Fernando Lemos

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Fernando Lemos
Nascimento 03 de maio de 1926
Lisboa
Nacionalidade Brasil brasileira
Área Artes Plásticas

Fernando Lemos (Lisboa, 3 de maio de 1926 — ) é um pintor, artista gráfico e fotógrafo luso-brasileiro.

Fernando Lemos pertence à terceira geração de artistas modernistas portugueses[1]. Fixou residência no Brasil em 1953 e adquiriu nacionalidade brasileira alguns anos mais tarde. Tem desenvolvido uma atividade multifacetada, dedicando-se em particular às artes plásticas (pintura, desenho, fotografia) e ao design (gráfico e industrial), mas também à escrita, ao ensino, etc..

Biografia / Obra[editar | editar código-fonte]

Intimidade dos Armazéns do Chiado, 1952, fotografia p/b, 57,5 x 57,5 cm

Estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio e frequentou o curso livre de pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa. Definiu-se inicialmente como surrealista, pintando, desenhando, escrevendo poesia e fotografando.

Em 1949 comprou uma máquina fotográfica Flexaret e começou a trabalhar a fotografia recorrendo a processos muito utilizados na fotografia surrealista (solarização, sobreposições, impressões em negativo e positivo) construindo uma linguagem de fragmentação da imagem a que não será estranho o exemplo de autores como Man Ray.

Em 1952 expõe, com Vespeira e Fernando Azevedo, na Casa Jalco, Lisboa. "Nessa mostra, para além de 22 guaches, 28 desenhos, 20 pinturas a óleo caracterizadas pela exploração do registo abstrato e pela conjugação dinâmica de formas orgânicas e angulosas" apresentava um conjunto de retratos em que utilizava a fotografia manipulada para revelar aspetos característicos das personalidades retratadas, bem como uma série de composições encenadas, enigmáticas, pontuadas por manequins de montra, e onde utilizava efeitos peculiares de iluminação, técnicas de solarização e sobreposição de imagens (veja-se, por exemplo, Intimidade dos Armazéns do Chiado, 1952). Dado o seu caráter surpreendente, "compreende-se que estas imagens insólitas tenham fascinado o meio cultural português"[2].

Em 1952 dirige, com José Augusto França, a Galeria de Março[3]. Irá abandonar a fotografia e, no ano seguinte, a sua postura de oposição ao regime salazarista leva-o a abandonar Portugal e fixar residência em S. Paulo, Brasil, naturalizando-se brasileiro alguns anos mais tarde. Ao longo dos anos de 1950 dedica-se ao desenho, que expõe, por exemplo, na Galeria de Março (1954); vence o Prémio Nacional Brasileiro na Bienal de S. Paulo de 1957. Trabalha em artes plásticas, publicidade, design gráfico e industrial.

Série 1, Nº 8, 1960, Nanquim sobre papel, 100 x 70 cm

Em 1959 participa na Exposição 50 Artistas Independentes (SNBA, Lisboa) e, em 1961, na II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, FIL, Lisboa, onde expõe 4 desenhos (entre os quais Série 1, Nº 8, 1960) que "rompem ou alargam os limites tradicionais do desenho ocidental" e onde os signos cuneiformes presentes nos seus desenhos anteriores entram em relação espacial, "vindo a assumir nela uma situação gramatical complexa e orgânica"[1]. Em 1962 recebe uma bolsa de estudos para o Japão, patrocinada pela Fundação Calouste Gulbenkian[4]. Em 1973 participa na Exposição Inaugural Colectiva da Galeria Quadrum e, no mesmo ano, expõe pintura na Galeria Dinastia.[5] [6]

Ao longo da década de 1960 opta, na sua produção pictórica, por princípios de composição plástica que o conduzem à "afirmação de um abstracionismo concreto, definido pela presença e sobreposição de formas negras [...] , que muito se distinguiu das referências visuais e das atmosferas surrealizantes que pautaram as suas primeiras obras".[7]

Da sua atividade enquanto poeta e escritor assinale-se a sua participação, entre 1955 e 1975, na redação do jornal Portugal Democrático – uma publicação criada por exilados políticos portugueses no Brasil –, a sua colaboração na revista Colóquio/Artes (desde 1971) e a publicação do livro de poesia Cá & Lá (Imprensa Nacional, Lisboa, 1985).[4]

Da sua atividade profissional podem ainda destacar-se: a decoração de pavilhões da representação brasileira em feiras internacionais (Nova Iorque, 1957; Tóquio, 1963); a atividade docente na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S. Paulo; a presidência da Associação Brasileira de Design Industrial; a criação, em 1963, de uma editora de literatura infantil (Giroflé).[5]

Em 1994 expôs individualmente no Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. Venceu o Prémio Anual de Fotografia do Centro Português de Fotografia, Porto, 2001. Foi-lhe atribuído o Prémio 2016 da Crítica em Artes Visuais da APCA[8] (Associação Paulista de Críticos de Arte).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b França, José-AugustoA Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 422-425.
  2. Jurgens, Sandra Vieira – Fernando Lemos. In: A.A.V.V - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da Coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 72. ISBN 972-635-155-3
  3. França, José Augusto – A arte em Portugal no século XX [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 480
  4. a b «Fernando Lemos». In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora. 2003–2014. Consultado em 13 de setembro de 2014 
  5. a b J.O. «Fernando Lemos». Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão 
  6. A.A.V.V – II Exposição de Artes Plásticas. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1961.
  7. Jurgens, Sandra Vieira – Fernando Lemos. In: A.A.V.V - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da Coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 73.
  8. «'Aquarius' leva prêmios APCA nesta quarta». Cruzeiro do Sul. Consultado em 16 de maio de 2017