Fátima (Bahia)

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Fátima
  Município do Brasil  
Praça São Francisco de Assis (Praça da matriz)
Praça São Francisco de Assis (Praça da matriz)
Símbolos
Bandeira de Fátima
Bandeira
Brasão de armas de Fátima
Brasão de armas
Hino
Gentílico fatimense
Localização
Localização de Fátima na Bahia
Localização de Fátima na Bahia
Mapa de Fátima
Coordenadas 10° 36' S 38° 13' 01" O
País Brasil
Unidade federativa Bahia
Municípios limítrofes Cícero Dantas, Heliópolis, Adustina e Antas em território baiano. Poço Verde em território sergipano.
Distância até a capital 319 km
História
Fundação 1985 (36 anos)
Aniversário 1 de abril
Administração
Prefeito(a) Fabio Araújo (Binho de Alfredo) (PT, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [1] 359,394 km²
População total (IBGE/2020[2]) 17 845 hab.
Densidade 49,7 hab./km²
Clima semi-árido
Altitude 100 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
CEP 48415-000
Indicadores
IDH (PNUD/2010[3]) 0,559 baixo
PIB (IBGE/2008[4]) R$ 56 997,511 mil
PIB per capita (IBGE/2008[4]) R$ 2 909,82
Outras informações
Padroeiro(a) São Francisco de Assis
Sítio fatima.ba.gov.br (Prefeitura)

Fátima é um município brasileiro do estado da Bahia. Localiza-se a uma latitude 10º36'00" sul e a uma longitude 38º13'00" oeste, estando a uma altitude de 340 metros. Sua população estimada em 2020 era de 17 845 habitantes,[2]. Fica situada no agreste baiano, região de transição da zona da mata para o sertão.

Emancipação Política[editar | editar código-fonte]

Dia 01 de abril, o município de Fátima, localizado no agreste baiano, região de transição da zona da mata para o sertão, comemora sua emancipação política. Antes, era uma pequena localidade (Monte Alverne), que estava sob a administração de Cícero Dantas. Com seu desenvolvimento, emancipou-se recebendo o nome de Fátima. Município criado com território desmembrado de Cícero Dantas, por força de Lei Estadual de 01/04/1985.

O líder político João Maria de Oliveira, outrora vereador da cidade de Cícero Dantas, lutou constantemente para que Fátima fosse município independente, tendo conseguido com o apoio do seu povo após anos ir a encontro onde posteriormente seria a atual divisa entre Fátima/Cícero Dantas enfrentando as lideranças cicerodantences que eram contrários ao nascimento do novo município, João Maria com a sua experiência conseguiu a vitoria. Logo após a alguns dias veio o plebiscito para saber a vontade dos fatimenses, com uma vitória democrática a maioria disse SIM! Daí foi-se formalizando o processo de criação do município de Fátima.

O nascimento de Fátima como município é datado de 1987, um ano após a emancipação política. Naquele ano, o primeiro prefeito, João Maria de Oliveira, assume a tarefa de organizar a administração pública do recém criado município.

História[editar | editar código-fonte]

A expressão popular que assevera nada ser por acaso é trazida à literalidade no caso dos primeiros núcleos de povoamento de Fátima. Este município do agreste baiano, situado há algumas poucas centenas de quilômetros do litoral, tanto da Bahia como de Sergipe, guarda em seus costumes contemporâneos a semente de um passado demasiadamente distante no tempo cronológico.

Os vaqueiros, hoje, figuras indissociáveis do cotidiano do fatimense, quem diria, estão na gênese do povoamento desta terra e da formação do seu povo e cultura, atualmente expressada na forma de vaquejadas, cavalgadas e em um verdadeiro culto ao animal base desta cultura, o boi.

Não é por acaso que a força de ligação com a criação de gado e as subatividades econômicas inerentes à esta, são tão fortes na vida dos habitantes desta terra, pois foi graças aos vaqueiros do passado, aos quais não guardo homenagem ou crítica, que essas terras foram povoadas ou, dependendo do ponto de vista, tomada dos povos indígenas que já habitavam essa região há séculos ou milênios.

Essas comunidades eram provavelmente da etnia kiriri, hoje “reduzida” à biocenose quilombola no atual município de Banzaê. Vestígios de cemitérios indígenas, como urnas funerárias e ossadas foram encontrados em Paripiranga e na cidade de Cícero Dantas, quando da construção do estádio municipal daquela cidade. Aqui em Fátima, achados arqueológicos guardados por populares como um artefato emblemático encontrado na localidade fatimense da Lagoa da Volta, nos ajuda a contar essa história. Um deles é uma belíssima ponta de lança entalhada em pedra lascada que ainda necessita de estudos posteriores, nos ajudando, dessa forma, a deduzir que os colonos foram expulsando os kiriris de leste para oeste, isto é, partindo do litoral, chegando aos atuais territórios de Paripinga, Fátima, Cícero Dantas e finalmente a posição atual em Banzaê.

Mas voltando a falar dos vaqueiros, sua chegada a essa região é documentada, de acordo com Isabel Camilo de Camargo (2014), em princípios dos século XVIII. Com a saturação das terras litorâneas, amplamente utilizadas para a lavoura canavieira, era preciso avançar em direção ao interior na busca de terras para a pecuária e alimentar a crescente população.

