Falcón
| Estado de Falcón | |
|---|---|
| Mapa | |
| Dados | |
| Área | 24 800 km² |
| População | 902 847 (2011) hab. |
| Capital | Coro |
| Governador (mandato) | |
Falcón (por vezes traduzido como Falcão) é um dos estados da Venezuela, situado no noroeste do país. A sua capital é Coro. O estado recebeu esta denominação em homenagem ao militar e político venezuelano Juan Crisóstomo Falcón.[1]
Etimologia
[editar | editar código]O estado recebeu o nome de Falcón pela Constituição de 1874, que substituiu a anterior designação de Estado de Coro em homenagem ao marechal Juan Crisóstomo Falcón (1820–1870), natural de Buena Vista, na então província de Coro. Falcón foi uma das principais figuras da Guerra Federal e exerceu a presidência da Venezuela após o conflito.[1][2]
Em fontes institucionais e académicas de língua portuguesa, o topónimo é geralmente empregado na forma original espanhola, Falcón.[3][4] No entanto, regista-se episodicamente a forma Falcão em bibliografia portuguesa, nomeadamente em Bibliotecas e arquivos de Portugal, publicação da Direcção-Geral dos Assuntos Culturais de 1969.[5]
História
[editar | editar código]Da província de Coro à formação do estado
[editar | editar código]Nos primeiros tempos da colonização espanhola, o território do actual estado era conhecido como Coro e integrava a província de Caracas. Por real cédula de 19 de dezembro de 1815, foi elevada à categoria de província, compreendendo as jurisdições de Coro, Carora, Barquisimeto, El Tocuyo e San Felipe. Em 1821, a província foi integrada no departamento de Zulia pela legislação aprovada pelo Congresso de Cúcuta.[1]
Em 20 de fevereiro de 1859, no início da Guerra Federal, a província foi declarada Estado Independente de Coro. A Constituição venezuelana de 1864 consolidou a sua condição de estado federal. Dez anos depois, a Constituição de 1874 alterou o nome para Estado Falcón, em homenagem ao marechal Juan Crisóstomo Falcón.[1]
A designação sofreu alterações posteriores. Em 1881, Falcón e Zulia foram agrupados numa única entidade denominada Falcón, cuja capital provisória foi Casigua e, entre 1883 e 1890, Capatárida. A Constituição de 1891 restituiu a autonomia de Falcón; em 1899, um decreto de Cipriano Castro voltou a usar a designação Estado de Coro. A denominação Falcón ficou definitivamente restabelecida pela Constituição de 29 de março de 1901.[1]
Geografia
[editar | editar código]O estado situa-se entre os paralelos 10°18' e 12°11'46" norte e os meridianos 68°18' e 71°21' oeste. Limita a norte e a leste com o mar das Caraíbas, a oeste com o golfete de Coro, o golfo da Venezuela e o estado de Zulia, e a sul com os estados de Lara e Yaracuy. O Cabo de São Román constitui o seu extremo setentrional e também o ponto mais a norte da Venezuela continental.[6]
A geografia falconiana compreende quatro grandes regiões naturais: as serras corianas, a planície costeira noroeste, os vales do nordeste — associados, entre outros, aos rios Ricoa, Hueque, Tocuyo e Aroa — e a Península de Paraguaná.[7]
Península de Paraguaná
[editar | editar código]A Península de Paraguaná ocupa cerca de 2 273 km² e possui aproximadamente 270 quilómetros de litoral. Estudos geomorfológicos indicam que corresponde a uma antiga ilha ligada ao continente por acumulação de sedimentos transportados por ondas, correntes e marés, formando um tômbolo. A ligação, conhecida como istmo dos Médanos, mede cerca de 27 quilómetros de comprimento e 6 quilómetros de largura.[8]
No istmo concentram-se areias transportadas por rios da costa e posteriormente retrabalhadas pelo mar e pelo vento, originando o campo de dunas dos Médanos de Coro. A península apresenta clima semiárido e vegetação predominantemente xerófita; a investigação citada identifica ainda falésias, promontórios, grutas marinhas, praias, baías, lagoas costeiras, flechas litorais e recifes de coral.[8]
