Europa 51
Europa 51
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| Europa '51 | |
| Europa '51 poster.jpg Cartaz oficial Italiano | |
| Itália 1952 • p&b • 118 min | |
| Gênero | neorrealismo italiano, drama |
| Direção | Roberto Rosselini |
| Produção |
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| Roteiro |
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| Elenco | Ingrid Bergman Alexander Knox |
| Música | Renzo Rossellini |
| Cinematografia | Aldo Tonti |
| Edição | Jolanda Benvenuti |
| Companhia(s) produtora(s) | Lux Film |
| Distribuição | I.F.E. Releasing Corporation |
| Lançamento |
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| Idioma | italiano |
Europa '51 (bra/prt: Europa 51)[3][4] é um filme neorrealista italiano de 1952 dirigido por Roberto Rosselini e estrelado por Ingrid Bergman e Alexander Knox. O filme acompanha a esposa de um burguês industrial que, após a tentativa de suicídio e a morte de seu filho ainda criança, se volta para um humanitarismo rigoroso. Em 2008, o filme foi incluído nos 100 filmes italianos a serem preservados do Ministério da Cultura da Itália, uma lista de 100 filmes que "mudaram a memória coletiva do país entre 1942 e 1978".[5]
Sinopse
[editar | editar código]O longa-metragem conta a história de Irene (Ingrid Bergman), uma mulher da alta sociedade que entra em crise após a morte trágica do filho. Em busca de sentido, ela começa a dedicar sua vida aos marginalizados, enfrentando a incompreensão da sociedade e de sua própria família
Elenco
[editar | editar código]- Ingrid Bergman como Irene Girard
- Alexander Knox como George Girard
- Ettore Giannini como André Casatti
- Giulietta Masina como "Passerotto", a jovem que mora no barraco
- Teresa Pellati como Inês
- Marcella Rovena como Sra. Puglisi
- Tina Perna como Cesira
- Sandro Franchina como Michel Girard
- Maria Zanoli como Sra. Galli
- William Tubbs como Professor Alessandrini
- Eleonora Barracco
- Afonso Di Stefano
- Silvana Veronese
- Alfred Browne como padre na instituição mental
Produção
[editar | editar código]Há muito tempo fascinado por Francisco de Assis, a quem já havia dedicado seu filme Francesco, giullare di Dio (1950), Roberto Rosselini decidiu situar uma pessoa com o caráter do santo na Itália pós-segunda guerra mundial e mostrar quais seriam as consequências.[6] Diante das críticas negativas ao seu trabalho e os problemas de produção na Itália naquela época, ele então considerou realizar o projeto em Paris.[7] Na primeira versão do roteiro, coescrito por Federico Fellini a protagonista Irene, divorciada do marido e abandonada pelo amante André, é libertada do hospício e continua seu trabalho humanitário de acordo com o dogma cristão. Quando as filmagens começaram em novembro de 1951 (a produção na Itália já havia sido garantida), os diálogos estavam em processo de reescrita antes de ser finalmente submetido à avaliação do órgão de censura em janeiro de 1952. Na versão final, a interpretação pessoal de Irene sobre o cristianismo é rejeitada por todas as instituições, incluindo a igreja católica, e seu filho então morre.[7]
Em uma entrevista para uma rede de televisão francesa em 1963, Rossellini citou a filósofa e ativista Simone Weil como outra influência para o enredo da personagem principal do filme.[8] Além disso, a historiadora de cinema Elena Dagrada e a filha do, Isabella Rossellini, interpretaram Irene como uma projeção da tentativa do diretor de lidar com a morte prematura de seu primeiro filho.[9]
