Feminismo em Portugal

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O Feminismo em Portugal ao longo de sua história constitui-se em uma luta intensa, em que se destacaram nomes como os de Ana de Castro Osório (1872-1935), Adelaide Cabete (1867-1935), Carolina Beatriz Ângelo (1877-1911), Maria Veleda (1867-1935), entre outras.

História[editar | editar código-fonte]

Congresso Feminista e de Educação (Lisboa, 1928).
Estandarte da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas.

Um dos seus marcos iniciais foi a constituição da Federação Socialista do Sexo Feminino, cuja festa inaugural ocorreu em 17 de junho de 1897, na sede do Grémio Socialista dos Anjos, na rua da Bempostinha, 91/1º andar, em Lisboa:

"Eram 4 horas e 20 minutos da tarde quando começou a sessão solene, que foi aberta pela Srª Margarida Marques, presidente da seção feminina do Grémio, tendo por secretárias as senhoras Maria da Piedade e Filomena do Carmo".

Refletindo o ideário socialista que presidira à fundação daquela agremiação, a presidente declarouna ocasião: "(...) se a emancipação dos trabalhadores há-de ser obra dos mesmos trabalhadores, a emancipação da mulher há-de ser obra das mesmas mulheres.".[1] A sessão foi encerrada com uma palestra de Azedo_Gneco, cujo tema era "A emancipação da Mulher". Nesta sessão participaram: Olinda da Conceição, em representação da Associação de Classe das Operárias Conserveiras e Costureiras de Sesimbra, e Maria Rosa, da Associação de Tecidos em Alcântara.

Outro marco do movimento feminista em Portugal foi a criação, em 1907, do Grupo Português de Estudos Feministas, sob a direcção de Ana de Castro Osório, que conduziu à formação, em 1908, da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (1908-1919).

Foi em Portugal que, pela primeira vez em todo o sul da Europa, uma mulher exerceu o direito de voto nas eleições para a Assembleia Constituinte. Eram eleitores todos os cidadãos maiores de 21 anos ou chefes de família que soubessem ler e escrever, sem que a legislação explicitasse o sexo do "chefe de família". Valendo-se dessa brecha na legislação, Carolina Beatriz Ângelo exerceu esse direito em 1911. Posteriormente, a lei eleitoral de 3 de Julho de 1913 iria definir que os chefes de família que podiam ser eleitores seriam apenas os do sexo masculino.[2]

Uma nova etapa tem lugar já na década de 1920.[3] Entre 4 e 9 de maio de 1924 reuniu-se o Congresso Feminista da Educação, no Salão Nobre da Associação de Socorros Mútuos dos Empregados do Comércio de Lisboa. O Congresso foi organizado pelo Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP), fundado em 1914 por Adelaide Cabete. O CNMP faz parte do International Council of Women e o Congresso de 1924 teve um enorme impacto a nível nacional e internacional. Durante cinco dias o Conselho recebeu suporte e apoio de organizações feministas importantes e apoio de personalidades feministas (de ambos os sexos) de destaque do meio político e da vida intelectual. A sua grande importância mostra-se pela adesão de organizações e figuras destacadas do feminismo mundial e pelo grande leque de comunicações nas áreas do feminismo e da educação e pode ser considerado um dos primeiros passos para a emancipação das mulheres.

O segundo Congresso Feminista decorreu em 1928.

Ver artigo principal: Feminismo em Portugal (1933-70)

Período mais recente[editar | editar código-fonte]

De 4 a 6 de maio de 2004 as feministas portuguesas, académicas, activistas e investigadoras de diversos setores reuniram-se para comemorar o 80º aniversário do primeiro Congresso do movimento feminista no país. Na ocasião discutiram-se questões como o aborto, a sexualidade e o direito ao próprio corpo, a desigualdade entre homens e mulheres em setores como o do trabalho e outros temas feministas. O Congresso decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa e durante os três dias da comemoração foram homenageadas mulheres importantes, não só considerando o feminismo, entre eles por exemplo Adelaide Cabete, Maria Velleda, Elina Guimarães e Maria Lamas.

De destacar as escritoras Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, conhecidas pelas três Marias no século XX.

Em 2014 o movimento feminismo renasce em Portugal com algum impacto, com a criação da plataforma Maria Capaz, com a participação de dezenas de figuras públicas nacionais. Fundada pelas apresentadoras de televisão Iva Domingues e Rita Ferro Rodrigues é em 2016 uma associação abertamente de luta pelas mulheres.[4][5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Citações do jornal O Paíz, de 18 de junho de 1897.
  2. Desde a Constituição Portuguesa de 1976 que não existe a figura do chefe de família: o homem e a mulher são iguais perante a lei.
  3. Oitenta anos depois - Feminismo inscrito em Portugal Congresso Feminista de 2008. Página acedida em 24 de Abril de 2010.
  4. Martins, Joana. «Maria Capaz é um site de afirmação e luta pelas mulheres». RTP. Consultado em 8 de Abril de 2016 
  5. «Nasceu uma Maria Capaz — de tudo». Observador. Consultado em 8 de Abril de 2016