Estação Ferroviária de Lisboa-Santa Apolónia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Lisboa - Santa Apolónia Logos IP.png
Vista geral da estação de Santa Apolónia, em 2009
Inauguração 1 de Maio de 1865
Linha(s) Linha do Norte (PK 0,000)
Linha da Matinha (PK 0,000)
Coordenadas 38° 42′ 49,17″ N, 9° 07′ 23,56″ O
Concelho Lisboa
Serviços Ferroviários InterCidades
Alfa Pendular
Internacional
InterRegional
Regional
Urbano (Linha da Azambuja)
Serviços Carris (autocarros e eléctricos) Linha Azul Serviço de táxis Parque de estacionamento Informações - Gabinete de Apoio ao Cliente Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Lavabos adaptados Lavabos Sala de espera Guarda de bagagem Telefones públicos Caixas Multibanco Aluguer de automóveis Bar ou cafetaria Zona Comercial Posto de perdidos e achados Acesso à Internet Estacionamento para bicicletas
Localização
Predefinição:Posição mapa
Disambig grey.svg Nota: Para a estação de metropolitano com o mesmo nome, veja Estação Santa Apolónia.

A Estação Ferroviária de Lisboa-Santa Apolónia, gerida pela Infraestruturas de Portugal, é uma interface ferroviária da Linha do Norte, que serve a cidade de Lisboa, em Portugal. Originalmente planeada como uma gare ferroviária e fluvial[1], entrou ao serviço apenas como uma gare provisória em 28 de Outubro de 1856, quando foi inaugurado o primeiro lanço de via férrea em Portugal, até ao Carregado.[2] Só em Outubro de 1862 é que se iniciaram as obras da estação definitiva[3], que foi inaugurada em 1 de Maio de 1865.[4] A estação de Santa Apolónia perdeu muito do seu protagonismo com a abertura da Gare do Rossio em 1891, que passou a reunir todo o tráfego de passageiros de longa distância.[5] Foi alvo de importantes obras de ampliação nas décadas de 1930[6][7] e 1940[8] Nos anos 50, os serviços de longo curso voltaram a Santa Apolónia, levando a grandes obras de modificação na estação para acolher comboios de maior comprimento.[9]

Descrição[editar | editar código-fonte]

CP-USGL + Soflusa + Fertagus

(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros na Grande Lisboa)
Serviços: BSicon uBHFq.svg Sado (CP+Soflusa)BSicon fBHFq.svg Sintra (CP)
BSicon uexBHFq.svg FertagusBSicon BHFq.svg Azambuja (CP)BSicon BHFq yellow.svg Cascais (CP)


(n) Azambuja 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Head station
Urban head station
 Praias do Sado-A (u)
(n) Espadanal da Azambuja 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Station on track
Urban station on track
 Praça do Quebedo (u)
(n) Vila Nova da Rainha 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Station on track
Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexKBHFa-R"
 Setúbal (u)
(n) Carregado 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Station on track
Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-R"
 Palmela (u)
(n) Castanheira do Ribatejo 
Unknown route-map component "vKBHFa-BHF" Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-R"
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
Unknown route-map component "vBHF" Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-R"
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
Unknown route-map component "vBHF" Urban station on track Unused straight waterway
 Penteado (a)
(n) Alverca 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdKBHFa-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Moita (a)
(n) Póvoa 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Lavradio (a)
(n) Sacavém 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Barreiro-A (a)
(n) Moscavide 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Barreiro (a)
(n) Oriente 
Unknown route-map component "fvKBHFa-BHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Unknown route-map component "uTRAJEKT" Unused straight waterway
 (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban End station Unused straight waterway
 Terreiro do Paço (a)
(n) Santa Apolónia 
Unknown route-map component "fvSTR" Unknown route-map component "vSTRgl" Unknown route-map component "KBHFeq" Unknown route-map component "uexBHF"
 Penalva (u)
(z) Marvila 
Unknown route-map component "fvSTR" Station on track Unknown route-map component "uexBHF"
 Coina (u)
 
Unknown route-map component "fvSTR" Unknown route-map component "KRWl" Unknown route-map component "KRW+r" Unknown route-map component "uexBHF"
 Fogueteiro (u)
(z) Roma - Areeiro 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "uexKBHFa-M" Unknown route-map component "BHF-R" Unknown route-map component "uexBHF"
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-M" Unknown route-map component "BHF-R" Unknown route-map component "uexBHF"
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-M" Unknown route-map component "BHF-R" Unknown route-map component "uexBHF"
 Pragal (u)
 
Unknown route-map component "fvSTR"
Unknown route-map component "uexSTRl" + Unknown route-map component "fvSTR+l-"
Unknown route-map component "fSTRq" + Interchange on track
Unknown route-map component "uexSTRr" + Unknown route-map component "fSTR+r"
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "d" Straight track Unknown route-map component "fKBHFe"
 Rossio (s)
(s) Santa Cruz-Damaia 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "d" Straight track Unknown route-map component "KBHFa yellow"
 Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "d" Straight track Unknown route-map component "BHF yellow"
 Santos (c)
**(z) Alcântara - Terra 
Unknown route-map component "fvSHI1l"
Unknown route-map component "fSHI1c3" + Unknown route-map component "fSHI1+r"
End station + Unknown route-map component "HUBaq"
Unknown route-map component "BHF yellow" + Unknown route-map component "HUBeq"
 Alcântara - Mar (c)**
(s) Amadora 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Belém (c)
(s) Queluz - Belas 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Algés (c)
(s) Monte Abraão 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Paço de Arcos (c)
(o) Mira Sintra-Meleças 
Unknown route-map component "fKBHFe" + Unknown route-map component "fSHI1c1"
Unknown route-map component "fvSHI1+r" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Santo Amaro (c)
(s) Rio de Mouro 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Oeiras (c)
(s) Mercês 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Carcavelos (c)
(s) Algueirão - Mem Martins 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Parede (c)
(s) Portela de Sintra 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 São Pedro Estoril (c)
(s) Sintra 
Unknown route-map component "fvKBHFe" Unknown route-map component "BHF yellow"
 São João Estoril (c)
 
