Estrada de Ferro Elétrica Votorantim

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Estrada de Ferro Elétrica Votorantim
Mapa-1956-efVotorantim-Livro-Ferrovias-do-Brasil.jpg
Mapa da Estarda de Ferro Elétrica Votorantim em 1956.
Sigla ou acrônimo EFEV
Área de operação Estado de São Paulo
Tempo de operação 19221966 (passageiros)
1998 (cargas)
Antecessora Estrada de Ferro Votorantim
(1892-1922)
Bitola 1,000 m
Sede Sorocaba, Brasil

A Estrada de Ferro Elétrica Votorantim (EFEV), inicialmente chamada de Estrada de Ferro Votorantim, foi uma pequena ferrovia paulista, em bitola métrica e eletrificada, com cerca de treze quilômetros, que durante o século XX, serviu o transporte de cargas da Fábrica de Tecidos Votorantim e de passageiros na região de Votorantim, antigo distrito de Sorocaba[1].

Logotipo da Estrada de Ferro Elétrica Votorantim.

História[editar | editar código-fonte]

Fundação[editar | editar código-fonte]

Em meados da década de 1850, o Banco União de São Paulo se propôs a construir a Fábrica de Tecidos Votorantim, na então vila de Votorantim, em Sorocaba e investiram também, na construção de toda a infraestrutura para dar suporte ao empreendimento.

No final do seculo XIX, a facilidade para a circulação de mercadorias que a ferrovia proporcionava, logo chamou a atenção dos administradores da Fábrica que pretendiam facilitar tanto o escoamento de sua produção como o recebimento de matéria prima. Decidiram então construir um ramal ferroviário e por volta de 1890, conseguiram uma concessão municipal para a construção de um ramal ferroviário entre Sorocaba e a vila Votorantim.

Em 1892, foi construída a ferrovia chamada Estrada de Ferro Votorantim, que se iniciava na linha tronco da Estrada de Ferro Sorocabana e seguia pela margem do Rio Sorocaba em direção a vila de Votorantim, a aproximadamente sete quilômetros ao sul.

A via operava com tração a vapor e bitola de 60 cm, o que barateou sua construção, mas impedia o tráfego mútuo com a E.F. Sorocabana. Mesmo assim a facilidade de escoamento proporcionada pela ferrovia trouxe grande prosperidade às Fábricas Votorantim. Inicialmente ela foi usada para o transporte de máquinas e de matéria-prima para a fábrica de tecidos.

Em 1894, a ferrovia ganhou mais 6,43 quilômetros, passando pela pedreira de Baltar, em Santa Helena, e indo até Itupararanga, onde a São Paulo Electric, subsidiária da Light and Power, construiu uma usina hidrelétrica no Rio Sorocaba.

Em 1906, a estrada de ferro passa a transportar passageiros e funcionários entre a Estação de Sorocaba e a vila de Votorantim[2]. A ferrovia era gerenciada por Calisto de Paula Souza, que mais tarde tornou-se "inspetor geral" da Sorocabana.

Eletrificação[editar | editar código-fonte]

Em 1918, com a aquisição da massa falida do Banco União, além da Fábrica de Tecidos Votorantim, Antônio Pereira Inácio adquiriu a Estrada de Ferro Votorantim.

Em 20 de Novembro de 1922, foi inaugurada a ampliação da Estação de Sorocaba, ponto de partida da linha de bondes. A inauguração em 20 de novembro de 1922, contou com ilustres participantes, entre eles o então presidente do Estado de São Paulo, Washington Luís. Neste evento, a estação da EFV em Sorocaba, recebeu o nome de Estação Paula Souza, em homenagem a Calisto de Paula Souza.

Com o objetivo de facilitar a produção e aumentar o escoamento de produtos da fábrica, Antônio Pereira Inácio alterou o tamanho da bitola dos trilhos para bitola métrica e eletrificou os sete primeiros quilômetros de linha, inaugurados em 3 de Fevereiro de 1923. A partir de então, a linha passa a ser chamada Estrada de Ferro Elétrica Votorantim (EFEV), sendo a segunda linha férrea a ser eletrificada no Estado de São Paulo.

Em 1924, Antônio Pereira Inácio inaugurou um trecho da estrada de ferro ligando a fábrica de tecidos à sua chácara, chamada Santa Helena. Os trilhos chegavam até o jardim da casa e Antônio Pereira Inácio utilizava um pequeno auto de linha para seu deslocamento.

Em 1928, os 6,43 quilômetros restantes também mudaram para bitola métrica e foram eletrificados, chegando até pedreira de Baltar.

Em 1935, a implantação da fábrica de cimento Votoran, próximo a pedreira de Baltar, em Santa Helena, contribuiu decisivamente para a quantidade de carga nela transportada. A ferrovia passou a ser utilizada para o transporte de calcário até a fábrica de cimento, e para o escoamento da produção de cimento para outras regiões.

Durante a década de 1930, a E.F. Elétrica Votorantim recebeu mais um bonde e vários carros-reboque, provenientes do sistema de bondes de Piraju. Os bondes eram utilizados por pessoas que trabalhavam no distrito industrial de Votorantim, principalmente funcionários da Fábrica de Tecidos. A linha férrea foi um importante fator para o progresso e desenvolvimento entre as cidades de Sorocaba e Votorantim, propiciando a formação de bairros, vilas e comércio[3].

Até a década de 1950, as ferrovias se consolidaram como o principal meio de transporte de passageiros e de carga no Estado de São Paulo, mas com o crescimento da política que priorizava o transporte automotivo, as ferrovias tiveram seu período de glória abalado. Em 22 de agosto de 1966, a EFEV deixou de transportar passageiros.

A tração elétrica foi usada até 1986, quando uma colisão entre a última locomotiva elétrica e outra máquina da FEPASA, determinou seu fim. Este incidente motivou a supressão total da eletrificação na E.F. Elétrica Votorantim, cuja rede aérea foi retirada logo a seguir. Um bonde e uma locomotiva elétrica foram reformados e estão sendo expostos nos terrenos de Santa Helena, na Votorantim[4].

A linha férrea continuou com o transporte de cargas, utilizando locomotivas diesel-elétrico da FEPASA, até ser definitivamente desativada, em 1998.

Trem marmiteiro[editar | editar código-fonte]

Na EFEV havia também o “trem marmiteiro”, composição que levava um vagão carregado com o almoço dos funcionários das fábricas da Votorantim – Tecidos, Votocel e Santa Helena. O trem ia parando nas estações e as pessoas embarcavam cestas com a marmita metálica e uma plaquinha indicando o nome do funcionário e fábrica. A curiosa prática durou até a década de 1970.

Preservação[editar | editar código-fonte]

Atualmente, a via é mantida pela Oscip Movimento de Preservação Ferroviária do Trecho Sorocabana - (MPF-Sorocabana), voltada para a preservação histórica da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) e a Estrada de Ferro Elétrica Votorantim (EFEV), que promove eventos relacionados ao tema e trabalha para a implantação do Centro de Memória Ferroviária Estação Paula Souza nas dependências da Estação Paula Souza, e do Trem dos Operários, passeio turístico entre Sorocaba e Votorantim utilizando as locomotivas de seu acervo[5].

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

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