Estação Ferroviária de Vila Real de Santo António - Guadiana

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Vila Real de Santo António - Guadiana
BSicon BAHN.svg
Administração: C.P. (sul)[1]:3.3.3.2
Linha(s): Linha do Algarve (PK 396,941)
Altitude: 5 m (a.n.m)
Coordenadas: 37°11′51.04″N × 7°24′52.85″W

(≍+37.19751;−7.41468)

(mais mapas: 37° 11′ 51,04″ N, 7° 24′ 52,85″ O)
Concelho: bandeiraVila Real de Santo António
Serviços: sem serviços
Conexões:
Ligação a autocarros
32 34 43 66
67 73 96 119
Ligação a barcos
V.ª Real S. António ⇆ Aiamonte
Serviço de táxis
VRS
Inauguração: 24 de janeiro de 1952 (há 70 anos)
Encerramento: 1992 (há 29 anos)
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a antiga estação de Vila Real de Santo António. Se procura a actual estação nesta localidade, veja Estação Ferroviária de Vila Real de Santo António. Se procura a antiga paragem no Ramal de Moura, veja Paragem de Ponte do Guadiana. Se procura a antiga estação na Linha do Corgo, veja Estação Ferroviária de Vila Real.

A Estação Ferroviária de Vila Real de Santo António - Guadiana é uma gare encerrada da Linha do Algarve, situada na cidade de Vila Real de Santo António, no Distrito de Faro, em Portugal. Além de servir o centro da localidade, também funcionava como uma gare de transbordo com os barcos que faziam a travessia do Rio Guadiana até Ayamonte, em Espanha.[2]

Estação de Vila Real de Santo António - Guadiana, após a desactivação.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Localização[editar | editar código-fonte]

A estação situava-se junto ao embarcadouro dos navios entre Portugal e Espanha no Rio Guadiana, anexa aos edifícios da Alfândega.[3][2] O edifício de passageiros situava-se do lado poente da via (lado direito do sentido descendente, ao Barreiro)[4][5] e não no topo da via, apesar de ter sido concebida como estação terminal.[carece de fontes?].

Comboio de passageiros a entrar na estação, em 1990.

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História da Linha do Algarve

Antecedentes e planeamento[editar | editar código-fonte]

O troço entre as estações de Tavira e Vila Real de Santo António da Linha do Algarve entrou ao serviço em 14 de Abril de 1906, sendo nessa altura considerada como parte da Linha do Sul.[6] Após a abertura da linha até Vila Real de Santo António, procurou-se estabelecer uma ligação a Espanha por via férrea, de forma a proporcionar uma via mais rápida entre Lisboa e Sevilha.[7] Para este efeito, procurou-se encurtar a distância do Barreiro a Vila Real de Santo António através da construção da Linha do Sado, e criou-se um serviço rápido a partir do Barreiro.[8] O engenheiro José Fernando de Sousa, que fazia parte do Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro do Estado, defendeu a construção de duas pontes-cais, uma de cada lado do Rio Guadiana, sendo a do lado português ligada à via férrea.[7] Do lado espanhol, foi classificada uma linha de via estreita entre Ayamonte e Huelva na Década de 1900, que foi alterada para via larga num concurso de 13 de Agosto de 1913, e cuja construção foi muito atrasada pela Primeira Guerra Mundial, e posteriormente pela Guerra Civil Espanhola.[7] Desta forma, a linha entre Ayamonte e Huelva só foi inaugurada em 24 de Agosto de 1936.[7] No entanto, a estação de Vila Real de Santo António não oferecia condições cómodas para o acesso aos barcos fluviais, uma vez que tinha sido instalada longe da margem, de forma a possibilitar a construção de uma ponte ferroviária internacional, pelo foi necessário prolongar a linha até à margem do rio.[2] O projecto de construir uma ponte sobre o rio foi suspenso, esperando-se nessa altura que o serviço fluvial fosse suficiente para atender ao tráfego.[7] Entretanto, em 11 de Maio de 1927 a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses começou a explorar as vias férreas dos Caminhos de Ferro do Estado.[9]

Comboio de passageiros na estação, em 1990.