Unknown route-map component "BHF yellow"
 Estoril (c)
(c) Cascais 
Unknown route-map component "KBHFaq yellow" Unknown route-map component "BHFq yellow" Unknown route-map component "STRr yellow"
 Monte Estoril (c)

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaisz L.ª Cintura
n L.ª Norteo L.ª Oestes L.ª Sintrau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A (**) vd. Pass. Sup. Alcântara

Fonte: Página oficial, 2018.11
(nomes das estações de acordo com a fonte)

Localização e acessos[editar | editar código-fonte]

Situa-se na freguesia de São Vicente em Lisboa, com acesso pela Avenida Infante Dom Henrique.[10]

Enquadramento[editar | editar código-fonte]

Faz parte de um conjunto de cinco terminais no Centro de Lisboa, terminais das ligações radiais:

Os quatro terminais não se encontram ligados directamente entre si por intermédio de uma rede ferroviária, originando uma descontinuidade da rede ferroviária de Lisboa. Para colmatar esta descontinuidade, existem linhas de transportes urbanos que permitem a ligação directa entre os quatro terminais. Estas linhas são operadas pela Carris ou pelo Metropolitano de Lisboa:

  • Santa Apolónia ⇄ Sul e Sueste - Carris ou Metropolitano de Lisboa
  • Santa Apolónia ⇄ Rossio - Metropolitano de Lisboa
  • Santa Apolónia ⇄ Cais do Sodré - Carris

As ligações do Metropolitano de Lisboa são operadas pela linha Azul e as da Carris através da Ponte-Bus Santa Apolónia ⇄ Cais do Sodré. Ressalva-se ainda a possibilidade de fazer a articulação entre Santa Apolónia e Rossio através da carreira 759 da Carris.

Edifício[editar | editar código-fonte]

A fachada principal, simétrica, apresenta-se do estilo neoclássico, como pode ser comprovado pela decoração das sacadas, pelo frontão e arquitrave, os arcos de volta perfeita e a saliência no módulo principal.[11] A nave da estação tem 117 m de comprimento, 24,60 m de largura e uma altura máxima de 13 m.[4] Os materiais utilizados na sua construção foram alvenaria de tijolo, cantaria de calcário, ferro forjado, madeira (pinho) e vidro.[11]

Vias e gares[editar | editar código-fonte]

A Estação de Santa Apolónia conta com seis vias de circulação, com comprimentos entre os 250 e 335 m; as plataformas tinham entre 172 e 348 m de comprimento, e uma altura de 60 a 70 cm,[12] numeradas de 1 a 7:

  • Linha 1 (Topo Norte do lado da cidade): partidas e chegadas Alfa Pendular;
  • Linha 2 (Topo Norte do lado da cidade): partidas e chegadas Intercidades e dos Regionais Oeste;
  • Linha 3 (Via Central do lado da cidade): partidas e chegadas dos serviços Intercidades e Internacionais;
  • Linha 5 (Via Central do lado do rio): partidas e chagadas Intercidades, Inter-regional e Regional Beira Baixa;
  • Linha 6 (Topo Norte do lado do rio): partidas e chegadas Regional;
  • Linha 7 (Topo Norte do lado do rio): partidas e chagadas Urbanos.

A Linha 4 (Via Central) é uma via de resguardo não efetuando serviço comercial.

Serviços[editar | editar código-fonte]

Transporte ferroviário[editar | editar código-fonte]

Serviço Municípios Servidos
CP Longo Curso
Intercidades
Almada, Palmela, Vendas Novas, Montemor-o-Novo, Évora, Alvito, Cuba, Grândola, Ourique, Odemira, Silves, Albufeira, Loulé e Faro
CP Regional
Regional e InterRegional
Lisboa, Sintra, Mafra, Torres Vedras, Bombarral, Óbidos, Caldas da Rainha, Nazaré, Alcobaça, Marinha Grande, Leiria, Pombal, Figueira da Foz, Soure, Montemor-o-Velho e Coimbra
CP Lisboa
Linha de Sintra
Lisboa, Amadora, Oeiras e Sintra
CP Lisboa
Linha da Azambuja
Lisboa, Loures, Vila Franca de Xira e Azambuja

Urbanos de Lisboa[editar | editar código-fonte]

Logo CP 2.svg   CP Urbanos de Lisboa
Linha da Azambuja
Santa Apolónia ↔ Azambuja

Comboios de Portugal Estações ferroviárias servidas dentro de Lisboa[editar | editar código-fonte]

Regional[editar | editar código-fonte]

Logo CP 2.svg   Regional
Logo CP 2.svg
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Tomar
Logo CP 2.svg
Lisboa Santa Apolónia ↔ Entroncamento
Logo CP 2.svg
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Leiria
Logo CP 2.svg
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Castelo Branco
Logo CP 2.svg
Porto - Campanhã ↔ Lisboa - Santa Apolónia
Logo CP 2.svg
Guarda ↔ Lisboa - Santa Apolónia

Notar que os serviços Regional Porto - Lisboa e Guarda - Lisboa apenas se efectuam nesse sentido.

