Eunice Weaver

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Eunice Weaver
Nascimento 19 de setembro de 1902
São Manuel
Morte 9 de dezembro de 1969
Cidadania Brasil
Ocupação ,

Eunice Sousa Gabi Weaver (São Manuel, 19 de setembro de 19029 de dezembro de 1969) foi uma brasileira que se dedicou aos cuidados aos hansenianos.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu em uma fazenda de café no interior do estado de São Paulo,[1] filha de Henrique Gabbi, um carpinteiro natural de Reggio Emilia (Itália) e de Leopoldina Gabbi, natural de Piracicaba, mas descendente de imigrantes suíços, tendo recebido educação austera. Sendo sua mãe portadora de hanseníase, quando Eunice tinha três anos de idade, a sua família mudou-se para Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Ali fez os seus estudos primários, no Colégio União.

Tendo prosseguido os seus estudos em São Paulo, formou-se na Escola Normal e fez o curso de Educação Sanitária. Certo dia de 1927, em visita a uma família amiga, reencontrou o seu antigo professor e diretor do Colégio União - Charles Anderson Weaver. Viúvo, casaram-se seis meses depois, tendo ido residir em Juiz de Fora. Embora o casal não tendo tido filhos, Eunice cuidou dos quatro filhos do primeiro casamento do marido.

Um ano mais tarde, o seu marido foi convidado pela Universidade de Nova Iorque, a dirigir a Universidade Flutuante da América do Norte, instalada num transatlântico, que faria uma viagem ao redor do mundo para melhor formação de seus alunos.[2] Tendo aceite o convite, partiu do Rio de Janeiro acompanhado pela esposa, que aproveitou para estudar Jornalismo, Sociologia, Serviço Social e Filosofias Orientais, em visita a 42 países. Durante essa viagem, viveu por um dia num templo budista, foi até ao Himalaia no lombo de um jumento e entrevistou durante quatro horas o Mahatma Gandhi, de quem recordava: "Foi o homem mais próximo de Jesus Cristo que conheci". Por onde passou, interessou-se pelo problema da hanseníase - nomeadamente nas ilhas Sandwich, no Japão, na China, na Índia e no Egito.

De volta ao Brasil, fundou em Juiz de Fora a Sociedade de Assistência aos Lázaros e foi presidente da Federação das Sociedades de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra de 1932 até a sua morte em 1969.[3][4][5] De madrugada, quando o passava o trem para Belo Horizonte, dirigia-se à estação ferroviária a fim de prestar assistência aos hansenianos que eram transportados no vagão da segunda classe, ao leprosário Santa Isabel naquela cidade.[3] Ali oferecia-lhes roupas, cobertores e refeições.[3]

Fundou o Educandário Carlos Chagas em Juiz de Fora (1932), e o Educandário Santa Maria, no Rio de Janeiro.

Em 1935, obteve do então presidente da República, Getúlio Vargas a promessa de auxílio oficial para a obra, no montante do dobro do que ela conseguisse arrecadar junto à sociedade civil. Com esse acordo, Eunice dedicou-se a viajar por todo o país, divulgando a campanha da Federação das Sociedades de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra.

Foi a primeira mulher a receber, no país, a Ordem Nacional do Mérito, no grau de Comendador (Novembro de 1950), e a primeira pessoa, na América do Sul, a receber o troféu Damien-Dutton.[3] Publicou a "Vida de Florence Nightingale", "A Enfermeira" e "A História Maravilhosa da Vida". Representou o Brasil em inúmeros congressos internacionais sobre a hanseníase, tendo organizado serviços assistenciais no Paraguai, em Cuba, no México, na Guatemala, na Costa Rica e na Venezuela.

Foi homenageada com o título de "Cidadã Carioca" ao completar 25 anos na direção da Federação (1960) e com o título de "Cidadã Honorária de Juiz de Fora" (11 de Setembro de 1965). Foi a delegada brasileira no 12.º Congresso Mundial da Organização das Nações Unidas (Outubro de 1967). Em diversos estados do Brasil, instituições de assistência aos hansenianos levam o nome de "Sociedade Eunice Weaver".

Faleceu subitamente em viagem de retorno do Rio Grande do Sul.[6] O seu corpo encontra-se sepultado, ao lado do do marido, no Cemitério dos Ingleses, no Rio de Janeiro.[3]

Referências

  1. «Quem foi Eunice Weaver». Associação Eunice Weaver do Paraná. Consultado em 23 de maio de 2020 
  2. Sumner, C. R. (1 de outubro de 1953). «Mrs. Weaver, Distinguished Leprosy Worker, Visits Here». Asheville, North Carolina. Asheville Citizen-Times. 28 páginas. Consultado em 23 de maio de 2020 
  3. a b c d e «Eunice Weaver». leprosyhistory.org. International Leprosy Association. Consultado em 23 de maio de 2020 
  4. «Leprosy in Brazil». Nature (em inglês). 150 (3802): 317. 1 de setembro de 1942. ISSN 1476-4687. doi:10.1038/150317c0. Consultado em 23 de maio de 2020 
  5. Maciel, Laurinda Rosa; Oliveira, Maria Leide Wand-del-Rey de; Gallo, Maria Eugênia N.; Damasco, Mariana Santos (2003). «Memories and history of Hansen's disease in Brazil told by witnesses (1960-2000)». História, Ciências, Saúde-Manguinhos (em inglês). 10: 308–336. ISSN 0104-5970. doi:10.1590/S0104-59702003000400015. Consultado em 23 de maio de 2020 
  6. Miller, Marguerite (18 de dezembro de 1969). «Mrs. Weaver Dies, 'Angel to Lepers'». Mansfield, Ohio. News-Journal. 38 páginas. Consultado em 22 de maio de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]