Eustáquio van Lieshout

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Bem Aventurado Eustáquio Van Lieshout, SS.CC.
Presbítero da Igreja

Missionário da Saúde e da Paz

Nascimento 3 de novembro de 1890 em Países Baixos Aarle-Rixtel
Morte 30 de agosto de 1943 (52 anos) em Brasil Belo Horizonte
Beatificação 15 de junho de 2006, Belo Horizonte por Papa Bento XVI
Principal templo Santuário Arquidiocesano da Saúde e da Paz, em Belo Horizonte - MG.
Festa litúrgica 30 de agosto
Gloriole.svg Portal dos Santos

O Bem-Aventurado Eustáquio van Lieshout SSCC. (3 de novembro de 189030 de agosto de 1943) foi um presbítero católico e religioso da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria e da Adoração Perpétua ao Santíssimo Sacramento do Altar.

Após a constatação da cura do padre Gonçalo Belém Rocha por sua intercessão, foi beatificado em 15 de junho de 2006 por Sua Santidade, o papa Bento XVI.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Batizado com o nome de Humberto, nasceu numa família de agricultores católicos holandeses em Aarle-Rixtel na província de Brabante do Norte. Em 1903, foi matriculado na escola de latim de Gemert e, em 1905, foi transferido para a Congregação dos Sagrados Corações. Seis anos depois, em 1913, através da profissão dos votos religiosos, tornou-se oficialmente um membro da congregação. Como irmão, adotou o nome religioso de Eustáquio e assim passou a ser conhecido.[2]

Após a conclusão de seus estudos teológicos em 1919, ele recebeu o sacramento da Ordem, tornando-se padre. Logo depois, foi designado para dar ser o pároco nas cidades de Maassluis e Roelofarendsveen na província de Holanda do Sul.[3] Quatro anos depois, Eustáquio foi agraciado com a Ordem de Leopoldo por seu trabalho com refugiados belgas pelo rei da Bélgica, Alberto I.[4]

Atendendo um chamado de seu superior, o padre Eustáquio van Lieshout veio como missionário ao Brasil em 1925.[2] No dia 15 de julho de 1925, Padre Eustáquio e seus irmãos de Congregação chegaram em Romaria, no Triângulo Mineiro, onde assumiram a pastoral do santuário episcopal e da paróquia de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja e das paróquias de São Miguel de Nova Ponte e Santana de Indianópolis, todas na Arquidiocese de Uberaba. A padre Eustáquio, coube a função de vigário paroquial com prioridade de serviços de atendimento às comunidades da sede paroquial de Nova Ponte e de todas as suas capelas. Em 26 de março de 1926, tornou-se reitor do Santuário de Nossa Senhora da Abadia, pároco das três paróquias citadas e da paróquia de Iraí de Minas e assumiu, também, as responsabilidades de conselheiro da Congregação dos Sagrados Corações no Brasil.

O missionário da Saúde e da Paz[editar | editar código-fonte]

Padre Eustáquio foi um nome ligado à história de Belo Horizonte, à fé do povo mineiro e a muitas ações de solidariedade.

A paróquia dos Sagrados Corações e seu falecimento[editar | editar código-fonte]

Em 7 de abril de 1941, padre Eustáquio é transferido para Belo Horizonte. Chegou na capital mineira sem alarde, já que era nacionalmente venerado como santo e taumaturgo. Porém, a despeito da discrição, logo nos primeiros dias muitas pessoas o procuraram pedindo bênçãos e curas, na capela Cristo Rei, no bairro Celeste Império.

Em 9 de setembro de 1942, o então prefeito da capital, Juscelino Kubitscheck, que se considerava beneficiado por milagre conseguido por intercessão do padre Eustáquio, doou à paróquia um terreno onde foi construída a Igreja dos Sagrados Corações, cuja pedra fundamental foi abençoada por Dom Antônio dos Santos Cabral. Nesse dia, após a cerimônia, padre Eustáquio disse a alguns membros da comissão pró-construção da matriz: "Não verei o fim da guerra. Comecei a igreja, mas não a terminarei".[5]

Em 1943, de 18 a 21 de agosto, durante o retiro que pregava às alunas do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte, padre Eustáquio demonstrou aparência abatida e cansaço. No dia seguinte, repousou em seu quarto, febril e trêmulo. Na manhã do dia 23, ainda febril e mais abatido, dirigiu-se à igreja, como fazia todos os dias, para rezar a missa. Ao final, dirigiu-se à sacristia, onde se sentou em um banco e desfaleceu. Os médicos Américo Souza Gomes, Olinto Orsini de Castro, Alfredo Balena e Otávio Coelho Magalhães o examinaram, mas não houve dúvida no diagnóstico: tifo exantemático, devido a uma picada de carrapato.

Padre Eustáquio permaneceu ali, rezando, embora dissesse que não sobreviveria. Recebeu o sacramento dos enfermos, mas chamava ansiosamente pelo amigo padre Gil. Enquanto o aguardava, fez a renovação dos votos religiosos, pressentindo que a morte estava perto. As freiras, os médicos e os enfermeiros emocionaram-se vendo seu olhar irradiar-se quando ele repetia cada palavra da seguinte fórmula que o padre Hermenegildo lhe ditava, com lentidão e clareza: "Eu, Eustáquio, conforme as Constituições, Estatutos e Regras, renovo os meus votos de pobreza, castidade e obediência como irmão da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, em cujo serviço quero viver e morrer. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". Depois, a sós com seus dois confrades, disse em tom de alívio e de espera: "Graças a Deus, estou pronto! Mas como demora o padre Gil!"

No dia 30 de agosto, padre Gil conseguiu chegar para ver o amigo. Vendo-o à porta, padre Eustáquio, em esforço heróico, tentou erguer-se do leito. Com voz serena, disse-lhe: "Padre Gil, graças a Deus!" e desfaleceu-se, derradeiramente. No dia seguinte, Belo Horizonte amanheceu de luto: estava junto de Deus aquele que trazia Deus para junto de sua gente.

Beatificação[editar | editar código-fonte]

Após sua morte, foi atribuída a ele a cura de um câncer de um devoto, constatada clinicamente e comprovada cientificamente. Esse relato consta no processo para sua beatificação, iniciado em 1997. Outros casos de curas e milagres também são relatados por várias pessoas.

A cerimônia de sua beatificação aconteceu ao dia 15 de junho de 2006, durante a 12ª Torcida de Deus, no estádio Mineirão, em Belo Horizonte, MG. A cerimônia foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo e contou com a presença do Legado Pontifício do Sumo Pontífice, Dom José Cardeal Saraiva Martins.

Referências

  1. «Missionário holandês é beatificado em Minas». O Estado de S. Paulo. 15 de junho de 2006. Consultado em 2 de setembro de 2014 
  2. a b «Beatificado, padre Eustáquio terá seu túmulo transferido pela 3ª vez». Folha de S. Paulo. Consultado em 2 de setembro de 2014 
  3. «Nederlandse pater Van Lieshout binnenkort zaligverklaard». Omroep Brabant. 20 de dezembro de 2005. Consultado em 2 de setembro de 2014 
  4. «Beato Pe. Eustáquio van Lieshout». Santos do Brasil. 29 de abril de 2004. Consultado em 1 de setembro de 2014 
  5. Padre Eustáquio

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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