InterRegional[editar | editar código-fonte]

Logo CP 2.svg   InterRegional
Interregional.svg
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Tomar
Interregional.svg
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Entroncamento
Interregional.svg
Porto - Campanhã ↔ Lisboa - Santa Apolónia

Notar que o serviço InterRegional Porto - Lisboa apenas se efectua nesse sentido.

Longo Curso[editar | editar código-fonte]

Logo CP 2.svg   CP Longo Curso
Alfa Pendular.svg
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Porto - Campanhã
Alfa Pendular.svg
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Braga
Alfa Pendular.svg
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Guimarães
Ic2.JPG
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Porto - Campanhã
Ic2.JPG
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Braga
Ic2.JPG
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Guimarães
Ic2.JPG
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Guarda

Ic2.JPG

Lisboa - Santa Apolónia ↔ Covilhã

Internacional[editar | editar código-fonte]

Logo CP 2.svg   Internacional
Logo CP 2.svg
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Hendaye
Logo CP 2.svg
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Madrid

Padrão de serviços de comboio[editar | editar código-fonte]

Estação anterior Serviço Estação seguinte
Terminal
CP Lisboa
Linha da Azambuja
Braço de Prata
Direção Azambuja
Terminal
Regional
Linha do Oeste
Lisboa - Entrecampos
Direção Torres Vedras / Caldas da Rainha
Terminal
Regional
Linha do Norte
Lisboa - Oriente
Direção Tomar / Entrocamento / Castelo Branco (De Guarda e Porto - Campanhã)
Terminal
InterRegional
Linha do Norte
Lisboa - Oriente
Direção Tomar e de Porto - Campanhã
Terminal
InterCidades
Linha do Norte
Lisboa - Oriente
Direção Porto - Camapanhã / Braga / Guimarães / Guarda / Covilhã
Terminal
Alfa Pendular
Linha do Norte
Lisboa - Oriente
Direção Porto - Campanhã / Braga / Guimarães

Transportes urbanos[editar | editar código-fonte]

Logo ccfl.png Carris[editar | editar código-fonte]

Carreira Designação Destinos
2 0 6 Cais do SodréSenhor Roubado ML Santa Apolónia - Sapadores - Praça do Chile - Av. Roma - Musgueira - Lumiar - Senhor Roubado ML
Santa Apolónia - Sul e Sueste - Cais do Sodré
2 1 0 Cais do SodréPrior Velho Santa Apolónia - Xabregas - Poço do Bispo - Olivais - Estação Oriente - Moscavide - Portela - Prior Velho
Santa Apolónia - Sul e Sueste - Cais do Sodré
7 0 6 Santa ApolóniaCais do Sodré Santa Apolónia - Vale Escuro - Praça do Chile - Gomes Freire - Marquês de Pombal - São Bento - Santos - Cais do Sodré
7 1 2 Santa ApolóniaAlcântara Mar Santa Apolónia - Sapadores - Gomes Freire - Marquês de Pombal - Campolide - Alcântara Mar
7 2 8 ResteloPortela Santa Apolónia - Xabregas - Poço do Bispo - Parque das Nações Sul - Estação Oriente - Moscavide - Portela
Santa Apolónia - Sul e Sueste - Cais do Sodré - Alcântara - Belém - Restelo
7 3 4 Santa Apolónia ⇄ Martim Moniz Santa Apolónia - Graça - Martim Moniz
7 3 5 Cais do SodréHospital de Santa Maria Santa Apolónia - Sapadores - Praça do Chile - Al.Afonso Henriques - Av. Roma - Campo Grande - Hospital de Santa Maria
Santa Apolónia - Sul e Sueste - Cais do Sodré
7 5 9 RestauradoresEstação do Oriente Santa Apolónia - Xabregas - Bairro Madre Deus - Bairro do Condado - Bairro das Amendoeiras I.S.E.L. - Olivais Sul - Encarnação - Olivais Norte - Moscavide - Estação Oriente
Santa Apolónia - Sul e Sueste - Restauradores
EXPRESSO

7 8 1

Cais do SodréPrior Velho Santa Apolónia - Xabregas - Poço do Bispo - Parque das Nações Sul - Olivais Sul - Olivais Norte - Prior Velho
Santa Apolónia - Sul e Sueste - Cais do Sodré
EXPRESSO

7 8 2

Cais do SodréMoscavide Santa Apolónia - Xabregas - Poço do Bispo - Cabo Ruivo - Estação Oriente - Moscavide
Santa Apolónia - Sul e Sueste - Cais do Sodré
7 9 4 Sul e SuesteEstação do Oriente Santa Apolónia - Xabregas - Chelas - C.C. Belavista - Bairro da Flamenga - Bairro dos Loios - Bairro das Amendoeiras I.S.E.L. - Cabo Ruivo - Estação Oriente
Santa Apolónia - Sul e Sueste

Lisbon Metro logo.png Metropolitano de Lisboa[editar | editar código-fonte]

Ponte-Bus Santa Apolónia ⇄ Cais do Sodré. Assinala o conjunto de autocarros que, funcionando 24 horas por dia e com elevadas frequências, permitem a articulação entre as estações de Santa Apolónia, Sul e Sueste e Cais do Sodré

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História da Linha do Norte
Estação de Santa Apolónia, no Século XIX. Destaca-se o edifício original, só com 2 pisos, e o pórtico a rematar a marquise, com o escudo da monarquia.
Placa comemorativa da chegada de Humberto Delgado.
Gare de Santa Apolónia
Chegada de um comboio suburbano à linha 7 na estação ferroviária de Santa Apolónia
Monumento aos emigrantes, eregido em frente da estação

