Exu (orixá)

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Disambig grey.svg Nota: Para conceito umbandista, veja Exu de umbanda.
Exu
Orixá Exú, Candomblé do Brasil, 1978
Exu
Orixá da comunicação, do movimento e da sexualidade
Pais Olodumare
Irmãos Ogum e Oxóssi
instrumento ogó (bastão com cabaças)
sincretismo Santo Antônio, na Bahia.
São Miguel Arcanjo, na Região Centro-Sul

Exu é o orixá da comunicação, da paciência, da ordem e da disciplina. É o guardião das aldeias, cidades, casas e do axé, das coisas que são feitas e do comportamento humano. A palavra Èșù, em iorubá, significa 'esfera', e, na verdade, Exu é o orixá do movimento. Ele é quem deve receber as oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e de garantir que sua função de mensageiro entre o Orun (o mundo espiritual) e o Aiye (o mundo material) seja plenamente realizada.

História[editar | editar código-fonte]

Na África na época da colonização europeia, ainda no século 16, o Exu foi sincretizado erroneamente com o diabo cristão pelos colonizadores[1], devido ao seu estilo irreverente, brincalhão e à forma como é representado no culto africano. Por ser provocador, indecente, astucioso e sensual, é comumente confundido com a figura de Satanás, o que é um equívoco, de acordo com a construção teológica iorubá, posto que não está em oposição a Deus, muito menos é considerado uma personificação do mal.

Mesmo porque, nessa religião, não existem diabos ou entidades encarregadas única e exclusivamente de coisas ruins, como ocorre no cristianismo, segundo o qual tudo o que acontece de errado é culpa de um único ser que foi expulso por Deus. Na mitologia yoruba, porém, assim como no candomblé, cada uma das Divindades (Orixás) tem sua porção positiva e negativa assim como o próprio ser humano.

De caráter irascível, Exu se satisfaz em provocar disputas e trazer calamidades para as pessoas que estão em falta com ele. No entanto, como tudo no universo possui de um modo geral dois lados, positivo e negativo, Exu também funciona de forma positiva quando é bem tratado. Daí ser Exu considerado o mais humano dos orixás, pois o seu caráter lembra o do ser humano, que é, de um modo geral, mutante em suas ações e atitudes.

Conta-se na Nigéria que Exu teria sido um dos companheiros de Oduduà quando da sua chegada a Ifé e chamava-se Èsù Obasin. Mais tarde, tornou-se um dos assistentes de Orunmilá e ainda rei de Ketu, sob o nome de Èsù Alákétú. A palavra elegbara significa "aquele que é possuidor do poder" (agbará) e está ligada à figura de Exu.

Um dos cargos de Exu na Nigéria, mais precisamente em Oyó, é denominado Èsù Àkeró ou Àkesán, que significa "chefe de uma missão", pois este cargo tem como objetivo supervisionar as atividades do mercado do rei. Exu praticamente não possui ewós (ou quizilas) e aceita quase tudo o que lhe oferecem.

Os yorubas cultuam Exu em um pedaço de pedra porosa chamada Yangi, ou fazem um montículo grotescamente modelado na forma humana com olhos, nariz e boca feita de búzios. Ou ainda representam Exu em uma estatueta enfeitada com fileiras de búzios tendo em suas mãos pequeninas cabaças onde ele, Exu, carrega diversos pós de elementais da terra usados de forma bem precisa em seus trabalhos.

Exu tem a capacidade de ser o mais sutil e astuto de todos os orixás. E quando as pessoas estão em falta com ele, simplesmente provoca mal entendidos e discussões entre elas e prepara-lhes inúmeras armadilhas. Diz um orìkì que: "Exu é capaz de carregar o óleo que comprou no mercado numa simples peneira sem que este óleo se derrame".

E assim é Exu, o orixá que faz o erro virar acerto e o acerto virar erro. Èsù Alákétú possui essa denominação quando Exu, por meio de uma artimanha, conseguiu ser o rei da região, tornando-se um dos reis de Ketu. Sendo que as comunidades dessa nação no Brasil o reverenciam também com este nome. Todos os assentamentos de Exu possuem elementos ligados às suas atividades. Atividades múltiplas que o fazem estar em todos os lugares: a terra, pó, a poeira vinda dos lugares onde ele atuará. Ali estão depositados como elemento de força diante dos pedidos.

