Fábio Luís Lula da Silva

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Fábio Luís Lula da Silva
Nascimento 1975 (42 anos)
São Bernardo do Campo, SP
Nacionalidade brasileiro
Campo(s) Biologia e Politica

Fábio Luís Lula da Silva (São Bernardo do Campo, 1975), também conhecido como Lulinha, é um biólogo e empresário brasileiro, filho do ex-presidente Lula.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Fábio Luís é o filho mais velho do ex-presidente da República do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva e de sua segunda esposa, Marisa Letícia Rocco Casa. Nasceu pouco tempo antes da posse de Lula como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo.[1] Tem dois irmãos, Sandro Luís e Luís Cláudio, e dois meio-irmãos, Marcos Cláudio e Lurian.

Graduou-se em Ciências Biológicas pela Universidade Paulista (UNIP) e foi monitor do Parque Zoológico de São Paulo.[2]

Gamecorp[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Caso Gamecorp

Em 2004, após o primeiro ano de mandato de seu pai no mais alto cargo eletivo do país, Fábio Luís fundou em parceria com os amigos de infância Ricardo e Kalil Bittar, filhos de Jacó Bittar, ex-prefeito de Campinas, conselheiro da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros) e íntimo de Lula desde a década de 1970 a empresa Gamecorp,[3] fato que suscitou diversas matérias jornalísticas e críticas da oposição ao Governo Lula, levantando-se a denúncia de tráfico de influência e favorecimento na destinação de recursos públicos.

As críticas basearam-se na venda de parte das ações de sua empresa à Telemar, que tem participação de capital público e é a maior empresa de telefonia do Brasil, por R$ 5,2 milhões de reais, sendo que o capital social declarado da empresa era de apenas cem mil reais.[4] Desta forma tornar-se-ia a Telemar acionista minoritária. Com a mediação da consultoria de Antoninho Trevisan, outro velho amigo de Lula, o negócio foi consumado em 2005. A direção da Telemar informou que resolvera investir no diminuto empreendimento baseada em projeções econômicas que não divulgou. E garantiu que só soube que se asssociara a um filho do então presidente depois de consumado o acerto.[5]

A Telemar ainda investiu mais dez milhões de reais na Gamecorp pela produção de programas de televisão.[6]

A Câmara Municipal de Belém, no Pará, já atendera à sugestão do presidente em fevereiro de 2006, quando solicitou à Procuradoria-Geral da República que investigasse Lulinha por suspeita de tráfico de influência. Como a sede da Telemar fica no Rio, a Procuradoria repassou o caso aos procuradores baseados em território fluminense. Em outubro de 2006, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro pediu a abertura de inquérito à Polícia Federal. Em junho de 2007, contudo, resolveu transferir a missão para o Ministério Público Federal de São Paulo, que abriga a sede da Gamecorp. Em outubro de 2009, os procuradores  paulistas entenderam que cabia ao Superior Tribunal de Justiça decidir quem deve cuidar do assunto.  Em 12 de fevereiro de 2013, a Folha informou que STJ resolvera a pendência: cumpre à 10ª Vara Criminal Federal de São Paulo apurar o caso.

Em defesa a Fábio Luís, a jornalista Soninha Francine declarou que se tratava de um escândalo falso,[7] com vistas a prejudicar a imagem do Governo Lula através de seu filho. O presidente Lula negou que haja relação entre o sucesso financeiro de Fábio Luís e o fato de ele ser seu filho, comparando seu talento ao do jogador de futebol Ronaldinho: "[...] deve haver um milhão de pais reclamando: por que meu filho não é o Ronaldinho? Porque não pode todo mundo ser o Ronaldinho."

