Fabião das Queimadas

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Fabião das Queimadas, nome artístico de Fabião Hermenegildo Ferreira da Rocha (Lagoa de Velhos-RN, 1848 — Barcelona-RN 1928) foi um poeta, tocador de rabeca e cantador brasileiro.[1] Era conhecido como "o Poeta dos Vaqueiros".

Foi escravo, mas conseguiu comprar sua alforria. Comprou também a alforria da mãe e de uma sobrinha com quem se casou.

Fabião nasceu no ano de 1848 na fazenda Queimadas pertencente ao hoje município de Lagoa de Velhos, na época parte de Natal. Era escravo de José Ferreira da Rocha, um capitão da Guarda Nacional. Diz as más línguas que ele era filho bastardo do coronel ( o que mão é de se estranhar, pois era comum tal feito naquela época). O menino Fabião foi crescendo tendo alguns privilégios. Aos 15 anos o Capitão José Ferreira deu-lhe de presente uma rabeca, pois via no rapaz uma inclinação para arte da musica.

Mesmo sendo analfabeto, Fabião tinha o dom natural e logo aprendeu a tocar. Passou a versejar nas festas de vaquejadas, apartações de gado, festas de casamento e aniversários dos fazendeiros. Ficou conhecido em toda região Potengi, Trairi, Seridó e até na capital, pois nas suas andanças findou sendo descoberto pelo escritor e historiador Luiz da Câmara Cascudo, que o conheceu por intermédio de Henrique Castriciano que era da sua propriedade. Cascudo logo levou para apresentá-lo a alta corte daquela época.

Fabião ganhou dinheiro para comprar a alforria da sua mãe e de sua sobrinha com a qual chegou a se casar posteriormente e com quem teve 15 filhos: Manoel, Felipe, Vicente, Olegário, José, Fabião Filho, Joana, Rufina, Isabel, Percilia, Vitória, Helena Joaquina, Ana, Maria (velha) e Maria (nova).

Ainda há uma incógnita sobre a aquisição da sua própria alforria ou se ele ganhou, pois em 1888 a princesa Isabel assinara a Lei Áurea.

Em 13 de dezembro 1923 Fabião ficou conhecido em Natal ao cantar na festa de quermesse de aquisição de fundos para a construção do hospital infantil Varela Santiago.

À frente desta iniciativa se destacou a figura da poetisa Palmyra Wanderley, que em 1923 era uma das mais conceituadas intelectuais da terra, possuía uma cultura elevada, vinha de uma família de intelectuais, sendo assídua colaboradora em jornais e revistas, tanto potiguares como de outros estados.

Dentre muitos outros poetas, músicos e artistas tanto de Natal como de todo estado nenhum se destacou como a pessoa do poeta Fabião das Queimadas. O seu destaque foi tão aplausível que o jornal A Republica fez questão de noticiar tal feito.

Há relatos de que se a obra de Fabião não houvesse se perdido daria mais de 300 páginas, pois foi mais de 50 anos de cantorias e versejo.

O escritor e historiador Luiz da Câmara Cascudo chegou a salvar uma pequena porção como relata no livro Vaqueiros e Cantadores. Foi Cascudo que apresentou Natal a Fabião.

Uma importante obra de Fabião foi descoberta na década de 90 pelo pesquisador e professor da UFRN, Deífilo Gurgel. Foi na cidade de São Pedro do Potengi com Pedro Ribeiro que Deífilo resgatou o poema O cavalo moleque fogoso.

Dentre as obras que se salvaram a que mais se destaca é o Romance do boi da mão de pau com 48 estrofes.

Certa vez Fabião retornava de uma das suas cantorias da cidade de Santa Cruz, ele teve seu pé furado por um espinho de macambira, na ânsia de diminuir a dor ele pediu a faca do seu companheiro de viagem e extraiu o espinho, desse ato instintivo foi acometido de tétano e posteriormente gangrena, vindo a falecer meses depois, (13 de junho de 1928), em sua casa, aos 80 anos, rodeado por seus filhos e netos, em sua propriedade Riacho Fundo na cidade de Barcelona, na época ainda chamada Salgado.

Fabião quando morreu suas terras se chamava Riacho Fundo, com o passar dos anos, e com a divisão entre herdeiros foi que virou comunidade. Mas todo o Riacho Fundo era dele.

Essa minha rabequinha

É meus pés e minhas mãos,

É o meu roçado de mio,

Minha pranta de feijão.

Minha criação de gado,

Minha safra de algodão.

Foi escravo, mas conseguiu comprar sua alforria. Comprou também a alforria da mãe e de uma sobrinha com quem se casou.

Referências

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