Fentanil

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Fentanil
Alerta sobre risco à saúde[1]
Fentanyl.svg
Fentanyl-xtal-3D-balls.png
Nome IUPAC N-(1-Phenethyl-4-piperidyl)propionanilid
Identificadores
Número CAS 437-38-7
PubChem 3345
DrugBank APRD00347
ChemSpider 3228
Código ATC N01AH01
SMILES
Propriedades
Fórmula química C22H28N2O
Massa molar 336.47 g mol-1
Ponto de fusão

87,5 °C [2]

Solubilidade em água 200 mg·l−1 (25 °C)[2]
Farmacologia
Biodisponibilidade 92% (transdermal)
50% (buccal)
33% (ingestion)
Via(s) de administração TD, IM, IV, oral, sublingual, buccal
Metabolismo hepatic, primarily by CYP3A4
Meia-vida biológica 7 hours (range 3–12 h)
Ligação plasmática 80-85%
Excreção 60% Urinary (metabolites, <10% unchanged drug)[3]
Classificação legal


Class A (UK) Schedule II (US)

Riscos na gravidez
e lactação
C (EUA)
Riscos associados
Frases R R26/27/28, R42/43
Frases S S36/37/39, S45
LD50 18 mg·kg−1 (Rato, via oral) [2]
76 mg·kg−1 (Camundongo, intraperitoneal)[2]
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

O fentanil é um opiáceo que é utilizado como uma medicação para a dor e também pode ser usado juntamente com outros medicamentos para a anestesia. Ele tem um rápido início de acção e os seus efeitos geralmente duram menos de uma hora ou duas. O Fentanil está disponível em várias formas, inclusive por injecção, como penso transdérmico, e até por via oral.

Efeitos colaterais comuns incluem náuseas, obstipação, sonolência e confusão.[4] Graves efeitos secundários podem incluir uma diminuição do esforço para respirar (depressão respiratória), síndrome da serotonina, pressão arterial baixa, ou dependência. Fentanil funciona, em parte, pela activação de receptores µ-opióides. É cerca de 75 vezes mais forte do que a morfina durante um determinado período.[5]

O fentanil foi feito pela primeira vez por Paul Janssen, em 1960, e aprovado para uso médico nos Estados Unidos em 1968.[6] Ele foi desenvolvido através de testes químicos semelhantes em estrutura à petidina (meperidina) para a actividade de opiáceos.[7] Em 2015, 1,600 quilogramas (3 53 lb) foram utilizados globalmente.[8] Em 2017 o fentanil foi o opiáceo sintético mais utilizado na medicina.[9]

Pensos transdérmicos de fentanil estão na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial de Saúde, uma lista dos mais eficazes e seguros medicamentos necessários nem um sistema de saúde.[10] Num contexto geral, o custo médio no mundo em desenvolvimento, em 2015, esteve entre 0,08 e de 0,81 dólares (USD) por frasco de 100 microgramas.[11] Nos Estados Unidos, em 2017, esta mesmo quantidade custa cerca de 0,40 USD.[12] O Fentanil é também produzido de forma ilegal e usado como uma droga recreativa, muitas vezes, misturado com heroína ou cocaína.[13] Em 2016, mais de 20 mil pessoas faleceram nos Estados Unidos devido a overdoses de fentanil ou de algum análogo.[14]

História[editar | editar código-fonte]

O fentanil foi pela primeira vez sintetizado por Paul Janssen, sob a marca da Janssen Pharmaceutica em 1959, sendo introduzido nos anos 60 como um anestésico endovenoso de nome Sublimaze. Nos anos 90 a Janssen Pharmaceutica desenvolveu o "patch" transdérmico Durogesic, associação de um gel alcoólico inerte com doses selecionadas de fentanil que providencia a administração constante do opioide por um período de 48 a 72 horas. Um rebuçado aromatizado de citrato de fentanil, misturado com substâncias inertes foi introduzido sob o nome Actiq como a primeira formulação de início de ação rápida de fentanil para a dor crónica. Também foram ou estão a ser desenvolvidos tabletes efervescentes e spray de fentanil para alívio rápido da dor. O Onsolis, é uma formulação de fentanil que utiliza uma tecnologia de nome BEMA ("fentanil buccal soluble film") de libertação do fármaco através de um pequeno disco colocado na boca - impede o abuso por inalação ou ingestão da droga.

