Faroeste Caboclo

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"Faroeste Caboclo"
Single de Legião Urbana
do álbum Que País É Este 1978/1987
Lançamento julho de 1988[1]
Formato(s) 12"
Gravação agosto de 1987
Gênero(s) Folk Rock, punk rock, new wave
Duração 9:03
Gravadora(s) EMI
Composição Renato Russo
Produção Mayrton Bahia
Cronologia de singles de Legião Urbana
Último
"Angra dos Reis"
(1988)
"Eu Sei"
(1988)
Próximo

"Faroeste Caboclo" é uma canção composta por Renato Russo em 1979 e lançada por seu grupo, Legião Urbana, no álbum Que País É Este 1978/1987, de 1987.[2]. Ganhou bastante atenção quando do lançamento do álbum e, por isso, foi lançada como o terceiro single promocional em 1988. Por motivo de censura, houve a necessidade de editar a canção para a aprovação pela censura federal.

Em 2013, a canção ganhou uma adaptação cinematográfica, dirigida por René Sampaio e com roteiro de Victor Atherino.

Histórico e Composição[editar | editar código-fonte]

A canção foi composta em 1979, na chamada fase "Trovador Solitário" de Renato Russo.[2]

Em entrevista para Leoni, Renato Russo revela que escreveu a música em duas tardes e que o roteiro foi improvisado, escrevendo-se os versos seguintes tomando em consideração as rimas a serem feitas com os versos anteriores. O próprio compositor, porém, entende que o enredo tem falhas, como não explicar por que João aceita ir no lugar do boiadeiro para Brasília.[3]

Flávio Lemos, baixista da banda Capital Inicial e ex-colega de banda de Renato Russo no Aborto Elétrico, em entrevista concedida em 2004, diz que a música se refere a uma situação acontecida entre ele e Russo:

Russo, porém, em entrevista de 1988, disse que a música é completamente fictícia, e explica seu enredo:

A inspiração para Russo, segundo o próprio autor, foi "Hurricane", canção de Bob Dylan presente no álbum Desire, de 1976, e que conta a história do boxeador Rubin Carter.[4] Ainda sobre suas inspirações, o compositor cita "Domingo no Parque" (1968), de Gilberto Gil, Raul Seixas e a tradição oral do povo brasileiro.[6]

Enredo e Estrutura[editar | editar código-fonte]

Narra a história de João de Santo Cristo, que, ao ver toda sua família morta, se rebela e vai para jesus Salvador. Lá chegando, encontra um boiadeiro que vai para Brasília mas que pede para João ir no seu lugar. Ele vai e começa uma nova vida lá. Porém, diante de dificuldades econômicas, vira traficante, seguindo os passos de um peruano chamado Pablo. Posteriormente, ele tenta se redimir ao apaixonar-se por uma mulher chamada Maria Lúcia. Ao ver-se, porém, ameaçado por um homem rico e influente, decide trabalhar no contrabando de produtos bolivianos para se armar, se distanciando e Maria Lúcia e passando a morar em Planaltina. Ao voltar a ver sua amada, vê que um traficante rival, Jeremias, que casou e engravidou Maria Lúcia; João, então, decide marcar um duelo com ele em Ceilândia, e acaba morrendo levando um tiro pelas costas. Ainda agonizando, ele recebe sua arma de Maria Lúcia e dá cinco tiros em Jeremias. Maria Lúcia, arrependida, se mata.

A canção tem 168 versos. Segundo o jornalista e historiador Marcelo Fróes, no manuscrito original com a letra de "Faroeste Caboclo" havia uma anotação de Renato dizendo que imaginava a música como um baião cantado por Luiz Gonzaga.[4]

Com 9'03", a canção tem uma duração incomum, porém, outras duas composições de Renato são ainda mais extensas: "Metal Contra as Nuvens" (11'22") e "Clarisse" (10'32"). Em sua gravação original, a canção tem andamento moderado, com tempo de 180 bpm e é executada na tonalidade dó maior.[7]

Lançamento e Recepção[editar | editar código-fonte]

A canção foi censurada, junto com "Conexão Amazônica", do mesmo disco. "Faroeste" pela presença de palavrões, enquanto "Conexão" por causa da temática, já que falava sobre o tráfico de drogas[carece de fontes?]. Porém, em "Faroeste", foi feita uma edição onde se colocou um sinal sonoro sobre os palavrões. Com isso, a música foi liberada para radiodifusão. Outras rádios optaram por fazer edições, como a 89 FM, que fez uma edição de 8'49" para retirar os palavrões.[2] Apesar disto, a música foi um grande sucesso, tendo sido a 24ª mais tocada de 1988[8]

Legado[editar | editar código-fonte]

Ainda hoje, a canção é uma das mais bem lembradas da banda, estando em todas as coletâneas e álbuns ao vivo dela. Foi, ainda, regravada por Toni Platão no álbum Renato Russo - Uma Celebração, de 2006, e pela banda Tianastácia no álbum Tianastácia no País das Maravilhas de 2009.

Faixas[editar | editar código-fonte]

Todas as canções escritas e compostas por R. Russo

12" PROMO (EMI 9951 084)[1]
N.º Título Duração
1. "Faroeste Caboclo (Versão Editada)" (33 RPM) 9:05
2. "Faroeste Caboclo (Versão Editada)" (45 RPM) 9:05
Duração total:
18:10

Referências

  1. a b «Faroeste Caboclo by Legião Urbana : Reviews and Rating». Rate Your Music. Consultado em 05 ago. 2013. 
  2. a b c MEDEIROS, Estefani (29 maio 2013). «Longa, com palavrões e críticas políticas, -Faroeste Caboclo- deu trabalho quando chegou às rádios». UOL. Consultado em 28 jan. 2014. 
  3. LEONI (04 out. 2012). «Letra, Música e Outras Conversas - Renato Russo 1». Leoni - Diário de Bordo. Consultado em 28 jan. 2014. 
  4. a b c SEELIG, Ricardo (06 jun. 2013). «Como surgiu a letra de "Faroeste Caboclo", clássico da Legião Urbana?». #CollectorsRoom. Consultado em 28 jan. 2014. 
  5. MAIA, Sônia; GIL, Marisa Adán. (jul. 1988). "Faroeste Caboclo - O Estranho no Ninho do Sucesso" (jpeg). Bizz (36): p. 52. Ed. Azul. Visitado em 28 jan. 2014.
  6. MARCELO, Carlos. «Renato Russo: O Filho da Revolução (e-book)». Consultado em 28 jan. 2014. 
  7. «Faroeste Caboclo guitar pro tab by Legiao Urbana». MusicNotesLib.Com. Consultado em 28 jan. 2014. 
  8. «Top Hits 1987». Mofolândia. Consultado em 28 jan. 2014. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]