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Estrutura de Richat

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Foto de satélite da Estrutura de Richat.

A Estrutura de Richat ou domo de Richat, apelidada de "Olho da África",[1][2] é uma estrutura circular situada próxima a Ouadane, na Mauritânia, no meio do deserto do Saara. Possui cerca de 50 km de diâmetro, e só pode ser visível em sua totalidade do espaço sideral.[3] Descoberta em 1965 por uma missão Gemini americana, permanece um enigma científico raríssimo. Segundo as últimas interpretações geológicas, seria o resultado de uma erupção vulcânica atípica, ocorrida há 100 milhões de anos, no período cretáceo, que posteriormente teria afundado devido a um longo processo de erosão.

Descoberta

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A estrutura foi descrita em 1916 por militares franceses, publicada na obra de Ernest Psichari Les voix qui crient dans le désert[4].

Outra descrição mais moderna está nos mapas na escala de 1/200 000 feitos pelo Instituto Geográfico Nacional Francês, em 1963. A partir daí ela atraiu a atenção das primeiras missões espaciais, devido à sua forma característica em forma de oculus, numa paisagem desértica sem qualquer outro destaque.

Descrita por alguns como uma amonite gigantesco no deserto, a estrutura, que tem um diâmetro de quase 55 km e desníveis de cerca de 300 a 400 m, tornou-se uma espécie de ponto de encontro para as tripulações dos ônibus espaciais.

Teoria marginal do local de Atlântida

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A Estrutura de Richat tem sido objeto de alegações marginais não fundamentadas de ser o local da Atlântida mencionada nas obras de Platão.[5][6] Esta alegação baseia-se primariamente na natureza concêntrica da estrutura, que corresponde superficialmente à descrição da cidade feita por Platão.[5]

A maioria dos classicistas acredita que a Atlântida foi uma invenção retórica ficcional de Platão, em vez de uma localização geográfica real.[7][8]

De acordo com o arqueólogo Sean M. Rafferty, além de corresponder superficialmente à descrição da Atlântida de Platão por ser circular, nos seus detalhes particulares, incluindo o facto de ser uma estrutura natural geologicamente antiga, a Estrutura de Richat guarda pouca semelhança com a descrição de Platão; a localização da Estrutura de Richat, situada no interior de um deserto, contradiz a informação de Platão relativa à localização da Atlântida.[5]

O cético Steven Novella criticou outras inconsistências na alegação, incluindo a falta de qualquer evidência arqueológica de uma cidade ter sido ali construída, e a ausência de evidências dos canais mencionados no relato da Atlântida de Platão.[9]

Outras imagens

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Ligações externas

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Referências

  1. «ESA - Earth from Space: Eye of Africa». www.esa.int. Consultado em 24 de agosto de 2025
  2. Matton; Jébrak (2014). «The "eye of Africa" (Richat dome, Mauritania): An isolated Cretaceous alkaline-hydrothermal complex». Journal of African Earth Sciences. 97: 109–124. doi:10.1016/j.jafrearsci.2014.04.006
  3. g1.globo.com Imagem feita por astronauta mostra formação apelidada de "olho da África". Acessado em 27/03/2012.
  4. Psichari, Ernest (2008). Les voix qui crient dans le désert : souvenirs d'Afrique. Paris: Saint-Lubin. OCLC 312402816
  5. 1 2 3 Rafferty, Sean M. (2025). Mythologizing the Past: Archaeology, History, and Ideology. S.l.: ROUTLEDGE. pp. 26, 46. ISBN 978-1-032-69020-9. Then there is the Richat Structure, a 30 km wide circular formation in the Sahara Desert. A dome of sedimentary rock formed millions of years ago has eroded at the surface, leaving a circular formation of exposed strata. Proponents of an Atlantean connection have argued that this circular structure exactly duplicates the descriptions of Plato, and so it must be the remains of the actual city. The facts that it is actually not a very good match for Plato’s description (aside from being circular), is vastly too old, and is located in a desert, are data that again miss being cherry-picked.
  6. Anderson, David S. (2022), Kamash, Zena; Soar, Katy; Van Broeck, Leen, eds., «'The Aliens from 2,000 B.C.!': Truth, Fiction and Pseudoarchaeology in American Comic Books», ISBN 978-3-030-98919-4, Cham: Springer International Publishing, Comics and Archaeology (em inglês), pp. 21–48, doi:10.1007/978-3-030-98919-4_2#sec6, consultado em 5 de janeiro de 2026, Between 2000 and 2011 alone, 98 claims were made to have found the real world location of Atlantis, and in 2018, the news media widely reported an unsubstantiated claim made by a YouTube vlogger that Atlantis was actually a well-known geological feature, the Richat structure, in the northern Sahara Verifique o valor de |url-access=subscription (ajuda)
  7. Clay, Diskin (2000). «The Invention of Atlantis: The Anatomy of a Fiction». In: Cleary, John J.; Gurtler, Gary M. Proceedings of the Boston Area Colloquium in Ancient Philosophy. 15. Leiden: E. J. Brill. pp. 1–21. ISBN 978-90-04-11704-4
  8. "As Smith discusses in the opening article in this theme issue, the lost island-continent was – in all likelihood – entirely Plato's invention for the purposes of illustrating arguments around Grecian polity. Archaeologists broadly agree with the view that Atlantis is quite simply 'utopia' (Doumas, 2007), a stance also taken by classical philologists, who interpret Atlantis as a metaphorical rather than an actual place (Broadie, 2013; Gill, 1979; Nesselrath, 2002). One might consider the question as being already reasonably solved but despite the general expert consensus on the matter, countless attempts have been made at finding Atlantis." (Dawson & Hayward, 2016)
  9. Novella, Steven (19 de novembro de 2018). «No – Atlantis Has Not Been Discovered in North Africa». NeuroLogica Blog. Consultado em 5 de janeiro de 2026