Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Lavabos Lavabos adaptados Parque de estacionamento
Website:
Edifício da estação e respetiva plataforma, vistos de nordeste, em 2014.

A Estação Ferroviária de Riachos-Torres Novas-Golegã, igualmente conhecida como Torres Novas, é uma interface da Linha do Norte, que serve as localidades de Riachos, Torres Novas, e Golegã, no Distrito de Santarém, em Portugal. Também serviu como estação inicial da Linha de Torres Novas a Alcanena, que esteve em operação entre 1889 e 1893.[3]

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Automotora 2272 da CP na estação de Riachos, em 2015.

Localização e acessos[editar | editar código-fonte]

Tem acesso pelo Largo da Estação, na localidade de Riachos.[4] Situa-se a cerca de sete quilómetros de distância do centro de Torres Novas.[5]

Descrição física[editar | editar código-fonte]

Em Janeiro de 2011, contava com duas vias de circulação, com 1084 e 1080 m de comprimento; ambas as plataformas tinham 210 m de extensão e 40 cm de altura.[6]

Aviso de 1872 da Companhia Real mencionando Torres Novas.

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História da Linha do Norte

Planeamento e inauguração[editar | editar código-fonte]

Antes da chegada do caminho de ferro, as comunicações na região de Torres Novas eram muito deficientes; as vias rodoviárias estavam em mau estado, e a navegação pelo Rio Tejo era o principal meio de transporte.[7] Devido à hostilidade de Vila Nova da Barquinha, que viu o comboio como uma ameaça à sua posição como entreposto fluvial, e à indiferença de Torres Novas, o caminho de ferro foi relegado para um local ermo, a Ponte da Pedra, onde iria nascer a vila do Entroncamento.[7]

Esta interface encontra-se no lanço entre as estações de Santarém e Entroncamento da Linha do Norte, que abriu à exploração em 7 de Novembro de 1862, pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses.[8] Após a abertura deste troço, a vila de Torres Novas passou a utilizar o comboio para transportar as mercadorias.[9]

Em 7 de Maio de 1893, entrou ao serviço a segunda via no troço entre Torres Novas e Mato Miranda.[10]

Ligação a Alcanena e a Torres Novas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Linha de Torres Novas a Alcanena

A Linha de Torres Novas a Alcanena foi um sistema ferroviário de via estreita que ligava a estação de Torres Novas a Alcanena, passando pela vila de Torres Novas.[11][12] O primeiro troço deste caminho de ferro, desde a estação até à vila de Torres Novas, foi inaugurado em 16 de Maio de 1889, tendo a linha sido concluída com a chegada a Alcanena, em 1 de Fevereiro de 1893.[3] Este caminho de ferro encerrou em 30 de Junho de 1893.[3]

Século XX[editar | editar código-fonte]

Nos primeiros anos do Século XX, existiam várias empresas que faziam serviços regulares de diligências entre a estação e a vila.[13]

Em Maio de 1912, António José de Almeida passou pela estação de Torres Novas, numa visita que fez à vila.[14]

Em 1913, existiam serviços de diligências ligando a estação a Torres Novas e à Golegã.[15]

Durante a greve geral dos ferroviários em Janeiro de 1914, a estação de Torres Novas foi uma das que se declararam prontas para lutar contra as forças da ordem, se estas tentassem expulsar os grevistas.[16]

Em Setembro de 1919, durante um período de escassez de produtos alimentares no concelho de Torres Novas, os trabalhadores foram à estação de Torres Novas, apresando pelo caminho cascos de azeite, e impedindo que outros 6 cascos fossem embarcados na gare.[17]

Em Maio de 1920, a primeira imagem da Nossa Senhora de Fátima foi transportada de comboio desde a Casa de Arte Sacra, em Fânzeres, no Porto, até à estação de Torres Novas, tendo depois continuado por via terrestre até à Cova da Iria.[18]

Em 1933, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses construiu um bairro nesta estação.[19]

Em 19 de Abril de 1950, foi autorizada a realização de obras para a instalação eléctrica nesta estação.[20]

Comboio InterCidades a passar pela estação, em 2014.

