Estação Ferroviária de Régua

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Régua IPcomboio2.jpg
Estação da Régua, em 2010.
Inauguração 15 de Julho de 1879
Linha(s) Linha do Douro
(PK 103,297)
Coordenadas 41° 09′ 30,57″ N, 7° 47′ 00,82″ O
Concelho Peso da Régua
Serviços Ferroviários Logo CP 2.svgBSicon LSTR orange.svgRBSicon LSTR red.svgIR
Serviços Ligação a autocarros Serviço de táxis Bilheteiras
Sala de espera Telefones públicos Restaurante
Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Parque de estacionamento Lavabos adaptados Lavabos Bar ou cafetaria


Logos IP.png
BSicon CONTfa grey.svg
BSicon BHF grey.svgCovelinhas (Sentido Pocinho)
BSicon BHF grey.svgRégua
BSicon BHF grey.svgGodim (Sentido Ermesinde)
BSicon CONTf grey.svg

A Estação Ferroviária de Régua, conhecida originalmente como Regoa, é uma gare da Linha do Douro, que serve a localidade de Peso da Régua, no Distrito de Vila Real, em Portugal. Serviu igualmente como ponto de entroncamento com a Linha do Corgo, durante o período de funcionamento daquele caminho de ferro, entre 12 de Maio de 1906[1] e 25 de Março de 2009.[2][3] A estação da Régua foi inaugurada em 15 de Julho de 1879.[4]

Edifício da estação de Régua, em 2009.

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Localização e acessos[editar | editar código-fonte]

Situa-se junto à localidade de Peso da Régua, tendo acesso pelo Largo da Estação.[5][6]

Descrição física[editar | editar código-fonte]

Em Janeiro de 2011, apresentava 4 vias de circulação, com 379, 438, 350 e 319 metros de comprimento; as plataformas tinham 255 e 216 metros de comprimento, e 35 centímetros de altura.[7] Em Outubro de 2004, esta interface possuía a classificação D da Rede Ferroviária Nacional, podiam-se realizar aqui manobras e abastecimento de gasóleo, e tinha um sistema de informação ao público, disponibilizado pela Rede Ferroviária Nacional.[8]

Serviços[editar | editar código-fonte]

Em 1994, era servida por comboios Regionais com a modalidade Auto Expresso, de transporte de automóveis, da operadora Caminhos de Ferro Portugueses.[9]

Estação da Régua, na Década de 1880.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Antes da construção dos caminhos de ferro, a região do Douro tinha grandes deficiências em termos de comunicações, sendo o Rio Douro a principal via; no entanto, o transporte por barco era muito difícil e moroso, demorando cerca de 6 a 8 dias na viagem do Porto à Régua.[10] Nos finais da Década de 1880, o filólogo Leite de Vasconcelos relatou que o percurso da Régua a Miranda do Douro levou cerca de 5 dias.[11]

Inauguração[editar | editar código-fonte]

A estação foi inaugurada em 15 de Julho de 1879, como estação terminal provisória da Linha do Douro; o troço seguinte, até ao Ferrão, entrou ao serviço em 4 de Abril de 1880.[4]

Neste horário de 1905, a estação ainda tinha o seu nome primitivo, Regoa.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Ligação à Linha do Corgo[editar | editar código-fonte]

Ainda no Século XIX, o empresário alemão Maximiliano Schreck foi autorizado a construir um caminho de ferro do tipo americano entre Vila Real, Régua, Lamego e Viseu.[12]

Um decreto de 18 de Fevereiro de 1903 ordenou a construção de um caminho de ferro entre a Régua e a fronteira com Espanha.[13] Em Setembro de 1905, já tinha sido elaborado e apresentado ao Conselho Superior de Obras Públicas um plano para a ampliação desta estação, de forma a se acolher tanto a Linha do Corgo, então em construção, como a planeada Linha de Régua a Vila Franca das Naves.[14] A primeira secção da Linha do Corgo, entre a Régua e Vila Real, foi aberta à exploração em 12 de Maio de 1906.[1][15]

