Estudos da Performance

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Estudos da Performance surgem como um campo de estudos acadêmicos a partir da década de 1970. Campo de estudos interdisciplinar que abarca uma grande variedade de conceitos que foram sendo integrados pelas Ciências Sociais, Antropologia, Drama, Linguística, Filosofia, Estudos Culturais, Literatura Comparada, Dança, Música e Arte. Os estudos da Performance envolvem desde o estudo de formas mais estruturadas de arte, até aspectos da vida cotidiana, inicialmente estudados pela antropologia cultural e pela sociologia.

Richard Schechner, diretor de teatro que virou antropólogo e Victor Turner, assim como Franz Boas, Clifford Geertz, Michael Taussig são alguns dos importantes pesquisadores internacionais que deram início aos Estudos da Performance.

Caminhos e conceitos[editar | editar código-fonte]

“Todo o mundo é um palco”, na perspectiva colocada por Shakespeare, compreende o mundo como a realização de distintos eventos ou atos, já que o ser humano está sempre vivendo seus papéis e seus rituais. Os Estudos da Performance, mais que serem a análise de uma representação teatral formal, no sentido do teatro tradicional, transcende os palcos e analisa o homem em suas várias formas de interpretação, como ser humano e ou artista, utilizando os conceitos apresentados por todas as ciências.

Como campo interdisciplinar, os Estudos da Performance não possuem e não procuram um corpus teórico único. Performance é na verdade um intercampo. A linha antropológica-teatral surge inicialmente a partir da colaboração do diretor e antropólogo Richard Schechner com o antropólogo Victor Turner. Esta rota enfatiza a definição de performance como um encontro entre as questões do teatro e da antropologia e frequentemente enfatiza a importância de investigação dos atos interculturais, como uma alternativa a análise apenas do teatro ou ao trabalho de campo tradicional da antropologia.

Não deve ser ignorado o fato de que seus fundadores tiveram participação ativa nos experimentos da vanguarda artística e teatral da década de 1960 em Nova York. Os Estudos da Performance possuem uma longa e complexa relação também com a prática das artes da performance nas artes visuais, no sentido da apresentação de arte viva, não para ser exposta, mas para ser realizada em ato. Entretanto os Estudos da Performance não devem ser confundidos com uma determinada forma artística a Performance Arte

Diferentes perspectivas nos Estudos da Performance[editar | editar código-fonte]

O etnólogo Dwight Conquergood (1949-2004) desenvolve uma outra perspectiva com a etnografia da performance. Esta se centra na natureza política desta prática e advoga um dialogismo metodológico que se concentra no encontro das práticas de registro do ato performático. Seus estudos abordaram as gangs de Chicago, os refugiados da Tailândia, os campos de refugiados palestinos e os corredores da morte das prisões dos Estados Unidos.

O diretor, dramaturgo e crítico Bryan Reynolds (1965) desenvolve uma combinação de teoria da performance e dos métodos críticos conhecidos como performance transversal (Performing Transversally). Esta traz a análise histórica no encontro de uma série de outros campos e conceitos que vão da semiótica social à neurociência cognitiva, o que expande o campo dos estudos da performance como disciplina interdisciplinar, utilizando os trabalhos de Kristeva, Erving Goffman, Artaud, Hebert Blau.

Outros cientistas se aproximam da área dos Estudos da Performance, como os filósofos J.L. Austin e Judith Butler, os críticos literários Eve Kosofsky Sedgwick e Shoshana Felman. Os Estudos da Performance incorporam teorias do drama, da dança, da arte, da antropologia, da filosofia, dos estudos culturais, da sociologia, da neurociência e da literatura comparada, estando aberta a todas as perspectivas.

Programas em universidades de língua inglesa[editar | editar código-fonte]

Na Universidade de Nova York existe o programa que praticamente iniciou e desenvolveu os Estudos da Performance. Fundamenta-se inicialmente a partir das definições das novas formas de prática teatral da vanguarda teatral dos anos 1960 e dos conceitos da antropologia cultural, que procurava entender o homem na sociedade industrial contemporânea.

A Universidade de Northwestern, nas cercanias de Chicago, também na mesma perspectiva interdisciplinar, transita na perspectiva da tradição literária de análise do discurso e da apresentação para uma abordagem do fenômeno como presentação estética e semiótica que vai além da interpretação apenas oral.

Uma recente geração de pesquisadores se forma com os seguintes nomes: Patrick Anderson (UCSD), Robin Bernstein (Harvard), Henry Bial (Kansas), Brandi Catanese (Berkeley), Shannon Steen (Berkeley), Renee Alexander Craft (UNC), Craig Gingrich-Philbrook (Southern Illinois), Suk-Young Kim (UCSB), Branislav Jacovljevic (Stanford), Jisha Menon (Stanford), Jill Lane (NYU), Tavia Nyongo (NYU), Eng-Beng Lim (Brown), Patricia Ybarra (Brown), Paige McGinley (Yale), Jennifer Parker-Starbuck (Roehampton), Harvey Young (Northwestern), Ramon Rivera-Servera (Northwestern), Alexandra Vasquez (Princeton), Shane Vogel (Indiana), Maurya Wickstrom (CUNY).