Arquétipos[editar | editar código-fonte]

Seus filhos tem por características a sagacidade, a sensualidade, a astúcia, a sutileza, a alegria, o caráter prestativo, além de serem incansáveis, capazes e bastante comunicativos, que esbanjam vitalidade. Tem um comportamento bastante peculiar e uma personalidade marcante. Gostam da vida cercada de barulho, muitas pessoas, romances de todo tipo, pois é um admirador profundo da diferença existente entre as pessoas. De coração bom, costumam ser bonachões e por vezes amorais e/ou imorais. Gostam muito de desafios. Se a recompensa prometida ou prevista pelo êxito de um determinado desafio for alta, podem tornar-se trabalhadores obstinados.

Apesar de não serem caracteristicamente belos como filhos de outros Orixás, os filhos de Exú são magnéticos. Normalmente possuem bom porte físico, são carismáticos, charmosos, elegantes e donos de ótima lábia, com grande capacidade de seduzir e conquistar muitos corações. Os filhos de Exú costumam não ter paradeiro, são esquivos e escorregadios, não gostam de se prender a ninguém. São muito dinâmicos, impulsivos e vaidosos. Todavia, se amam alguém, dão sua vida se for preciso, sem pensar em nada. Pois quando amam, o fazem de forma apaixonada e incondicional, praticamente cega, onde não vêem obstáculos ou limites que sejam intransponíveis. São amantes intensos e fulgurosos. Românticos, os filhos de Exú são os mais entusiastas do sexo dentre os filhos dos Orixás, não provêem apenas o sexo convencional, mas também valem-se de muitos recursos, caprichos e melindres, cativando profundamente o par. E normalmente, são pessoas dão muito mais valor a um bom sexo do que à beleza física do (a) parceiro (a). Os filhos de Exú são capazes de amar profundamente mais de uma pessoa. Porém garantem a todas o mesmo ardor, paixão e afeto. Um dado curioso é que os filhos de Exú dificilmente se afastam em definitivo das pessoas com as quais teve vínculo amoroso ou sexual satisfatório, sendo assim os mais suscetíveis de serem reconquistados, se uma pessoa interessada querê-lo de volta, e caso o relacionamento tenha tido êxito sexualmente.

Os filhos e filhas de Exu são pessoas com caráter ambivalente. Isto é, ao mesmo tempo são boas e más. Apesar de por vezes terem aparente inclinação para o desatino, para a corrupção e para a depravação, gostam verdadeiramente de ajudar quem dele necessite, sem nada exigir em troca. Porém, intimamente esperam ser bem recompensados ou ter no futuro retribuída a ajuda hoje prestada. As cogitações intelectuais enganadoras e as intrigas políticas lhes convêm particularmente, pois são habilidosos mediadores e apaziguadores, tal como também são bons causadores de discórdias e tumultos. Portanto, sob qualquer perspectiva, intrigas para elas são garantias de sucesso na vida. Gostam muito de trabalhar e de ajudar, especialmente no trato e liderança a pessoas fracas e doentes, o fazendo de coração aberto. Adoram festas e locais movimentados, e gostam das conversas intermináveis. São expansivos, pessoas populares, amadas por uns e odiadas por outros. Por vezes são provocadores, alfinetam as pessoas, as testam, para saber de verdade o que elas pensam sobre determinado assunto. E por isso facilmente se envolvem em conflitos e desentendimentos. No entanto, conseguem sair ilesos e quase sempre tirando deleites das consequências.

São amigos absolutamente leais e confiáveis, porém são também igualmente perigosos. Pois, se uma pessoa lhe é verdadeira e solidária, um filho de Exú será eternamente leal a esta pessoa. No entanto, se perceberem sinais de traições contra si, podem se tornar vingativos, extremamente traiçoeiros e impiedosos. Se amam, amam intensamente. E se são feridos, ferem de volta, e em dobro. Por vezes, sua franca reciprocidade os torna de difícil lida. Pois sabem retribuir fielmente o que recebam, seja o amor, o favor ou a dor. Dentro deste conceito, e por força de seu comportamento reativo, os filhos de Exú atuam como uma espécie de espelho, refletindo de volta para as pessoas exatamente o tratamento recebido pela mesmas, ou as ações feitas a si pelas próprias.

