Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
FLUC
Universidade Universidade de Coimbra
Tipo de instituição Faculdade
Localização Coimbra, –  Portugal
Site [1]

A Faculdade de Letras é uma das oito faculdades em que se divide a Universidade de Coimbra.

História[editar | editar código-fonte]

A universidade foi fundada em 1 de Março de 1290, durante o reinado de D. Dinis, com o nome de Estudo Geral. Começou por funcionar em Lisboa antes de ser transferida para Coimbra, em 1308. Desde então, a universidade viria a ser transferida para a capital por duas vezes: a primeira vez em 1338, no reinado de D. Afonso IV, até ao ano de 1354, altura em que regressou a Coimbra; a segunda vez em 1377, durante o reinado de D. Fernando. Em 1537, por ordem de D. João III, a universidade passou definitivamente para a cidade de Coimbra.

No contexto do regime republicano, vieram importantes reformas no Ensino, de entre as quais se destaca a criação, em 1911, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC).[1] Até então, apenas em Lisboa existia um Curso Superior de Letras, criado em 1859 por D. Pedro V. António Garcia de Vasconcelos (1860-1941) foi o primeiro director da Faculdade de Letras de Coimbra.

As instalações da Universidade de Coimbra sofreram profundas modificações durante o Estado Novo, quando a Alta de Coimbra foi restruturada e criada a nova cidade universitária, concebida pelo arquitecto Cottinelli Telmo, após a demolição de vários edifícios e ruas de valor histórico e artístico. A nova Faculdade de Letras, construída em 1945-1951, e respectiva envolvente escultórica constituem uma das expressões mais acabadas da arte de cunho totalitário do Estado Novo.[2] A sua inauguração ocorreu a 22 de Novembro de 1951. A fachada situa-se ao nível do Paço da Porta Férrea, frente à Biblioteca Geral. O edifício consta de sete pisos, ficando o vestíbulo de honra, que é a entrada principal, situado no quarto piso, ao nível da Praça da Porta Férrea. A outra entrada abre-se na fachada posterior do edifício, frente ao Museu Machado de Castro, e permite comunicação directa e fácil com a Biblioteca Central instalada no segundo piso.

Na fachada do lado da Porta Férrea, encontram-se quatro estátuas do escultor Barata Feyo, que, para o observador colocado de frente para o edifício e da esquerda para a direita, representam a Eloquência, a Filosofia, a História e a Poesia. As cinco portas dessa fachada são em ferro forjado, com aplicações de bronze, cujos pequenos trinta motivos simbolizam temas clássicos relativos aos estudos ministrados na Faculdade. No vestíbulo de honra, encontram-se duas pinturas a fresco: à esquerda, a alegoria da Antiguidade Clássica, obra do pintor Joaquim Rebocho e, à direita, a alegoria da Glorificação do Génio Português, obra do pintor Severo Portela, medindo 40 metros quadrados cada uma. Muito recentemente, ambas foram restauradas e protegidas.

Além deste edifício, a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra ocupa, ainda, o Palácio de Sub-Ripas, edifício do século XVI, onde funciona o Instituto de Arqueologia, bem como alguns espaços do antigo Colégio de S. Jerónimo, onde se acha instalado o Instituto de Estudos Jornalísticos.

Das sucessivas reformas de que foi alvo, destacam-se duas, a de 1957 e a de 1978, pelo impacto que tiveram não só na organização curricular mas também na produção científica da Faculdade.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

A FLUC situa-se na área das Ciências Humanas, mas distingue-se das restantes faculdades desta área pela investigação e o ensino que têm caracterizado o saber humanístico: a linguagem, a historicidade, a ligação do homem à terra, o sentido humano do saber e a palavra do homem comunicante.

A FLUC estruturou-se numa multiplicidade de cursos de licenciatura e pós-graduação, que correspondem, por um lado, às necessidades de uma formação profissional sólida e, por outro, a um projecto de investigação científica, sua vocação natural.

A especificidade das áreas que a compõem e a abundância de informação bibliográfica que acolhe justificam a sua repartição em múltiplos Institutos.

A vitalidade científica, pedagógica e informativa da Faculdade espelha-se no elevado número de revistas científicas que publica. Igualmente significativa é a organização de colóquios, congressos, simpósios, seminários, conferências, debates, visitas de estudo, concertos e projecção de filmes.

A FLUC tem desenvolvido uma progressiva abertura às suas congéneres da Europa, através do Projecto ERASMUS/SÓCRATES. A nível internacional, são privilegiados os convénios, protocolos ou acordos com Universidades ou Faculdades da União Europeia e de países de expressão portuguesa ou de comunidades onde é relevante a imigração lusíada.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Portal da FLUC: Nota História
  2. Nuno Rosmaninho, "A cidade universitária de Coimbra e a expressão totalitária da arte", Latitudes, n.º 26, Abril de 2006.