Em 1913, existia um serviço de diligências da estação desde a estação da Régua até Lamego e Moimenta da Beira.[16]

Em 1919, a circulação no troço entre Vila Real e a Régua foi temporariamente suspensa, devido às incursões monárquicas.[17]

Ampliação[editar | editar código-fonte]

O facto de ser o ponto de entroncamento de duas linhas ferroviárias[18], e de se cruzarem aqui várias estradas, tornou a localidade da Régua num importante centro de comunicações entre as regiões da Beira e de Trás-os-Montes.[19] A estação também se assumiu como um importante centro de transporte do Vinho do Porto.[20][21] Ainda assim, em 1934 a estação não possuía condições para assegurar as exigências do tráfego, mas não podia ser suficiente alargada devido ao reduzido espaço disponível, pelo que resolveu-se ampliar o então Apeadeiro de Godim.[22] Ainda nesse ano, a estação da Régua foi alvo de obras de reparação parcial, pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[23] Em Abril de 1935, estavam quase terminadas as obras de ampliação desta estação[24], tendo sido construído um dormitório para o pessoal de Via e Obras.[25]

Um decreto de 18 de Novembro de 1911 modificou as regras para o transporte de vinho pela Linha do Douro, continuando o vinho que era transportado por comboio até Barqueiros, Rede e Moledo a ser verificado no posto de Barqueiros, mas o restante passou a ser verificado na Régua.[26]

Plano da Rede Ferroviária Complementar ao Norte do Mondego, decretado em 1900. Além da Linha do Corgo, também estava projectada uma linha da Régua a Vila Franca das Naves.

Ligações planeadas a outras linhas[editar | editar código-fonte]

Em 1885, foi planeada uma ligação em via larga entre Viseu e Chaves, que não teve seguimento devido às consideráveis dificuldades que iriam ser encontradas na sua construção; desta forma, foram propostas duas alternativas, também em via larga, tendo uma delas, ligando a Régua a Viseu por Lamego, sido apoiada pelas autoridades militares.[27] No entanto, a Régua não apresentava condições para suportar o entroncamento da via larga, e continuava o problema de se construir em terreno muito difícil, pelo que uma comissão formada em 1927 para estudar e elaborar o plano da rede ferroviária ao Norte do Rio Douro propôs a instalação de duas linhas em via estreita, uma da Régua a Lamego, e a outra a partir desta localidade até São Pedro do Sul, passando por Castro Daire.[27] Estas duas linhas foram inseridas no Plano Geral da Rede Ferroviária, documento oficializado pelo Decreto n.º 18190, de 28 de Março de 1930, tendo a Linha de Lamego sido projectada até Pinhel, passando por Vila Franca das Naves.[27][28] Uma ligação ferroviária entre a Régua e Vila Franca das Naves já tinha sido anteriormente apresentada, em via estreita, pelo Plano da Rede Complementar ao Norte do Mondego, aprovado por um decreto de 15 de Fevereiro de 1900.[27]

Modernização[editar | editar código-fonte]

Em 1996, previa-se que a instalação de sinalização electrónica seria prolongada até à Régua, no âmbito do projecto do Gabinete Ferroviário do Nó do Porto.[29]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

O troço da Linha do Corgo entre a Régua e Vila Real foi encerrado pela Rede Ferroviária Nacional a 25 de Março de 2009.[2][3]

Referências literárias[editar | editar código-fonte]

