Estação Ferroviária de Vila Real de Santo António - Guadiana

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a antiga estação de Vila Real de Santo António. Se procura a actual estação nesta localidade, veja Estação Ferroviária de Vila Real de Santo António. Se procura a antiga paragem no Ramal de Moura, veja Paragem de Ponte do Guadiana. Se procura a antiga estação na Linha do Corgo, veja Estação Ferroviária de Vila Real.
Vila Real de Santo António - Guadiana
Estação de Vila Real de Santo António - Guadiana, após a desactivação.
Inauguração 24 de Janeiro de 1952
Linha(s) L.ª do Algarve (PK 396,941)
Coordenadas 37° 11′ N 7° 24′ W
Concelho Vila Real de Santo António
Serviços Ferroviários Desactivada

A Estação Ferroviária de Vila Real de Santo António - Guadiana foi uma gare da Linha do Algarve, na localidade de Vila Real de Santo António, no Distrito de Faro, em Portugal. Além de servir o centro de Vila Real, também tinha como objectivo funcionar como uma gare de transbordo com os barcos que faziam a travessia do Rio Guadiana até Ayamonte, em Espanha.[1]

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Localização[editar | editar código-fonte]

A estação situava-se junto ao embarcadouro dos navios entre Portugal e Espanha no Rio Guadiana, anexa aos edifícios da alfândega.[2][1]

Comboio de passageiros a entrar na estação, em 1990.

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História da Linha do Algarve

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O troço entre as Estações de Tavira e Vila Real de Santo António da Linha do Algarve entrou ao serviço em 14 de Abril de 1906, sendo nessa altura considerada como parte da Linha do Sul.[3]

Planeamento[editar | editar código-fonte]

Após a abertura da Linha até Vila Real de Santo António, procurou-se estabelecer uma ligação a Espanha por via férrea, de forma a proporcionar uma via mais rápida entre Lisboa e Sevilha.[4] Para este efeito, procurou-se encurtar a distância do Barreiro a Vila Real de Santo António através da construção da Linha do Sado, e criou-se um serviço rápido a partir do Barreiro.[5] O engenheiro José Fernando de Sousa defendeu, como membro do Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro do Estado, a construção de duas pontes-cais, uma de cada lado do Rio Guadiana, sendo a do lado português ligada à Linha do Algarve.[4] Do lado espanhol, foi classificada uma linha de via estreita entre Ayamonte e Huelva na Década de 1900, que foi alterada para via larga num concurso de 13 de Agosto de 1913, e cuja construção foi muito atrasada pela Primeira Guerra Mundial, e posteriormente pela Guerra Civil Espanhola; assim, a linha entre Ayamonte e Huelva só foi inaugurada, em via larga, em 24 de Agosto de 1936.[4] No entanto, a estação de Vila Real de Santo António não oferecia condições cómodas para o acesso aos barcos fluviais, uma vez que tinha sido instalada longe da margem, de forma a possibilitar a construção de uma ponte ferroviária internacional; desta forma, foi necessário prolongar a linha até à margem do rio.[1] O projecto de construir uma ponte sobre o rio foi afastado, esperando-se, nessa altura, que o serviço fluvial fosse suficiente para atender ao tráfego.[4]

Comboio de passageiros na estação, em 1990.

Inauguração[editar | editar código-fonte]

Esta interface foi inaugurada pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses em 24 de Janeiro de 1952, com a categoria de apeadeiro, passando todos os comboios a ser prolongados até aqui; o primeiro comboio que utilizou o novo apeadeiro foi o n.º 8011, a fazer o serviço Rápido do Algarve.[1] Foi construída junto ao Rio Guadiana, ao lado do edifício da Alfândega, vindo facilitar não só o transbordo entre os barcos fronteiriços, mas também o acesso ao centro de Vila Real de Santo António.[1]

Um despacho de 26 de Maio de 1952, publicado no Diário do Governo n.º 132, III Série, de 3 de Junho, aprovou o aditamento à tarifa especial n.º 1-P, estabelecendo a venda de bilhetes para comboios tranvias com destino ao novo Apeadeiro de Vila Real de Santo António - Guadiana, que então se situava ao PK 396,984 da Linha do Sul.[6]

Em Setembro de 1955, estava prevista a IV Conferência Comercial Ferroviária Portugal - Espanha, sendo um dos assuntos a discutir o serviço combinado de camionagem entre Ayamonte e Sevilha, em combinação com os serviços ferroviários a partir de Vila Real de Santo António.[7]

Uma portaria de 2 de Agosto de 1955 determinou que o Fundo do Desemprego desse uma comparticipação de 50.000$00 para a Junta Autónoma dos Portos do Sotavento do Algarve, para as obras de construção do apeadeiro terminal em Vila Real de Santo António; um diploma do Ministério das Obras Públicas, publicado no Diário do Governo n.º 246, II Série, de 14 de Novembro de 1955, ordenou que esse valor fosse transferido para a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, nas mesmas condições indicadas pela portaria de concessão.[8]

Referências literárias[editar | editar código-fonte]

Na sua obra Crónicas Algarvias, Manuel da Fonseca descreveu a chegada à gare de Vila Real de Santo António - Guadiana:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e «Linhas Portuguesas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 64 (1539). 1 de Fevereiro de 1952. p. 478. Consultado em 20 de Abril de 2014 
  2. «Una Estacion sin Trenes». Via Libre (em espanhol). 3 (30). Madrid: Red Nacional de Ferrocarriles Españoles. 1 de Junho de 1966. p. 35 
  3. «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 20 de Abril de 2014 
  4. a b c d SOUSA, José Fernando de (1 de Setembro de 1936). «O Caminho de Ferro de Ayamonte a Huelva» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1169). p. 457-458. Consultado em 20 de Abril de 2014 
  5. MAIO, Guerra (1 de Novembro de 1951). «Lisboa - Algarve - Sevilha» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 64 (1533). p. 341-342. Consultado em 25 de Dezembro de 2015 
  6. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 65 (1548). 16 de Junho de 1952. p. 142-143. Consultado em 25 de Dezembro de 2015 
  7. «A «IV Conferência Comercial Ferroviária Portugal - Espanha» vai realizar-se em Santiago de Compostela» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1625). 1 de Setembro de 1955. p. 313. Consultado em 9 de Novembro de 2016 
  8. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1633). 1 de Janeiro de 1956. p. 62-64. Consultado em 9 de Novembro de 2016 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FONSECA, Manuel (2005). Crónicas Algarvias. [S.l.]: Círculo de Leitores. 219 páginas. ISBN 972-42-3360-X 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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