Inauguração[editar | editar código-fonte]

Esta interface foi inaugurada pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses em 24 de Janeiro de 1952, com a categoria de apeadeiro, passando todos os comboios a ser prolongados até aqui; o primeiro comboio que utilizou o novo apeadeiro foi o n.º 8011, a fazer o serviço Rápido do Algarve.[2] Foi construída junto ao Rio Guadiana, ao lado do edifício da Alfândega, vindo facilitar não só o transbordo entre os barcos fronteiriços, mas também o acesso ao centro de Vila Real de Santo António.[2]

Um despacho de 26 de Maio de 1952, publicado no Diário do Governo n.º 132, III Série, de 3 de Junho, aprovou o aditamento à tarifa especial n.º 1-P, estabelecendo a venda de bilhetes para comboios tranvias com destino ao novo Apeadeiro de Vila Real de Santo António - Guadiana, que então se situava ao PK 396,984 da Linha do Sul.[10]

Em Setembro de 1955, estava prevista a IV Conferência Comercial Ferroviária Portugal - Espanha, sendo um dos assuntos a discutir o serviço combinado de camionagem entre Ayamonte e Sevilha, em combinação com os serviços ferroviários a partir de Vila Real de Santo António.[11]

Uma portaria de 2 de Agosto de 1955 determinou que o Fundo do Desemprego desse uma comparticipação de 50.000$00 para a Junta Autónoma dos Portos do Sotavento do Algarve, para as obras de construção do apeadeiro terminal em Vila Real de Santo António; um diploma do Ministério das Obras Públicas, publicado no Diário do Governo n.º 246, II Série, de 14 de Novembro de 1955, ordenou que esse valor fosse transferido para a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, nas mesmas condições indicadas pela portaria de concessão.[12]

Vias ferroviárias embutidas no pavimento do porto de Vila Real de Santo António, em desuso.

Esta estação foi encerrada em 1992.[13] No local subsiste uma vasta área dedicada à camionagem onde cumprem paragem, em dados de 2022, todas as oito carreiras da rede regional Vamus Algarve que circulam na cidade.[14]

Referências literárias[editar | editar código-fonte]

Na sua obra Crónicas Algarvias, Manuel da Fonseca descreveu a chegada à gare de Vila Real de Santo António - Guadiana em 1986:

Entramos em Vila Real de Santo António. O comboio descreve uma larga curva e avança pela margem do Guadiana. No outro lado do rio, Aiamonte, a branca. Desço para a gare.
— Manuel da Fonseca, Crónicas Algarvias, p. 39

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Diretório da Rede 2021. IP: 2019.12.09
  2. a b c d e «Linhas Portuguesas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 64 (1539). 1 de Fevereiro de 1952. p. 478. Consultado em 20 de Abril de 2014 
  3. «Una Estacion sin Trenes». Via Libre (em espanhol). 3 (30). Madrid: Red Nacional de Ferrocarriles Españoles. 1 de Junho de 1966. p. 35 
  4. (anónimo): Mapa 20 : Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1985), CP: Departamento de Transportes: Serviço de Estudos: Sala de Desenho / Fergráfica — Artes Gráficas L.da: Lisboa, 1985
  5. Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1988), C.P.: Direcção de Transportes: Serviço de Regulamentação e Segurança, 1988
  6. «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 20 de Abril de 2014 
  7. a b c d e SOUSA, José Fernando de (1 de Setembro de 1936). «O Caminho de Ferro de Ayamonte a Huelva» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1169). p. 457-458. Consultado em 20 de Abril de 2014 
  8. MAIO, Guerra (1 de Novembro de 1951). «Lisboa - Algarve - Sevilha» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 64 (1533). p. 341-342. Consultado em 25 de Dezembro de 2015 
  9. REIS et al, 2006:63
  10. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 65 (1548). 16 de Junho de 1952. p. 142-143. Consultado em 25 de Dezembro de 2015 
  11. «A «IV Conferência Comercial Ferroviária Portugal - Espanha» vai realizar-se em Santiago de Compostela» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1625). 1 de Setembro de 1955. p. 313. Consultado em 9 de Novembro de 2016 
  12. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1633). 1 de Janeiro de 1956. p. 62-64. Consultado em 9 de Novembro de 2016 
  13. André, Pedro (Abril de 2013). «Vila Real de Santo António — "História sobre carris"». Trainspotter. pp. 11, 14. Consultado em 13 de Abril de 2022 
  14. Paragem EVA n.º 915 - VRS António (Terminal Rodoviário)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FONSECA, Manuel (2005). Crónicas Algarvias. [S.l.]: Círculo de Leitores. 219 páginas. ISBN 972-42-3360-X 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]