A escritora Horacel Lopes descreveu a estação e a povoação da Régua, quando percorreu a Linha do Douro:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b TORRES, Carlos Manitto (16 de Fevereiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1684). p. 91-95. Consultado em 1 de Março de 2013 
  2. a b CARDOSO, Almeida (3 de Abril de 2011). «Exigem regresso dos comboios». Correio da Manhã. Consultado em 6 de Julho de 2016 
  3. a b LUZIO, Margarida (25 de Março de 2009). «Falta de segurança fecha Linha do Corgo». Jornal de Notícias. Consultado em 6 de Julho de 2016 
  4. a b «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 6 de Maio de 2013 
  5. «Régua». Comboios de Portugal. Consultado em 27 de Novembro de 2014 
  6. «Régua - Linha do Douro». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 6 de Julho de 2016 
  7. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  8. «Directório da Rede Ferroviária Portuguesa 2005». Rede Ferroviária Nacional. 13 de Outubro de 2004. p. 65, 81 
  9. «Beira alta, Beira baja y los Ramales de Cáceres y Badajoz». Maquetren (em espanhol). 3 (30). 1994. p. 4-9 
  10. ORTIGÃO, 1986:115
  11. JACOB e ALVES, 2010:112
  12. SERRÃO, 1986:238
  13. MARTINS et al, 1996:251
  14. SOUSA, José Fernando de (16 de Setembro de 1905). «A linha da Regoa a Chaves» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 18 (426). p. 273. Consultado em 1 de Março de 2013 
  15. REIS et al, 2006:12
  16. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 25 de Março de 2018 
  17. AIRES, 2010:37
  18. «Los Ferrocarriles Portugueses». Via Libre (em espanhol). 5 (58). Madrid: Red Nacional de Ferrocarriles Españoles. 1 de Outubro de 1968. p. 23 
  19. ALCOBAÇA, Visconde de (1 de Dezembro de 1932). «Estradas Afluentes à Linha do Douro: Troço da Régua a Barca D'Alva» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 45 (1079). p. 559-561. Consultado em 1 de Fevereiro de 2013 
  20. REIS et al, 2006:31
  21. VIEGAS, 1988:27
  22. «Conselho Superior de Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1113). 1 de Maio de 1934. p. 248. Consultado em 1 de Março de 2013 
  23. «O que se fez nos Caminhos de Ferro Portugueses, durante o ano de 1934» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1130). 16 de Janeiro de 1935. p. 50-51. Consultado em 1 de Março de 2013 
  24. «Caminhos de Ferro Nacionais» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1136). 16 de Abril de 1935. p. 172. Consultado em 1 de Março de 2013 
  25. «Os nossos Caminhos de Ferro em 1935» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1154). 16 de Janeiro de 1936. p. 52-55. Consultado em 6 de Julho de 2016 
  26. MARTINS e BARRETO, 1990:368
  27. a b c d SOUSA, José Fernando de (1 de Março de 1935). «"O Problema da Defesa Nacional" pelo Coronel Raúl Esteves» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1133). p. 101-103. Consultado em 1 de Março de 2013 
  28. PORTUGAL. Decreto n.º 18190, de 28 de Março de 1930. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos - Secção de Expediente, Publicado no Diário do Governo n.º 83, Série I, de 10 de Abril de 1930.
  29. MARTINS et al, 1996:167

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • AIRES, Joaquim (2010). Vila Real: Roteiros Republicanos. Col: Roteiros republicanos. Matosinhos: Quidnovi, Edição e Conteúdos, S. A. e Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. 128 páginas. ISBN 978-989-554-737-1 
  • JACOB, João; ALVES, Vítor (2010). Bragança: Roteiros Republicanos. Matosinhos: Quidnovi, Edição e Conteúdos, S. A. 127 páginas. ISBN 978-989-554-722-7 
  • LOPES, Horacel (1956). O que vi em Portugal. Rio de Janeiro: Emp. Gráf. Ouvidor S. A. 341 páginas 
  • MARTINS, Conceição; BARRETO, António (1990). Memória do Vinho do Porto. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. 508 páginas 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • ORTIGÃO, Ramalho (1986). As Farpas: O País e a Sociedade Portuguesa. 1. Lisboa: Clássica Editora. 276 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
  • SERRÃO, Joaquim (1986). História de Portugal: O Terceiro Liberalismo (1851-1890). [S.l.]: Verbo. 423 páginas 
  • VIEGAS, Francisco (1988). Comboios Portugueses: Um Guia Sentimental. Lisboa: Círculo de Editores. 185 páginas 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]



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