Família Maleino

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Maleino (em grego: Μαλεΐνος) foi o nome de uma família grega bizantina, atestada pela primeira vez no século IX, que esteve entre as mais importantes e poderosas famílias da aristocracia fundiária anatólia (os dynatoi) no século X, fornecendo muitos generais seniores para o exército bizantino. Após seu riqueza e poder tornar-se alvo do imperador bizantino Basílio II Bulgaróctone (r. 976–1025), ela declinou, embora seus membros ainda são atestado nos Bálcãs durante os século XI-XII.

História e membros[editar | editar código-fonte]

A família, de origem grega, é atestada pela primeira vez na segunda metade do século X. Tem sido sugerido que o sobrenome deriva de Malagina, na Bitínia, contudo as principais propriedades e base de poder dela estavam no Tema de Carsiano, na Capadócia, que deve ser considerado sua terra natal.[1] O primeiro membro conhecido da família foi o general Nicéforo Maleino, de quem apenas se sabe que em 866 suprimiu a revolta do logóteta Simbácio, um parente do césar recentemente assassinado Bardas. O patrício e general Eustácio Maleino, atestado no final do século, foi provavelmente um irmão ou filho de Nicéforo. O filho de Eustácio, Eudócimo, casou-se com a irmã de um patrício chamado Adralesto, Anastásia Adralestina,[nt 1] que foi relacionada por casamento com o imperador Romano I Lecapeno (r. 920–944).[3][4]

Eudócimo teve sete crianças, os mais proeminentes deles foram Constantino e Miguel. Constantino foi um general e governador de longa data, estratego do Tema da Capadócia em meados do século X. De seu posto, Constantino participou em várias campanhas contra os árabes. Miguel tornou-se monge em tenra idade e alcançou grande fama. Foi o mentor de Atanásio, o Atonita e foi um conselheiro espiritual de seus sobrinhos, os irmãos Nicéforo Focas (o futuro imperador Nicéforo II Focas (r. 963–969)) e Leão Focas, o Jovem, nascidos de uma irmã de nome desconhecido, a esposa do general Bardas Focas, o Velho.[3][5][6] Leão Maleino, presumivelmente um filho de Nicéforo Maleino, participou nas batalhas contra os árabes na Síria e foi morto em 953.[7][8]

Graças a estas conexões com o poder crescente da família Focas, pelos anos 950 os Maleinos estabeleceram-se como uma das principais famílias anatólias, e acumularam imensa riqueza. De acordo com fontes árabes, uma das propriedades deles se estendia continuamente de Claudiópolis, na Bitínia, ao rio Sangário, cobrindo cerca de 115 quilômetros quadrados.[9] O principal representante da família no final do século X foi o filho de Constantino, o magistro Eustácio Maleino. Um general proeminente sob João I Tzimisces (r. 969–976) e durante os primeiros anos do reinado do imperador Basílio II Bulgaróctone (r. 976–1025), participou na rebelião aristocrática de 987 liderada por Bardas Focas, o Jovem. Após a morte de Focas em 989, Maleino não foi severamente punido, mas confinado das propriedades deles. Poucos anos depois, o imperador Basílio II o transferiu para Constantinopla e confiscou seus bens após a morte dele.[3][10]

Os Maleinos nunca recuperaram o antigo poder deles após este golpe. Membros da família são ainda atestados em selos de chumbo de oficiais (com títulos relativamente altos tais como patrício e proedro) e mencionados em fontes literárias ou legais dos século XI-XII, que também documentam o estabelecimento de um ramo da família na Macedônia, provavelmente devido a conquista da Anatólia pelos turcos seljúcidas. A natureza e dispersão destas referências demonstra a perda efetiva de qualquer poder política da família: um Estêvão Maleino foi um fazendeiro dos arredores de Tessalônica em 1084, e outro Maleino, que rebelou-se contra o imperador Andrônico I Comneno (r. 1183–1185) em 1185, não é descrito por Nicetas Coniates como nobre nem rico. A família não é atestada em seguida.[3][11]

A família Maleino é também atestada no sul da Itália, particularmente na Calábria, da segunda metade do século X até o século XII, servindo como soldados, administradores e membros da igreja. A conexão deles, se alguma, com a família Maleino anatólia, é desconhecido.[3][12]

Notas

  1. Anastásia pode possivelmente ser identificada com a zoste patrícia Anastásia, que foi mencionada na hagiografia do século X Vida de Basílio, o Jovem.[2]

Referências

  1. Krsmanović 2003, Chapter 2.
  2. Cheynet 2000, p. 180; 182.
  3. a b c d e Kazhdan 1991, p. 1276.
  4. Krsmanović 2003, Chapter 3.
  5. Krsmanović 2003, Chapter 4.
  6. Holmes 2005, p. 333–334.
  7. Holmes 2005, p. 334.
  8. Krsmanović 2003, Auxiliary Catalogs.
  9. Krsmanović 2003, Chapter 1.
  10. Krsmanović 2003, Chapter 5.
  11. Krsmanović 2003, Chapter 7.
  12. Krsmanović 2003, Chapter 8.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Cheynet, Jean-Claude. Au cloître et dans le monde: femmes, hommes et sociétés (IXe-XVe siècle) - Mélanges en l'honneur de Paulette L'Hermite-Leclercq. Paris: Universidade de Paris, 2000. Capítulo: La patricienne à ceinture: une femme de qualité. ISBN 978-2-84050-180-0
  • Holmes, Catherine. Basil II and the Governance of Empire (976–1025). Oxford: Oxford University Press, 2005. ISBN 978-0-19-927968-5