Clima e hidrografia
[editar | editar código]As regiões naturais de Falcón situam-se em terras baixas de clima quente, com temperatura média anual entre 22 e 26 °C. Há forte contraste de pluviosidade: as áreas mais áridas abrangem a maior parte de Paraguaná e toda a planície costeira noroeste, enquanto sectores do leste e sudoeste apresentam condições húmidas ou muito húmidas. As zonas semiáridas incluem o nordeste de Paraguaná e as partes baixas da fachada norte da região montanhosa.[9]
A hidrografia estadual inclui correntes fluviais, quebradas, lagoas, pântanos e reservatórios, além das águas do mar das Caraíbas, do golfete de Coro, do golfo da Venezuela, do golfete de Cuare e do golfo Triste.[9]
Áreas protegidas
[editar | editar código]O estado concentra diversas áreas sob regimes especiais de protecção. Entre elas encontram-se o Monumento Natural Cerro Santa Ana e os parques nacionais Cueva Quebrada del Toro, Médanos de Coro, Morrocoy e Sierra de San Luis. A relação de áreas protegidas inclui ainda a Reserva de Fauna Silvestre de Tucurere, a Laguna Boca de Caño e o Refúgio de Fauna Silvestre de Cuare.[10]
O Refúgio de Fauna Silvestre de Cuare, situado em Falcón, está inscrito na Lista de Zonas Húmidas de Importância Internacional da Convenção de Ramsar desde 23 de novembro de 1988, abrangendo 12 000 hectares.[11]
População e divisão administrativa
[editar | editar código]O censo de 2001 registou 763 188 habitantes no estado.[12] Em 2011, a população era de 902 847 habitantes.[8]
O estado divide-se em 25 municípios:[13]
Economia
[editar | editar código]No início do século XXI, a refinação de petróleo era descrita como a principal actividade económica do estado. O Complexo de Refinação de Paraguaná reunia as refinarias de Amuay e Cardón, situadas respectivamente nos municípios de Los Taques e Carirubana.[14]
O turismo tem peso particular no litoral oriental e na península de Paraguaná. A produção agropecuária apresenta três núcleos principais: um ocidental, abrangendo Mauroa, Buchivacoa e Dabajuro; um montanhoso, em Federación e Unión; e um oriental, que inclui sectores dos municípios Cacique Manaure, Monseñor Iturriza e Silva, bem como a totalidade de Palmasola.[6]
A pesca é uma actividade antiga do litoral falconiano. A fonte geográfica assinala que foi predominantemente artesanal durante séculos e que a pesca de arrasto se introduziu na década de 1950, com base portuária em Las Piedras.[15]
Património e cultura
[editar | editar código]Coro e o seu porto de La Vela de Coro foram inscritos em 1993 na lista de Património Mundial da UNESCO. A organização destaca a conservação do traçado urbano e das construções de terra, que combinam tradições locais com técnicas espanholas mudéjares e influências holandesas. Coro foi a primeira capital da Capitania-Geral da Venezuela e sede do primeiro bispado da América continental, estabelecido em 1531.[16]
O sítio encontra-se na Lista do Património Mundial em Perigo desde 2005, após chuvas excepcionais ocorridas entre o final de 2004 e o início de 2005 terem causado danos em Coro e La Vela.[17]
A gastronomia regional inclui preparações de peixe, queijos de vaca e cabra, doce de leite de cabra e conservas de coco, produtos associados tanto ao litoral como às zonas de criação pecuária do estado.[18]
Referências
- 1 2 3 4 5 Díaz Zavala, Teodoro (2008). «Estado Falcón». GeoVenezuela: geografía de la división político-territorial del país (PDF) (em espanhol). 6. Caracas: Fundación Empresas Polar. pp. 261–262. Consultado em 30 de junho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 8 de outubro de 2024
- ↑ Alexis Coello. «Juan Crisóstomo Falcón». Crónicas desde Morón (em espanhol). Archivo QHEM — La Voz de Morón 93.5 FM. Consultado em 29 de junho de 2026