A fé na vida, a determinação, a persuasão, a sorte e a sexualidade por vezes exacerbada são por regra características presentes em todos os filhos e filhas de Exú. Todas as características de seus filhos são de fato qualidades e defeitos, variando de acordo com a forma com que são utilizadas. Por se tratar de faculdades terrenas muito poderosas, é dada aos filhos de Exú a responsabilidade de servir às pessoas sem esperar qualquer recompensa por suas ações. A relatividade e o relativismo são outras duas marcas indissociáveis do comportamento dos filhos e filhas de Exú, pois os mesmos vêem irrestritamente de maneira total ou parcial cada situação ou circunstância - ou suas variáveis - como totalmente independentes uma da outra. E portanto, com cada qual merecendo por vezes também uma saída diferente de outra.

Os filhos de Exú são enigmáticos. Possuem uma personalidade dúbia, com um caráter de certa forma flexível, pois ainda que conheçam bem as regras, padrões, leis ou normas sociais pré-estabelecidas pela sociedade ou pelo grupo, e estejam a elas muito bem adaptados, costumam balizar bastante seu comportamento de natureza reativa principalmente ao exigido pelas circunstâncias, sob perspectivas específicas. São indiretos, com uma dualidade bastante notável em sua personalidade, com tais características opostas e intrínsecas em todas as suas ações. Pois, ora são valentes, nervosos, críticos, atrevidos, irônicos, cínicos, sarcásticos e perigosos. E ora são pessoas calmas e pacientes, extremamente observadoras e pré-dispostas a aprender, perspicazes, visionárias e criativas, disciplinadas e inteligentes, apaziguadoras, engraçadas e bem humoradas, além de sempre serem sensíveis e compreensivas com os problemas dos outros. Possuem terem uma certa clareza interna acerca do caráter intrínseco de bem e mal presentes numa mesma ação sua, tal como nas ações das demais pessoas. São detentores de uma aguçada inteligência emocional, conseguindo assim lidar muito bem com diferentes tipos de pessoas, possuindo uma considerável característica de adaptabilidade a um ambiente e ao grupo de pessoas nele inserido, e também no trato pessoal e direto com o próximo. Gostam de privacidade, mas acabam facilmente metidos nas vidas e nos problemas dos outros. São pessoas altamente leais aos seus princípios, à sua família e a seus amigos. Costumam ser bons conselheiros, jamais negando ajuda, resolvendo cotidianamente problemas financeiros, amorosos, políticos e profissionais, onde com muito bom humor consegue achar uma solução a contento para os mesmos. O ostracismo e a não-adaptação a algum ambiente ou grupo são fatores que entristecem e amarguram profundamente os filhos de Exú, que sempre podem também com isso sofrer com riscos de perda de personalidade ou de confusão mental ao abrir muito de seu inconsciente a alguém.

No geral, os filhos e filhas de Exú não aceitam derrotas, porém não costumam ser arrebatados, revanchistas de imediato. Tendo como certeza nata dentro de si de que "tudo e todos não são, estão" ("sempre tudo muda, se move e se transforma") e sendo bons estrategistas, normalmente costumam esperar que o tempo e certas variáveis ajam em prol da alteração das circunstâncias em seu favor para que ele siga rumo ao êxito de seu intento (que pode ser revanche, vingança, uma conquista amorosa, material ou profissional, a obtenção de algum benefício, a realização de algum projeto, etc.), o fazendo com ações estudadas e precisas, sempre estando atento a tudo e a todos. São por regra melindrosos e absolutamente sociáveis, porém de temperamento totalmente imprevisível e por vezes contraditório e ambíguo.