Século XIX[editar | editar código-fonte]

Antecedentes e primeiros projectos[editar | editar código-fonte]

Em meados do Século XIX, as comunicações de Lisboa com o resto do país e o estrangeiro eram muito deficientes.[13] Uma viagem de Lisboa ao Porto, por exemplo, era feita inicialmente de navio, que percorria o Rio Tejo até ao Carregado, onde se apanhava a Mala-posta.[13] As embarcações utilizadas até ao Carregado avariavam constantemente, e estavam dependentes das marés, perdendo frequentemente a ligação com a mala posta, que por seu turno era muito lenta, demorando cerca de 33 horas até ao Porto.[13]

Em Dezembro de 1844, por iniciativa de José Bernardo da Costa Cabral, foi fundada a Companhia das Obras Públicas, sendo um dos principais objectivos a construção de um caminho de ferro entre Lisboa e Espanha, e de uma interface ferroviária e marítima na capital portuguesa.[1] Esta estação, que seria denominada de Cais da América ou Cais da Europa, permitiria que os passageiros, vindos de toda a Europa por comboio, fizessem transbordo directo para um navio de cruzeiro com destino à América.[1]

Planeamento[editar | editar código-fonte]

O projecto inicial para a construção desta interface defendia a sua instalação no Cais dos Soldados; no entanto, em Dezembro de 1852, o engenheiro Thomaz Rumball propôs duas alternativas, junto à Fundição de Lisboa, ou nas proximidades do Largo do Intendente[14], no vale que foi posteriormente ocupado pela Avenida Almirante Reis.[15] Outro engenheiro, Harcourt White, também comentou em Janeiro de 1853 que o Cais dos Soldados não era um local adequado para a estação, alegando falta de espaço, tendo sugerido que fosse construída junto ao rio, após a Igreja dos Anjos em Xabregas, onde existia muito espaço livre.[14] Foi nomeada uma comissão executiva para planear a construção da estação de Lisboa, que aconselhou a instalação de duas estações principais, uma delas perto da Rocha do Conde de Óbidos, para passageiros e mercadorias, e outra junto à alfândega de Lisboa, no Terreiro do Paço.[14] As obras de construção da ligação ferroviária até Espanha iniciaram-se nesse ano, por ordem de Fontes Pereira de Melo.[1]

Em 7 de Maio de 1853, foram inauguradas as obras do Caminho de Ferro do Leste, numa cerimónia que teve lugar junto com ao Convento do Beato António, em Xabregas.[13]

Em 8 de Março de 1854 foi aprovado o projecto definitivo para a estação no Cais dos Soldados, que apresentava gares distintas para os passageiros e mercadorias, oficinas para reparação, cocheiras para albergar o material circulante, e várias vias de serviço.[3] Para o edifício dos passageiros, já havia sido obtido em 1852 o antigo Convento de Santa Apolónia[16][17] e deveria ser necessário demolir o Arsenal do Exército.[3] O terreno necessário para a construção do cais marginal e da via férrea até Alcântara, para o transporte de mercadorias, deveria ser conquistado ao Rio Tejo.[3]

Inauguração da estação provisória[editar | editar código-fonte]

No entanto, quando se inaugurou o primeiro troço do Caminho de Ferro do Leste, entre o Carregado e Lisboa, em 28 de Setembro de 1856, ainda não se tinham iniciado as obras de construção do edifício definitivo, tendo a estação provisória de Santa Apolónia sido instalada junto ao Palácio de Coimbra.[18][2] Na manhã desse dia, o povo começou a chegar à estação, para ver os convidados do comboio inaugural, incluindo a família real, o cardeal patriarca, o corpo diplomático, e vários membros das forças armadas e do governo.[19] Após a cerimónia da benção, o comboio partiu de Santa Apolónia, o que foi festejado com salvas dos navios, lançamento de foguetes e uma salva de palmas por parte da multidão.[19] No entanto, a viagem de regresso encontrou vários problemas, tendo uma das locomotivas sofrido uma avaria, pelo que foi enviada uma de Lisboa para a substituir.[19] Este processo atrasou a viagem de regresso durante várias horas, e contribuiu para que a inauguração tenha sido considerada um fracasso pelos oponentes dos caminhos de ferro em Portugal.[19][13]

As instalações da estação situavam-se nas dependências do antigo convento de Santa Apolónia, num local que seria posteriormente ocupado por um armazém de víveres para o pessoal.[2] Originalmente, as vias no interior da estação tinham uma largura de 1,4435 m, mas após a formação da Companhia Real, as linhas já construídas foram adaptadas à Bitola ibérica.[2]

No entanto, o facto da estação provisória estar longe do centro da cidade foi uma das principais causas para o insucesso inicial da Linha, que levou à dissolução do contracto com a Companhia Central Peninsular dos Caminhos de Ferro de Portugal em 1857 e à formação da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses em 1860.[2]

Construção, inauguração e primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Em Junho de 1862, voltou-se ao projecto original para a estação ferroviária, e as obras iniciaram-se em Outubro desse ano.[3] O projecto foi realizado por Angel Arribas Ugarte, e a obra foi conduzida pelo engenheiro-director, João Evangelista de Abreu, e pelo engenheiro-chefe, Lecrenier.[4] A obras foram executadas pela empresa de construção Oppermann[11], e a estrutura metálica foi montada pela firma de James Blair.[3] A estação foi inaugurada em 1 de Maio de 1865,[4] entrando ao serviço logo nesse dia.[20]

