Euclides Figueiredo

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Euclides Figueiredo
General do Exército Brasileiro
Euclides de Oliveira Figueiredo.jpg
Euclides Figueiredo
General do Exército Brasileiro
Deputado federal pelo Rio de Janeiro
Período 1946-1951
Dados pessoais
Nome completo Euclides de Oliveira Figueiredo
Nascimento 12 de novembro de 1883
Rio de Janeiro, RJ
Morte 20 de dezembro de 1963 (80 anos)
Campinas, SP
Progenitores Mãe: Leopoldina de Oliveira Figueiredo
Pai: João Batista de Oliveira Figueiredo
Alma mater Colégio Militar do Rio de Janeiro
Cônjuge Valentina Silva de Oliveira Figueiredo
Partido UDN
Profissão Militar
Serviço militar
Serviço/ramo Exército Brasileiro
Anos de serviço 18931946
Graduação General do Exército.gif General de Exército

Euclides de Oliveira Figueiredo (Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1883 - Campinas, 20 de dezembro de 1963), foi um General e político brasileiro, tendo exercido o mandato de deputado federal pelo Rio de Janeiro.[1][2][3]Um de seus filhos, o General João Baptista de Oliveira Figueiredo, foi o 30º Presidente do Brasil.

Carreira militar[editar | editar código-fonte]

Euclides de Oliveira Figueiredo [nota 1]nasceu no Rio de Janeiro em 12 de novembro de 1883, filho caçula de João Batista de Oliveira Figueiredo e de Leopoldina de Oliveira Figueiredo. Seu pai foi servidor do Tesouro Nacional e atuou na Guerra do Paraguai, quando ajudou a organizar o primeiro serviço de intendência do Exército brasileiro.[2][3]

Órfão de pai aos seis anos de idade, Euclides Figueiredo passou a ser educado pela irmã, Emerenciana. Ingressou no Colégio Militar em 1893 e, em seguida, na Escola Militar da Praia Vermelha. Em 1904 tomou parte junto com seus colegas na revolta da vacina obrigatória, medida decretada pelo governo de Rodrigues Alves. A escola foi fechada e Euclides foi preso junto com os seus companheiros, posteriormente anistiado e reincorporado ao Exército em 1905.[2][3]

Promovido a segundo-tenente em 1908, cursou a Escola de Artilharia e Engenharia do Realengo, tornando-se bacharel em ciências físicas e matemáticas em 1910. Em 1911, iniciou estágio de dois anos em um regimento de cavalaria do Exército alemão sediado em Ohlau, na Prússia Oriental, região atualmente incorporada à Polônia. Passou à condição de primeiro-tenente em maio de 1912 e, de volta ao Brasil, foi um dos fundadores da revista A Defesa Nacional, junto com Bertoldo Klinger, Genserico de Vasconcelos, Augusto de Lima Mendes e outros oficiais que também haviam cumprido estágio semelhante ao seu. A revista desempenhou importante papel na luta para pôr em prática a lei que determinava o recrutamento militar através de sorteio (promulgada em 1908 mas inaplicada até 1916), na defesa da ampliação do ensino militar nos estabelecimentos escolares de nível secundário e superior e na campanha pela modernização do Exército brasileiro. A influência da doutrina militar alemã nos oficiais agrupados em torno da revista fez com que fossem chamados por seus adversários de “jovens turcos”, em alusão aos militares turcos que, depois de estagiarem na Alemanha, introduziram reformas políticas e militares em seu país.[2][3]

Em 1913 casou-se com Valentina Bastos da Silva. Pouco depois, participou da repressão à Revolta do Contestado ocorrida na região fronteiriça entre Paraná e Santa Catarina de 1912 a 1915, esmagada com a intervenção de fortes contingentes militares. Nessa campanha, recebeu uma medalha por ter salvo a vida de um soldado.[2][3]

Nos anos seguintes, desempenhou as funções de auxiliar técnico da Diretoria de Administração do Exército, adjunto do estado-maior da 4ª Região Militar, sediada em Juiz de Fora (MG), instrutor da Escola Militar do Realengo, no Rio, e adjunto do Estado-Maior do Exército, sendo promovido a capitão em março de 1919. Estava no comando de um esquadrão de cavalaria quando eclodiu, em 5 de julho de 1922, uma revolta no forte de Copacabana e na Escola Militar do Realengo, inaugurando a série de levantes tenentistas que marcou a década de 1920. Figueiredo comandou um grupo de oficiais que controlou a situação na Escola Militar sem necessidade de usar a força, e, ordenando em seguida a formatura dos cadetes revoltosos, a eles se dirigiu dizendo: “Vim para conduzi-los ao caminho do dever.” Promovido a major em setembro de 1922, foi nomeado em novembro seguinte oficial-de-gabinete do ministro da Guerra, general Fernando Setembrino de Carvalho. No exercício dessa função, representou o ministro nas negociações de paz entre republicanos e libertadores no Rio Grande do Sul, que resultaram no encerramento da guerra civil gaúcha de 1923 através da assinatura do Pacto de Pedras Altas. Em novembro de 1924 foi promovido a tenente-coronel. Permaneceu lotado no gabinete do ministro até junho de 1926, quando foi transferido para o comando do 1º Regimento de Cavalaria Divisionária, que ocupou até o ano seguinte. Em junho de 1927 recebeu a patente de coronel.[2][3]

