Expansões vikings

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Mapa mostrando os assentamentos escandinavos nos século VIII (vermelho escuro), IX (vermelho), X (laranja). Amarelo denota as áreas conquistadas pelos normandos no século XI, que são parcialmente descendentes dos vikings. Aéreas em verdes demonstram regiões sujeitos a saques dos vikings
Convidados do Ultramar, por Nicholas Roerich em 1901

As expansões vikings (ou víquingues, ou viquingues) foi o processo em que o povo viking navegou por muito do Oceano Atlântico, chegando ao Norte da África e ao leste de Rússia, indo até Constantinopla e o Oriente Médio. As expansões eram feitas por saqueadores, comerciantes, colonos e mercenários, usando de diplomacia e, na maioria dos casos, força brutal. Sob a liderança de homens como Leif Ericsson, herdeiro de Érico, o Vermelho, chegaram às Américas e criaram um pequeno assentamento temporário em L'Anse aux Meadows, na região de Terra Nova e Labrador, na costa do Canadá. Colônias mais bem estabelecidas foram criadas na Gronelândia, Islândia, Grã-Bretanha e Normandia.[1] As primeiras invasões em larga escala dos vikings pela Europa ocidental aconteceram no século VIII e começaram a perder força no começo do século XI.

Razões[editar | editar código-fonte]

Não se sabe exatamente o que levou os vikings a se expandir pela Europa. Há quem diga que foi retaliação pelas invasões dos europeus na Escandinávia séculos antes como, por exemplo, quando o rei francês Carlos Magno tentou converter os vikings ao cristianismo pela força, matando aqueles que se recusavam. A chegada da fé cristã na Noruega dividiu a região e causou conflitos entre os povos locais. Assim, talvez, muitos estudiosos dizem que o saque de igrejas e o massacre de fiéis na Inglaterra podem indicar uma guerra religiosa, mais do que simplesmente vingança, pois a França de Carlos Magno só foi atacada muito tempo depois.[2]

Outra hipótese foi que a população na Escandinávia havia crescido além da capacidade da agricultura local suportar. Isso pode ter sido verdade na Noruega, mas era improvável que as regiões vizinhas estivessem passando fome. Há também teorias de que muitos jovens, sem terras para herdar, não tiveram escolha se não partir para a conquista. Alguns historiadores dizem que talvez não tenha sido necessariamente a necessidade mas sim a ambição de adquirir novos territórios. Contudo, todas estas teorias não possuem muito fundamento histórico para se basear, particularmente porque havia terras para serem ocupadas na Península Escandinava. Talvez fosse mais lucrativo e fácil conquistar regiões de outros do que cultivar novas áreas no leste. Outra especulação era de que as velhas rotas comerciais já não eram mais tão lucrativas, com o comércio pela Europa ainda enfraquecido desde os dias da queda do Império Romano no século V, além da expansão islâmica tomando as regiões a leste do continente, dificultando o comércio com o Oriente.[2]

História[editar | editar código-fonte]

As primeiras expedições eram praticamente todas masculinas, mas nos cemitérios antigos há marcações tanto para homens quanto para mulheres. Contudo, muitos dos nomes das mulheres enterradas com os guerreiros vikings eram de mulheres nativas que, voluntariamente ou não, se uniram aos invasores.[3][4]

Os vikings chegaram a Inglaterra no século VIII, desembarcando na costa do antigo Reino da Nortúmbria, no norte da Grã-Bretanha. Outras incursões, vindas primordialmente da Dinamarca, entraram terra a dentro em solo inglês. Vikings da Noruega se aventuraram mais distantes conforme o tempo passava, instigando conflitos sangrentos principalmente contra Wessex, o mais poderoso dos reinos saxões ingleses, e seus aliados. Tratados firmaram novas fronteiras entre os recém-chegados, como seus novos reinos estabelecidos de Danelaw, e os nobres nativos ingleses. Menos de duzentos anos depois do primeiro desembarque, o rei Érico Machado Sangrento liderou tropas até a cidade de Iorque. Já o monarca Canuto II fortaleceu seus domínios e expandiu suas terras, mas seus descendentes viram seu poder minguar.[5]

