Estação João Pessoa (São Luís)

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Disambig grey.svg Nota: Para a estação ferroviária localizada na capital da Paraíba, veja Estação João Pessoa.
João Pessoa
Prédio principal da estação, com o galpão ao fundo, à direita
Uso atual Desocupada
Administração EF São Luís–Teresina (1929-1957)
RFFSA (1957-1986)
Linha EF São Luís–Teresina
Código MA-4317
Informações históricas
Nome antigo Urbano Santos (1929-1930)
Inauguração 15 de novembro de 1929 (91 anos)
Fechamento 1986 (35 anos)
Localização
Coordenadas 2° 31' 28.3" S 44° 18' O
Localização São Luís - MA

A Estação João Pessoa (às vezes mencionada erroneamente como João Lisboa) localiza-se na Avenida Beira-Mar, no centro de São Luís, Maranhão. Foi a principal estação ferroviária da cidade até 1986, quando foi desativada. Atualmente, o prédio está desocupado para restauração.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Antes da conclusão da ponte metálica sobre o Estreito dos Mosquitos, os trens que partiam de São Luís trafegavam apenas até a Estiva, onde era feito o transbordo dos passageiros para o trecho seguinte da Ferrovia São Luís–Teresina. A primeira viagem foi feita em 14 de março de 1921. O local de partida em São Luís era uma instalação provisória, cuja localização exata é desconhecida.[1]

O projeto do prédio atual foi elaborado pelo engenheiro Pereira da Silva, e sofreu algumas modificações devido à alta no custo dos materiais causada pela Primeira Guerra Mundial. Após aprovação pelo engenheiro Teixeira Brandão, então diretor da Estrada de Ferro São Luís-Teresina, a estação começou a ser construída em 14 de novembro de 1925.[2]

Devido às dificuldades na captação de verbas, a obra ficou paralisada por muito tempo. A estação foi inaugurada com comemorações em 15 de novembro de 1929, e recebeu o nome Urbano Santos, em homenagem ao político maranhense. No ano seguinte, com a vitória da Revolução de 1930, vários logradouros de São Luís que levavam nomes associados à República Velha foram rebatizados, e esta estação passou a se chamar Estação João Pessoa.[3]

Em 1938, a Ferrovia São Luís–Teresina foi concluída, iniciando a ligação direta entre as duas capitais por trem.[4] Por décadas, esta foi a principal estação ferroviária de São Luís. Em 1957, passou a ser administrada pela RFFSA. Em 1986, a estação da Beira-Mar foi desativada e suas atividades foram transferidas para o bairro do Tirirical. O Decreto Estadual nº 10.089, de 6 de março de 1986, estabelece a proteção do prédio devido à sua relevância histórica, arquitetônica e paisagística.[5][6]

Na década de 1990, o prédio passou a abrigar órgãos públicos[5] como o Plantão Central da Polícia Civil, o 1.º Distrito Policial, o Departamento de Narcóticos (Denarc) e a Delegacia do Idoso. Em 2014, as delegacias foram transferidas para o bairro do Apicum e o prédio foi desocupado,[7] passando a ser alvo constante de vândalos.[5]

Reformas[editar | editar código-fonte]

Locomotiva Benedito Leite

Os planos para restaurar o prédio foram divulgados pelo IPHAN em 2013. A restauração foi orçada em R$ 5,5 milhões e deveria ter sido licitada em 2014 e concluída até o final de 2015, com recursos do PAC das Cidades Históricas,[8] porém, a execução só foi autorizada no início de 2018. De acordo com o projeto, o prédio principal deverá abrigar diversos estabelecimentos comerciais, restaurante panorâmico, o Museu da Memória Ferroviária Maranhense, salas da Secretaria de Estado da Cultura, uma sala de reuniões, entre outros. A área ao redor também deve ser contemplada, com a construção de três praças.[9]

A locomotiva a vapor Benedito Leite, que ficava exposta próximo à estação, foi restaurada pelo IPHAN e foi temporariamente transferida para o pátio do Edifício Clodomir Millet. A "maria-fumaça" foi fabricada na Alemanha pela Hannoversche Maschinenbau AG e circulava por São Luís desde os anos 1920. Após a restauração da estação, a locomotiva deve voltar a ser exposta no local original, que contará com iluminação artística.[10][11]

Características[editar | editar código-fonte]

O prédio tem fundações do tipo radier, e toda a sua estrutura é de concreto armado, sendo este provavelmente o primeiro edifício do Maranhão feito por esse método. Seu estilo arquitetônico é o neoclássico. No térreo, ficavam localizados o hall, os banheiros e as salas de espera da 1.ª e 2.ª classes, além da sala do agente. No andar de cima, ficavam as salas de aparelhos telegráficos e telefônicos, salas do setor de contabilidade e sala de reuniões.[2] Um terceiro andar foi construído em algum momento da década de 1950. A construção abrigava o primeiro elevador instalado no Maranhão, que acabou destruído pela ação de vândalos.[5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. «A São Luis-Theresina». São Luís. Diário de S. Luiz (61). 14 de março de 1921. Consultado em 24 de agosto de 2018 
  2. a b «Na E.F. S. Luiz-Therezina: A Estação "Urbano Santos" será inaugurada hoje». São Luís. O Imparcial (2124). 15 de novembro de 1929. Consultado em 17 de agosto de 2018 
  3. Mendes, Felipe Ucijara Guimarães (2015). Mashorqueiros ou Procellários? A experiência tententista no Maranhão: política, cultura histórica, imaginário, personagens… (PDF) (Dissertação). p. 93 
  4. «Trem São Luiz-Teresina». Estações Ferroviárias do Brasil. Consultado em 21 de agosto de 2018 
  5. a b c d Thiago Bastos (3 de fevereiro de 2018). «Estação João Pessoa: apogeu, ostracismo e restauro histórico». O Estado do Maranhão. Consultado em 21 de agosto de 2018 
  6. «São Luís (antiga Urbano Santos e João Pessoa». Estações Ferroviárias do Brasil. Consultado em 21 de agosto de 2018 
  7. «Plantão Central da Beira-Mar é transferido». Imirante.com. Consultado em 21 de agosto de 2018 
  8. «Prédio da antiga RFFSA de São Luís será restaurado». G1. 13 de agosto de 2013. Consultado em 21 de agosto de 2018 
  9. Camila Pereira (17 de janeiro de 2018). «Área em torno da antiga RFFSA será revitalizada». O Imparcial. Consultado em 21 de agosto de 2018 
  10. Robert W. Valporto (25 de janeiro de 2018). «Locomotiva histórica está exposta a chuva e sol». O Estado do Maranhão. Consultado em 22 de agosto de 2018 
  11. Samartony Martins (24 de janeiro de 2018). «A polêmica restauração da RFFSA». O Imparcial. Consultado em 22 de agosto de 2018