Durante a Revolução de 1930 foi preso pelos revoltosos por se negar a aderir ao movimento. O evento resultou na deposição do presidente Washington Luís e na composição de um governo provisório que entregou a presidência interina a Getúlio Vargas. Euclides Figueiredo posteriormente foi libertado, mas nos meses que se passaram tentou obter a reforma militar por não aceitar servir aquele governo, porém, o pedido lhe foi negado.[2][3]

Euclides Figueiredo na Revolução Constitucionalista de 1932. Ao centro: General Euclides Figueiredo, Coronel Palimércio de Rezende e o então Capitão Aristóteles Ribeiro.

Após esse episódio, Euclides Figueiredo passou a conspirar contra o então governo provisório, reunindo-se com outros também opositores ao regime. Esse processo veio a culminar na Revolução Constitucionalista de 1932 em que comandou as tropas da região do Vale do Paraíba no Estado de São Paulo ao longo dos três meses de conflito. Porém, com a derrota militar dos constitucionalistas, ele e outros lideres foram presos e exilados em Portugal. Em seu livro, Contribuição para a História da Revolução Constitucionalista, em relação a este conflito afirmou:

Foi anistiado em 1934, mas continuou sua oposição a Getúlio Vargas, inclusive após o Golpe de 1937 que resultou no Estado Novo, um regime caracterizado por ter sido autoritário e de forte perseguição aos seus opositores. Nesse período foi novamente preso e exilado.[2][3]

Em 1945, com o fim do Estado Novo e a redemocratização do país, ingressou na UDN elegendo-se deputado federal constituinte.[4] No ano seguinte foi reintegrado ao Exército brasileiro com a patente de general e transferido para a reserva. Em 1950 disputou, sem sucesso, uma vaga no Senado pelo Distrito Federal e perdeu nova eleição para deputado federal em 1954.[2][3]

Teve seis filhos: o General João Baptista de Oliveira Figueiredo, presidente da República durante o Regime Militar; o General Euclydes de Oliveira Figueiredo Filho; o General Diogo Figueiredo; Luiz Felipe de Oliveira Figueiredo; Maria Luiza de Oliveira Figueiredo; e o escritor premiado Guilherme de Oliveira Figueiredo.[5][6]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Pelo país há inúmeros logradouros e instituições públicas nomeados em memória ao General Figueiredo. Entre eles está a EMEF General Euclydes de Oliveira Figueiredo da cidade de São Paulo.[7]Também há outra EMEF General Euclydes de Oliveira Figueiredo na cidade do Rio de Janeiro[8]. Ainda em São Paulo, há a rodovia SP-563 Euclides de Oliveira Figueiredo e, em Cubatão, há a Praça General Euclides de Oliveira Figueiredo também em sua memória.[9]

Notas

  1. Não confundir com General Euclydes de Oliveira Figueiredo Filho ou com o ex-Presidente da República, General João Batista de Oliveira Figueiredo, ambos filhos de Euclides de Oliveira Figueiredo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Euclides Figueiredo». Consultado em 6 de dezembro de 2013 
  2. a b c d e f g h i «EUCLIDES DE OLIVEIRA FIGUEIREDO | CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 7 de setembro de 2016 
  3. a b c d e f g h i Figueiredo, Euclides de Oliveira (1954). Contribuição para a História da Revolução Constitucionalista de 1932. São Paulo: Martins 
  4. «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 6 de dezembro de 2013 
  5. Fernandes, Carlos. «Joao Batista Oliveira Figueiredo». www.dec.ufcg.edu.br. Consultado em 25 de março de 2017 
  6. «ORIGEM.BIZ - Euclydes de Oliveira Figueiredo, General». origem.biz. Consultado em 30 de março de 2017 
  7. «legis - Resultado página 1». documentacao.camara.sp.gov.br. Consultado em 29 de março de 2017 
  8. escolas. «Escola - Escola Municipal General Euclydes de Figueiredo - Rio de Janeiro - RJ». Escol.as. Consultado em 29 de março de 2017 
  9. «Prefeitura Municipal de Cubatão». Prefeitura Municipal de Cubatão. Consultado em 24 de março de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]