Farol da Ponta da Piedade

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Farol da Ponta da Piedade
Farol Ponta da Piedade 02.jpg

Farol da Ponta da Piedade

Número nacional
445
Localização
Coordenadas
Banhado por
Endereço
Localização
Altitude
51 m
História
Período de construção
1912 e 1913
Abertura
Inauguração
1 de Julho de 1913
Automatização
1983
Estatuto patrimonial
Sem protecção legal (d)Visualizar e editar dados no Wikidata
Arquitetura
Altura
5
Material
Altura focal
51 mVisualizar e editar dados no Wikidata
Material
Equipamento
Ótica
Alcance luz
Luz característica
Identificadores
№ Faróis de Portugal
445Visualizar e editar dados no Wikidata
internacional
D-2174
№ da ARLHS
POR-042
№ da NGA
113-3624[1]

O Farol da Ponta da Piedade, originalmente conhecido como Farol da Piedade, é um farol situado no cabo da Ponta da Piedade, no concelho de Lagos, na região do Algarve, em Portugal. O farol foi inaugurado em 1 de Julho de 1913,[2] tendo sido instalado no local da antiga Ermida de Nossa Senhora da Piedade, construída no Século XVI.[3]

Fachada Sul do Farol e rampa de acesso, em 2018.

Descrição[editar | editar código-fonte]

O Farol da Ponta da Piedade é uma estrutura de apoio à navegação costeira.[2] É composto por uma torre de planta quadrada[2] em alvenaria, com cunhais de cantaria, e que é ladeada a Este e Oeste por dois edifícios térreos, que originalmente serviam como residência aos faroleiros.[2] A torre tem cinco metros de altura, estando a uma altitude de 51 m.[4] O acesso à lanterna é feito através de uma escadaria metálica em forma de caracol, no interior da torre.[2]

A lanterna produz relâmpagos simples de cor branca com períodos de sete segundos, e tem um alcance de 20 milhas.[2]

Postal antigo com a Ermida de Nossa Senhora da Piedade, nos primeiros anos do Século XX.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Ao longo da sua história, o promontório da Ponta da Piedade foi um local de forte significado religioso, muito ligado às tradições marítimas.[3] Assim, no Século XVI foi construída naquele local uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Piedade,[3] que era considerada pelos pescadores de Lagos como a sua padroeira.[5] Porém, no local foram encontrados vestígios de edifícios anteriores.[3] Nas proximidades da antiga ermida foi instalada uma uma bateria para vigilância e defesa da costa, que funcionou entre 1663 e 1821.[3]

A ermida era composta por uma nave, com telhado de três águas, e por uma capela capela-mor de forma oitavada com uma cobertura em cúpula, revestida a telha mourisca.[6] Esta capela-mor era semelhante à da Capela de São João Baptista, situada no extremo Norte da cidade.[6] Em 1716 o frei Agostinho de Santa Maria escreveu sobre a Ermida e o Cabo da Piedade, relato que foi copiado por Ataíde Oliveira «Nesta cidade de Lagos é grande a devoção que se tem com a Senhora da Piedade, cujo sanctuario se vê fundado em um alto cerro, que fica imminente ao mar, e de onde se descobre todo elle, desde o cabo de S. Vicente até ao Porto de Santa Maria, por um espaço de quarenta legoas. Esta santa casa é muito visitada pelos habitantes da cidade e dos povos circumvizinhos. Deste sanctuario escreveu Rodrigues Mendes da Silva, e delle se lembra a Chorographia Portugueza, tom. 3 pag. 3.».[7] Este foi um dos dois santuários no Algarve dedicados a Nossa Senhora da da Piedade, tendo o outro sido construído em Loulé.[7] A ermida foi destruída pelo Sismo de 1755, e reconstruída alguns anos depois.[5]

Segundo o historiador Ataíde Oliveira, desde tempos remotos que se fazia uma festa dedicada a Nossa Senhora da Piedade no local onde se erguia a ermida.[8] Porém, parte da cerimónia, que envolvia o acendimento e o lançamento do fogo, era muito arriscada, tendo havido registos de pessoas que caíram das falésias.[8] Assim, a autarquia ordenou que a festa passasse a ser feita na cidade, sendo a imagem de Nossa Senhora da Piedade transportada em procissão desde a ermida na véspera do evento.[8] Esta manifestação religiosa era concorrida principalmente por pescadores, que ainda possuíam uma grande devoção à Senhora da Piedade.[5] Com efeito, uma tradição local ditava que parte do quinhão na lota pertencia à Nossa Senhora da Piedade, e se faltasse o peixe, então os pescadores de Lagos e dos arredorres deveriam ir em procissão até à ermida, como forma de garantir o regresso do peixe.[5] A procissão até à Ponta da Piedade continuou a ser feita mesmo após a demolição da ermida, sendo o percurso, conhecido como Via Sacra, assinalado por vários marcos relativos às estações da cruz.[3] O investigador Leonel Vieira avançou a hipótese desta devoção a Nossa Senhora da Piedade poder ser uma continuação das antigas práticas pagãs.[5]

Plano cancelado para a construção da nova ermida da Piedade, na Década de 1930.
Fachada oriental do farol, em 2009.