Os cenários do filme foram projetados por Virgilio Marchi que era um veterano arquiteto futurista juntamente com Ferdinando Ruffo. A atriz Ingrid Bergman foi dublada em Italiano por Lydia Simoneschi.[10]
Lançamento
[editar | editar código]Europa '51 estreou no Festival Internacional de Cinema de Veneza em 12 de setembro de 1952 numa versão de 118 minutos, que foi encurtada em 4 minutos antes de seu lançamento nos cinemas italianos em 8 de janeiro de 1953.[6] Giulio Andreotti, responsável pela política governamental em relação a indústria cinematográfica entre os anos de 1947 até 1953, questionou, entre outros aspectos, a representação do longa-metragem de um esquerdista cuidando de uma criança pobre e doente, enquanto ignorava a tradição católica de caridade e a justaposição negativa do cristianismo de Irene com os representantes da lei e da igreja.[7] Isso resultou em mudanças e exclusões do conteúdo religioso e sócio-político antes de sua estreia em setembro e novamente antes de seu lançamento nos cinemas italianos. As cenas alteradas ou cortadas incluíam uma discussão em que Irene se dirige a André como "a pomba da paz", ou citações religiosas dela com e o padre no sanatório. A versão em inglês para o mercado internacional durou 9 minutos a menos que a versão do festival, omitindo cenas como Irene assistindo a um noticiário sobre a realocação dos habitantes de uma pequena aldeia que teve que dar lugar a uma barragem, ou sua busca por um médico para a prostituta Inês.[8][9]
Europa' 51 teve apenas um sucesso moderado entre os cinéfilos italianos e ainda menos no exterior. Lançado como The Greatest Love nos Estados Unidos em 1954, ganhou pouca atenção e não foi distribuído na Grã-Bretanha.[11]
Em 2013, a Criterion Collection lançou Europe '51 como parte de um conjunto de três discos intitulado "3 Films By Roberto Rossellini Starring Ingrid Bergman" (também contendo Stromboli, terra di Dio e Voyage to Italy) incluindo com as dublagens em inglês.[12] O filme também recebeu repetidas exibições retrospectivas em festivais, incluindo o Festival de Cinema de Locarno em 1977, o Festival de Cinema de Torino no ano de 2000 e o festival Il Cinema Ritrovato em 2015.[13][14][15]
Recepção
[editar | editar código]Após sua exibição no Festival de Cinema de Veneza, Europa '51 foi duramente criticado tanto por esquerdista quanto por católicos. Piero Regnoli do L'Osservatore Romano viu o filme como a melhor coisa que Rosselini fez em anos, mas criticou o retrato dos representantes das autoridades religiosas e seculares.[7] Em sua crítica de 1954 para o The New York Times, Bosley Crowther encontrou palavras gentis para a estrela Ingrid Bergman, mas descartou o filme como "tristemente superficial e pouco convincente".[16] Por outro lado, o crítico francês André Bazin pertencente a Cahiers du Cinéma chamou Europa '51 de uma "obra-prima amaldiçoada" que foi mal julgada por seus críticos.[17]
Nos anos mais recentes, os críticos reconsideram as qualidades do filme em parte graças a Martin Scorsese com seu documentário sobre o cinema italiano My Voyage to Italy (1999). Analisando o edição de colecionador da Criterion Collection para a The New Yorker em 2013, Richard Brody intitulou Europa '51 "uma lição exemplar".[18] O historiador de cinema David Thomson, em sua crítica para a The New Republic classificou o longa-metragem metragem como o mais interessante dos três filmes no lançamento da Criterion, apontando "uma calma e uma estrutura existencial não evidentes nos outros dois".[19]