Ligações projectadas a outras linhas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Ramal de Rio Maior

Em 1911, realizou-se uma comissão regional para defender a construção de uma linha de Tomar a Rio Maior, com passagem por Torres Novas[13] Em 1913, a câmara dos deputados tinha concessionado a construção de uma linha que partia de Tomar, passava pelo Entroncamento e terminava na Nazaré.[21] Em Abril do ano seguinte, um deputado anunciou que tinha quase pronto um projecto que tencionava apresentar no parlamento e que autorizava a construção de um caminho de ferro que passava por Torres Novas, Minde e Porto de Mós, acabando na Linha do Oeste.[21]

O Decreto n.º 18:190, de 28 de Março de 1930, classificou o projecto da Linha do Entroncamento a Rio Maior, de via estreita, que devia passar por Torres Novas, Alcanena e Alqueidão.[22]

Em 1899, a Câmara Municipal da Chamusca aceitou a construção de um caminho de ferro de via estreita desde o Entroncamento ou Torres Novas até Montargil ou Couço, servindo a vila da Chamusca.[23]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. (I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
  2. Instrução de exploração técnica nº 2 : Índice dos textos regulamentares em vigor. IMTT, 2012.11.06
  3. a b c «Cronologia das Linhas de "Americanos" que existiram em Portugal». Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos de Ferro. Consultado em 14 de Março de 2012. Arquivado do original em 5 de março de 2014 
  4. «Riachos - Torres Novas - Golegã - Linha do Norte». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 10 de Novembro de 2015 
  5. LOPES, 1987:25
  6. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  7. a b ROCHA, 2009:36-37
  8. TORRES, Carlos Manitto (1 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1681). p. 9-12. Consultado em 25 de Fevereiro de 2014 
  9. ROCHA, 2009:43
  10. NONO, Carlos (1 de Maio de 1949). «Efemérides ferroviárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1473). p. 289-290. Consultado em 10 de Novembro de 2015 
  11. BICHO, 2000:53
  12. «Há Quarenta anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1084). 16 de Fevereiro de 1933. p. 116-117. Consultado em 25 de Fevereiro de 2014 
  13. a b ROCHA, 2009:21
  14. ROCHA, 2009:116
  15. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 2 de Março de 2018 
  16. MARQUES, 2014:120
  17. ROCHA, 2009:176-177
  18. «A Imagem de Nossa Senhora». Voz da Fátima. Ano 97 (1156). Santuário de Fátima: Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. 13 de Janeiro de 2019. p. 3. ISSN 1646-8821 
  19. «O que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal no Ano de 1933» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1106). 16 de Janeiro de 1934. p. 49-52. Consultado em 4 de Junho de 2013 
  20. MARTINS et al, 1996:264
  21. a b MARQUES, 2014:110-111
  22. PORTUGAL. Decreto n.º 18:190, de 28 de Março de 1930. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos - Secção de Expediente, Publicado no Diário do Governo n.º 83, Série I, de 10 de Abril de 1930.
  23. FONSECA, 2003:31
Comboio de mercadorias a passar pela estação, em 2019.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BICHO, Joaquim Rodrigues (2000). Toponímia da Cidade de Torres Novas. Torres Novas: Câmara Municipal. 238 páginas. ISBN 972-9151-36-9 
  • FONSECA, João José Samouco da (2003). História da Chamusca. III. Chamusca: Câmara Municipal de Chamusca. 298 páginas 
  • LOPES, João Carlos (1987). Roteiro do Concelho de Torres Novas. Torres Novas: Câmara Municipal de Torres Novas. 43 páginas 
  • MARQUES, Ricardo (2014). 1914: Portugal no ano da Grande Guerra 1.ª ed. Alfragide: Oficina do Livro - Sociedade Editora, Lda. 302 páginas. ISBN 978-989-741-128-1 
  • MARTINS, João Paulo, BRION, Madalena, SOUSA, Miguel de, LEVY, Maurício, AMORIM, Óscar (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. [S.l.]: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • ROCHA, Francisco Canais (2009). Para a História do Movimento Operário em Torres Novas. Durante a Monarquia e a I República (1862/1926). Torres Novas: Câmara Municipal de Torres Novas. 221 páginas. ISBN 978-972-9151-72-9 
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre a Estação de Riachos-Torres Novas-Golegã

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre uma estação, apeadeiro ou paragem ferroviária é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.