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Farol da Barra (Salvador)

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(Redirecionado de Farol da Barra (Bahia))
Farol da Barra

O Farol da Barra.
Número nacional 1472
Informação geral
Coordenadas 13°0'37.292"S, 38°31'58.461"W
Mapa
Sítio Salvador
Localização Salvador, Bahia Bahia,
 Brasil
País Brasil
Altitude 39 m
Corpo de água Atlântico Sul
Luz característica Luz: Al Iso WR 30s
Alcance W 38 R 34 milhas náuticas
Altura 22
Altura focal 39 metro
Entrada em serviço 2 de dezembro de 1839 (186 anos) (torre atual)
Automatização f
Construção 1698 (estrutura antiga)
Códigos internacionais
internacional G-0242[1]
№ da NGA 110-18028[1]
Online List of Lights 17412
№ da ARLHS BRA-096

O Farol da Barra, ou Farol de Santo Antônio,[2] localiza-se na antiga ponta do Padrão, atual Ponta de Santo Antônio, em Salvador, no litoral do estado da Bahia, no Brasil. Foi o primeiro sistema de sinalização náutica a entrar em operação nas Américas.[3] Foi instalado no ano de 1698, inicialmente em formato quadrangular, com uma lanterna de bronze envidraçada no topo, alimentada por óleo de baleia.[4][3] É o farol mais antigo das Américas ainda operante.[5]

A torre atual, de 1839, é troncônica em alvenaria com lanterna e galeria. Tem 22 metros de altura e foi pintada com bandas pretas e brancas. O farol está construído no interior do Forte de Santo Antônio da Barra.[6]

História

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O farol sobre o Forte de Santo Antônio da Barra, em 2005.
Vista do Farol e do Forte de Santo Antônio da Barra, com vista para a cidade e a Baía de Todos os Santos

No século XVII, o porto de Salvador era um dos mais movimentados e importantes do continente, e era preciso auxiliar as embarcações que chegavam à Baía de Todos-os-Santos traficando escravos negros ou em busca de pau-brasil e outras madeiras de lei, açúcar, algodão, tabaco e outros itens para abastecer o mercado consumidor europeu.

No fim desse século, após o trágico naufrágio do galeão Santíssimo Sacramento, capitania da frota da Companhia Geral do Comércio do Brasil, em um banco de areia frente à foz do rio Vermelho, a 5 de maio de 1668, o Forte de Santo Antônio da Barra foi reedificado a partir de 1696, durante o Governo Geral de João de Lencastre (1694-1702), vindo a receber um farol — um torreão quadrangular encimado por uma lanterna de bronze envidraçada, alimentada a óleo de baleia —,[7] o segundo existente no Brasil e em todo o continente. Passou então a ser chamado de Vigia da Barra ou de Farol da Barra.[8]

O diário de bordo do corsário inglês William Dampier, em 1699, relata:[9] "A baía de todos os santos está localizada a 13 graus de latitude sul. É a cidade mais importante do Brasil, seja pela beleza de seus edifícios, por seu tamanho ou por seu comércio e receita. Possui a vantagem de um bom porto capaz de receber navios de grande porte: a entrada do qual é protegida por um forte situado fora do porto, chamado Santo Antônio: uma vista que descrevi como nos apareceu na tarde anterior à nossa chegada; e suas luzes (que são acesas propositalmente para os navios) vimos na mesma noite."

O Decreto Regencial de 6 de julho de 1832[10] determinou a instalação de um farol mais moderno em substituição ao antigo. Este teve a pedra fundamental lançada em 29 de agosto de 1836, pelo governador Francisco de Sousa Paraíso, e teve a construção confiada ao engenheiro inglês, Henry Palmer Philips.[7] Ao término das obras, inauguradas em 2 de dezembro de 1839, o novo equipamento de luz catóptrico erguia-se sobre uma torre troncônica de alvenaria, com alcance de dezoito milhas náuticas com tempo claro.[7]

Em 17 de junho de 1890, tiveram início obras de modernização na fonte luminosa do farol, que passou a adotar o sistema Barbier, com um aparelho de luz dióptrico, composto de dois lampiões incandescentes a querosene, tendo as obras finalizadas em cerca de sessenta dias. Os lampiões a querosene possuíam bocais de 12 centímetros de diâmetro e cinco mechas circulares, ficando o plano focal a 50,8 metros acima do nível do mar.[7]

Em 5 de maio de 1937, o antigo sistema Barbier de iluminação foi substituído por luz elétrica, comemorando-se o primeiro centenário do farol em 2 de dezembro de 1939.[7] Atualmente o farol encontra-se consagrado como um dos ícones da capital baiana, inspirando artistas e poetas.

Ver também

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Referências

  1. a b «Ponta de Santo Antonio». NGA List of Lights - Pub. 110 - Aid No. 18028 (em inglês). NGA - National Geospatial-Intelligence Agency. 26 de setembro de 2009. Consultado em 5 de janeiro de 2010 
  2. «Farol de Santo Antonio - BA». Diretoria de Hidrografia e Navegação. Marinha do Brasil. Consultado em 6 de janeiro de 2010 
  3. a b «Farol da Barra e Forte de Santo Antônio da Barra». Guia Geográfico Salvador Bahia. Consultado em 15 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 15 de novembro de 2025 
  4. «Farol da Barra, o mais antigo da América, é aberto ao público». correiodoestado.com.br. Consultado em 23 de abril de 2023 
  5. CCSM (6 de dezembro de 2019). «Marinha do Brasil celebra os 180 anos da atual torre do Farol da Barra». Marinha do Brasil. Consultado em 27 de maio de 2021 
  6. ROWLETT, Russ (6 de fevereiro de 2009). «Lighthouses of Brazil: Bahia». The Lighthouse Directory (em inglês). University of North Carolina at Chapel Hill. Consultado em 22 de abril de 2010 
  7. a b c d e Edelweiss, Frederico G. (30 de julho de 1969). «Achegas cronológicas para a história do farol no Forte de Santo Antônio da Barra». Centro de Estudos Baianos (59). Consultado em 16 de novembro de 2025 
  8. Oliveira, Mário Mendonça de (2011). «A defesa da Baía de Todos os Santos». In: Caroso, Carlos; Tavares, Fátima; Pereira, Cláudio. Baía de todos os santos: aspectos humanos. Salvador: EDUFBA. p. 140. ISBN 9788523211622. JSTOR 10.7476/9788523211622.10. doi:10.7476/9788523211622. Consultado em 15 de novembro de 2025 
  9. Dampier, William (1699). «A Voyage to New Holland, Etc. in the Year 1699». Project Gutenberg (em inglês). Consultado em 16 de novembro de 2025 
  10. Brasil, Decreto de 6 de julho de 1832. Manda estabelecer um pharol na barra da cidade da Bahia., 6 de julho de 1832.

Bibliografia

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  • PRADO, Roberto Coutinho do (Capitão-de-Fragata). Faróis Brasileiros. Revista Correio Filatélico. a. 19, set./out. 1995, n° 156. p. 36-40.
  • SIQUEIRA, Ricardo. Fortes e Faróis. Rio de Janeiro: R. Siqueira, 1997. 192p. il. ISBN 8590025810

Ligações externas

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