São gulosos. Estão sempre com fome e bebem bastante. Em festas, costumam se embriagar, e por vezes incomodam com seu jeito expansivo. Amantes dos prazeres da vida e de hábitos noturnos, costumam concentrar suas energias de maneira especial no lazer e na obtenção de prazeres. E também por vezes usam sua inteligência para fugir dos estudos ou do aprofundamento de saberes, adotando rotineiramente a lei do menor esforço. Os filhos de Exú precisam estar sempre em atividade física, social, artística e/ou intelectual para liberar e canalizar corretamente toda a energia que possuem. E eles têm muita tendência à espiritualidade ou à religiosidade, tal como à total falta de fé exatamente por seus filhos figurarem entre os mais mundanos dentre os arquétipos dos filhos dos Orixás.

Algumas Considerações[editar | editar código-fonte]

[2] "Sobre o Òrìṣà Èṣù, além de suas atribuições mais conhecidas, embrenhamo-nos em uma de suas mais complexas e poderosas qualidades – como O Guardião do Àṣẹ – que, recebendo a réplica desta força neutra de Olódùmarè (Fálàdé, 1998, p. 494)[3], coloca-a à disposição de todos, seja para os homens ou para os Òrìṣà, confirmando que Èṣù de mal ...., nada tem ...,mas ao contrário, apenas age com justiça.

Suas ações para com os seres humanos são altamente benéficas, auxiliadoras e produtivas para aqueles que fazem uso adequado de seu livre-arbítrio e que, com retidão, se portam de maneira condigna para com os princípios e padrões morais e religiosos, seja em relação a si mesmo, seja em relação ao meio ambiente em que vive.

Recordando uma frase citada: "(...) Isto acontece por que algumas pessoas erroneamente possuem a convicção que Eṣu é o opositor Satanás (Fálàdé, 1998, p. 493)"[4] e que, além disso, o que faz com que os sacerdotes sejam bons ou maus não é o simples fato de administrar o àṣẹ, e sim a forma que deliberadamente usam este àṣẹ, podemos dizer que isto é uma questão humana de caráter, e nada tem a ver com o poder divino do Àṣẹ. O que podemos dizer de Èṣù, que recebeu e administra a cópia do próprio Àṣẹ de Olódùmarè? Èṣù é igualmente neutro como o próprio Àṣẹ, por isso é o guardião do Àṣẹ.

Como Òdàrà, ele recebe, como Ẹlégbára, faz acontecer, e como Òjíṣé. conduz o retorno. Tudo isso é "Èṣù – Olódùmarè assim determinou." (Abimbola, 1975, p. 3)[5] Será que ele é tão terrível e mau quanto querem dele fazer? Como ele pode ser tão temível se é tão neutro como o Àṣẹ? Quando narramos o Odù Iwori-Ofun (Bascom, 1969, pp. 310-311)[6], vimos que simplesmente Èṣù cumpriu seus desígnios de forma imparcial.

As explanações aqui realizada efetivamente enalteceram Èṣù, porém, cabe tecer algumas considerações sobre a absurda questão, mesmo por sincretismo, de que o Òrìṣà Èṣù seja o diabo das religiões cristãs e/ou o mal absoluto tratado pelas religiões ocidentais, que diferem totalmente dos conceitos da religião dos Òrìṣà (Òrìṣàísmo) (Barretti Fº, 2010)[7], praticada na chamada Yorubaland e nas descendentes da diáspora.

Que fique registrado que a religião dos Òrìṣà, praticada em qualquer parte do mundo, independentemente do nome regional adotado, respeita, mas não reconhece a Bíblia como uma de suas diretrizes sagradas, tampouco o Alcorão e a Torá. Para os Òrìṣàístas, trata-se apenas de livros religiosos, assim como tantos outros.

O Òrìṣàímo oriundo da tradição oral, portanto ágrafa, apesar de já contar com muitos escritos, reconhece apenas a "oralidade" dos Ìtàn-Odù, os Ìtán-Mimó Òòṣà (histórias sagradas dos Òrìṣà) como o único "livro ou fala sagrada" a serem adotadas e que também reconhece os ditames do corpo "literário" do oráculo de Ifá, os Odù Ifá, cujo governo pertence à divindade Òrúnmìlà, portador de imensa sabedoria e conhecido como “Ibìkejì Olódùmarè – a segunda pessoa de Olódùmarè”.