Usos terapêuticos[editar | editar código-fonte]

O fentanil por via intravenosa é usado extensivamente para anestesia e como analgésico, sobretudo em procedimentos no bloco operatório e em unidades de cuidados intensivos. É administrado frequentemente em associação com um benzodiazepínico, como o midazolam ou o diazepam para sedação em procedimentos endoscópicos,radiológicos ou dentários.

  • É usado no tratamento da dor crônica em casos de câncer. Especialmente se o doente já desenvolveu tolerância aos opioides. Autores defendem que não há opioide mais potente que o fentanil no controlo da dor oncológica o que o torna numa primeira escolha para estas situações clínicas.
  • Dor aguda grave
  • Anestesia como adjuvante de anestésico mais potente.
  • É por vezes usado como droga ilegal de abuso. Efeito semelhante à heroína.
  • Administra-se geralmente por via parentérica, podendo também ser intradérmica ou através de aerossóis.

Comparações à morfina[editar | editar código-fonte]

É 100 vezes mais potente, mas é naturalmente usado em doses 100 vezes menores, portanto o efeito é semelhante.[carece de fontes?]

Tem um início de ação mais rápido do que a morfina, e uma menor semi-vida.

É ideal para administração pelo próprio doente (através de uma bomba especial com um botão), que pode administrar em resposta às dores flutuantes da doença crônica.

Os efeitos secundários surgem com menor intensidade.

É geralmente utilizada em doentes com dor estável e controlada anteriormente com outro opioide potente (ex.: morfina).

Referências

  1. Sicherheitsdatenblatt für Fentanyl citrate salt – Sigma-Aldrich 11.01.2008
  2. a b c d (en) « Fentanil » em ChemIDplus
  3. http://www.springerlink.com/content/rr47429177364046/
  4. «Fentanyl, Fentanyl Citrate, Fentanyl Hydrochloride». The American Society of Health-System Pharmacists. Consultado em 8 de dezembro de 2017 
  5. «DrugFacts: Fentanyl». National Institute on Drug Abuse, US National Institutes of Health. Junho de 2016. Consultado em 19 de março de 2017 
  6. Stanley TH (abril de 1992). «The history and development of the fentanyl series». J Pain Symptom Manage. 7 (3 Suppl): S3–7. PMID 1517629. doi:10.1016/0885-3924(92)90047-L 
  7. Black J (março de 2005). «A personal perspective on Dr. Paul Janssen» (PDF). J. Med. Chem. 48 (6): 1687–8. PMID 15771410. doi:10.1021/jm040195b. Arquivado do original (PDF) em 10 de outubro de 2007 
  8. Narcotic Drugs Estimated World Requirements for 2017 Statistics for 2015 (PDF). New York: United Nations. 2016. p. 40. ISBN 978-92-1-048163-2. Consultado em 14 de dezembro de 2017 
  9. «Fentanyl And Analogues». LiverTox. 16 de outubro de 2017. Consultado em 14 de dezembro de 2017 
  10. «WHO Model List of Essential Medicines (20th List)» (PDF). World Health Organization. Março de 2017. p. 2. Consultado em 29 de junho de 2017 
  11. «Single Drug Information». International Medical Products Price Guide. Consultado em 14 de dezembro de 2017 
  12. «NADAC as of 2017-12-13». Centers for Medicare and Medicaid Services (em inglês). Consultado em 14 de dezembro de 2017 
  13. «Fentanyl Drug Overdose». CDC Injury Center (em inglês). 29 de agosto de 2017. Consultado em 14 de dezembro de 2017 
  14. «Overdose Death Rates». National Institute on Drug Abuse. 15 de setembro de 2017. Consultado em 14 de dezembro de 2017