Fantaisie-Impromptu

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Tema principal da Fantaisie-Impromptu

A Fantaisie-Impromptu, de Frédéric Chopin, em dó sustenido menor, Opus póstumo 66, é uma composição para piano solo e uma de suas peças mais conhecidas. Foi composta em 1834 e dedicada a Julian Fontana, que a publicou, apesar de Chopin ter lhe pedido para não fazê-lo.

História[editar | editar código-fonte]

Embora tenha sido escrito primeiro, o Improviso-Fantasia foi publicado como o último dos quatro improvisos de Chopin, compostos entre os anos de 1834 e 1842. Foi originalmente escrita em 1834 e publicada postumamente, em 1855, junto às valsas Op. 69 e Op. 70. Sua estreia foi feita pela brilhante pianista polonesa Marcelline Czartoryska, em Paris, no ano em que foi publicada.[1]O motivo pelo qual o compositor não a publicou é desconhecido, mas presume-se que pode estar associado a uma semelhança com o terceiro movimento da Sonata para piano n.º 14, in C# minor (1801), de Ludwig van Beethoven, e com o Impromptu in E♭ major, de Ignaz Moscheles, também escrito em 1834.[2]

Apesar de a obra ter ficado mundialmente conhecida pela versão de Fontana (1834), no início da década de 1960, o célebre pianista polonês Arthur Rubinstein adquiriu um álbum de domínio da Baronesa d'Esté, vendido em um leilão em Paris. O álbum continha um manuscrito da Fantaisie-Impromptu datado de 1835, feito pelo próprio Chopin, que foi citado na folha de rosto: "Composto para a Baronesa d'Esté, por Frédéric Chopin" escrito em francês. No prefácio da edição que ficaria conhecida como "Edição Rubinstein", publicada em janeiro de 1962, pela editora G. Schirmer Inc, Rubinstein supõe que "Composto para" no lugar de uma dedicatória é um indício de que o compositor teria vendido a composição à Baronesa.[3]

A versão de 1835, ou "Edição Rubinstein", quando comparada à versão anterior, é marcada por "um delicado cuidado com os detalhes" e "muitas melhorias na harmonia e no estilo", principalmente na mão esquerda.

Análise da obra[editar | editar código-fonte]

Interpretado por Darío Fernández Torre.

Coleção de Al Goldstein.

Interpretado por Muriel Nguyen Xuan.

Executada por Martha Goldstein em um piano Erard de 1851]].

Problemas para escutar estes arquivos? Veja a ajuda.

Alguns aspectos desta peça são similares à Sonata ao Luar de Beethoven, a qual também fora escrita em dó sustenido menor. Dois compassos após o início da melodia, um abrupto subir e descer tem as mesmas notas da cadenza no terceiro movimento da peça (Presto agitato). O clímax em um acorde de seis notas é semelhante em ambas as peças[4] e a parte central da Fantaisie-Impromptu, assim como o segundo movimento da Sonata ao Luar, é em ré bemol maior. O primeiro e terceiro movimentos são em dó sustenido menor.

Esta peça possui muitos ritmos alternados (a mão direita toca semicolcheias enquanto a esquerda, tercinas), uma linha melódica em movimento ininterrupto e compasso binário. O tempo, na abertura, é allegro agitato e muda para largo e, posteriormente, moderato cantabile, quando o tom se torna ré bemol maior, o equivalente harmônico da escala de dó sustenido maior que é paralela à de dó sustenido menor. A peça, então, muda para presto (embora algumas versões incorporem à partitura uma coda que faz repetir o tempo inicial) onde torna-se dó sustenido menor como no começo e acaba em um desfecho misterioso e silencioso, na qual a mão esquerda toca novamente as primeiras notas da seção central, e a direita continua a tocar as semicolcheias, até o acorde ascendente de dó sustenido maior que marca o fim.

A Opus póstumo 66 faz parte do repertório de muitos pianistas aclamados como Arthur Rubinstein, Claudio Arrau, Evgeny Kissin, Fernando Puchol, Tzvi Erez, Valentina Igoshina, Vladimir Horowitz, Yundi Li, entre outros.

Referências

  1. François-René., Tranchefort, (2005). Guide de la musique de piano et de clavecin. [S.l.]: Fayard. OCLC 718280894 
  2. Oster, Ernst. «Ernst Oster, "The Fantaisie–Impromptu: A Tribute to Beethoven", in Aspects of Schenkerian Analysis, David Beach, ed. Yale University Press, 1983 ISBN 0-300-02800-8». ISBN, Yale University Press. Ernst Oster, "The Fantaisie–Impromptu: A Tribute to Beethoven", in Aspects of Schenkerian Analysis, David Beach, ed. Yale University Press, 1983 ISBN 0-300-02800-8: https://en.wikipedia.org/wiki/Ernst_Oster 
  3. de Place, Adélaïde; Chopin, Frédéric; de Place, Adelaide; Chopin, Frederic (1962). «Prefácio ao Fantaisie-Impromptu para Piano de Frédéric Chopin, Great Performer's Editio». Nova York: G. Schirmer, Inc. p. 2. Prefácio ao Fantaisie-Impromptu para Piano de Frédéric Chopin, Great Performer's Edition (1). 148 páginas. ISSN 0035-1601. doi:10.2307/928934. Consultado em 13 de maio de 2021 
  4. Felix Salzer, Aspects of Schenkerian Analysis, David Beach, ed. Yale University Press, 1983

Ligações externas[editar | editar código-fonte]