Conceitos religiosos europeus e asiáticos não faziam parte das tradições yorùbá antes das colonizações, nem das religiões dela descendentes na diáspora, tampouco antes dos senhores de escravos imporem aos africanos o catolicismo, entre outras religiões.
As formas deturpadas, aculturadas e sincréticas que impuseram e continuam a se impor à religião, nos dias de hoje, foram e ainda o são, os maus frutos decorrentes do processo da escravatura nas Américas e das colonizações europeias impostas a povos africanos. (Conferir em: "Os Clérigos Nativos Yorùbá.")

Conceitos cristãos como os de alma, céu, inferno e purgatório encontraram terreno fértil para se propagar nas já contaminadas tradições yorùbá e de suas descendentes, seja por missionários, seja por agentes governamentais e seja por autores pertencentes a outras culturas e/ou crenças que registraram as tradições, os costumes e religião dos yorùbá, escritos e interpretados pela ótica do colonizador e/ou opressor. E o pior, os registros decorrentes dessas interpretações (que até hoje continuam) criaram "falsas" tradições, que se tornaram "verdades literárias inquestionáveis" e vitimam a religião yorùbá até hoje. (Conferir em: Dos Yorùbá ao Candomblé Kétu – Os Autores)

Um fato muito importante e que deveria ser totalmente condenável é que sempre que se estuda ou se faz pesquisa no campo das religiões comparadas, os parâmetros e os referenciais são sempre os do cristianismo, islamismo e outras religiões aplicados à religião tradicional dos yorùbá. A recíproca, infelizmente, nunca é verdadeira, pois, se assim o fosse, teríamos inúmeras e novas variáveis a serem avaliadas, para o bem da religião tradicional yorùbá e de suas descendentes." (Barretti Fº, 2010, pp. 132-133) [8]

No mundo[editar | editar código-fonte]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Escultura de Exu na Praça dos Orixás, em Brasília, no Brasil

No Brasil, no candomblé, Exu é um dos mais importantes orixás e sempre é o primeiro a receber as oferendas, as cantigas e as rezas: é saudado antes de todos os orixás, antes de qualquer cerimônia ou evento. O Exu orixá não incorpora em ninguém para dar consultas como fazem os exus de umbanda, eles são assentados na entrada das casas de candomblé como guardiões, e em toda casa de candomblé há um quarto para Exu, sempre separado dos outros orixás, onde ficam todos os assentamentos dos exus da casa e dos filhos de santo que tenham Exu assentado.

É astucioso, vaidoso, culto e dono de grande sabedoria, grande conhecedor da natureza humana e dos assuntos mundanos daí a assimilação com o diabo pelos primeiros missionários que, assustados, dele fizeram o símbolo da maldade e do ódio. Porém "... nem completamente mau, nem completamente bom ...", na visão de Pierre Verger no texto de sua autoria "Iniciação" - contido no documentário "Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia", Exu reage favoravelmente quando tratado convenientemente, identificado no jogo do merindilogun pelo odu okaran.

Sacrifício para Exu no candomblé do Ile Ase Ijino Ilu Orossi

Exu recebe diversos nomes, de acordo com a função que exerce ou com suas qualidades: Elegbá ou Elegbará, Bará ou Ibará, Alaketu, Agbô, Odara, Akessan, Lalu, Ijelu (aquele que rege o nascimento e o crescimento de tudo o que existe), Ibarabo, Yangi, Baraketu (guardião das porteiras), Lonan (guardião dos caminhos), Iná (reverenciado na cerimônia do padê).

A segunda-feira é o dia da semana consagrado a Exu. Suas cores são o vermelho e o preto; seu símbolo é o ogó (bastão com cabaças que representa o falo); suas contas e cores são o preto e o vermelho; as oferendas são bodes e galos, pretos de preferência, e aguardente, acompanhado de comidas feitas no azeite de dendê. Aconselha-se nunca lhe oferecer certo tipo de azeite, o Adí, por ser extraído do caroço e não da polpa do dendê e portar a violência e a cólera. Sua saudação é "Larôye!" que significa o bem falante e comunicador.

Consiste o padê em um prato de farofa amarela, acaçá, azeite-de-dendê e uma quartinha de água ou cachaça, que são "arriados" para Exu.