Planeamento e construção do farol[editar | editar código-fonte]

Em 1883, foi aprovado o Plano Geral de Alumiamento e Balizagem, que incluía a implementação de um aparelho luminoso de porto no cabo da Ponta da Piedade,[4] No entanto, o processo para a construção do farol não avançou, pelo que uma comissão, que tinha sido formada pela Portaria n.º 10/1902, de 28 de Outubro, do Ministério da Marinha e Ultramar, propôs que fosse instalado um aparelho de sexta ordem, que produziria dois clarões brancos e um vermelho.[4] O próximo passo para a construção do farol só foi dado em 30 de Dezembro de 1911, por um despacho da 1.ª Repartição da Direcção Geral dos Eclesiásticos, publicado no Diário do Governo n.º 10, de 12 de Janeiro de 1912, que cedeu as ruínas da Ermida de Nossa Senhora da Piedade ao Ministério da Marinha, de forma a ser construído no seu lugar um farol de rotação.[4] Porém, este processo encontrou a oposição dos pescadores[5] e da Junta da Paróquia de Santa Maria de Lagos, que estava interessados em preservar a ermida.[4] Ainda assim, logo em 15 de Fevereiro desse ano o contra-almirante Schultz Xavier, representante da Direcção Geral de Marinha, tomou posse do antigo edifício da ermida e das suas dependências, e em 14 de Março a Direcção adquiriu um prédio rústico a Artur Baptista Galvão e esposa pela soma de 250.000$000 Réis, no sentido de construir o farol.[4] Assim, a ermida foi demolida, e as obras começaram ainda em 1912, tendo durado até 1913.[3] O farol entrou ao serviço em 1 de Julho deste último ano,[2] sendo originalmente conhecido como Farol da Piedade.[9]

Originalmente, a luz do farol era feita através de um candeeiro a petróleo, com um aparelho rotativo de quarta ordem, movido através de uma máquina de relojoaria, e que produzia grupos de cinco clarões brancos de dez em dez segundos.[4] Em 2 de Maio de 1923, o aparelho óptico foi temporariamente substituído por um de sexta ordem, que era fixo e de luz branca, que foi retirado em 15 de Dezembro desse ano, passando a frequência das luzes a ser de ocultações de 2,5 segundos intervalados por 4 segundos de luz fixa, de cor branca.[4] Em 1938, esteve planeada a construção de uma nova ermida na Ponta da Piedade, de forma não só a providenciar as necessidades religiosas dos habitantes de Lagos, mas também para valorizar o cabo como destino turístico, e ao mesmo tempo aliviar os problemas da falta de trabalho que nessa altura se faziam sentir na construção civil.[5]

Em Maio de 1952, foi instalado um aparelho de incandescência eléctrica, alimentado pela rede pública,[4] passando a lanterna a ter um alcance de quinze milhas, que foi posteriormente ampliado para dezoito milhas.[2] Em 1956 o aparelho de iluminação foi substituído por um novo, igualmente de incandescência eléctrica, com passagem automática a gás acetileno.[2] Em 1983 o farol passou a funcionar de forma automática, através de um sistema da empresa GISMAN,[4] e apenas com recurso à electricidade.[2]

Pormenor da torre e do aparelho de iluminação, em 2016.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Ponta da Piedade». NGA List of Lights - Pub. 113 - Aid No. 3624 (em inglês). NGA - National Geospatial-Intelligence Agency. 26 de setembro de 2009. Consultado em 31 de agosto de 2010 
  2. a b c d e f g h i j «Património e Monumento: Farol da Ponta da Piedade». Câmara Municipal de Lagos. Consultado em 5 de Outubro de 2020 
  3. a b c d e f g «Ponta da Piedade: Requalificar o Ex-Libris natural e paisagístico de Lagos». Revista Municipal de Lagos. Lagos: Câmara Municipal de Lagos. Agosto de 2018. p. 4-7. Consultado em 3 de Outubro de 2020 – via Issuu 
  4. a b c d e f g h i j «Farol da Ponta da Piedade». Autoridade Marítima Nacional. Consultado em 6 de Outubro de 2020 
  5. a b c d e f g VIEIRA, Leonel (Junho de 1938). «A Ermida da Senhora da Piedade» (PDF). Costa de Oiro (42). Lagos: Sociedade de Propaganda da Costa de Oiro. p. 6-7. Consultado em 29 de Outubro de 2020 – via Hemeroteca Digital do Algarve 
  6. a b COSTA, Anouk; CELADA, Marta; VIEGAS, Patrícia; FERNANDES, Paulo (2000-2001) [1998]. «Capela de São João Baptista / Ermida de São João Baptista». Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 13 de Outubro de 2020 
  7. a b OLIVEIRA, Ataíde (12 de Novembro de 1908). «Lacobrica, Lacobriga ou Lagos» (PDF). Correio do Algarve. Ano 1 (11). Lagos. p. 2. Consultado em 13 de Outubro de 2020 – via Hemeroteca Digital do Algarve 
  8. a b c OLIVEIRA, Ataíde (26 de Novembro de 1908). «Lacobrica, Lacobriga ou Lagos» (PDF). Correio do Algarve. Ano 1 (13). Lagos. p. 2. Consultado em 16 de Outubro de 2020 – via Hemeroteca Digital do Algarve 
  9. «Noticias varias». O Algarve. Ano 6 (277). Faro. 13 de Julho de 1913. p. 2. Consultado em 5 de Outubro de 2020 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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