Fernão Peres de Trava

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Fernão Peres de Trava
Conde de Trava e de Trastâmara
Cônjuges ● Sancha Gonçales
Teresa de Leão
Descendência
Ver Descendência
Pai Pedro Froilaz de Trava
Mãe Urraca Froilaz
Morte 1 de novembro de 1155
Galiza

Fernão Peres de Trava (em espanhol: Fernando Pérez de Traba; c. 1100 - Santiago de Compostela, 1 de novembro de 1155)[1] [2] foi um nobre galego, conde de Trava e Trastâmara, amante de Teresa de Leão, condessa de Portugal e mãe do rei Afonso I Henriques.

Levantamento galaico-português[editar | editar código-fonte]

Fernão era filho do conde Pedro Froilaz de Trava e da condesa Urraca Froilaz,[3] da Casa de Trava, a mais poderosa do Reino da Galiza na época. Participou na revolta galaico-portuguesa contra Urraca I de Leão e Castela, liderada pelo seu pai em 1116, em aliança com Teresa de Leão. Esta insurreição pretendia defender os direitos de Afonso Raimundes coroado rei da Galiza, e garantir a autonomia do Condado Portucalense frente à rainha castelhano-leonesa.

Os triunfos nas batalhas de Vilasobroso e Lanhoso selaram a aliança entre os Trava e Teresa. Fernão Peres de Trava passou, assim, a governar o Porto e Coimbra e a firmar com Teresa importantes disposições e documentos no condado de Portugal.[4]

Miniatura medieval que representa Fernão Peres de Trava (à esquerda), a condessa Teresa de Leão (centro) e a rainha Urraca (à direita). Manuscrito gótico do desaparecido mosteiro de Toxosoutos

Com a morte de Urraca, Fernão tornou-se um grande aliado do rei Afonso VII no Reino da Galiza. Tanto que lhe foi confiada a importante tarefa de ser preceptor do seu filho, o futuro rei Fernando II de Leão.[5] A Crónica Latina de Castilla considera que a sua influência foi determinante para que, no testamento de Afonso VII, os reinos de Galiza e Leão se separassem de Castela e Toledo.[6] [7] [a]

Derrota em Portugal[editar | editar código-fonte]

Teresa exerceu a regência do Condado Portucalense durante a menoridade de Afonso Henriques. Mas, em 1122, sob a orientação do arcebispo Paio Mendes de Braga, Afonso pretendeu assegurar o seu domínio no condado e armou-se cavaleiro em Zamora. Juntando os cavaleiros portugueses à sua causa contra Fernão Peres e Teresa de Leão, derrotou ambos na batalha de São Mamede em 1128,[8] quando pretendiam tomar a soberania do espaço galaico-português, e assumiu o governo do condado.

Governo da Galiza[editar | editar código-fonte]

A partir de então, Fernão Peres de Trava concentrou a sua influência na Galiza,[8] assinando com "Conde Fernando da Galécia" (Comes Fernandus de Gallecie). Aqui, realiza um trabalho de apoio aos mosteiros cistercienses, podendo atribuir-se-lhe a fundação do Mosteiro de Sobrado dos Monxes. Disputou a liderança da Galiza com Diego Gelmírez, o influente arcebispo de Santiago de Compostela, com quem manteve um tenso entendimento.

Nas campanhas mouras, comandou as tropas galegas ao serviço de Afonso VII nas suas incursões contra o Califado Almóada. As crónicas destacam o seu valor na conquista de Almería. Contra Portugal, defendeu com dificuldade o vale do Minho das investidas de Afonso Henriques, até à paz de Zamora de 1143.

São conhecidas também duas estadias na Terra Santa no final da segunda cruzada. Cedeu territórios aos Templários na actual costa da Corunha e foi quem introduziu esta ordem militar no Reino da Galiza.

Morte e sepultura[editar | editar código-fonte]

Mosteiro de Sobrado dos Monxes, fundação atribuída a Fernão Peres e onde foi sepultado

Em 1154 figura na documentação do Mosteiro de Caaveiro, ego comes domnus Fernandus, graui infirmitati. Morreu em 1155, ano em que aparece pela última vez na documentação do mosteiro de Sobrado e antes de 24 de Julho de 1161, data em que a sua esposa Sancha assina um documento afirmando que era viúva. Foi sepultado no claustro da Catedral de Santiago de Compostela e, seis anos mais tarde, transladado para o Mosteiro de Sobrado dos Monxes.[5] [1]

Descendência[editar | editar código-fonte]

Casou com a condessa Sancha Gonçales, filha do conde Gonçalo Ansúrez e de Urraca Vermudes[b], com quem teve os seguintes filhos:

Da sua relação com Teresa de Leão nasceram duas filhas:

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ A Crónica latina de Castela atribuiu a divisão do reino pelos filhos do Imperador por sua inciativa: "divisit siquidem regmum suum, permitente Deo propter peccata hominum, duobus filiiis suis ad instanciam Fernandi comitis de Gallecia"
[b] ^ A professora Margarita Torres (p. 112) diz que Sancha era filha do conde Gonçalo Pais. No entanto, de acordo com Antonio Sanchez de Mora, na sua tese sobre a Casa de Lara (Vol. I, p. 70), Sancha era filha do conde Gonzalo Ansurez e Urraca Vermudez. Em 24 de Abril de 1142, Sancha fez uma doação ao mosteiro de Lourenzá onde menciona seu avô Vermudo Ovéquiz, o que confirma a filiação segundo Sanchez de Mora.
[c] ^ "D. Fernando duxit uxorem Tharasiam, filiam comitis Fredinandi, que fuerat uxor comitis Nunii de Castela" Crónica Latina de Castela.
[c] ^ "Ego Rex Dominus Fernandus, una cum uxore mea regina Donna Tarasia, et cum filio meo domino Adefonso". Tumbo Viejo de Lugo, documento 42, pp. 111-112.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • García Álvarez, M. Rubén. (1966). "Los Arias de Galicia y sus relaciones familiares con Fernando II de León y Alfonso I de Portugal" (em espanhol). Bracara Augusta, revista cultural de regionalismo e historia: 25-41. OCLC 72890459.
  • López-Sangil, José Luis (2002). La nobleza altomedieval gallega, la familia Froílaz-Traba (em espanhol) (La Coruña: Toxosoutos, S.L.). ISBN 84-95622-68-8. 
  • Sánchez de Mora, Antonio (2003). La nobleza castellana en la plena Edad Media: el linaje de Lara. Tesis doctoral. Universidad de Sevilla (em espanhol) (Sevilha [s.n.]). 
  • Torres Sevilla-Quiñones de León, Margarita Cecilia (1999). Linajes nobiliarios de León y Castilla: Siglos IX-XIII (em espanhol) (Salamanca: Junta de Castilla y León, Consejería de educación y cultura). ISBN 84-7846-781-5.