Estação Ferroviária de Viana do Castelo

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a estação na Linha do Minho. Se procura o apeadeiro na Linha do Alentejo, veja Apeadeiro de Viana.
Viana do Castelo
Estação de Viana do Castelo (1).jpg
Inauguração 1 de Julho de 1878
Linha(s) Linha do Minho (PK 81,653)
R. de Viana-Doca (PK 0,000)
Coordenadas 41° 41′ N 8° 49′ W
Concelho Viana do Castelo
Serviços Ferroviários Regional, InterRegional, Internacional
Serviços Ligação a autocarros Serviço de táxis Bilheteiras Parque de estacionamento Bar ou cafetaria Telefones públicos Sala de espera Lavabos adaptados Lavabos Zona Comercial Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Elevadores

A Estação Ferroviária de Viana do Castelo, originalmente denominada de Vianna, é uma interface ferroviária da Linha do Minho, que serve a cidade de Viana do Castelo, em Portugal.

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Interior da estação.

Vias e plataformas[editar | editar código-fonte]

Em 2010, compreendia três vias de circulação, duas com 275 metros, e a restante, com 366 metros de comprimento; as plataformas têm todas 40 centímetros de altura e 223 metros de extensão.[1]

Serviços[editar | editar código-fonte]

Esta estação é utilizada por serviços Regionais, Interregionais e o Comboio Internacional Celta.[2]

Localização e acessos[editar | editar código-fonte]

Situa-se junto ao Largo da Estação do Caminho de Ferro, na cidade de Viana do Castelo.[3]

Fotografia antiga da Estação de Viana do Castelo. Ainda apresenta a denominação original, Vianna.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Até meados do Século XIX, Viana do Castelo apresentava uma zona económica que se prolongava para o interior do país, ao longo do Rio Lima, sendo os eixos fluvial e marítimo os principais meios de transporte[4], devido ao estado subdesenvolvido das vias terrestres, quadro que espelhava a situação em todo o território continental.[5] Só depois da fundação do Ministério das Obras Públicas e Comércio, em 1852, é que se iniciou um esforço organizado para a construção da rede de estradas.[5] Mesmo assim, o Distrito de Viana do Castelo foi um dos últimos no país a beneficiar de estradas macadamizadas[6], tendo a estrada até à cidade do Porto sido concluída em 1856, permitindo a criação de um serviço de diligências entre estes dois pontos, e em 1857 já tinha sido criada uma segunda carreira a partir de Viana, terminando em Braga.[7] Entre 1857 e 1864 a cidade foi ligada pela rede telegráfica a Braga, Porto, Caminha, Valença, Ponte de Lima e Arcos de Valdevez.[4]

Vista geral da estação, em 2011.

Planeamento e inauguração[editar | editar código-fonte]

A construção da Linha do Minho foi autorizada por uma carta de lei de 2 de Julho de 1867.[8] Durante o seu planeamento, estabeleceu-se que o traçado deveria passar pela faixa litoral a Norte de Viana, pelo que surgiram 2 opções para o atravessamento da cidade: o primeiro sugeria a instalação da via férrea junto ao oceano, pelo Ocidente de Viana, numa zona menos povoada, evitando-se também que a linha desse a volta à cidade pelo Norte; no entanto, de forma a não dificultar o tráfego marítimo, o tabuleiro da ponte sobre o Lima teria de alcançar uma altura maior, sendo portanto mais complicada e dispendiosa de construir.[8] A segunda opção defendia a passagem pelo Leste e Norte da cidade, atravessando o Lima numa nova ponte ao lado da antiga estrutura de madeira; este traçado passava por zonas mais densamente construídas do que o primeiro, obrigando a maiores expropriações, e temia-se que a via férrea em redor das vertentes Leste e Norte da cidade constituísse um obstáculo ao seu desenvolvimento.[8] Este foi o traçado escolhido, tendo a nova ponte, desenhada por Gustave Eiffel, sido construída entre Março de 1877 e Maio de 1878.[8]

Esta estação situa-se no troço da Linha do Minho entre Darque e Caminha, que foi aberto à exploração no dia 1 de Julho de 1878.[9]

Com a abertura do caminho de ferro e o desenvolvimento da rede viária, Viana do Castelo entrou num período de progresso.[10]

Pormenor do monumento em frente à estação.