A construção da estação de Santa Apolónia foi uma das maiores obras no sector dos caminhos de ferro em Portugal, devido às suas grandes dimensões e ao facto de ter sido instalada em terrenos conquistados ao Rio Tejo, destacando-se principalmente o edifício de passageiros e o feixe de vias.[21]

Para a instalação das oficinas de Santa Apolónia, foi necessário recrutar um grande número de operários, que vieram especialmente das povoações ao longo do Tejo, transportados pelos comboios da Linha do Norte.[22] Desta forma, tornou-se um fenómeno habitual a deslocação a pé de dezenas de trabalhadores durante a madrugada desde as suas aldeias até às estações mais próximas, como Vila Franca de Xira, Alhandra, Alverca e Póvoa, seguindo depois de comboio até Braço de Prata, onde apanhavam o comboio operário até Santa Apolónia.[22] Este percurso depois repetia-se no sentido contrário, ao final do dia.[22]

Em 18 de Setembro de 1873, entrou ao serviço a primeira linha de carros americanos em Lisboa, ligando a Estação de Santa Apolónia ao Aterro da Boavista.[23]

Em 28 de Dezembro de 1889, a Imperatriz Teresa Cristina do Brasil faleceu no Porto, tendo o seu corpo sido transportado de comboio até Santa Apolónia, e depois foi levado para a Igreja de São Vicente de Fora.[24]

Em Setembro de 1891, a Gare do Rossio passou a acolher todos os comboios das linhas do Leste e Norte, que antes terminavam em Santa Apolónia.[5]

Em 1895, ocorreu um incêndio nas oficinas de Santa Apolónia, onde foi destruída uma das carruagens do comboio real.[25]

Ligação à Linha de Cintura[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Linha de Cintura

Em 7 de Julho de 1886, um alvará autorizou a Companhia Real a construir um caminho de ferro de Santa Apolónia a Benfica, de forma a ligar a Linha do Leste às linhas do Oeste e Linha de Sintra.[2] A Linha de Cintura entrou ao serviço em 1888.[26]

Projecto abandonado até ao Cais do Sodré[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Linha de Cascais

Um alvará de 9 de Abril de 1887 aprovou um projecto da Companhia Real para uma linha marginal de Santa Apolónia até Alcântara, que poderia depois ser prolongada até Cascais.[27][28] No entanto, apenas foi construído o troço entre Cais do Sodré e Cascais.[27]

Século XX[editar | editar código-fonte]

Antes e depois de acrescentado o 3.º piso, em 1908[29] (fotos de Chusseau-Flaviens).

Décadas de 1910 e 1920[editar | editar código-fonte]

Em 14 Janeiro de 1914, os empregados da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses entraram em greve, paralisando a maior parte das operações ferroviárias, incluindo em Santa Apolónia, onde tinham sido presos dois grevistas.[30] Este movimento de greve durou quase todo o mês, tendo a situação regressado ao normal cerca de uma semana depois, com apenas alguns episódios esporádicos de violência.[30] Por exemplo, no dia 24, a administração da empresa declarou junto da imprensa que tinham faltado ao trabalho 123 dos 600 empregados de Santa Apolónia, situação que era considerada normal, sendo por isso um sinal do fim da greve.[30]

Nos princípios de 1917, os ataques dos submarinos alemães estavam a causar um grande aumento nos preços dos fretes marítimos, pelo que muitas das mercadorias passaram a ir por via férrea, criando grandes congestionamentos em Santa Apolónia e noutras estações.[31] Para tentar minimizar este problema, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses estava a construir, em Janeiro desse ano, um novo cais na marquise em frente à estação, que se previa estar concluído ainda nesse mês.[31]

Em meados da Década de 1920, verificou-se um novo aumento no tráfego de mercadorias em Santa Apolónia, devido ao acréscimo no trânsito internacional por caminho de ferro até Lisboa, onde seguiria viagem por via marítima; porém, este movimento revelou-se demasiado para a capacidade de armazenamento na estação de Santa Apolónia, pelo que a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses se viu forçada, em 1926, a passar parte das mercadorias para a Alfândega no Terreiro do Paço.[32]

Em Agosto desse ano, ocorreu um acidente em Santa Apolónia, quando 8 vagões descarrilaram e colidiram com outro material circulante, provocando 4 feridos.[33]

Em 3 de Agosto de 1928, saiu da estação de Santa Apolónia o Comboio do Trigo, um serviço especial transportando pessoal técnico, sementes e aparelhos, que tinha como objectivo percorrer várias regiões do país onde se produzia o cereal, de forma a ensinar a população sobre os métodos mais adequados.[34]

Festa de Natal na estação de Santa Apolónia, em 27 de Dezembro de 1936.

Décadas de 1930 e 1940[editar | editar código-fonte]

Em 1934, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses realizou obras parciais de reparação em Santa Apolónia, e montou uma instalação de impregnação de enrolamentos nas oficinas gerais.[7] Em 1935, construiu um poço e reservatório de betão, e construiu duas linhas bifilares entre Santa Apolónia e o Rossio.[6] Apesar destas obras de ampliação, em 1940 a estação de Santa Apolónia ainda estava limitada a uma estreita faixa de terreno, sem capacidade suficiente para albergar o movimento próprio e dos seus cais marítimos.[35]

Na Década de 1940, foram construídas 7 automotoras nas oficinas de Santa Apolónia.[36]

Em 1948, a companhia inaugurou uma cantina em Santa Apolónia.[8]

Comboio em manobras em Santa Apolónia, em 1956.

