Falsa equivalência
Falsa equivalência, também chamada de falsa simetria, falso equilíbrio e falsa analogia, é uma falácia lógica em que dois argumentos opostos parecem ser logicamente equivalentes quando de fato não são.
Essa falácia é categorizada como uma falácia lógica de inconsistência.[1] A falsa simetria, principalmente nos meios de comunicação social e mídias sociais, tem sido citada como uma causa de desinformação.[2][3]
História da descrição
[editar | editar código]Foi o filósofo britânico John Stuart Mill, em sua obra prima "A System of Logic", de 1843, quem primeiro sistematizou o problema dessa falácia.[4]
Características
[editar | editar código]Uma maneira comum para essa falácia ser perpetuada é quando o compartilhamento de uma característica de dois objetos se assume como demonstração de equivalência entre os mesmos, quando, na verdade, a equivalência não necessariamente é o resultado lógico, desconsiderando, no processo, ordem de magnitude, proporção, méritos e importância real.[5] É, portanto, um viés que frequentemente surge da tentativa de evitar o enviesamento argumentativo e confere a posições sem fundamento ou duvidosas uma ilusão de respeitabilidade.[5]
Muito observada na comunicação social e nas mídias sociais, surge quando uma questão é apresentada como mais equilibrada entre pontos de vista opostos do que as evidências comprovam.[6] Nesse caso específico o emissor busca apresentar argumentos (e até supostas evidências) desproporcionais às evidências reais de cada lado, ou pode omitir informações que comprovariam a infundada alegação de um dos lados. Haveria uma tentativa de impedir ou induzir ao receptor a uma determinada leitura e interpretação da mensagem (informação) a partir de um ideal e da impressão de objetividade da comunicação social (como canal e meio por onde o código circula) — em que a informação do interlocutor da comunicação social é tratada como factual e acima de quaisquer dúvidas ou questionamentos.[7]
Cria uma percepção pública de que algumas questões são socialmente controversas, embora na realidade não o sejam, gerando, portanto, dúvidas sobre o estado das coisas, dos conceitos, dos preceitos, das estruturas, dos processos e do construto social.[5] É bastante empregada por grupos de grande poder econômico, midiático, religioso e por lobistas para buscar a alienação de massas.[8]
Casos e exemplos
[editar | editar código]O artifício da falsa equivalência tenta tratar com roupagem neutra ou objetiva uma informação isolada, minoritária ou sem credibilidade (até mesmo utilizando-se de opiniões baseadas em sendo comum), mas que não se baseia em respaldo histórico-científico ou por fatos comprovados.[9] Cria-se uma falsa simetria no debate público sobre o estado do conhecimento histórico, acadêmico e científico, podendo inclusive levar à disseminação de informações totalmente equivocadas.[10] Os casos mais absurdos se apresentam quando uma similaridade anedótica é apontada como igual.[1] Ou ainda quando uma reivindicação de equivalência não se sustenta pois a similaridade é baseada na simplificação excessiva ou na ignorância de fatos adicionais.[1]
São exemplos de falsa equivalência:
| “ | Ambos são macios e fofos. Não existe diferença entre um cão e um gato | ” |
| “ | Todos sangramos vermelho. Não existe diferença de um pro outro | ” |
Ver também
[editar | editar código]Referências
- 1 2 3 «8 falácias lógicas que alimentam os sentimentos anticiência». HypeScience. 4 de fevereiro de 2015
- ↑ Maxwell T. Boykoff; Jules M. Boykoff (2004). «Balance as bias: global warming and the US prestige press» 2 ed. Global Environmental Change. 14: 125–136
- ↑ Megan N. Imundo; David N. Rapp (Junho de 2022). «When fairness is flawed: Effects of false balance reporting and weight-of-evidence statements on beliefs and perceptions of climate change.» 2 ed. Journal of Applied Research in Memory and Cognition. 11: 258–271. ISSN 2211-369X
- ↑ Faustino Vaz (24 de Fevereiro de 2006). «A ética de John Stuart Mill». Crítica: Revista de Filosofia. ISSN 1749-8457
- 1 2 3 Harry Phillips; Patricia Bostian (2014). The Purposeful Argument: A Practical Guide, Brief Edition Second ed. [S.l.]: Cengage Learning. p. 129. ISBN 9781285982847
- ↑ Riccardo Puglisi; James M. Snyder (2015). «The Balanced US Press» 2 ed. Journal of the European Economic Association. 13: 240–264
- ↑ Liz Spayd (10 de setembro de 2016). «The Truth About 'False Balance'». The New York Times. ISSN 0362-4331
- ↑ David Robert Grimes (2019). «A dangerous balancing act» 8 ed. EMBO Reports. 20 (e48706)
- ↑ Max Witynski (22 de julho de 2022). «False balance in news coverage of climate change makes it harder to address the crisis». Northwestern Now News
- ↑ «Dirk Steffens zu Umgang mit Corona- und Klimaleugnern: 'Falsch, Verblendeten das Wort zu erteilen'» (em alemão). RedaktionsNetzwerk Deutschland. 11 de novembro de 2021