Fábrica de Tecidos Bangu
A Fábrica de Tecidos Bangu foi uma importante indústria de tecidos nacionais, localizada no bairro de Bangu, no Rio de Janeiro, que operou entre 1889 e 2004.
História
[editar | editar código]Primeiros anos
[editar | editar código]A fábrica foi fundada no dia 6 de fevereiro de 1889 com o nome de Companhia Progresso Industrial do Brasil. Seu idealizador e fundador foi o comendador Manuel Antônio da Costa Pereira, 1.º conde de Costa Pereira,[1] xará de Manuel de Barcelos Domingues, considerado o fundador do bairro de Bangu, quando ainda era uma grande fazenda, no ano de 1673.
As primeiras transformações na região começaram a surgir em 1878[2], quando foi construído o Ramal Ferroviário de Santa Cruz da Estrada de Ferro D. Pedro II. Como a então fazenda não dispunha de uma estação local, o seu acesso ainda se dava pela Estrada Real de Santa Cruz (atual Avenida Santa Cruz), único meio de transporte que atravessava a região naquela época.[3]
A partir da fundação da fábrica, o espaço rural que ali existia, foi se transformando rapidamente em urbano. Neste período, a região sofreu um rápido e consistente desenvolvimento, sendo uma das principais responsáveis por importantes obras que lá se iniciaram, tais como: a Estação de Bangu, em 1890; a fundação da Paróquia de São Sebastião e Santa Cecília, em 1908, entre outras.
A Bangu, sempre pioneira, dava excelente assistência aos seus operários, contando com uma vila operária. Além de moradias, em 1906, criou uma Caixa Beneficente para atendimento médico, pagamento de enterros e outros tipos de auxílios. Em 1908, a Bangu instalou no bairro, uma rede telefônica e em 1910, a Rio Light fez a ligação elétrica ao bairro, que passou a ter iluminação pública nas ruas.[4]
Desfiles Bangu
[editar | editar código]A matéria-prima principal da Fábrica Bangu era o algodão do Seridó, produzido no Nordeste do Brasil, como também no estado de São Paulo[5] desenvolvendo, a partir dele, uma variedade de tecidos, como o cetim.
O Desfile Bangu era promovido para divulgação da linha de tecidos de algodão da fábrica.
O concurso Miss Elegante Bangu foi uma das ferramentas de divulgação da marca, aproveitando um período em que os concursos de beleza tomavam força. A primeira edição ocorreu em 1952, reunindo moças indicadas pelos principais clubes sociais do Rio de Janeiro e do Brasil, ganhando a vencedora uma viagem a Paris. Contudo, as participantes deveriam desfilar modelos exclusivos de baile ou passeio, desenhados pelo figurinista da casa, José Ronaldo e construídos com os tecidos da fábrica, os quais seriam lançados na próxima estação[6].
Os desfiles eram realizados no hotel Copacabana Palace e eram amplamente noticiados pela imprensa, representando grandes eventos sociais no Rio de Janeiro devido à presença de grandes personalidades da época.
Futebol
[editar | editar código]A fábrica também tem sua história ligada ao futebol, pois foi um dos berços do Bangu Atlético Clube, fundado em 1904, e também foi o local onde foi realizada uma das primeira partidas de futebol do Brasil.
Thomas Donohoe, escocês pioneiro do futebol no Brasil e que hoje tem sua estátua no Bangu Shopping, foi operário da fábrica e morador do bairro e trouxe o futebol como recreação para seus colegas de trabalho[7]. O futebol já acontecia em São Paulo no São Paulo Athletic Clube (cerca de dez anos antes) e no Rio de Janeiro com o Rio Team, liderado por Oscar Cox, fundador do Fluminense Football Club, em 1902. Ao redor da fábrica, o esporte foi implantado por técnicos escoceses, como Thomas, e ingleses, que vieram do Reino Unido para trabalhar na indústria têxtil.[8]
Fechamento e tombamento
[editar | editar código]Em 2000, o prédio da Fábrica foi tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade [1], mostrando assim sua importância, não só para o bairro de Bangu como também para a cidade do RJ.
Com o passar das décadas, a atividade têxtil foi desacelerando, outros empreendimentos foram se instalando na região e a influência da fábrica diminuiu. Em 5 de fevereiro de 2004, a fábrica encerra suas atividades e o bairro deixa sua função fabril para assumir-se como um bairro comercial e residencial.
Na cidade fluminense de Petrópolis são produzidos tecidos de alta qualidade - para os segmentos de moda e decoração. No terreno em Bangu, foi construído um shopping center que ainda mantém as características arquitetônicas originais da fábrica, inaugurado no dia 30 de outubro de 2007 chamado Bangu Shopping.[9]
Referências
- ↑ Biografia de Manuel de Teffé (neto do fundador)
- ↑ «Santa Cruz». SuperVia. Consultado em 30 de novembro de 2021
- ↑ «Fazendas». Memória de Bangu. Consultado em 30 de novembro de 2021
- ↑ Coitinho, Gercton Bernardo; Martins, Ana Cristina Tavares (junho de 2018). «O desenvolvimento local sob a perspectiva do trabalho: um estudo de caso da fábrica de tecidos Bangú.». Centro Universitário Augusto Motta. Semioses: desenvolvimento e sustentabilidade. 12 (2): 83-96
- ↑ Manzon, Jean (1955). «Os campeões da elegância». Consultado em 15 de março de 2019
- ↑ «A eleição da Miss Elegante Bangu transformou-se num festival do algodão.». O Cruzeiro. 13 de novembro de 1954. Consultado em 15 de março de 2019
- ↑ Junior, Nei Jorge dos Santos (20 de junho de 2013). «QUANDO A FÁBRICA CRIA O CLUBE: O PROCESSO DE ORGANIZAÇÃO DO BANGU ATHLETIC CLUB (1910)». Recorde: Revista de História do Esporte (1). ISSN 1982-8985. Consultado em 1 de março de 2026
- ↑ Junior, Nei Jorge Santos (26 de julho de 2021). «Entre os apitos do campo e da fábrica: o futebol à moda Bangu/Rio de Janeiro (1904-1929)». Pensar a Prática. ISSN 1980-6183. doi:10.5216/rpp.v24.66390. Consultado em 1 de março de 2026
- ↑ Cruvinel, Aline Cristina (maio de 2019). trabalho em Anais de Encontro Nacional. «O patrimônio operário: o caminho traçado pelos campos do patrimônio industrial [...]». PPGDR – Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional/FURB. XVIII ENANPUR: 1-17. ISSN 1984-8781
Bibliografia
[editar | editar código]https://diariodorio.com/historia-da-fabrica-de-tecidos-de-bangu/