Estrada romana

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Rua de Pompeia, antiga cidade romana destruída pelo Vesúvio, após ser recuperada nas escavações

As estradas romanas (em latim: viae; singular: via) eram uma infraestrutura física vital para a manutenção e desenvolvimento do Estado romano e foram construídas a partir de cerca de 300 a.C., através da expansão e consolidação da República Romana e do Império Romano.[1] Elas forneceram meios eficientes para o movimento terrestre dos exércitos, de funcionários do governo e de civis, além de comunicações oficiais e bens de comércio.[2]

As estradas romanas eram de vários tipos, que vão desde pequenas estradas locais a estradas amplas e de longa distância, construídas para conectar cidades, grandes cidades e bases militares. Estas estradas principais eram muitas vezes de calçada, curvadas para a drenagem e eram ladeadas por caminhos pedonais, percursos e valas de drenagem. Elas eram colocadas ao longo de trajetos pesquisados ​​com precisão e algumas transpassavam montes ou atravessavam rios e desfiladeiros sobre pontes. Alguns trechos poderiam passar por terreno pantanoso por meio de bases sorteadas ou empilhadas.[3][4]

No auge do desenvolvimento de Roma, não menos do que 29 grandes estradas militares irradiavam a partir da capital e 113 províncias do final do Império estavam interligadas por 372 grandes estradas.[3][5] O conjunto composto por mais de 400 mil quilômetros de estradas, dos quais mais de 80.500 km eram calçados.[6][7] Só na Gália, não menos que 21 mil km de estradas foram ampliados e 4 mil km foram melhorados na Grã-Bretanha.[3] Os trajetos (e às vezes as estruturas) de muitas estradas romanas sobreviveram por milênios. Algumas foram cobertas por rodovias modernas.

História[editar | editar código-fonte]

Estrada romana de Setúbal

As primeiras vias romanas: um equipamento estratégico[editar | editar código-fonte]

Até 400 a.C., os romanos utilizavam caminhos de terra para deslocar-se da sua capital às cidades vizinhas. O ataque gaulês de Breno, em 390 a.C., que se revelou desastroso para os romanos, mostrou a ineficácia do sistema defensivo de Roma, devido principalmente à lentidão de movimentação das tropas sobre o que eram apenas caminhos pouco aptos para se mover. A necessidade de melhor defesa, junto com a vontade de expansão e de hegemonia sobre a Itália, levou a República Romana, ainda frágil e ameaçada, a pôr em questão estruturas escassamente adaptadas a esses desejos. eram precisas rotas sólidas. Estes eixos permitiriam uma circulação mais rápida e segura, mas sobretudo facilitariam a mobilidade das tropas.

A primeira via foi criada em 312 a.C., por Ápio Cláudio Cego, para unir Roma e a cidade de Cápua: foi a denominada Via Ápia. Em finais da República, o conjunto do território da península Itálica estava dotado com grandes artérias, ostentando cada rota o nome do censor que a criara. Estas vias não estavam pavimentadas salvo excepcionalmente: no interior das cidades e nas suas proximidades (excepto a Via Ápia, que fora progressivamente lajeada em todo o seu percurso).

A expansão da rede viária: um equipamento comercial[editar | editar código-fonte]

À medida que se expandiu o Império, a administração adaptou o mesmo esquema nas novas províncias. No seu apogeu, a rede viária romana principal atingiu, tendo em conta vias secundárias de menor qualidade, cerca de 150.000 quilômetros. Os comerciantes romanos viram logo o interesse desses eixos viários. Distintamente de outras civilizações mediterrânicas que fundaram o seu desenvolvimento comercial quase unicamente a partir dos seus portos, os romanos utilizaram a sua rede de estradas em paralelo com a sua frota comercial. Isto favoreceu os intercâmbios no interior continental, provocando uma expansão mercantil fulgurante. Regiões inteiras especializaram-se e comerciaram entre si (vinhos e azeite na Hispânia, cereais na Numídia, cerâmicas e carnes na Gália, por exemplo). Note-se que extensão e funcionalidade desta rede de estradas perdurou muito para lá do fim do império, seja com muitas estradas actuais seguindo o traçado romano ou até em ditados populares como " quem tem boca vai a Roma" ou "todos os caminhos vão dar a Roma".