Nem todos os vikings que conquistaram terras na Inglaterra vieram para saquear, com muitos vindo com suas famílias e gado. A influência escandinava-viking na Inglaterra pode ser sentida até hoje, com muitas palavras em inglês derivando da língua nórdica antiga. A Escócia, a Irlanda e o País de Gales também foram alvos dos vikings.[1]

A partir do século IX, os vikings começaram incursões sangrentas em larga escala na Europa Continental, principalmente no Império Franco, começando pela Normandia. A Frância Ocidental e a Frância Média foram os alvos seguintes e sofreram grande devastação. A Frância Oriental também foi atacada, mas em menor escala. No ano 911, após atacar Paris, o líder viking Rollo fundou o Ducado da Normandia. Seus descendentes adotaram vários dos costumes locais e assimilaram parte da língua regional galesa a sua. Assim como em diversas outras regiões, casamentos interraciais entre os vikings e os povos conquistados aconteceram com frequência, com a união com os francos criando o povo normando. A Itália, a Península Ibérica e a Europa Oriental (especialmente a Ucrânia, Bielorrússia e até o oeste da Rússia) foram igualmente alcançadas por expedições militares e comerciais vikings entre os séculos IX e XI. O Atlântico Norte também foi alvo de grandes invasões, com muitos assentamentos permanentes sendo firmados nas ilhas da Islândia, Groenlândia e Svalbard.[6][7][8] Os nórdicos também realizaram incursões pelo mediterrâneo, chegando até mesmo a região do Levante, no Oriente Médio.[9]

No século X, as primeiras expedições vikings chegaram a América do Norte. Assentamentos nórdicos temporários foram então estabelecidos, principalmente no Canadá. Acredita-se que Bjarni Herjólfsson foi o primeiro europeu a colocar os pés nas Américas quando uma ventania tirou seu navio da rota para a Groenlândia. Pesquisadores em 2012 descobriram locais de vários assentamentos novos, abrindo discussões a respeito da real dimensão das colonizações vikings na América do Norte.[10]

Pesquisas recentes a respeito da diversidade genética pela Europa mostra genes nórdicos em uma grande parcela das populações nativas. Isso implica que, contrário ao que se acreditava, os vikings se espalharam pelo continente não apenas pela força das armas, mas também como colonos, ocupando regiões, fundando reinos, cultivando as terras e se entrelaçando com as populações locais. A influência cultural viking se expandiu e seus feitos militares, assim como sua crueldade, acabaram virando lendas, sujeitos a inverdades.[3]

Referências

  1. a b "Vikings: a brief history". Página acessada em 18 de janeiro de 2017.
  2. a b History of the Kings of Norway por Snorri Sturlusson, ISBN 2-07-073211-8
  3. a b "Vikings who chose a home in Shetland before a life of pillage". Página acessada em 18 de janeiro de 2017.
  4. Moffat, Alistair; Wilson, James F. (2011). The Scots: a genetic journey. Birlinn. ISBN 978-0-85790-020-3
  5. Sawyer, Peter (2001). The Oxford Illustrated History of the Vikings. Oxford: OUP. p. 17. ISBN 0-19-285434-8.
  6. Karlsson, Gunnar (2016). Landnám Íslands. Reykjavík: Háskólaútgáfan.
  7. Arlov, Thor B. (1994). A short history of Svalbard. Oslo: Norwegian Polar Institute. ISBN 82-90307-55-1 
  8. RIDEL, ELISABETH, Les Vikings et les mots; l'apport de l'ancien scandinave à la langue française, 2009.
  9. Andrushchuk, Fjodor (2008). "The Vikings in the East". Price, Neil S.; Brink, Stefan. The Viking World. Londres: Routledge.
  10. Pálsson, Hermann (1965). The Vinland sagas: the Norse discovery of America. [S.l.]: Penguin Classics. p. 28. ISBN 0-14-044154-9. Consultado em 18 de janeiro de 2017 
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