Em 2022, Europa' 51 figurou na lista dos melhores longa-metragens de todos os tempos da Britsh Film Institute ficando em 225° lugar empatado com outros 16 filmes.[20]
Prêmios e indicações
[editar | editar código]Europa '51 recebeu o Prêmio do Júri Internacional no Festival de Cinema de Veneza.[7] Ingrid Bergman ganhou o prêmio Nastro d'argento de 1953 do Sindicato Nacional Italiano de Jornalistas de Cinema e a Coppa Volpi de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Veneza por sua atuação.[21]
Referências
- ↑ Forgacs, David; Lutton, Sarah; Nowell-Smith, Geoffrey, eds. (2000). Roberto Rossellini: Magician of the Realbooks. [S.l.]: British Film Institute
- ↑ Masi, Stefano; Lancia, Enrico (1987). I film di Roberto Rossellini. [S.l.]: Gremese. p. 56. ISBN 9788876052811
- ↑ «Europa 51 (1952)». Cineplayers. 27 de novembro de 2018. Consultado em 14 de maio de 2025
- ↑ «Europa 51». Público. Portugal. Consultado em 28 de maio de 2025
- ↑ «Ecco i cento film italiani da salvare Corriere della Sera». www.corriere.it. Consultado em 14 de maio de 2025
- ↑ a b Sodi, Risa (maio de 2003). «David Forgacs, Sarah Lutton and Geoffrey Nowell-Smith (eds), Roberto Rossellini: Magician of the Real, BFI Publishing, London:, 2000, xxii + 208pp., ISBN 0-85170-795-5 pbk, £14.99». Modern Italy (1): 123–125. ISSN 1353-2944. doi:10.1017/s1353294400013089. Consultado em 14 de maio de 2025
- ↑ a b c d e Biltereyst, Daniel; Treveri Gennari, Daniela (2015). Moralizing cinema: film, Catholicism and power. Col: Routledge advances in film studies. New York London: Routledge. pp. 124–127. ISBN 9781315883823
- ↑ a b 3 Films by Roberto Rossellini Starring Ingrid Bergman (DVD). The Criterion Collection. 2013.
- ↑ a b Dagrada, Elena (2013). The Tragedy of Nonconformism (video ensaio) in: 3 Films by Roberto Rossellini Starring Ingrid Bergman (DVD). The Criterion Collection.
- ↑ Lancia, Enrico (2005). Le straniere del nostro cinema. [S.l.]: Gremese. p. 169. ISBN 9788884403506
- ↑ Cooke, Paul (2007). World cinema's 'dialogues' with Hollywood. Basingstoke: Palgrave Macmillan. p. 129. ISBN 9781403998958
- ↑ Cronk, Jordan (5 de outubro de 2013). «Review: 3 Films by Roberto Rossellini Starring Ingrid Bergman on Criterion Blu-ray». Slant Magazine (em inglês). Consultado em 14 de maio de 2025
- ↑ «All the films of the Locarno Film Festival from 1946 to 2022». Locarno Film Festival (em inglês). Consultado em 14 de maio de 2025. Cópia arquivada em 23 de dezembro de 2022
- ↑ «Scheda film». Torino Film Fest (em italiano). Consultado em 14 de maio de 2025
- ↑ «EUROPA '51 | Il Cinema Ritrovato Festival» (em italiano). Consultado em 14 de maio de 2025
- ↑ Crowther, Bosley (12 de janeiro de 1954). «THE SCREEN IN REVIEW; Ingrid Bergman Stars in 'The Greatest Love,' Which Opens at Neighborhood Theatres». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 15 de maio de 2025
- ↑ Bazin, André (2014). "The Italian Scene". Bazin on Global Cinema, 1948–1958. [S.l.]: Universidade do Texas. p. 131. ISBN 9780292759367
- ↑ Brody, Richard (4 de novembro de 2013). «DVD of the Week: "Europa '51"». The New Yorker (em inglês). ISSN 0028-792X. Consultado em 15 de maio de 2025
- ↑ Thomson, David (2 de maio de 2014). «The Art of Scandal». The New Republic. ISSN 0028-6583. Consultado em 15 de maio de 2025
- ↑ «The Greatest Films of All Time». BFI (em inglês). Consultado em 27 de maio de 2025
- ↑ Moliterno, Gino (2021). Historical dictionary of Italian cinema. Col: Historical dictionaries of literature and the arts Performing arts · Film Second ed. Lanham Boulder New York London: Rowman & Littlefield. p. 527. ISBN 9781538119471