Acessos rodoviários[editar | editar código-fonte]

Em 1876, a autarquia de Viana procedeu ao alargamento da Rua de Santa Ana, convertendo-a na principal avenida entre a estação e o centro da cidade.[11] Nesse ano, a câmara municipal planeou a abertura de uma nova avenida que ligasse a gare ferroviária à doca, uma vez que o percurso entre estes dois pontos passava por várias ruas estreitas, criando dificuldades de acesso.[11] Este trajecto era de grande importância, porque permitia a deslocação dos produtos coloniais e estrangeiros desde o Porto de Viana do Castelo até à estação, onde seriam escoados pelo caminho de ferro.[11] Com efeito, devido à sua importância, o Director Distrital das Obras Públicas enviou dois projectos ao governo em Junho de 1877: um próprio, onde alvitrava o aproveitamento das ruas de Rubins e do Salgueiro, que seriam alargadas para 12 metros, como já tinha sido previsto pela câmara, e outro do director dos Caminhos de Ferro do Minho e Douro, que defendia a abertura de um novo arruamento com 12 metros de largura desde a Rua de Santa Clara até à Rua da Carreira, em frente da entrada da rampa para os cais de mercadorias da estação.[11] Em 1878, o projecto para o alargamento da Rua de Rubins foi remetido ao governo, mas não foi aprovado, embora o governo tenha autorizado uma artéria da doca à estação, mas sem definir um traçado.[12] A tabela das Estradas Reais, anexa ao Decreto de 21 de Fevereiro de 1889, tinha uma avenida da gare ferroviária à doca, como ramal da Estrada Real n.º 4, mas uma vez mais sem um percurso definido.[12] Entre Janeiro de 1891 e Junho de 1893, a Direcção de Obras Públicas de Viana realizou vários estudos relativos ao alargamento das Ruas de Rubins e do Salgueiro, e entre 1896 e 1898, a câmara fez um terceiro projecto, para a expropriação de 2 edifícios da Viela das Noivas, para o seu alargamento, e para uma rua da doca até à Portela, cruzando a Rua de São Sebastião, passando em frente ao quartel, atravessando a Avenida da Carreira e depois seguindo pela Rua de Santa Luzia.[12] Em 1901, entre os projectos para lanços de estradas reais a serem construídos dentro de 5 anos, encontrava-se o ramal da Estrada Real n.º que seguiria da doca à estação, e que era considerado importante para melhorar a exploração da Linha do Minho, de acordo com uma lei de 12 de Agosto de 1898, que tinha ordenado a elaboração de um plano das estradas que seriam necessárias ao desenvolvimento do tráfego ferroviário.[12]

No entanto, este projecto só foi reanimado com a publicação da Lei 220, de 30 de Junho de 1914, que autorizou o governo a contrair um empréstimo para o Governo civil de Viana, para a compra de terrenos e edifícios, podendo os fundos restantes serem empregues na construção da avenida. podendo o valor restante ser gasto na construção de uma avenida.[12] Assim, o Decreto 1729, de 12 de Julho de 1915, autorizou a abertura um crédito de 100.000$00 para Viana do Castelo, e uma portaria de 12 de Janeiro de 1917 do Ministério do Fomento aprovou o projecto e o orçamento da Avenida Central.[12] A Junta Geral do Distrito pediu a autorização camarária para começar a abertura da avenida, que no final desse ano estava concluída.[12] No entanto, este projecto provocou alguma celeuma, como se comprovou pelos resultados da votação camarária, uma vez que menos de metade dos votos dos vereadores foram favoráveis.[12] Um dos votos contrários foi o do presidente do município, que alegava que o projecto não estava de acordo com o Plano de Melhoramentos da cidade, e que o objectivo de ligar o cais à estação podia ter sido alcançado com obras menos dispendiosas, como a ampliação das Ruas de D. Luiz e do Salgueiro, e o prolongamento da Avenida Conde da Carreira até ao Largo da Agonia; por outro lado, a instalação da avenida fez desaparecer várias ruas, nomeadamente as de Cabaças e de Gonçalo Afonso, que se situavam junto à gare ferroviária, e levou à demolição de cerca de 80 casas, na maioria do tipo residencial, o que levou vários moradores a pedir à autarquia para que as obras não fossem iniciadas antes das novas habitações estarem concluídas.[13]

