Festa de Iemanjá

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A Festa de Iemanjá do dia 2 de fevereiro é uma das mais populares e valorizadas do ano, atrai às praias do Rio Vermelho (Salvador, Bahia) uma multidão imensa de fiéis e admiradores. Na ilha de Itaparica por ser um pouco afastada de Salvador, é feita pelos moradores e apreciada pelos visitantes da ilha.

Festa de Iemanjá em Santa Cruz, Itaparica, ao fundo a cidade de Salvador.

Festa do Rio Vermelho[editar | editar código-fonte]

Iyalorixá levando o balaio para Iemanjá
Presente de Iemanjá na praia do Rio Vermelho
Praia do Rio Vermelho 02 de Fevereiro

Em Salvador, ocorre anualmente, no dia 2 de fevereiro, a maior festa do país em homenagem à Iemanjá, esta celebração é uma instituição contemporânea que vem provocando imitações no Rio de janeiro e Recife.[1] O motivo da data explica P. Verger, seria pela influência do sincretismo de Oxum com Nossa Senhora das Candeias que é celebrada nesse dia,[2] este outro orixá relacionado às águas doces é presenteado antes do tradicional presente de Iemanjá no dique do Tororó, a meia noite do início do dia das festividades,[3] onde segundo Edison Carneiro eram feitas inicialmente as oferendas a Iemanjá.[4] A festa que teria surgido quando a celebração do presente de Iemanjá no candomblé migrou do Dique do Tororó para o mar em 1924,[5][6] viria a substituir a tradicional festa de Sant'Ana, que ainda é celebrada pelos pescadores que segundo S. Blass, "participam da missa no dia 29 de junho, em homenagem a São Pedro, realizada na vizinha Igreja Católica de Sant’ Ana, também localizada na praia do Rio Vermelho."[7] A Casa do Peso, importante no festejo, é localizada próxima a Igreja desse culto católico predecessor,[6] é nela que são depositados objetos e instrumentos utilizados pelos pescadores na sua rotina de ofício, e as balanças utilizadas para a pesagem da pescaria. Nesse mesmo casebre há um lugar reservado para o culto à Iemanjá, "No primeiro cômodo da casa existem várias imagens de Iemanjá, água, pedras, búzios e flores. No mesmo espaço os fiéis acendem velas. Do lado de fora, logo em frente, vê-se uma sereia.", registra S. Couto.[6]

O culto de Sant'Ana que lhe serviu de base, ocorria anualmente numa data móvel geralmente entre os meses de janeiro e fevereiro, teve início em 1823, a festa que possuía grande liberdade na sua organização por parte dos jangadeiros passaria por sérias modificações.[6] S. Couto a respeito da mudança de festejos registra: "O processo de transformação foi lento e promovido por diferentes fatores. A Romaria dos Jangadeiros foi modificada, em parte, pela chegada dos veranistas à localidade durante a segunda metade do século XIX e a festa religiosa foi carnavalizada. Mas seria injusto colocar toda a culpa das mudanças nos recém-chegados. É provável que a essa altura a lenda da aparição de Sant’Ana aos pescadores já tivesse perdido o significado e a motivação inicial para a realização dos festejos, fazendo com que aceitassem a interferência externa. Ainda há que se levar em consideração outros fatos importantes. Uma série de conflitos ideológicos, existentes nas primeiras décadas do século XX entre as novas orientações do clero e os costumes dos pescadores vinculados ao Candomblé, também favoreceu as mudanças."[6] Com a criação da Paróquia de Sant'Ana em 1913 já fica bem evidente a perca de espaço e autonomia na arrumação da igreja e dos festejos, a repressão de costumes ocorre com a supervisão de um padre permanente, o que acarretaria em sérios conflitos, lenta decadência do culto a Sant'Ana já é perceptível.[6]

Em 1930, quando o padre da sua igreja recusa-se a celebrar a missa, durante a discussão a manifestação do sermão do sacerdote quanto ao que ele considerava como práticas ignorantes, referindo-se diretamente aos presentes a uma mulher com rabo de peixe, teria deixado os pescadores ofendidos ao ponto que os antigos moradores da praia do Rio Vermelho em represálias, deixaram de pedir a celebração da missa no dia da entrega dos presentes, e assumiram os aspectos do culto da Rainha do Mar, que somente seria denominado como Festa de Iemanjá em 1960.[3] Vallado evidencia a perda gradual do caráter religioso da festa.[8] Desde então a Igreja de Santana, localizada no mesmo local da festa, sempre mantém as portas fechadas no dia 2 de fevereiro.

Hoje em dia as homenagens a essa orixá começam de madrugada,[9] com devotos do candomblé, da umbanda e do catolicismo colocam as ofertas e bilhetes com pedidos em balaios que serão levados para o alto mar. Esses balaios são levados por cerca de 300 embarcações, com o saveiro com a oferenda dos pescadores sempre a frente do cortejo.

As pessoas independente de religião comemoram do mesmo jeito, levando flores, perfume, champanhe, velas, mas tem gente que nunca ouviu falar da lenda da Iemanjá.

A festa tem a finalidade de agradar a rainha do mar, na esperança que ela possa abençoar cada vez mais os pescadores.

Festa no Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

A festa de Iemanjá no Rio de Janeiro é comemorada por todos os bairros, em terreiros. No candomblé a homenagem ocorre dia 2 de fevereiro, na umbanda ocorre no dia 15 de agosto e em 31 de dezembro é festejada por todas as pessoas que comemoram a passagem do ano nas praias. Em todas as datas de comemoração, fieis e simpatizantes pulam sete ondas, acendem velas e colocam flores brancas em barquinhos, e os lançam ao mar. No último dia do ano o número de participantes da festa se torna relativamente maior.

Festa em São Paulo[editar | editar código-fonte]

A festa de Iemanjá no estado de São Paulo é feita na Baixada santista em quase todas as praias do litoral paulista. No dia 2 de fevereiro pelo povo de candomblé, no dia 15 de agosto pela umbanda e 31 de dezembro por pessoas de várias religiões que querem homenagear a Orixá.

Referências

  1. Cascudo, Luís da Câmara. Made in Africa. Global Editora e Distribuidora Ltda, 4 de set de 2015 - 190 páginas
  2. Verger, Pierre. Orixás: Deuses iorubás na África e no novo mundo. Ed. Corrupio, 1997. ISBN 8586551023, ISBN 9788586551024
  3. a b Projeto história: revista do Programa de Estudos Pós-Graduados em História e do Departamento de História. Edição 28, EDUC - Editoria da PUC/SP, 2004.
  4. Carneiro, Edison. Religiões Negras: notas de etnografia religiosa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936.
  5. Couto, Edilece Souza.Devoção a Iemanjá na Bahia de Todos os Santos. UFBA.
  6. a b c d e f Couto, Edilece Souza. Tempo de festas: homenagens a Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição e Sant’Ana em Salvador (1860-1940). SciELO - EDUFBA, 1 de jan de 2010 - 217 páginas.
  7. Blass, Leila Maria da Silva. Revista Nures nº 5 – Janeiro/Abril 2007. Núcleo de Estudos Religião e Sociedade – Pontifícia Universidade Católica – SP.
  8. Vallado, Armando. Iemanjá, a grande mãe africana do Brasil. Ed. Pallas, 2002 - 260 páginas.
  9. Presente principal de Iemanjá 2 de fevereiro de 2012

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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