Construção[editar | editar código-fonte]

Esquema da construção

Os romanos notabilizaram-se acima de tudo como grandes engenheiros preocupados com as condições de vida, construindo sofisticadas infraestruturas como canalizações, aquedutos e as estradas. Estas obras estenderam-se por todo o Império, e grande parte do seu sucesso e divulgação deveu-se à extensa rede viária.

Apesar de não oferecer o conforto do asfalto dos dias de hoje, pois as rochas de basalto não proporcionavam grande continuidade e suavidade ao terreno, a verdade é que essas rochas encontram-se ainda bem fixadas nos percursos, 2000 anos depois. Isto deve-se, provavelmente, à técnica de preparação do terreno, em que eram colocadas várias camadas de materiais para assegurar a sua estabilidade e, só no final, o revestimento, com as rochas.

A nomenclatura das estradas explica-se de três formas distintas:

Miliário XXIX na Via Nova em Campo do Gerês, Terras de Bouro, Portugal
  • por fim, as estradas que tinham fins particulares, eram baptizadas de acordo com a sua utilização: Salária, Trionfale.

Marcos miliários[editar | editar código-fonte]

Os miliários (do latim: miliarium, a partir de milia passuum, "mil passos") eram os marcos colocados ao longo das estradas do Império Romano, em intervalos de cerca de 1480 metros. Estas colunas de base rectangular eram de altura variável, com as maiores a atingir cerca de 20 polegadas de diâmetro, pesando cerca de 2 toneladas. Na base estava inscrito o número da milha relativo à estrada em questão. Num painel ao nível do olhar constava a distância até ao Fórum Romano, bem como outras informações, como os responsáveis pela construção e manutenção da estrada.

Actualmente, são os miliários que permitem aos arqueólogos e historiadores estimar os trajectos das antigas estradas romanas, pelo que se tornavam valiosos documentos. As suas inscrições foram compiladas no volume XVII do Corpus Inscriptionum Latinarum.

Lista de estradas consulares[editar | editar código-fonte]

Estradas romanas
O Império Romanocom a rede das principais estradas ao tempo de Adriano (117-138 d.C.)
Algumas das estradas consultares que partem de Roma
Principais estradas romanas na Hispânia

Itália[editar | editar código-fonte]

Nota: Os nomes destas estradas (ainda activas) derivam dos nomes dos magistrados (normalmente um censor, embora pudesse ser um cônsul, como no caso das vias Flamínia e Emília) que ordenaram a sua construção.

Estradas transalpinas que partem da Itália[editar | editar código-fonte]

França[editar | editar código-fonte]

Espanha e Portugal[editar | editar código-fonte]

Espanha[editar | editar código-fonte]

Grécia[editar | editar código-fonte]

Reino Unido[editar | editar código-fonte]

Suíça[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Forbes, Robert James (1993). Studies in ancient technology, Volume 2 Brill [S.l.] p. 146. ISBN 978-90-04-00622-5. 
  2. Kaszynski, William. The American Highway: The History and Culture of Roads in the United States. Jefferson, N.C.: McFarland, 2000. Page 9
  3. a b c Bailey, L. H., and Wilhelm Miller. Cyclopedia of American Horticulture, Comprising Suggestions for Cultivation of Horticultural Plants, Descriptions of the Species of Fruits, Vegetables, Flowers, and Ornamental Plants Sold in the United States and Canada, Together with Geographical and Biographical Sketches. New York [etc.]: The Macmillan Co, 1900. Page 320.
  4. Corbishley, Mike: "The Roman World", page 50. Warwick Press, 1986.
  5. Duducu, Jem (2015). The Romans in 100 Facts (GL5 4EP UK: Amberley Publishing). ISBN 9781445649702. 
  6. Gabriel, Richard A. The Great Armies of Antiquity. Westport, Conn: Praeger, 2002. Page 9.
  7. Michael Grant, History of Rome (New York: Charles Scribner, 1978), 264.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Estrada romana