- ↑ «Áreas de jurisdição consulares» (PDF). Ministério dos Negócios Estrangeiros. p. 6. Consultado em 30 de junho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 1 de outubro de 2025
- ↑ «Património arquitectónico colonial do Estado Falcón, Coro, Venezuela (origem e evolução)». Repositório Institucional da Universidade Lusíada. Consultado em 30 de junho de 2026. Cópia arquivada em 1 de junho de 2024
- ↑ Bibliotecas e arquivos de Portugal. 1. Lisboa: Direcção-Geral dos Assuntos Culturais. 1969. p. 115
- 1 2 Díaz Zavala, Teodoro (2008). «Estado Falcón». GeoVenezuela: geografía de la división político-territorial del país (PDF) (em espanhol). 6. Caracas: Fundación Empresas Polar. pp. 203–205. Consultado em 30 de junho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 8 de outubro de 2024
- ↑ Díaz Zavala, Teodoro (2008). «Estado Falcón». GeoVenezuela: geografía de la división político-territorial del país (PDF) (em espanhol). 6. Caracas: Fundación Empresas Polar. pp. 203, 210–212. Consultado em 29 de junho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 8 de outubro de 2024
- 1 2 3 Bernal, Jorge; Barreto, Belmary; Labarca-Rincón, Ramón (maio–agosto de 2020). «Estudio de las geoformas litorales en la Península de Paraguaná, estado Falcón, Venezuela». Revista de Investigación (em espanhol). 44 (100): 155–182. Consultado em 30 de junho de 2026. Cópia arquivada em 22 de janeiro de 2026
- 1 2 Díaz Zavala, Teodoro (2008). «Estado Falcón». GeoVenezuela: geografía de la división político-territorial del país (PDF) (em espanhol). 6. Caracas: Fundación Empresas Polar. pp. 220–223. Consultado em 29 de junho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 8 de outubro de 2024
- ↑ Díaz Zavala, Teodoro (2008). «Estado Falcón». GeoVenezuela: geografía de la división político-territorial del país (PDF) (em espanhol). 6. Caracas: Fundación Empresas Polar. pp. 234–235. Consultado em 29 de junho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 8 de outubro de 2024
- ↑ «List of Wetlands of International Importance» (PDF) (em inglês). Secretariat of the Convention on Wetlands. Consultado em 29 de junho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 2 de fevereiro de 2026
- ↑ Díaz Zavala, Teodoro (2008). «Estado Falcón». GeoVenezuela: geografía de la división político-territorial del país (PDF) (em espanhol). 6. Caracas: Fundación Empresas Polar. pp. 245–253. Consultado em 30 de junho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 8 de outubro de 2024
- ↑ Díaz Zavala, Teodoro (2008). «Estado Falcón». GeoVenezuela: geografía de la división político-territorial del país (PDF) (em espanhol). 6. Caracas: Fundación Empresas Polar. p. 205. Consultado em 29 de junho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 8 de outubro de 2024
- ↑ Díaz Zavala, Teodoro (2008). «Estado Falcón». GeoVenezuela: geografía de la división político-territorial del país (PDF) (em espanhol). 6. Caracas: Fundación Empresas Polar. pp. 264–265. Consultado em 29 de junho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 8 de outubro de 2024
- ↑ Díaz Zavala, Teodoro (2008). «Estado Falcón». GeoVenezuela: geografía de la división político-territorial del país (PDF) (em espanhol). 6. Caracas: Fundación Empresas Polar. pp. 233–234. Consultado em 29 de junho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 8 de outubro de 2024
- ↑ «Coro and its Port» (em inglês). UNESCO World Heritage Centre. Consultado em 29 de junho de 2026. Cópia arquivada em 29 de abril de 2026
- ↑ «List of World Heritage in Danger» (em inglês). UNESCO World Heritage Centre. Consultado em 29 de junho de 2026. Cópia arquivada em 29 de junho de 2026
- ↑ Díaz Zavala, Teodoro (2008). «Estado Falcón». GeoVenezuela: geografía de la división político-territorial del país (PDF) (em espanhol). 6. Caracas: Fundación Empresas Polar. pp. 263–264. Consultado em 29 de junho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 8 de outubro de 2024