Os cursos dos rios foram os caminhos mais “fáceis”, sendo as principais rotas o São Francisco, que à época chegou a ser conhecido como “o rio dos currais”, o Itapicuru e o Vaza-barris, este último, provável rota utilizada pelos primeiros brancos a chegarem a esta região. Viajando a pé, os desbravadores conduziam suas boiadas enfrentando as dificuldades impostas pela natureza como a vegetação, terrenos de difícil acesso e similares para se estabelecer em locais propícios ao seu ofício, expulsando os indígenas que pouco poder de resistência tinham contra os invasores.

Essas “conquistas”, aliás eram motivos de prendas concedidas a estes homens pela coroa portuguesa, que cedeu as áreas antes dominada por indígenas aos próprios criadores de gado com a intenção de estabelecer o domínio da terra pela coroa portuguesa e de fazer com que esta produza e gere lucros.

E foi assim que o interior baiano e as terras que hoje compõem o atual município de Fátima foram colonizadas. Nascidas da violência contra os povos autóctones e da desejo de consecução do homem branco, Fátima hoje guarda nas tradições do seu povo as suas origens ocultas.

Povoados e comunidades[editar | editar código-fonte]

Praça Central
Povoado Tabua

Mais Antigo (Povoado Tabua), O primeiro Povoado do município de Fatima. Com mais de 100 anos de história, a Tabua já foi palco de grandes feiras aos Domingos. O povoado mantém as tradições na festa do padroeiro São José e tem a maior a Procissão de motorista do município, saindo todo ano no dia 18 de Março do Povoado vizinho Malhada da Areia, passando pela Tabua II e chegando ao Centro do povoado.

Povoado Malhada da Areia[editar | editar código-fonte]

Os primeiros moradores da localidade Malhada da Areia, pertencente ao município de Fátima, chegaram 1915, vindos de Curaçá e Camboatá região de Heliópolis. No local, onde não existiam casas começou morar em uma fazenda o Senhor José Benício de Oliveira e sua esposa, Maria Virgem do Rosário, pais de dezessete filhos. Ali começou a trabalhar e colocou o nome da fazenda de “Malhada da Areia", por haver muita areia na região.Já em 1918 chega à região, o Senhor José de Ioiô com sua esposa, Dona Madalena, vindos de Camboatá, também região de Heliópolis.

Aumentaram a família e tiveram 11 filhos. Um ano depois, João de Izalta que fazia uma viagem de Heliópolis a Paripiranga, gostou do lugar e resolveu ficar com sua esposa. Pessoas continuavam passando no local e assim morando.

Naquela época havia Novenas, Reisados, Casamentos e os bailes eram realizados ao somda Sanfona e da Viola. A casa de Seu Benício também funcionava como escola, e o primeiro professor da Malhada da Areia foi o Mestre Amoje.

Em 2003, a bodega que existia na Malhada da Areia, foi reformada e se tornou o primeiro Colégio do local, mas infelizmente hoje se encontra fechada e em ruínas por causa da má administração do município.No ano de 2006, doaram um terreno vizinho ao colégio, para a construção da Igreja, e toda comunidade colaborou com a construção.

Ex-prefeitos e atual prefeito[editar | editar código-fonte]

  • João Maria de Oliveira - 1986 a 1988
  • Osvaldo Ribeiro – 1989 a 1992
  • João Maria de Oliveira – 1993 a 1996
  • Eduardo Pires 1997 a 2000
  • Manoel M. Vieira – 2001 a 2008
  • José Ildefonso - 2009 a 2016

Tradições[editar | editar código-fonte]

No município existe um grande número de tradições. Um principal exemplo é o Feijão Fest. Essa é a festa em que a cidade recebe um grande número de turistas, vindo de diversas partes do Brasil. O Feijão Fest reúne multidões na praça de eventos e a tradicional alvorada que aglomera os foliões com as respectivas bandas locais e nacionais, organizado pela prefeitura municipal de Fátima, que acontece no mês da colheita do feijão em setembro.

Em outubro realizado pela paróquia São Francisco de Assis, tem a festa e novenário em louvor ao padroeiro São Francisco de Assis que reúne grande número de fiéis católicos da Sede do município, comunidades e povoados e até mesmo turistas e visitantes de cidades vizinhas, sua procissão dia 4 de outubro com o andor de São Francisco passando em ruas e avenidas da cidade chegando na praça da matriz com a Santa Missa e ao término com Show Religioso.

Outro evento que está se tornando tradição e resgatado em 2017 é a Copa da Independência de Fátima. Organizado pela Prefeitura Municipal de Fátima é realizado um campeonato com todas equipes de futebol do município, finalizado no dia ou depois do aniversário da cidade 1° de Abril com a distribuição de prêmios aos vencedores da competição incentivando ao esporte e atletas do município, realizado no Estádio Municipal Valdomiro Pinheiro(Ita) aglomera um grande número de fatimenses tornando uma grande festa.

Referências

  1. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  2. a b «Estimativa 2020». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 2020. Consultado em 12 de julho de 2021 
  3. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 24 de agosto de 2013 
  4. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
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