A partir de 1890, o caminho entre o cais de mercadorias da estação e o lugar da Abelheira, a Norte da cidade, foi transformado numa estrada de serviço.[14]

Grupo de congressistas a saírem da estação de Viana, para uma visita à cidade, em 1911.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Ligação ao porto de Viana[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Ramal de Viana-Doca

Desde os primeiros anos que se verificou uma grande dificuldade no transporte de mercadorias entre o Porto de Viana e a gare ferroviária, o que levou a autarquia a procurar construir uma artéria para facilitar o acesso entre estes dois pontos.[11] Em 1911, foi proposta a instalação de um ramal com o mesmo objectivo[13], esperando-se que com uma maior facilidade na deslocação de mercadorias, fosse aumentado o tráfego no porto, que desde os finais do Século XIX via o seu movimento a diminuir, devido à concorrência dos transportes terrestres e dos portos de Lisboa e Leixões, e ao assoreamento do Rio Lima.[15]

Em Maio de 1923, estava em construção o ramal da estação de Viana do Castelo até ao porto da cidade.[16] O Ramal de Viana-Doca entrou ao serviço em 20 de Março de 1924.[9]

Décadas de 1910 e 1920[editar | editar código-fonte]

Em 1913, existiam carreiras de diligências entre a estação de Viana do Castelo e Arcos de Valdevez, Póvoa de Varzim e Ponte de Lima.[17]

Nos inícios de 1922, chegou um comboio a Viana do Castelo, com o material para o Elevador de Santa Luzia.[18]

Gare da Estação de Viana do Castelo, em 2007.

Décadas de 1940 e 1950[editar | editar código-fonte]

Um diploma da Direcção Geral de Caminhos de Ferro, publicado no Diário do Governo n.º 253, II Série, de 30 de Outubro de 1948, entregou a Arnaldo de Sousa a empreitada n.º 92, referente à instalação de uma habitação para o chefe de via e obras na estação de Viana do Castelo, no valor de 202.075$.[19] Um outro diploma da Direcção Geral, publicado no Diário do Governo n.º 211, II Série, de 10 de Setembro de 1949, autorizou o auto de recepção definitiva da empreitada n.º 74, relativo à construção de 7 casas para o pessoal, do tipo B, de duas moradias, entregue a Cristino Afonso Bogalheira.[20] O auto de recepção definitiva da empreitada n.º 92 foi aprovado por um diploma da Direcção-Geral de Transportes Terrestres, publicado no Diário do Governo nº 192, II Série, de 20 de Agosto de 1951.[21] Um diploma da mesma Direcção-Geral, publicado no Diário do Governo n.º 120, II Série, de 26 de Abril de 1952, aprovou o projecto para uma passagem inferior à saída da estação, ao Pk 81,890 da Linha, sendo esta obra considerada urgente, e assim isenta do parecer do Conselho Superior de Obras Públicas.[22]

No dia 9 de Novembro de 1950, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses organizou um comboio especial até Viana do Castelo, para uma excursão dos participantes da Conferência Internacional de Horários dos Caminhos de Ferro, que se realizou na cidade do Porto, nos dias 7 e 8 de Novembro.[23]

A estação de Viana do Castelo foi uma das contempladas nos programas dos Expressos Populares, excursões organizadas pela Companhia dos Caminhos de Ferro na Década de 1950.[24]

Mapa dos projectos complementares ao Norte do Mondego, incluindo a Linha do Lima.

