Estudos de gênero

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Estudos de gênero são um campo de pesquisa acadêmica interdisciplinar que procura compreender as relações de gênero - feminino, transgeneridade e masculino - na cultura e sociedade humanas. A área de estudos surge nos EUA como desenvolvimento dos estudos feministas e pós-estruturalistas nos anos 1960, influenciados por Judith Butler e Michel Foucault, e a partir dos anos 1980 passa a agregar questões além do estudo da mulher, como masculinidade e identidade LGBT.

As discussões teóricas sobre gênero podem ser divididas entre as relacionadas às características sexuais biológicas, supostamente fixas ou geneticamente determinadas na diferença entre homem e mulher, ou culturalmente determinadas, de onde se infere que a identidade de gênero masculino ou feminino é uma construção cultural, determinada por padrões de uma sociedade. Este segundo eixo está relacionado ao pensamento pioneiro de Simone de Beauvoir1 , que afirmava, no livro O segundo sexo, de 1949, que "não se nasce mulher, torna-se mulher"2 .

Gênero X sexo[editar | editar código-fonte]

Os conceitos de gênero e sexo embora possam parecer sinônimos foram utilizados separadamente para enfatizar a distinção entre a condição biológica determinante do sexo e as construções sociais que envolvem as relações entre gêneros3 . Segundo Soihet (op cit., págs. 266 e 267), "gênero" abrange o aspecto relacional entre as mulheres e os homens, onde nenhum dos dois pode ser compreendidos em estudos que os considere em separado. Soihet (op cit., pág. 267) frisa ainda que o termo gênero foi proposto em defesa de que "a pesquisa sobre as mulheres transformaria fundamentalmente os paradigmas da disciplina; acrescentaria não só os novos temas, como também iria impor uma reavaliação crítica das premissas e critérios do trabalho científico" e que implicaria não apenas em "uma nova história das mulheres, mas uma nova história"4

Histórico[editar | editar código-fonte]

Ainda no século XIX, a questão do estudo de gênero foi abordada em diversas obras como dicionários e revistas através de críticas ao modelo tradicional masculino. Por exemplo, em "Mulheres influentes e seu povo", a feminista alemã Louise Otto-Peters critica os métodos de seleção de biografias da época caracterizados pela união aos homens e não por feitos próprios. Neste contexto, inclui-se também o papel da mulher na revolução francesa no qual também lutaram por igualdades de direitos, seguidos a reivindicações por direitos políticos e sociais principalmente no que se refere a maternidade e posteriormente à questão profissional e do lar.3

Os Estudos de Gênero no Brasil[editar | editar código-fonte]

Embora o movimento feminista no Brasil tenha se intensificado a partir dos anos 1970, foi mais tardia a introdução do tema no mundo acadêmico5 . Foucault se popularizou entre os acadêmicos brasileiros a partir do fim da década de 1980, e a partir de então surgem os primeiros estudos sobre a condição feminina no Brasil baseados nas premissas do debate teórico iniciado nos EUA.

A introdução dos estudos de gênero no Brasil se deu através de iniciativas coordenadas nas áreas de história e sociologia a partir dos anos 1990. Nessa mesma época foi criado na UNICAMP o Grupo de Estudos de Gênero Pagu, sob a liderança de Margareth Rago, Adriana Piscitelli, Elisabeth Lobo e Mariza Corrêa6 , grupo esse responsável pela edição do periódico Cadernos Pagu7 , hoje referência na área.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SOIHET, Rachel. História das Mulheres. In: CARDOSO, Ciro Flamarion. (Ed.). Domínios da História. 2ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. ISBN 978-85-352-4381-9

Links Externos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. [1]
  2. Beauvoir, Simone de. O segundo sexo. São Paulo: Nova Fronteira, 1987: 13
  3. a b Soihet, R. História das Mulheres. In: Cardoso, C.F.; Vainfas, R. (Orgs.) Domínios da História. 2a Ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011:263-283
  4. apud Scott, J. Gênero uma categoria útil de análise histórica. Recife: SOS Corpo,1991
  5. Silva, Susana Veleda da.. (15 de novembro de 2000). "Os estudos de gênero no Brasil: algumas considerações.". Universidad de Barcelona.
  6. Rago, M. Descobrindo historicamente o gênero. Cadernos Pagu, 11 (1998), p. 89.
  7. Revista Cadernos Pagu - SciELO