FMA IA 58 Pucará

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IA 58 Pucará
FMA IA 58 Pucará da Força Aérea Argentina.
Descrição
Fabricante FMA[1]
Entrada em serviço 9 de agosto de 1974
Missão Combate Ligeiro
Tripulação 2 (1 na versão IA-58C)
Dimensões
Comprimento 14,25 m
Envergadura 14,5 m
Altura 5,36 m
Área (asas) 30,3 m²
Peso
Tara 4.020 kg
Peso bruto máximo 6.800 kg
Propulsão
Motores 2 × Turbohélice Turbomeca Astazou XVI-G, 1.021 CV cada um (versões A,B e C)

2 × Pratt & Whitney PT6A-62 (Versão D)[2]

Performance
Velocidade máxima 520 km/h
Alcance 3700 km
Teto máximo 15.500 m
Armamento
Metralhadoras 2 unidades Hispano-Suiza HS.804 de 20 mm, (versões A,B e D)

2 canhões DEFA de 30 mm (versão C)

4 metralhadoras cal. 7,62 mm FM M2-20

Mísseis/Bombas capacidade de transporte de até 1600 kg de bombas

O FMA IA 58 Pucará (do termo quechua: «Fortaleza») é um avião, bimotor turbohélice, de combate ligeiro de projeto e construção argentina. Desenvolvido pela Fabrica Militar de Aviones da Argentina na década de 1970, foi utilizado na Guerra das Malvinas. É projetado para operar em pequenas pistas de terra e sua missão primordial é de apoio a forças terrestres, combate anti-helicopteros e missões de contra-insurgência.

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Nos anos 1960, a guerra do Vietnam demonstrou que aeronaves de ataque ao solo convencional não eram eficientes no combate aos guerrilheiros vietcong. Assim, a indústria de aeronaves militares mundial iniciou o desenvolvimento de diversos projetos para atender essa necessidade. Em 1966, a Dirección Nacional de Fabricación e Investigación Aeronáutica (DINFIA) estabeleceu parâmetros para o desenvolvimento de uma aeronave de ataque leve. Assim surgiu o projeto AX-2. Para acelerar o desenvolvimento da aeronave, a DINFIA utilizou o projeto do IA 50 Guaraní II como base.

Projeto[editar | editar código-fonte]

O primeiro voo do protótipo do AX-2 ocorreu em 20 de agosto de 1969. Naquele momento , a aeronave tinha sido renomeada FMA IA 58 Delfin. Propulsionado por dois motores Garrett TPE331, de 575 HP, a aeronave não obteve o desempenho esperado. Para melhorar, o desempenho, o segundo protótipo teve seus motores Garret substituídos pelos propulsores Turbomeca Astazou de 965 HP. O segundo protótipo voou em 6 de setembro de 1970.

O desenvolvimento da aeronave acabou atrasado por conta da instabilidade política na Argentina.

História Operacional[editar | editar código-fonte]

Após sua entrada em serviço em 1974, o Pucará foi empregado contra os opositores do regime militar argentino durante a Operação Independência em 1975.

Guerra das Malvinas[editar | editar código-fonte]

Pucará destruído e abandonado no Aeroporto Stanley, foto de 1984.

Durante a Guerra das Malvinas, a Força Aérea Argentina tinha entre 45[3] e 60 Pucará, baseados no 3º Grupo de Ataque. Por conta das pistas de pouso existentes nas ilhas Falklands/Malvinas serem curtas, os Pucará eram as únicas aeronaves de combate capazes de operar nas mesmas. Assim, 24 Pucará foram transferidos para as pistas das ilhas enquanto que os demais foram baseados no continente, em bases nos rredores de Comodoro Rivadavia e Projetado para ataque ao solo, o Pucará acabou sofrendo pesadas baixas ao ter de enfrentar os jatos Sea Harrier da Royar Air Force.[3] Ao final do conflito, o 3º Grupo de Ataque argentino tinha perdido 11 de seus 24 Pucará em combate ( 4 perdidos em voo e os demais destruídos e ou sabotados em terra por tropas SAS britânicas[3] ), além de 2 aeronaves perdidas em acidentes.[4] Durante a Batalha de Goose Green, um Pucará abateu um helicópero Westland Scout dos Royal Marines.[5]

Guerra civil do Sri Lanka[editar | editar código-fonte]

