Ferreira de Castro

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Disambig grey.svg Nota: Para o advogado brasileiro, outrora vice-governador do Piauí, veja Francisco Ferreira de Castro. Para o advogado brasileiro, outrora vice-governador do Ceará, veja Francisco Castelo de Castro.
Ferreira de Castro
Nome completo José Maria Ferreira de Castro
Nascimento 24 de maio de 1898
Oliveira de Azeméis, Portugal
Morte 29 de junho de 1974 (76 anos)
Porto, Portugal
Nacionalidade português
Cônjuge Diana de Lis (1927-1930)

Elena Muriel (1938, 1 filha)

Ocupação Escritor
Prémios Prémio Ricardo Malheiros (1934)

Prémio Águia de Ouro de Festival do Livro de Nice (1970)
Prémio da Latinidade (1971)

Magnum opus A Selva

José Maria Ferreira de Castro (Ossela, Oliveira de Azeméis, 24 de Maio de 1898 — Porto, 29 de Junho de 1974) foi um escritor português.

Existe uma biblioteca e uma escola secundária com o seu nome em Oliveira de Azeméis e uma escola básica, a qual é sede do agrupamento Ferreira de Castro e um museu em Sintra.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Busto do autor de A Selva em Manaus

Filho mais velho de José Eustáquio Ferreira de Castro, natural de Oliveira de Azeméis, e de Maria Rosa Soares de Castro, natural de Vila Chã (Vale de Cambra).[1] Aos 8 anos ficou órfão de pai, um camponês pobre e decide, aos 12 anos, emigrar com a intenção de sustentar a família. A 7 de Janeiro de 1911 embarcou no vapor "Jerôme" com destino a Belém do Pará, no Brasil.[2] Ali viria a publicar o seu primeiro romance Criminoso por ambição, em 1916.

Durante quatro anos viveu no seringal Paraíso, em plena floresta amazónica, junto à margem do rio Madeira. Depois de partir do seringal Paraíso, viveu em precárias condições, tendo de recorrer a trabalhos como, colar cartazes, embarcadiço em navios do Amazonas etc.

Mais tarde, em Portugal, foi redator do jornal O Século, do jornal A Batalha,[3] diretor do jornal O Diabo e colaborador das revistas O domingo ilustrado[4] (1925-1927), Renovação (1925-1926)[5] e Ilustração[6] (iniciada em 1926). Ao serviço do jornal de Pereira da Rosa, assinou crônicas vibrantes, como o dia em que se deixou prender no Limoeiro para testemunhar a vida dos reclusos nas cadeias portuguesas ou a sua entrevista exclusiva em Dublin com Eamon de Valera, líder do Sinn Fein em 1930.[7]

Em 1930 publica A Selva, a obra que o tornaria um escritor de dimensão internacional, inclusive candidato a Prêmio Nobel. O livro recebe críticas positivas no The New York Times e abre-lhe caminho em Hollywood e possibilita-lhe o ingresso no Pen Clube francês. Nessa altura perde tragicamente a esposa, Diana de Liz, a quem dedicou o livro.

Após o falecimento da esposa, Ferreira de Castro partiu para Inglaterra de barco, na companhia do escritor Assis Esperança. Fica doente, com septicemia, mas é tratado pelo médico e historiador de arte Reynaldo dos Santos. Em consequência do estado de luto, em Dezembro de 1931 Ferreira de Castro tenta o suicídio sem sucesso. Para convalescer parte para a Madeira, onde escreve o romance Eternidade (1933), cujo tema é a obsessão pela morte.[8]

Ferreira de Castro ordenou a transladação dos ossos de Diana de Liz e erigiu-lhe um mausoléu.

Morreu a 29 de junho de 1974, no Hospital de Santo António, no Porto, depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral, em Macieira de Cambra, a 5 de junho, que o deixou em coma.[9] Chegou a desfilar no 1º de Maio, Dia do Trabalhador, o primeiro após a Revolução de 25 de Abril de 1974. Encontra-se enterrado em Sintra, por sua expressa vontade.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Entre 1927 e 1930, teve um relacionamento com Diana de Liz - pseudónimo de Maria Eugénia Haas da Costa Ramos -, escritora, defensora da emancipação feminina, nascida em Évora, freguesia de São Pedro, a 29 de março de 1892, filha de Zacarias José da Costa Ramos, capitão de Cavalaria, e de D. Margarida Amélia Haas da Costa Ramos, e que morreu em maio de 1930, vítima de tuberculose.[10][11][12]

A 17 de outubro de 1936, casou, na 3.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa, em regime de separação de bens, com Fernanda das Dores Mercier Marques, natural da freguesia de Santos-o-Velho, Lisboa, filha de José Maria Marques, natural da freguesia de Santa Isabel, Lisboa, e de Eugenie Georgette Amélie Mercier Marques, natural de Saint-Germain-des-Prés (Paris). A 10 de novembro de 1937, foi decretado o divórcio por sentença do Juízo de Direito da 4.ª Vara da Comarca de Lisboa, com fundamento em adultério do cônjuge masculino (n.º 2 do artigo 4.º da Lei do Divórcio, aprovada por decreto de 3 de novembro de 1910).[13]

Voltou a casar em Paris, em 1938, com Elena Muriel, pintora espanhola refugiada no Estoril.[9] Com ela viveu 40 anos e teve uma filha, Elsa Beatriz Ferreira de Castro.