Em razão da matéria publicada em 25 de outubro de 2006 sobre os seus negócios, Fábio Luís entrou com uma ação judicial contra a revista Veja.[8]

Viagem à Antártida[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 2008, Fábio Luís viajou ao lado do pai e de sua comitiva até a estação brasileira na Antártida; a notícia repercutiu boatos de que os custos de sua estada seriam bancados por dinheiro público; porém, logo em seguida, a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto esclareceu que as despesas de Fábio Luís com hotel "seriam pagas de seu próprio bolso". Além disso, a Secretaria explicou que Fábio Luís viajou à Antártida "por interesse científico".[9]

Passaportes diplomáticos[editar | editar código-fonte]

No final de 2010, a Folha de S. Paulo revelou que familiares do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo Fábio Luís, tinham recebido passaportes diplomáticos pelo Ministério das Relações Exteriores, popularmente chamado Itamaraty. O jornal apurou que os documentos haviam sido emitidos "em caráter excepcional" e por haver "interesse do país".[10]

O passaporte diplomático é concedido a presidentes, vice-presidentes, ministros, parlamentares, chefes de missões diplomáticas, magistrados dos tribunais superiores e ex- presidentes. Também têm direito cônjuges e filhos de até 21 anos ou sem limite de idade caso sejam deficientes, o que não era a situação do filho de Lula.

Em novembro de 2013, a Justiça cancelou o passaporte diplomático concedido a Fábio Luiz. A decisão foi do juiz Jamil Rosa de Jesus Oliveira.[11]

Operação Lava Jato[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Operação Lava Jato

Em outubro de 2015 foi noticiado pela imprensa brasileira que Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, afirmou em delação premiada para a Operação Lava Jato ter pago cerca de R$ 2 milhões em despesas pessoais de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, primogênito de Lula.[12] Essa informação foi desmentida cerca de um mês depois, em 8 de novembro de 2015 [13] , pelo autor da matéria original, Lauro Jardim, e em seguida por outros veículos da imprensa.[14] [15]

No dia 27 de novembro de 2015, um relatório da Polícia Federal, segundo foi publicado na imprensa[16][17], informou que o trabalho de consultoria que rendeu R$ 2,5 milhões a Luís Cláudio Lula da Silva, filho mais novo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi baseado em “meras reproduções de conteúdo disponível na rede mundial de computadores, em especial no site do Wikipedia”.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Declarações feitas por Marisa Letícia Lula da Silva a Denise Paraná em "Lula, o Filho do Brasil", 3a. ed, 2a. reimpressão, p. 340 e 343
  2. «O Dia Online». Consultado em 28 de outubro de 2009 
  3. http://www.estado.com.br/editorias/2006/10/29/pol-1.93.11.20061029.52.1.xml
  4. «VEJA on-line». Consultado em 28 de Outubro de 2009 
  5. Augusto Nunes (13 de julho de 2011). «O Ronaldinho da informática». Veja 
  6. «VEJA on-line». Consultado em 28 de outubro de 2009 
  7. «A Nova Corja». Consultado em 28 de outubro de 2009 
  8. «Folha de S.Paulo - Juiz quer nome dos acionistas da Gamecorp». 29 de novembro de 2006. Consultado em 28 de outubro de 2009 
  9. Resenha Eletrônica - Filho de Lula vai à Antártida por 'interesse científico', diz Planalto
  10. Outros dois filhos de Lula receberam passaporte diplomático
  11. Agencia Efe (11 de novembro de 2013). «Justiça brasileira anula o passaporte diplomático a um filho de Lula». Portal R7. Consultado em 20 de outubro de 2014 
  12. «Em delação, Fernando Baiano diz que pagou despesas pessoais de filho de Lula». Lauro Jardim - O Globo. O Globo. Consultado em 11 de outubro de 2015 
  13. «Correção». Lauro Jardim - O Globo. Consultado em 12 de novembro de 2015 
  14. «Lulinha não foi citado na delação premiada de Fernando Baiano». Zero Hora Notícias. Consultado em 12 de novembro de 2015 
  15. «Correção: Fernando Baiano não pagou despesas de Lulinha». Revista Época. Consultado em 12 de novembro de 2015 
  16. «Consultoria de filho de Lula foi copiada do Wikipedia, diz PF - Estadão». Consultado em 28 de novembro de 2015 
  17. «Em relatório, PF diz que consultoria do filho de Lula reproduziu Wikipédia». G1. Globo.com. Consultado em 28 de novembro de 2015