Fernando II de Portugal

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Dom Fernando II
Rei de Portugal (jure uxoris)
Retrato de D. Fernando de Saxe-Coburgo e Gotha, Joseph-Fourtuné Layraud, 1877 - Palácio Nacional da Pena.png
Fernando II, em retrato de Joseph-Fourtuné Layraud,
1865, Palácio Nacional da Pena.
Governo
Casa Real Bragança-Saxe-Coburgo e Gota
Dinastia Dinastia de Bragança
Títulos Príncipe e, posteriormente,
jure uxoris Rei de Portugal
Vida
Nome completo Fernando Augusto Francisco António de Saxe-Coburgo-Gota-Koháry
Nascimento 29 de outubro de 1816
Flag of the Habsburg Monarchy.svg Viena, Áustria
Morte 15 de dezembro de 1885 (69 anos)
Flag Portugal (1830).svg Lisboa, Portugal
Sepultamento Panteão Real da Dinastia de Bragança, Mosteiro de São Vicente de Fora, Lisboa
Cônjuges
Maria II
Elise Hensler
Filhos Pedro V, Luís I, Maria, João, Maria Ana, Antónia, Fernando, Augusto, Leopoldo, Maria da Glória, Eugénio
Pai Fernando de Saxe-Coburgo-Gota
Mãe Maria Antónia de Koháry
Assinatura Assinatura de Dom Fernando II

D. Fernando II de Portugal (batizado Fernando Augusto Francisco António de Saxe-Coburgo-Gota-Koháry[1] ) BTOGCNSC (29 de outubro de 181615 de dezembro de 1885), foi o Príncipe e, posteriormente, Rei de Portugal pelo seu casamento com a rainha D. Maria II em 1836.

De acordo com as leis portuguesas, D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota-Koháry tornou-se Rei de Portugal jure uxoris, apenas após o nascimento do primeiro príncipe, que foi o futuro Pedro V. Dado D. Maria II ser a regente, D. Fernando evitava sempre que possível a política, preferindo envolver-se com a arte[2] .

D. Fernando II foi regente do reino por quatro vezes: durante as gravidezes de Maria II, depois da sua morte em 1853 e quando o seu segundo filho, o rei Luís I, e a rainha consorte Maria Pia de Saboia se ausentaram de Portugal para assistirem à Exposição de Paris em 1867.

Ele ficou conhecido na História de Portugal como "O Rei-Artista".

Biografia[editar | editar código-fonte]

Família[editar | editar código-fonte]

Os princípes Augusto e Fernando, enquanto crianças (c. 1824).

Era o primogénito do príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, irmão do duque Ernesto I e do rei Leopoldo I dos Belgas, e de sua esposa, Maria Antónia de Koháry. Tinha três irmãos mais novos: Augusto, Vitória e Leopoldo.

O príncipe cresceu em vários lugares: nas terras de sua família na actual Eslováquia e nas cortes austríacas e germânicas.

Rei de Portugal[editar | editar código-fonte]

Em 1835, tendo D. Maria II enviuvado aos 16 anos do seu primeiro marido, o princípe Augusto de Beauharnais, D. Fernando foi escolhido para novo esposo da soberana.

As negociações do casamento foram dirigidas por D. Francisco de Almeida Portugal, Conde de Lavradio, tendo o contrato matrimonial sido assinado em 1 de Dezembro de 1835, com o barão de Carlowit em representação do duque reinante de Saxe-Coburgo, e o barão de Stockmar em representação do príncipe Fernando, seu pai.

De acordo com a tradição portuguesa, enquanto marido de uma rainha reinante, D. Fernando só tomaria o título de rei após o nascimento de um herdeiro (foi este o motivo pelo qual o primeiro marido da rainha, Augusto de Beauharnais, nunca foi rei). D. Fernando foi, portanto, príncipe de Portugal até ao nascimento do futuro D. Pedro V em 1837.

A 1 de Janeiro de 1836, casa-se D. Maria II por procuração, e assina o decreto nomeando D. Fernando marechal-general do Exército, posto reservado ao próprio Rei, na sua função de Comandante Supremo do Exército. D. Fernando saiu de Coburgo, atravessou a Bélgica, e embarcou em Oostende para Lisboa, onde chegou a 8 de Abril. A cerimónia do casamento realizou-se no dia seguinte. A nomeação de D. Fernando enquanto marechal-general gerou polémica entre os liberais mas, uma vez que essa dignidade já houvera sido conferida ao príncipe D. Augusto, o governo não podia deixar de comprometer-se com a rainha.

Foi eleito, a 4 de Maio de 1836, presidente da Academia Real das Ciências.

D. Fernando II em 1852.

D. Fernando evitou envolver-se no panorâmica político, preferindo dedicar-se às artes. Por ocasião da fundação da Academia de Belas-Artes de Lisboa a 25 de Outubro de 1836, D. Fernando e a rainha declaram-se seus protetores. Após uma visita ao Mosteiro da Batalha (que se encontrava abandonado, no quadro da extinção das ordens religiosas), D. Fernando passou a dedicar parte das suas preocupações à causa do proteção do património arquitetónico português edificado, tendo impulsionado cultural e financeiramente, a par do estímulo à ação desenvolvida por sociedades eruditas, projetos de restauração e manutenção respeitantes não só a Batalha, mas também ao Convento de Mafra, Convento de Cristo, em Tomar, ao Mosteiro dos Jerónimos, Sé de Lisboa, e Torre de Belém [3] . Como amante de pintura que era, colaborou com algumas gravuras de sua autoria, na Revista Contemporânea de Portugal e Brasil [4] (1859-1865).

Segundo casamento[editar | editar código-fonte]

D. Fernando II e Elise Hensler.

Em 1869, Fernando casou-se pela segunda vez, morganaticamente, com Elise Hensler, feita Condessa d'Edla, que era uma cantora de ópera e mãe solteira, a quem deixaria como herança o Palácio da Pena, cuja construção foi da sua inteira responsabilidade e entregue ao engenheiro alemão Wilhelm Ludwig von Eschwege.

Tronos grego e espanhol[editar | editar código-fonte]

Em 1862, houve uma revolta na Grécia contra o rei Oto I e ofereceu-se o trono grego a Fernando II, mas este recusou.

Em 1868, uma revolução expulsou a rainha Isabel II da Espanha e a sua família, e o governo provisório espanhol, não desejando estabelecer uma república, ofereceu a coroa a D. Fernando II, então com quarenta e nove anos. D. Fernado também rejeitou esta proposta.

Morte[editar | editar código-fonte]

O seu corpo jaz ao lado de D. Maria II, sua primeira esposa, no Panteão Real da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

Referências

  1. Ferdinand August Franz Anton von Sachsen-Coburg-Gotha-Koháry, em alemão
  2. D. Fernando II, O Rei Artista (1816-1885)
  3. Correia, Luís Miguel Maldonado de Vasconcelos. Castelos em Portugal: Retrato do seu perfil arquitectónico [1509-1949]. 1.ª ed. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010. Capítulo: A Presença do Castelo na (re)Definição da Imagem do Território. , p. 175. ISBN 978-989-26-0022-2 Página visitada em 11 de Março de 2015.
  4. Pedro Mesquita (06 de dezembro de 2013). Ficha histórica:Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859-1865) (pdf) Hemeroteca Municipal de Lisboa. Visitado em 13 de Abril de 2014.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Fernando II de Portugal
Realeza Portuguesa
Dinastia de Bragança
Descendência
Duchy of Braganza (1640-1910).png
Precedido por
Maria II
Bragance-Saxe-Coburg-Gotha
Rei de Portugal e dos Algarves
daquém e dalém-mar em África

18371853 (com Maria II)
Sucedido por
Pedro V
Precedido por
Augusto de Beauharnais
Bragance-Saxe-Coburg-Gotha
Consorte de Portugal e dos Algarves
daquém e dalém-mar em África

18371853
Sucedido por
Estefânia de
Hohenzollern-Sigmaringen