Fernando Dacosta

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Fernando Dacosta
Nascimento 12 de dezembro de 1945 (71 anos)
Caxito, Angola colonial
Nacionalidade Portugal português
Ocupação jornalista, escritor
Prémios Ordem do Infante D. Henrique

Fernando Dacosta ComIH[1](Caxito, 12 de dezembro de 1945) é um jornalista e escritor português.

Vida e obra[editar | editar código-fonte]

Nasceu no Caxito, a 100 km de Luanda, na Fazenda Tentativa[2] pertencente à Companhia do Açúcar de Angola, onde o pai trabalhava. Quando tinha três anos de idade, devido à saúde frágil da sua mãe, a família (anti-salazarista[3] mas com relações algo pacíficas com o regime de então[4] mudou-se para Folgosa do Douro, na margem sul do Douro. Aí passou a infância (teve uma experiência de quase-morte, ao tomar banho num rio)[5] e a juventude, tendo estudado no Liceu de Lamego. Passou pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, acabando por se fixar em Lisboa, onde se licenciou em Filologia Românica.

Em 1967, iniciou a sua carreira jornalística a convite de Carlos Mendes Leal, director da delegação da agência noticiosa Europa Presse (ligada à Opus Dei) em Lisboa. Dacosta foi destacado como repórter na Assembleia Nacional e no Palácio de S. Bento. Foi nessa altura que conheceu pessoalmente Salazar, encontro que muito o impressionou e o motivaria no futuro a dedicar particular interesse literário à figura do estadista.

Trabalhou em vários jornais e revistas como Filme, Europa-Press, Flama, Notícia, Comércio do Funchal, Vida Mundial, Diário de Lisboa, Diário de Notícias, A Luta, JL, O Jornal, Público, Visão. Colaborou em vários programas de rádio, de que se destaca Café Concerto de Maria José Mauperrin, na RDP - Rádio Comercial, nos anos 80. Na RTP, em 1991/2, apresentou uma rubrica sobre literatura. Dirigiu os "Cadernos de Reportagem" e foi co-editor das edições Relógio de Água.

A sua obra reparte-se por vários géneros: reportagem, teatro, romance, narrativa e conto. Embora sempre associado como homem de esquerda, teve o privilégio de conviver intimamente com algumas das maiores figuras da cultura e da política portuguesa do século XX que eram não só da Oposição mas também do Estado Novo (que de certo modo se lhe confidenciaram incentivados pela sua personalidade discreta e cativante), para além de que já admitiu por escrito admiração de figuras centristas como o ex-Presidente Ramalho Eanes[6] e diga não reconhecer sentido à dicotomia direita-esquerda[7]. Essa sua independência valeu-lhe alguns problemas (por exemplo, quando trabalhava num jornal de esquerda e afirmou querer estudar jornalisticamente os Retornados, o director proibiu-lho por ser um tema "reacionário" (o que não o impediu de o investigar na mesma)[8]. Era amigo próximo de Agostinho da Silva e de Natália Correia. Por influência de Natália Correia, privou e fez profunda amizade com Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança[9].

A temática da sua obra, de cunho histórico e sociológico, sem contudo deixar de ser marcadamente intimista e mística, centra-se no fim do Império Português e na preservação da memória do período pré- 25 de Abril de 1974, reflectida em escritos como O Viúvo, Máscaras de Salazar ou Os Mal-Amados.[10] Ao longo da sua carreira, a sua obra tem sido frequentemente premiada.

A 9 de Junho de 2005 foi feito Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.[11]

É sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.

Obras[editar | editar código-fonte]

Narrativa[editar | editar código-fonte]

  • Os Retornados Estão a Mudar Portugal, Relógio d'Água, 1984
  • Moçambique, Todo o Sofrimento do Mundo, 1991
  • Paixão de Marrocos, Asa, 1991
  • A Clínica das Inovações, Hospital da CUF, 1995
  • A Ilha da Sabedoria, 1996
  • O Príncipe dos Açores, 1996
  • Máscaras de Salazar, Editorial Notícias, 1997; Casa das Letras, 2006; Bis, 2012
  • A Escrita do Mar, Correios de Portugal, 1998
  • Nascido no Estado Novo, Editorial Notícias, 2001 (reedição: Os Mal-Amados, Casa das Letras, 2008)
  • Os Mineiros, J. Barros, D.L., 2001
  • Os Retornados Mudaram Portugal, Parsifal, 2013
  • O Botequim da Liberdade, Casa das Letras, 2013
  • Viagens Pagãs, Parsifal, 2015
  • Amália, a Ressurreição, Casa das Letras, 2017

Romance[editar | editar código-fonte]

  • O Viúvo, Publicações Dom Quixote, 1987; Casa das Letras, 2007
  • Os Infiéis, Publicações Dom Quixote, 1992

Teatro[editar | editar código-fonte]

  • Um Jipe em Segunda Mão, 1983
  • A Súplica, 1983
  • Sequestraram o Senhor Presidente, Relógio d'Água, 1984
  • A Nave Adormecida, 1988
  • A Frigideira, 2007 (inédito)

Conto[editar | editar código-fonte]

  • Onde o Mar Acaba, 1991
  • Imaginários Portugueses, 1992
  • Um Olhar Português, 1992
  • Os Sete Pecados Capitais, 1998

Fotobiografia[editar | editar código-fonte]

  • Salazar, Fotobiografia, Editorial Notícias, 2000
  • Amália, uma Força da Natureza, Colares Editora, 2001
  • Fotobiografia de José de Castro, João da Silveira Caseiro, 2005

Referências

  1. Presidência da República, Alvará nº 25/2005, de 9 de Junho, publicado no Diário da República de 22-11-2005
  2. Os Mal-Amados, pg. 245
  3. Um tio deportado no Tarrafal
  4. Fernando Dacosta em entrevista, blogue do jornal O Diabo
  5. Brevemente: EXPERIÊNCIAS DE QUASE-MORTE, blogue da editora Ésquilo, 6 de Novembro de 2008
  6. Ramalho Eanes. Um exemplo a seguir, blogue O Elucubrativo, 22 de Maio de 2012 (postagem do texto de uma velha crónica de Fernando Dacosta no Expresso)
  7. Fernando Dacosta em entrevista, blogue do jornal O Diabo
  8. Fernando Dacosta em entrevista, blogue do jornal O Diabo
  9. Fernando Dacosta; O Botequim da Liberdade. Casa das Letras: Lisboa, 2013. pp. 176-177
  10. Publicado pela primeira vez em 2001 sob o título Nascido no Estado Novo.
  11. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Fernando Dacosta". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 13 de fevereiro de 2015 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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