Décadas de 1950 e 1960[editar | editar código-fonte]

Em 10 de Março de 1951, chegaram à estação de Santa Apolónia três carruagens francesas metálicas, que a companhia tinha encomendado para os serviços internacionais.[37]

Na década de 1950, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses iniciou um programa para a modernização da Linha do Norte e das redes suburbanas de Lisboa e do Porto, que incluiu a instalação de novos aparelhos de sinalização e dos equipamentos para a tracção eléctrica.[38] Um dos lanços englobados na primeira fase deste programa foi o de Santa Apolónia a Braço de Prata, que também deveria ser duplicado[38], de forma a facilitar o tráfego dos comboios, especialmente os internacionais.[9]

Em 1 de Fevereiro de 1955, a Gazeta dos Caminhos de Ferro reportou que o tráfego de longo curso iria voltar a ser feito em Santa Apolónia, para se iniciarem as obras de electrificação do Túnel do Rossio.[9] Nessa altura, já se tinham iniciado as obras para a duplicação da via férrea até Braço de Prata, obra que se previa estar concluída dentro de algumas semanas, de forma a permitir a passagem dos comboios internacionais.[9] A estação tinha sido recentemente alvo de profundas demolições, tendo sido demolidos os antigos armazéns e barracões no lado Sul, e construída uma avenida entre a estação e o rio, que ia até Cabo Ruivo.[9] Em frente da estação, foram instalados dois parques de estacionamento para os autocarros da empresa Carris, que iria reforçar as suas carreiras de Chelas à Praça da Figueira e da Praça do Comércio a Moscavide, e criar uma nova de Santa Apolónia à Praça da Figueira.[39] Os táxis passaram a ter uma praça própria na Avenida Infante Dom Henrique, junto ao edifício da estação.[39] Para permitir a formação de comboios grandes, a estação foi suprida com vários cais longos, um deles com 250 m de comprimento, destinado aos comboios vindos de Vila Nova de Gaia.[39] Desta forma, não seria necessário fazer a troca de locomotivas e a separação dos comboios maiores entre Campolide e o Rossio, como acontecia com o rápido do Porto.[9] À direita estava uma gare mais pequena, que era já utilizada pelos comboios até Vila Franca de Xira, e que deveria ser utilizada pelos comboios Lusitânia Expresso, Sud Expresso e Foguete e por outros serviços de longo curso.[39] As quatro linhas de testa também foram multiplicadas em nove, de forma a acolher todos os comboios sem perturbar o seu funcionamento[9], embora apenas duas é que fossem directamente servidas por plataformas.[39] Em 6 de Março de 1955, foi interrompido o trânsito no Túnel do Rossio para obras, passando todos os comboios rápidos e correios da Linha do Norte e linhas afluentes, e os tranvias da Azambuja, para a estação de Santa Apolónia.[39] De forma a dar a conhecer ao público as modificações nos serviços e as obras em curso, vários representantes da impresa visitaram as estações de Santa Apolónia, Rego e Sete Rios.[39] Em Santa Apolónia, foram recebidos pelo director-geral Roberto de Espregueira Mendes e por outras altas individualidades da companhia, que lhes apresentaram as alterações na estação, incluindo a remoção dos serviços internos para libertar mais espaço no átrio, onde foram instaladas três bilheteiras, a venda de jornais, o seguro de viagens, e o serviço para o correio de última hora.[39] Na zona lateral, igualmente com entrada pela Avenida Infante Dom Henrique, passou a funcionar o despacho de bagagens, com uma balança automática que permitia a verificação e registo automático dos volumes.[39] O tratamento das bagagens chegadas e despachadas passou a ser feito numa ampla sala.[39] A gare passou a dispor de projectores para fornecer uma melhor iluminação, especialmente às vias férreas, para tornar menos perigoso o trabalho do pessoal, e foi instalado um sistema sonoro para informar os viajantes.[39] Também foi montado um tejadilho sobre a parte do cais que estava descoberto, e um guarda-vento na parte central da estação, onde foram instaladas salas de espera, um bar e outros serviços que eram considerados indispensáveis a uma estação de grande movimento.[39] A plataforma foi ampliada, de forma a criar um cais próprio para os comboios de mercadorias.[39] Para evitar quaisquer atrasos no serviço dos comboios, foram instaladas três locotractoras para facilitar as manobras.[39] Estava prevista a construção de uma linha dupla entre Sacavém e o cais marítimo, de forma a evitar a passagem por Santa Apolónia dos comboios de mercadorias com origem ou destino no Porto de Lisboa, simplificando as operações da estação, que ficaria a servir quase exclusivamente a cidade.[39]

Em 12 de Julho de 1955, a Gare do Rossio foi reaberta, voltando a albergar os comboios suburbanos, embora os serviços de longo curso tenham permanecido em Santa Apolónia.[40]

Em 1967, a estação de Santa Apolónia começou a acolher o serviço internacional TER Lisboa Expresso, que fazia a ligação entre a capital portuguesa e Madrid, e que funcionou até 1989.[41]

Décadas de 1970 e 1980[editar | editar código-fonte]

Logo após saber da Revolução de 25 de Abril de 1974, Mário Soares, que estava exilado em França, apanhou um comboio para Portugal.[42] Esta viagem, que ficou conhecida como Comboio da Liberdade, terminou com a chegada a Lisboa no dia 28 de Abril, onde Mário Soares foi recebido como um herói em Santa Apolónia, tendo em seguida feito um discurso a partir de uma das janelas da estação.[42]

Em 5 de Abril de 1975, realizou-se um plenário de trabalhadores na cantina de Santa Apolónia, na sequência do processo de nacionalização da CP, após a Revolução de 25 de Abril de 1974.[43]

Em 1982, o Papa João Paulo II viajou de comboio entre Santa Apolónia, Fátima e Braga, durante a sua visita a Portugal.[44]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Uma tarde de hora de ponta na estação de Santa Apolónia, em 2011
A estação à noite vista da cabina de comando de um comboio que chega.