Na nação de angola ou candomblé de Angola, Exu recebe o nome de Aluvaiá, Pambu Njila e Legbá, no candomblé jeje.

Não deve ser confundido com a entidade Exu de Umbanda. Os exus de umbanda são entidades de pessoas desencarnadas que, por motivos de evolução espiritual, retornaram à terra para cumprir essa missão junto ao seus seguidores. Essas entidades são confundidas com esu ou exu do candomblé devido à proximidade que Exu tem com os homens. Entretanto, não são considerados orixás como o Exu, e sim entidades espirituais em evolução. Não se deve confundi-los com quiumbas - conhecedores das vontades de homens e mulheres no plano terrestre, onde viveram em épocas diferentes, com os mesmos problemas, desejos e sonhos.

Em Cuba[editar | editar código-fonte]

Assentamento de Elegguá.

Em Cuba, é chamado de Elegua, Elegguá ou Eleggua. É uma das deidades da religião ioruba. Na santería, é sincretizado com o Santo Niño de Atocha ou com Santo Antônio de Pádua. É o porteiro de todos os caminhos, da montanha e da savana, é o primeiro dos quatro guerreiros junto a Oggun, Osun e Oshosi.

Tem 201 caminhos,suas cores são o vermelho e o preto e seus números são 3 e 7. É o comunicador e Ifá lhe deu quatro búzios para falar com ele. Ele está presente no início da vida e na hora da morte.

No Haiti[editar | editar código-fonte]

Veve de Papa Legba

No vodu haitiano, é chamado de Papa Legba e Legbá Petró, Maitre Carrefour("dono da encruzilhada"). É o intermediário entre o loa e a humanidade. Ele está em uma encruzilhada espiritual e dá (ou nega) permissão para falar com os espíritos de Guinee, e acredita-se que fale todos os idiomas humanos. Ele é sempre o primeiro e o último espírito invocado em qualquer cerimônia.

Na República Dominicana, é cultuado como Vodun Legba, e, em Trinidad e Tobago, como Eshu.[9]

Arte[editar | editar código-fonte]

O artista Carybé com sua vasta obra diversificada que abrange pinturas, desenhos, ilustrações, esboços, esculturas, gravuras, cerâmicas e murais sobre o Candomblé e os Orixás, representou Exu de várias formas de pintura e no Mural dos Orixás que se encontra no Museu Afro-Brasileiro de Salvador.[10]

Os principais livros que tratam do tema arte popular, pintura, escultura e artesanato no Nordeste do Brasil enfatizam a importância da escultura no Recôncavo baiano, com a atuação de alguns artistas cachoeiranos.[11]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Super Interessante: O que é um Exu?
  2. Texto extraído de Aulo Barretti Filho: "Considerações Finais" pp. 132-133 em “Òṣóòsì e Èṣù, os Òrìṣà Alákétu”. In: Dos Yorùbá ao Candomblé Kétu. Aulo Barretti Filho (org.), pp. 75-139. São Paulo, Edusp, 2010.
  3. Fálàdé, Fásínà. Ifá: the key to it’s understanding, Lynwood, Àrà Ifá Pub., 1997.
  4. idem nota 2
  5. Abimbola, Wande. Ifá, an exposition of Ifá Literary Corpus. Ibadan, Oxford Uni Press, 1976.
  6. Bascom, William. Ifa Divination. Indiana, Indiana Univ. Press, 1969.
  7. Barretti Filho, Aulo. Òrìṣàísmo In: Artigos & Textos. Internet, 2012.
  8. Barretti Filho, Aulo. “Òṣóòsì e Èṣù, os Òrìṣà Alákétu”. In: Dos Yorùbá ao Candomblé Kétu. Aulo Barretti Filho (org.), pp. 75-139. São Paulo, Edusp, 2010.
  9. Nei Lopes, Enciclopédia brasileira da diáspora africana
  10. Artes do axé. O sagrado afro-brasileiro na obra de Carybé
  11. Escultura religiosa afro-brasileira em Cachoeira, Bahia Suzane Pinho Pêpe (UFRB)

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

Para maior conhecimento sobre esta divindade, recomendam-se os livros: