Estação Júlio Prestes

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CPTM red symbol.gif Júlio Prestes
Estação Júlio Prestes.
Uso atual Estação ferroviária
Administração CPTM
Linha 8cinza.png Diamante
Sigla JPR
Posição Superfície
Serviços Acesso à deficiente físico
Informações históricas
Nome antigo São Paulo
Inauguração 10 de julho de 1872 (145 anos)
Localização
Localização Praça Júlio Prestes, 148 - Santa Cecília
Próxima estação
Júlio Prestes Itapevi
- Palmeiras-Barra Funda
Júlio Prestes

A Estação Júlio Prestes é uma histórica estação ferroviária da cidade de São Paulo concluída em 1938, que está localizada no distrito de Santa Cecília, no bairro dos Campos Elísios. Seu nome foi dado em homenagem ao ex-governador de São Paulo, e ex-presidente eleito do Brasil, Júlio Prestes. Atualmente, a estação atende apenas a Linha 8–Diamante da CPTM.

A estação abriga a sede da Secretaria de Cultura de São Paulo[1] e, desde 1999, a casa de concertos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), Sala São Paulo.[2] Na Praça Júlio Prestes, é possível ver a estátua em bronze de Alfredo Maia e a escultura abstrata em aço de Emanoel Araújo.

História[editar | editar código-fonte]

A estação original foi inaugurada em 10 de julho de 1872 pela Estrada de Ferro Sorocabana que foi uma das ferrovias mais importantes do Brasil[3], e denominava-se Estação São Paulo. Sua função era transportar sacos de grãos de café vindos do Sudoeste e Oeste Paulista e Norte do Paraná para a capital. A antiga estação ficava ao lado da Estação da Luz, o que facilitava o bandeamento do café para a São Paulo Railway, a única ferrovia que fazia o trajeto da capital ao porto de Santos. A estação ligava a cidade de São Paulo a Piracicaba, Santos e Presidente Epitácio, divisa com Mato Grosso do Sul.[4] Ao enriquecer-se com o transporte de café, decidiu-se construir uma estação renovada e maior. A segunda e atual estação foi projetada por Cristiano Stockler das Neves e Samuel das Neves em 1925,[5] porém a obra só foi parcialmente concluída no ano de 1938, em função à instabilidade econômica, que afetou praticamente todos os países capitalistas da época, provocada pela Grande Depressão.[6]

Mesmo longe de ser concluída por completo, ao fim da construção de parte do projeto em 1930 (área das plataformas) o embarque passou a ser realizado na estação.[7]

Projeto arquitetônico[editar | editar código-fonte]

Com 25 mil metros quadrados, a estação foi inspirada nos terminais de Nova York Grand Central e Pennsylvania, e projetada pelos arquitetos Cristiano Stockler das Neves e Samuel das Neves.[2][8] O projeto em 1927 chegou a ser premiado no III Congresso Panamericano de Arquitetos e tem características como estrutura de concreto, alvenaria de tijolos, colunas e forros trabalhados marcaram o estilo Luis XVI da construção. Além disso, o pé-direito alto conferiu à estação uma sensação de luxo e amplitude, com esculturas na torre do relógio e arcos nas janelas. A plataforma da estação foi construída com estrutura metálica vinda do hangar do zepelim.[9]. No interior da estação existe um jardim clássico francês de 960 metros quadrados, embora no projeto original o espaço devesse ter sido ocupado por um hall cercado de colunas em estilo coríntio e coberto por vitrais — a falta de verbas inviabilizou o imponente hall.[10]

Declínio e novos projetos[editar | editar código-fonte]

Concluída em 1938, época em que ônibus já circulavam em São Paulo, houve certo declínio na utilização de bondes e trens. A quebra da bolsa de Nova York em 1929 e o término da hegemonia da monocultura cafeeira também afetaram grandemente as ferrovias paulistas. Ademais, devido à construção de autoestradas e maior rapidez de locomoção via carros particulares e ônibus intermunicipais e interestaduais, o público deixou de tomar trens da FEPASA, novo nome da falida E.F. Sorocabana, de e para a estação. Afinal de contas, a viagem era longa com frequentes atrasos, devido a problemas mecânicos. Assim, os tempos de glória da estação duraram muito pouco. Em 1951 teve seu nome alterado em homenagem ao ex-presidente do Estado de São Paulo Júlio Prestes.[11]