No dia 30 de Novembro de 2000, cerca de 40 funcionários da estação de Santa Apolónia cortaram a circulação na Avenida Infante Dom Henrique, para protestar contra a morte de um companheiro seu, que tinha sido atropelado apenas alguns momentos antes, na passadeira junto ao edifício da Unidade de Viagens Interurbanas.[45] Os trabalhadores denunciaram aquele local como um frequente palco de acidentes mortais, e exigiram a instalação de barras de segurança e a reposição dos semáforos, que tinham sido retirados.[45]

Em Dezembro de 2007, a estação passou a estar ligada à rede do Metropolitano de Lisboa (Linha Azul).

O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, defendeu em 2008 o encerramento da estação ao tráfego ferroviário e passar a servir o terminal de cruzeiros.[46]

Referências literárias[editar | editar código-fonte]

Esta interface aparece várias vezes no romance Os Maias, de Eça de Queirós, sendo um dos locais principais nesta obra.[47]

Na sua obra A Capital, o escritor Eça de Queirós descreveu a chegada de comboio à estação de Santa Apolónia:

Também o escritor Ramalho Ortigão fez referência à estação de Santa Apolónia, num dos livros da colecção As Farpas:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d MARTINS et al, 1996:11
  2. a b c d e f AGUILAR, Busquets de (1 de Junho de 1949). «A Evolução História dos Transportes Terrestres em Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1475). p. 383-393. Consultado em 31 de Maio de 2016. 
  3. a b c d e f MARTINS et al, 1996:27
  4. a b c d SANTOS, 1989:328
  5. a b «Tarifas de transporte» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro de Portugal e Hespanha. 4 (89). 3 de Setembro de 1891. p. 266-267. Consultado em 26 de Fevereiro de 2018.. Cópia arquivada (PDF) em 26 de Fevereiro de 2018 
  6. a b «Os Nossos Caminhos de Ferro em 1935» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1154). 16 de Janeiro de 1936. p. 52-55. Consultado em 28 de Maio de 2016. 
  7. a b «O que se fez nos Caminhos de Ferro Portugueses, durante o ano de 1934» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1130). 16 de Janeiro de 1935. p. 50-51. Consultado em 28 de Maio de 2016. 
  8. a b MONTÊS, António (1 de Dezembro de 1948). «A C.P. inaugurou, na Figueira da Foz, uma cantina para ferroviários» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 60 (1463). p. 639-640. Consultado em 31 de Maio de 2016. 
  9. a b c d e f g «O tráfego de longo curso vai passar a fazer-se, dentro de algumas semanas, da estação de Santa Apolónia» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 67 (1611). 1 de Fevereiro de 1955. p. 442. Consultado em 31 de Outubro de 2017. 
  10. «Lisboa Santa Apolónia». Comboios de Portugal. Consultado em 21 de Novembro de 2014. 
  11. a b c NUNES, Bruna; MASCOLI, Diana; HENRIQUES, Rodrigo (Fevereiro de 2009). «Estação de Santa Apolónia». Blog Arquitectura do Ferro. Consultado em 12 de Fevereiro de 2010. 
  12. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  13. a b c d e LEAL, Carlos de Brito (1 de Fevereiro de 1953). «Os comboios há 88 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 65 (1563). p. 467-470. Consultado em 31 de Outubro de 2017. 
  14. a b c MARTINS et al, 1996:26
  15. GOMES, José de Sousa (1 de Julho de 1935). «Apontamentos para a História dos Caminhos de Ferro em Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1141). p. 287-289. Consultado em 27 de Fevereiro de 2018. 
  16. http://www.museudacidade.pt/Coleccoes/Escultura/Paginas/Santa-Apolonia.aspx
  17. http://www.jf-santaengracia.pt/junta/index.php/santa-engracia/patrimonio/19-patrimonio-historico-da-freguesia
  18. MARTINS et al, 1996:15
  19. a b c d MÓNICA, 20011:117
  20. NONO, Carlos (1 de Maio de 1949). «Efemérides ferroviárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1473). p. 289-290. Consultado em 31 de Maio de 2016. 
  21. TAVARES e ESTEVES, 2000:107
  22. a b c LOURENÇO, 1995:49
  23. SARAIVA e GUERRA, 1998:86
  24. BETTENCOURT, Rebelo de (1 de Março de 1950). «Imagens e factos do passado: A vida portuguesa no ano de 1890» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 63 (1494). p. 21-24. Consultado em 31 de Outubro de 2017. 
  25. REIS et al, 2006:24
  26. REIS et al, 2006:12
  27. a b «Sociedade "Estoril"» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1476). 16 de Junho de 1949. p. 423-425. Consultado em 31 de Maio de 2016. 
  28. REIS et al, 2006:38
  29. Álvaro Duarte de ALMEIDA; Duarte BELO: Portugal Património VII (Lisboa). Cículo de Leitores: Rio de Mouro SNT, 2007 (1.ª ed.) ISBN 978-972-42-3917-0: p. 245: «Ampliada em 1908».
  30. a b c MARQUES, 2014:120-129
  31. a b «Viagens e Transportes» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 30 (698). 16 de Janeiro de 1917. p. 24. Consultado em 28 de Maio de 2016. 
  32. «Viagens e Transportes» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 39 (930). 16 de Setembro de 1926. p. 277. Consultado em 28 de Maio de 2016. 
  33. «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1235). 1 de Junho de 1939. p. 281-284. Consultado em 5 de Fevereiro de 2015. 
  34. SARAIVA e GUERRA, 1998:148
  35. SOUSA, José Fernando de (16 de Março de 1940). «Caminhos de Ferro e portos de mar» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 52 (1254). p. 161-162. Consultado em 31 de Maio de 2016. 
  36. REIS et al, 2006:115
  37. «Novo material para a C. P.» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 67 (1591). 1 de Abril de 1954. p. 62. Consultado em 31 de Outubro de 2017. 
  38. a b «O Centenário dos Caminhos de Ferro Portugueses» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1619). 1 de Junho de 1955. p. 173-174. Consultado em 23 de Dezembro de 2016. 
  39. a b c d e f g h i j k l m n o «Electrificação das linhas de Sintra e do Norte» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1614). 16 de Março de 1955. p. 39-42. Consultado em 27 de Fevereiro de 2018. 
  40. «A Estação do Rossio foi reaberta ao serviço do público» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1622). 16 de Julho de 1955. p. 267-269. Consultado em 27 de Fevereiro de 2018. 
  41. IGLESIAS, Javier (Março de 1985). «El TER, Veinte Años Despues». Carril (em espanhol) (11). Barcelona: Associació d'Amics del Ferrocarril-Barcelona. p. 3-16 
  42. a b LÉONARD et al, 2006:21-23
  43. REIS et al, 2006:153
  44. REIS et al, 2006:170
  45. a b «Ferroviários exigem segurança». Público. 11 (3911). Lisboa: Público, Comunicação Social, S. A. 1 de Dezembro de 2000 
  46. MATIAS, Leonor (18 de Abril de 2008). «Costa defende fim de Santa Apolónia». Diário de Notícias. Consultado em 5 de Junho de 2010. 
  47. QUEIRÓS, p. 323, 326, 485, 581, 582
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre a Estação de Santa Apolónia