Relevância da obra[editar | editar código-fonte]

Emigrante, homem do jornalismo, mas sobretudo ficcionista, é hoje em dia, ainda, um dos autores com maior obra traduzida em todo o mundo, podendo-se incluir a sua obra na categoria de literatura universal moderna, precursora do neorrealismo, de escrita caracteristicamente identificada com a intervenção social e ideológica.

A exemplo da sua ainda grande atualidade pode referir-se a recente adaptação ao cinema, com muito sucesso, da obra A Selva.

Casa-Museu Ferreira de Castro[editar | editar código-fonte]

Localiza-se na Rua Escritor Ferreira de Castro, em Ossela.[14]

Ferreira de Castro, um dos maiores vultos de sempre da cultura portuguesa, era um trabalhador incansável, na verdadeira acepção do termo.

Não dispondo ou não querendo utilizar máquina de escrever e ainda a uma enorme distância dos nossos computadores, veja-se a montanha de papel que Ferreira de Castro, laboriosamente, escreveu, para produzir uma das suas mais importantes obras: " As Maravilhas Artísticas do Mundo".

Em 1967, Ferreira de Castro doa a propriedade à autarquia, que se comprometeu, desde essa data, a mantê-la e conservá-la, proporcionando visitas guiadas a todos que o quisessem fazer.

Obras[editar | editar código-fonte]

Obras da Adolescência e Juventude[editar | editar código-fonte]

  • Criminoso por Ambição (1916)
  • Alma Lusitana (1916)
  • Rugas Sociais (1917)
  • Mas ... (1921)
  • Carne Faminta (1922)
  • O Êxito Fácil (1923)
  • Sangue Negro (1923)
  • A Metamorfose (1924)
  • A Boca da Esfinge (1924)
  • Sendas de Lirismo e de Amor (1925)
  • O Drama da Sombra (1926)
  • A Epopeia do Trabalho (1926)
  • A Morte Redimida (1925)
  • A Peregrina do Mundo Novo (1926)
  • A Casa dos Móveis Dourados (1926)
  • O voo nas Trevas (1927)
  • Sim, uma Dúvida Basta (1936)- publicado em 1994
  • O Intervalo (1936)- publicado em 1974
  • Os Fragmentos (1974)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Livro de registo de batismos da Paróquia de Ossela, Oliveira de Azeméis (1898)». digitarq.adavr.arquivos.pt. Arquivo Distrital de Aveiro. p. fls. 16, assento 31 
  2. Revista 25 de Abril n.º 12 (1976). A Emigração na Literatura Portuguesa. [S.l.]: Secretaria de Estado da Emigração 
  3. Tavares, Rui. «"A Batalha" dos 100 anos». PÚBLICO. Consultado em 24 de maio de 2021 
  4. O domingo ilustrado : noticias & actualidades graficas, teatros, sports & aventuras, consultorios & utilidades (1925-1927) [cópia digital, Hemeroteca Digital]
  5. Jorge Mangorrinha (1 de Março de 2016). «Ficha histórica:Renovação : revista quinzenal de artes, litertura e atualidades (1925-1926)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 18 de maio de 2018 
  6. Rita Correia (16 de Junho de 2009). «Ficha histórica: Ilustração (1926-)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 6 de Novembro de 2014 
  7. Pereira, Gonçalo (1 de julho de 2014). «ecosfera: O 'furo' de Ferreira de Castro nas terras dos Sinn-Fein». ecosfera. Consultado em 24 de maio de 2021 
  8. Revista E n.º 2412 (19 de Janeiro de 2019). Sempre mais alto, ainda para além da morte, pág. 31.
  9. a b Ferreira de Castro - Viajante_Jornalista_Escritor – Da origem à eternidade, Descendências
  10. Quem foi Diana de Liz, Viver Évora 11.01.2020
  11. Ferreira de Castro não casou com Diana, Correio de Azeméis 31.07.2007
  12. Escritora eborense Diana de Liz, Arquivo Distrital de Évora
  13. «Livro de registo de casamentos da 3.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (17-10-1936 a 31-12-1936)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 601, assento 601 
  14. Futuro, Sistemas do. «Fundação Cupertino de Miranda, Centro de Estudos do Surrealismo». Escritores a Norte. Consultado em 24 de maio de 2021 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]