Ligação prevista ao Vale do Lima[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Linha do Vale do Lima

Entre 1885 e 1886, o Ministro das Obras Públicas, Emídio Navarro, procurou desenvolver a rede secundária de caminhos de ferro em Portugal, através do estudo de várias linhas, incluindo uma de Viana do Castelo a Ponte da Barca, onde se cruzaria com outra linha, de Braga a Monção.[25]

Em 1897, um grupo de empresários vianenses mostrou interesse na construção e exploração da linha entre Viana e Ponte da Barca, prolongando-a até Lindoso, na fronteira; este caminho de ferro sairia directamente da estação de Viana do Castelo.[26] No ano seguinte, o ministro Elvino José de Sousa Brito, ordenou que duas comissões técnicas produzissem os planos das redes complementares para as linhas do estado, nas regiões a Norte do Mondego e a Sul do Tejo.[25] No plano correspondente à primeira região, que foi promulgado por um decreto de 15 de Fevereiro de 1900, voltou a surgir a rede ferroviária do Alto Minho, toda em via métrica, incluindo a proposta continuação da Linha do Vale do Lima até Lindoso.[25]

Posteriormente, foram adjudicados os troços de Braga a Monção e de Ponte da Barca a Viana, que não chegaram a ser construídos.[27] Em 1 de Abril de 1930, um decreto reviu os planos da rede ferroviária, tendo sido classificadas, entre outras linhas, a do Litoral do Minho, continuando a Linha da Póvoa até Viana do Castelo, com 38 quilómetros por construir, e a do Vale do Lima, com 45 quilómetros de extensão.[27]

Referências literárias[editar | editar código-fonte]

No primeiro volume da obra As Farpas, de Ramalho Ortigão, é descrita a estação de Viana do Castelo:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Anexo 13 – Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Rede Ferroviária Nacional. Directório da Rede 2011: 67-89. 25 de Março de 2010 
  2. «Viana do Castelo». Comboios de Portugal. Consultado em 10 de Janeiro de 2016. 
  3. «Viana do Castelo - Linha do Minho». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 20 de Setembro de 2015. 
  4. a b FERNANDES, p. 59
  5. a b FERNANDES, p. 65
  6. FERNANDES, p. 66
  7. FERNANDES, p. 56-57
  8. a b c d FERNANDES, p. 64
  9. a b «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 25 de Novembro de 2013. 
  10. FERNANDES, p. 36
  11. a b c d e FERNANDES, p. 70
  12. a b c d e f g h FERNANDES, p. 73
  13. a b FERNANDES, p. 74
  14. FERNANDES, p. 69
  15. FERNANDES, p. 80
  16. «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1234). 16 de Maio de 1939. p. 259-261. Consultado em 20 de Setembro de 2015. 
  17. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 18 de Fevereiro de 2018. 
  18. «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1233). 1 de Maio de 1939. p. 237-238. Consultado em 20 de Setembro de 2015. 
  19. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 60 (1464). 16 de Dezembro de 1948. p. 667. Consultado em 5 de Outubro de 2015. 
  20. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1483). 1 de Outubro de 1949. p. 630-631. Consultado em 5 de Outubro de 2015. 
  21. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 64 (1533). 16 de Novembro de 1951. p. 350-351. Consultado em 21 de Setembro de 2015. 
  22. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 65 (1547). 1 de Junho de 1952. p. 122-123. Consultado em 21 de Setembro de 2015. 
  23. «Conferência Internacional de Horários dos Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 63 (1510). 16 de Novembro de 1950. p. 414-416. Consultado em 21 de Setembro de 2015. 
  24. «Os Expressos-Populares e o prazer de conhecer o País» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 65 (1553). 1 de Setembro de 1952. p. 235. Consultado em 21 de Setembro de 2015. 
  25. a b c SOUSA, José Fernando de (16 de Maio de 1935). «A Crise Actual de Viação e os nossos Caminhos de Ferro de Via Estreita» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1138). p. 211-213. Consultado em 28 de Novembro de 2013. 
  26. «Há Quarenta Anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 49 (1184). 16 de Abril de 1937. p. 203. Consultado em 28 de Novembro de 2013. 
  27. a b SOUSA, José Fernando de (1 de Junho de 1935). «A Crise Actual de Viação e os nossos Caminhos de Ferro de Via Estreita» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1139). p. 235-237. Consultado em 28 de Novembro de 2013. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FERNANDES, Mário Gonçalves (1995). Viana do Castelo: A Consolidação de uma Cidade (1855-1926). Lisboa: Edições Colibri. 185 páginas. ISBN 972-8288-06-9 
  • ORTIGÃO, Ramalho (1986) [1890]. As Farpas: O País e a Sociedade Portuguesa. Volume 1 de 15. Lisboa: Clássica Editora. 276 páginas 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]



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