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • LÉONARD, Yves; GASPAR, Diogo; PINTO, António Costa; et al. (2006). Mário Soares. Col: Colecção Presidentes de Portugal - Fotobiografias. Volume 16 de 18. Lisboa: Museu da Presidência da República. 112 páginas. ISBN 972-8971-12-5 
  • MARQUES, Ricardo (2014). 1914: Portugal no ano da Grande Guerra 1.ª ed. Alfragide: Oficina do Livro - Sociedade Editora, Lda. 302 páginas. ISBN 978-989-741-128-1 
  • MARTINS, João; SOUSA, Miguel; BRION, Madalena; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • MÓNICA, Maria (2011). D. Pedro V (1837-1861). Col: Reis de Portugal. Volume 31. Lisboa: Círculo de Leitores. 302 páginas. ISBN 9789724234694 
  • ORTIGÃO, Ramalho (1986). As Farpas: O País e a Sociedade Portuguesa. Volume 1 de 15. Lisboa: Clássica Editora. 276 páginas 
  • QUEIRÓS, Eça de (1993). A Capital. Col: Romances completos de Eça de Queirós. Lisboa: Círculo de Leitores. 396 páginas. ISBN 972-42-0673-4 
  • QUEIRÓS, Eça de (1998). Os Maias 5ª ed. Mem Martins: Edições Europa-América. 608 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
  • SANTOS, José (1989). O Palácio de Cristal e Arquitectura de Ferro no Porto em Meados do Século XIX. Porto: Fundação Engenheiro António de Almeida. 387 páginas 
  • SARAIVA, José Hermano; GUERRA, Maria (1998). Diário da História de Portugal. Volume 3 de 3. Lisboa: Difusão Cultural. 208 páginas. ISBN 972-709-060-5 
  • TAVARES, João Cansado; ESTEVES, Joaquim Moura (2000). 100 Obras de Arquitectura civil no Século XX: Portugal. Lisboa: Ordem dos Engenheiros. 286 páginas. ISBN 972-97231-7-6 

Leitura recomendada[editar | editar código-fonte]

  • ANTUNES, J. A. Aranha; et al. (2010). 1910-2010: o caminho de ferro em Portugal. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e REFER - Rede Ferroviária Nacional. 233 páginas. ISBN 978-989-97035-0-6 
  • CERVEIRA, Augusto; CASTRO, Francisco Almeida e (2006). Material e tracção: os caminhos de ferro portugueses nos anos 1940-70. Col: Para a História do Caminho de Ferro em Portugal. Volume 5. Lisboa: CP-Comboios de Portugal. 270 páginas. ISBN 989-95182-0-4 
  • LOPES, Ernâni Rodrigues (2001). De 1974 a 1986: o prelúdio às transformações do final do séc. XX. Col: Para a História do Caminho de Ferro em Portugal. Volume 3. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 269 páginas. ISBN 972-97046-4-3 
  • PINHEIRO, Magda (2008). Cidade e caminhos de ferro. Lisboa: Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa. 207 páginas. ISBN 978-972-99333-6-3 
  • QUEIRÓS, Amílcar (1976). Os Primeiros Caminhos de Ferro de Portugal: As Linhas Férreas do Leste e do Norte. Coimbra: Coimbra Editora. 45 páginas 
  • SALGUEIRO, Ângela (2008). A Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses: 1859-1891. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa. 145 páginas 
  • VILLAS-BOAS, Alfredo Vieira Peixoto de (2010) [1905]. Caminhos de Ferro Portuguezes. Lisboa e Valladollid: Livraria Clássica Editora e Editorial Maxtor. 583 páginas. ISBN 8497618556 

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]