Felipe Fortuna

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Luis Felipe Silvério Fortuna (Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 1963) é poeta, ensaísta e diplomata brasileiro.

Mestre em Literatura Brasileira, vem colaborando regularmente na imprensa. Diplomata, atualmente trabalha em Brasília, como assessor do Secretário-Geral do Ministério das Relações Exteriores.

Estreou com o livro de poemas Ou Vice-Versa (1986). Na apresentação do livro, Claudia Roquete-Pinto observou que "a ironia, uma característica da poesia de Felipe Fortuna, e o uso afinado e sutil de paradoxos ("só consigo inventar o que acredito") são os traços que imprimem vigor às suas ambigüidades, e que, mesclados a uma extrema delicadeza de observação, criam momentos de grande força lírica."

Em 1991, lança A Escola da Sedução, reunião de artigos e ensaios, quase todos sobre poesia, primeiramente publicados na imprensa brasileira. A propósito do livro, Otto Lara Resende escreveu que "enquanto analisa e avalia a obra alheia, um pouco ao sabor da circunstância editorial e jornalística, mas sempre de acordo com um padrão apurado e culto, sua crítica tem, compulsiva, a dimensão judicante voltada para o gosto da revisão. (...) Ensaios como o humorismo em Bilac ou o erotismo em João Cabral são desafios de que Felipe Fortuna sai vitorioso, para satisfação do leitor que com ele vê o que não é escancaradamente visível num e noutro poeta."

Publica nova reunião de poemas, Atrito (1992). Para José Paulo Paes, "a linguagem em que vai sendo inventariado ao longo dos vinte e seis poemas de Atrito é suficientemente rica de achados expressivos para que se possa falar, no caso, de uma verdadeira poética da estranheza."

Outro conjunto de poemas é lançado em 1997, Estante. Em entrevista a Adriano Espínola, que assina a apresentação, o autor declarou que na primeira parte do livro "havia a dificuldade de conciliar os poemas que escrevo e os livros que leio com as viagens, a vida diplomática, as responsabilidades profissionais, e estar cercado de tudo aquilo a que se referem os poemas: as cidades, os objetos, até mesmo o futebol. "Poemas da Pele" representa o conjunto da poesia amorosa e erótica, a parte mais propriamente lírica do livro. E "Seres" traz a dicção mítica, em que o poema se apresenta com o menor número possível de referências objetivas."

Com A Próxima Leitura (2002), compila novos ensaios sobre poesia, com destaque para as obras de Cruz e Sousa, Joaquim Cardozo e Elizabeth Bishop. Na avaliação de Antonio Carlos Secchin, "difícil destacar o maior mérito de Fortuna: se o amplo conhecimento da matéria sobre a qual discorre (sem que o peso da erudição se transforme em obstáculo para o leitor), se a poderosa engrenagem argumentativa que sustenta seus juízos, se a qualidade literária de sua prosa, se o destemor com que enfrenta clichês, mitos e nichos bem assentados de nossa república das letras."

Em Seu Lugar (2005) reúne os três livros de poemas anteriores e um livro até então inédito. No prefácio, Sergio Paulo Rouanet assinala que "no caso de Felipe Fortuna, sentimos que o objetivo da obra reunida é outro. O autor não está olhando para trás, mas para frente, acumulando forças, pela visão do caminho percorrido, para novos vôos líricos, cujo caráter sempre incompleto dificulta qualquer balanço."

A Mesma Coisa (2012) reúne três poemas longos: A Mesma Coisa, O Suicida e Contra a Poesia. Na apresentação ao livro, o diretor Gerald Thomas escreveu que "Esse livro de Felipe Fortuna traz o melhor dos dois mundos: a filosofia da duplicação e do eterno retorno, do múltiplo retorno (wagneriano, como Navios Fantasmas ou como o Liebestod amor depois da morte, e vice-versa, ou o amor através da morte, ou a impossibilidade de uma vida por inteiro como um Nietzsche depois de sua crise ao ver o cavalo espancado… Mas também nos faz sentir que, como poeta, sua função é lírica e idílica e suas palavras fluem como uma linda sinfonia e, antes mesmo de mudarmos de página, a lágrima escorre, e sua poesia é pura emoção." Em resenha para O Estado de S. Paulo, Moacir Amâncio afirmou que "Ao propor uma poética negativa o livro não cai na armadilha (outra) da antipoesia que se fossiliza. Incorpora linguagens e as questiona e nisso fica explícito; todas as situações humanas (ou naturais?) se dão num beco sem saída, nem o suicídio nos livrará disso, porque as palavras persistirão independentes da nossa presença, ou ausência."

Em 2014, lança os poemas de O Mundo à Solta. Na apresentação, Silviano Santiago escreve que "Constituído e destituído de páthos, O mundo à solta leva o leitor a sobrenadar próximo à rosa do povo, enquanto veste e protege o poeta com o escafandro da vida diplomática. Apaixonado e ambivalente, O mundo à solta coloca Felipe Fortuna entre os melhores poetas da atual geração de indignados. As “astúcias da mimese”, para retomar José Guilherme Merquior, fazem-lhe bem e o retiram do beco-sem-saída de A mesma coisa, seu livro anterior. Pelas fendas abertas pelo depoimento humano, O mundo à solta respira o cheiro sulfúrico do milênio."

Felipe Fortuna também publicou os livros Curvas, Ladeiras - Bairro de Santa Teresa (1998) e Visibilidade (2000), de ensaios.

Traduziu a obra integral da poeta renascentista Louise Labé (1522-1566), no volume Amor e Loucura (1995)

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