Para combater os rebeldes tâmeis durante a Guerra civil do Sri Lanka, a força aérea daquele país adquiriu 4 IA-58 Pucará em 1985, a um custo de US$ 2,6 milhões cada. Por conta de problemas econômicos e técnicos (naquela época o Pucará estava fora de produção), a FMA conseguiu entregar as aeronaves apenas em 1992. O Pucará foi empregado com relativo sucesso contra os rebeldes tâmeis. A situação ira mudar quando os rebeldes tâmeis tiveram acesso a mísseis terra-ar. O primeiro Pucará foi derrubado em 13 de outubro de 1993. Após a queda do segundo Pucará, em 14 de julho de 1995, a Força Aérea do Sri Lanka manteve as duas aeronaves restantes estacionadas em terra por falta de peças sobressalentes. Posteriormente, peças sobressalentes de Pucará foram apreendidas pela alfândega argentina, quando se destinavam a Hong Kong. O misterioso importador da mercadoria declarou em documentos que a carga era de torneiras, despertando suspeitas de contrabando de armas.[6]

As duas aeronaves restantes foram reativadas somente em meados de 1997, sendo que uma delas foi abatida em 15 de março de 1997. Restaurada, continuou voando até 1998, quando foi retirada de serviço com a outra aeronave restante da frota. Em 2003, as aeronaves foram restaurauradas e encontram-se expostas nos seguintes locais:

  • CA-603- Modelo IA-58A – Número de construção 102. Exposta em um pedestal próximo a torre de controle da Base aérea de Anuradhapura da Força Aérea do Sri Lanka[7] ;
  • CA-605 – Modelo IA-58A-Número de construção 101. Exposta no museu da Força Aérea do Sri Lanka, Ratmalana [8] ;

Versões[editar | editar código-fonte]

  • AX-2 Delfin – protótipo de testes;
  • AX-4 – protótipo de aeronave anti-submarino carregada com um torpedo Mark 45;
  • IA-58 A- Primeira versão operacional, produzida em maior número que as demais;
  • IA 58 B- Versão com melhorias nos aviônicos e equipada com dois canhões DEFA de 30 mm no lugar dos dois canhões HS.804 de 20 mm;
  • IA-58 C- Versão monoposto, desenvolvida após a Guerra das Malvinas, equipada com dois canhões DEFA de 30 mm canhões, blindagem adicional, suporte para mísseis ar superfície;
  • IA-58 D - Modernização da versão A, com novos sistemas aviônicos e novos motores PT6A-62[2] ;
  • IA-66 – Modernização do IA-58A, com novos motores Garrett TPE331, voou em 1980;

Utilizadores[editar | editar código-fonte]

O Uruguai é o único utilizador do Pucará ao lado da Argentina. Acima, dois IA-58 Pucará da Brigada Aérea II do Esquadrão nº 1 da Força Aérea do Uruguai.

Atuais[editar | editar código-fonte]

 Argentina - A Força Aérea Argentina é o maior usuário do Pucará, com 30 aeronaves de diversas versões. O Pucará é empregado como aeronave de contra-insurgência.

Uruguai - O Pucará é a única aeronave de ataque da Força Aérea do Uruguai. As seis aeronaves de fabricação argentina são utilizadas pela Brigada Aérea II do Esquadrão nº 1 da aviação uruguaia.

Ex utilizadores[editar | editar código-fonte]

 Colômbia - No final da década de 1980, o governo argentino realizou a doação de 3 Pucará para a Força Aérea da Colômbia. A doação das aeronaves simbolizava o apoio argentino ao governo da Colômbia no combate a guerrilha e a o narcotráfico.. As aeronaves, numeradas 2201,2202 e 2203, foram empregadas no combate ao narcotráfico, porém, foram retiradas de serviço prematuramente em 1996. A falta de peças sobressalentes, a burocracia na aquisição dos mesmos, aliada a pouca assistência técnica argentina abreviaram sua operações . Após a desativação, o Uruguai demonstrou interesse em adquirir os 3 Pucará, iniciando conversações com a Colômbia. Somente em 2008 foi consumada a aquisição. [9]

Sri Lanka - A Força Aérea do Skr Lanka adquiriu 4 Pucará em 1992 e os empregaria na Guerra civil do Sri Lanka. Três aeronaves foram abatidas por misseis terra-ar lançados pelos rebeldes tâmeis e a aeronave restante foi retirada de serviço por falta de peças sobressalentes em 1998. [10]

 Reino Unido - Durante a retirada das ilhas Falklands/Malvinas, a Força Aérea Argentina abandonou várias aeronaves, incluindo 11 Pucarás (4 em condições de voo). As forças armadas britânicas capturaram essas aeronaves e, após realizar alguns testes, entregou 6 Pucará para museus britânicos:

  • A-515 (ZD485) - Royal Air Force Museum, Cosford[11] .
  • A-517 - de propriedade privada.
  • A-522 (8768M) - North East Aircraft Museum (emprestado pelo Fleet Air Arm Museum, Yeovilton) [12]
  • A-528 (8769M) - Norfolk and Suffolk Aviation Museum (emprestado pelo Museum of Army Flying, Middle Wallop)
  • A-533 (ZD486) - Boscombe Down Aviation Collection (seção do Cockpit)
  • A-549 (ZD487) - Imperial War Museum Duxford [13] .