No Reino Unido temos o Centre for Performance Research no País de Gales, Aberystwyth. Na Índia o Centro de Pesquisa da Performance e Estudos Culturais da Ásia do Sul (Centre for Performance Research and Cultural Studies in South Asia - cpracsis) que procura redefinir as metodologias dos estudos culturais em base nas nuances dos Estudos da Performance. Na Austrália, a Universidade de Sydney, a Victoria University e a Queensland University of Technology.

Pós Graduação e Centros de Estudo[editar | editar código-fonte]

Brasil
  • Programa de Mestrado e Doutorado em Performances Culturais - Interdisciplinar - Universidade Federal de Goiás - Brasil.
  • Armindo Jorge de Carvalho Bião (UFBA), membro do Laboratoire d'Ethnoscénologie/ Maison des Sciences de l'Homme Paris Nord (2000), UFBA, Etnocenologia.
  • João Gabriel Teixeira (UNB) - Núcleo Transdiciplinar de Estudos sobre a Performance (Transe)
  • José Luiz Ligiero Coelho (UNIRIO) Estudo de Performance, Discursos do Corpo e da Imagem.
  • Regina Pólo Müller (IA/Unicamp) e John Cowart Dawsey (USP) NAPEDRA | Núcleo de Antropologia, Performance e Drama Universidade de São Paulo
  • Rede de Pesquisa em Performances Culturais (UFG) Heloisa Capel, Eduardo Reinato, Robson Camargo
Portugal

Encontros[editar | editar código-fonte]

Em 2010 foi realizado em São Paulo o Encontro Nacional de Antropologia e Performance, na Universidade de São Paulo, organizado pelo Prof. Dr. John Cowart Dawsey USP e pela Profª Drª Regina Polo Muller UNICAMP. Este encontro reuniu vários dos estudiosos deste campo no Brasil e em Portugal: Paulo Raposo do Instituto Universitário de Lisboa [ISCTE]; Esther Jean Langdon da Universidade Federal de Santa Catarina; João Gabriel Lima Cruz Teixeira da Universidade de Brasília; Armindo Bião da Universidade Federal da Bahia; Zeca Ligiéro (José Luiz Ligiéro Coelho) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Robson Corrêa de Camargo da Universidade Federal de Goiás.

Em setembro de 2011 realizou-se o EIAP - Encontro Internacional de Antropologia e Performance, organizado pelo NAPEDRA (Núcleo de Antropologia, Performance e Drama) da Universidade de São Paulo - Brasil. Este encontro internacional teve a presença de Guillermo Gómez-Peña (La Pocha Nostra), Diana Taylor (New York University), Richard Bauman (Indiana University), Jean-Marie Pradier (Université de Paris 8), Beverly Stoeltje (Indiana University), Johannes Sjoberg (University of Manchester).

Referências[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Camargo, Robson; Reinato, Eduardo; Capel, Heloisa. Performances Culturais. SP: Hucitec, 2011.
  • Carlson, Marvin. Performance – Uma Introdução Crítica. UFMG: Belo Horizonte, 2010.
  • Cohen, Renato. Performance como Linguagem. São Paulo : Perspectiva, 2002.
  • Farias, Aguinaldo. Arte Brasileira Hoje. São Paulo: Publifolha, 2002.
  • Ferreira, Francirosy Campos e Müller, Regina P. Performance, arte e antropologia. SP: Hucitec, 2010.
  • Leirner Sheila. Arte como Medida. São Paulo: Perspectiva, 1982.
  • Levi, Clovis. Teatro Brasileiro – Um Panorama do Século XX. São Paulo: Funarte/Melhoramentos, 1997.
  • Ligiéro, Zeca (org.). Performance e Antropologia de Richard Schechner. Mauad: Rio de Janeiro, 2012.
  • Müller, Regina Polo.Os Asuriní do Xingu, História e Arte. Campinas:Editora Unicamp, 1990.
  • Rodrigues, Graziela. Bailarino-Pesquisador-Intérprete, processo de formação. Rio de Janeiro: Funarte, 1997.
  • Van Gennep, Arnold. Os Ritos de Passagem. Petrópolis: Vozes, 2011. 168 pgs.
  • Zumthor, Paul. Performance, Recepção e Leitura. São Paulo: Cosac Naif, 2007. 128 pgs.
inglês
  • Lepecki, André. The Presence of the Body: Essays on Dance and Performance Theory. Middletown: Wesleyan University Press, 2004.
  • Schechner, Richard. Environmental Theatre. New York: Hawthorn Books,1973.
  • Schechner, Richard. The End of Humanism. New York: Performing Arts Journal Publications, 1982.
  • Schechner, Richard. Between Theater and Anthropology. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1985.
  • Schechner, Richard. Performance Theory. London: Routledge, 1988.
  • Taylor, Diana. The Archive and the Repertoire: Performing Cultural Memory in the Americas. Durham: Duke University Press, 2003.
  • Turner, Victor. From Ritual to Theatre: the human seriousness of play. New York: PAJ, 1982. 122 pgs.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

espanhol
inglês
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