A estação foi abandonada pouco tempo depois. Na década de 1990, o governador Mário Covas, atendendo a um pedido do regente da Orquestra Sinfônica de São Paulo, John Neschling, decidiu restaurar a estação de maneira que o local onde antigamente localizava-se o jardim fosse convertido em uma sala de concertos, a Sala São Paulo. A complexidade técnica para transformar a estação em uma sala de concertos exigiu a colaboração de uma numerosa equipe. Foi preciso analisar os critérios para a transformação e recuperação do edifício, preservando o patrimônio histórico já existente e discutindo questões arquitetônicas, materiais, estruturais e técnicas necessárias para a consolidação de uma sala de concertos atual de acordo com as exigências de isolamentos acústicos e ambientais.[12]

Além da sala de concertos, a estação também é utilizada para transporte público. Originalmente ponto de partida das linhas Sul e Oeste da Fepasa, atualmente serve aos trens da Linha 8 da CPTM, que tem como destino final a estação de Itapevi. A estação abriga ainda a sede da Secretaria de Cultura de São Paulo.

A pedido da CPTM, o Condephaat aprovou projeto de ligação interna entre as estações Luz e Julio Prestes, com a construção de aproximadamente duzentos metros de túnel ou passarela, a fim de desafogar a demanda da Estação da Luz, que tem duas linhas que se conectam ao Metro, enquanto a Julio Prestes serve apenas como estação final da Linha 8–Diamante.[13]

Ponto turístico[editar | editar código-fonte]

A Estação Júlio Prestes é considerada um dos principais pontos turísticos da cidade de São Paulo, tanto por sua estrutura arquitetônica, quanto pelos locais históricos em suas proximidades. Entre eles estão a Pinacoteca, onde pode ser encontrada a Biblioteca Walter Way, o Memorial da Resistência (que possui registros da época do Regime Militar) e o Museu da Língua Portuguesa, que sofreu um incêndio em dezembro de 2015. É também a estação mais próxima da rua José Paulino, conhecida por ser a rua de compras femininas mais famosa do país, com mais de 350 lojas. Do lado de fora da estação, está localizada a Praça Júlio Prestes, onde é possível ver a estátua de bronze Alfredo Maia, do escultor Amadeu Zani.[14] Além disso, abriga a sede da Secretaria de Cultura de São Paulo, e, desde 1999, a Sala São Paulo, que é a casa de concertos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).[15]

Galeria de fotos[editar | editar código-fonte]

Linhas ativas[editar | editar código-fonte]

A estação hoje oferece viagens a curta distância, operadas pela CPTM.

Linha Terminais Estações Principais destinos Duração das viagens (min) Intervalo entre trens (min) Funcionamento
8
Diamante
Júlio Prestes ↔ Itapevi 25 Barra Funda, Lapa, Osasco, Carapicuíba, Barueri, Jandira, Itapevi 80 7-30 Diariamente, das 4 à 0 hora. Aos sábados, até a 1 hora de domingo.

Linhas desativadas[editar | editar código-fonte]

A Estação Júlio Prestes era tronco e estação central da antiga ferrovia Sorocabana. A linha foi desativada por completo em 1994, com a liquidação da Rede Ferroviária Federal. Hoje apenas está ativo o trecho metropolitano, operado pela CPTM.

Linha Terminais Estações Principais destinos Duração das viagens (min) Administração
Tronco Júlio Prestes ↔ Pres. Epitácio 120 São Paulo, Itapevi, Jandira, Alumínio, Sorocaba, Avaré, Ourinhos, Assis, Presidente Prudente 480 E.F. Sorocabana (1875-1971), Fepasa (1971-1988)

Tabelas[editar | editar código-fonte]

Sigla Estação Inauguração Integração Plataformas Posição Notas
JPR Júlio Prestes 10 de julho de 1872 Bilhete Único da SPTrans e Cartão BOM da EMTU. laterais e centrais superfície Estação reconstruída pela EFS
Precedido por
Palmeiras-Barra Funda
Distância: 2.873 metros
Linha 8 da CPTM
Júlio Prestes
Sucedido por
-

Plataformas[editar | editar código-fonte]

Diagrama da estação Júlio Prestes
Sentido Itapevi
1

a
2

b
3

c
4
Sentido Itapevi

Legenda

                     Linha férrea

  Plataforma


Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]