Aquisições canceladas[editar | editar código-fonte]

 Bolívia – A Bolívia foi o primeiro país a estudar a aquisição do Pucará em 1975, porém as negociações não foram adiante[14] . Alguns anos depois, o país adquiriu o Pilatus PC-7;

Mauritânia - A Mauritânia encomendou a compra de 6 aeronaves em 1978. Após a primeira ser concluída, enquanto as demais estavam sendo construídas na fábrica da FMA em Cordóva, a compra foi cancelada após um golpe militar que derrubou o regime do coronel Mustafa Ould Salek. As aeronaves foram concluídas e entregues a Força Aérea Argentina. Uma delas, numerada A-515 (ZD485), foi utilizada na Guerra das Malvinas e acabou capturada pelas forças britânicas. Transportada para a Grã Bretanha foi entregue ao museu da Royal Air Force em Cosford.

 Iraque - Em 1985, o governo do Iraque encomendou 20 aeronaves, porém a compra foi barrada pelo governo argentino[15] ;

 Brasil – Em 1990, o governo brasileiro anunciou a compra de 30 aeronaves de apoio, destinadas para o projeto SIVAM, porém desistiu do negócio.[16] Posteriormente, a Embraer desenvolveu o Super Tucano[17] ;

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • GUNSTON, Bill; Guia de armas de guerra - Caças e aviões de ataque modernos; Londres, Salamander Books, 1980; republicado pela editora Nova Cultural, São Paulo 1986, pp 8-9

Referências

  1. Historia. Fábrica Argentina de Aviones. Página visitada em 16 de maio de 2013.
  2. a b Fernando Valduga (2 de novembro de 2011). Força Aérea da Argentina vai modernizar suas aeronaves Pucará com novos motores turboélices PT6. Cavok Brasil. Página visitada em 16 de maio de 2013.
  3. a b c Alexandre Galante (13 de março de 2010). Por que o Poder Aéreo argentino foi derrotado nas Malvinas?. Poder Aéreo. Página visitada em 16 de maio de 2013.
  4. Las Cifras. Fuerza Aérea Argentina. Página visitada em 16 de maio de 2013.
  5. South Atlantic Medal Association 82 (1996). Garden of Remembrance. Página visitada em 22 de junho de 2013.
  6. Iqbal Athas (23 de março de 1997). Why are they falling down?. The Sunday Times (Sri Lanka). Página visitada em 2 de junho de 2013.
  7. FMA "Pucará". Aeromilitaria (7 de janeiro de 2011). Página visitada em 2 de junho de 2013.
  8. Sri Lanka Air Force Museum Map. Sri Lanka Air Force. Página visitada em 2 de junho de 2013.
  9. Dirección Centros de Investigaciones Históricas. Pucara IA-58. Fuerza Aérea Colombiana. Página visitada em 16 de maio de 2013.
  10. Sri Lanka Air Force Command Media Unit. The roar of Jets once again. Sri Lanka Air Force. Página visitada em 16 de maio de 2013.
  11. Martin Hartland (14 de fevereiro de 2010). Picture of the FMA IA-58A Pucara aircraft. Airliners.net. Página visitada em 22 de junho de 2013.
  12. Yu Ming (18 de novembro de 2006). Picture of the FMA IA-58A Pucara aircraft. Airliners.net. Página visitada em 2 de junho de 2013.
  13. Jeremy Gould (22 de agosto de 2008). FMA-58 Pucará. Airliners.net. Página visitada em 2 de junho de 2013.
  14. Bolívia reequipará a defesa militar em vários mercados. Folha de São Paulo, Ano LV, edição 16816, página 8 (27 de março de 1975).
  15. Brian Daugherty. Pucará IA-58A. Página visitada em 16 de maio de 2013.
  16. Roger Ferreira (16 de março de 1990). Menem atrai onda de azar na Argentina. Folha de São Paulo, Ano, edição, Seção Exterior, página A8. Página visitada em 16 de maio de 2013.
  17. Embraer 40 anos: Defendendo a Amazônia. Contato Radar (2009). Página visitada em 22de junho de 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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