Festival Terras sem Sombra de Música Sacra do Baixo Alentejo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Festival Terras sem Sombra)


Festival Terras sem Sombra
Período de atividade 2003 - presente
Local(is) Vidigueira, Serpa, Monsaraz, Valência de Alcântara, Olivença, Beja, Elvas, Cuba, Ferreira do Alentejo, Odemira, Barrancos, Santiago do Cacém e Sines
Página oficial Site oficial

O Terras sem Sombra - Festival do Baixo Alentejo é uma iniciativa cultural composta por actividades, concertos, conferências, visitas guiadas ao património e acções de salvaguarda da biodiversidade no Baixo Alentejo.[1]

Foi fundado em 2003 por José António Falcão e possui uma programação da qual fazem parte concertos de música erudita, atividades de valorização do património cultural e de salvaguarda da biodiversidade, master-classes, conferências temáticas, visitas guiadas e outras iniciativas de pedagogia artística.[2][3]

Características[editar | editar código-fonte]

O Festival Terras sem Sombra é itinerante, abrangendo concertos em igrejas históricas de diferentes concelhos do Alentejo.[4]

A direcção artística da iniciativa corre a cargo de Juan Ángel Vela del Campo. O Festival Terras sem Sombra assume-se pelos seus promotores como uma alavanca do desenvolvimento regional e um meio de disseminação de boas práticas de sustentabilidade.[5]

Recebeu o prémio ao Melhor Evento, em 2011, pela Turismo do Alentejo e Ribatejo.[6]

Prémio Internacional Terras sem Sombra[editar | editar código-fonte]

O Festival está ligado à atribuição anual do Prémio Internacional Terras sem Sombra, nas categorias de Música, Património Cultural e Salvaguarda da Biodiversidade. Instituido em 2011 este prémio é destinado a homenagear uma personalidade ou uma instituição que se tenham salientado, ao nível global, em cada uma das seguintes categorias: a promoção da Música; a valorização do Património Cultural e a salvaguarda da Biodiversidade.[7]

Até à data foram atribuídos os seguintes galardões:

Data Nome Área
2011 Cheryl Studes (Estados Unidos da América)
2011 Pontificia Accademia Romana di Archeologia (Cidade do Vaticano) Património Cultural
2011 Mário Ruivo (Portugal) Biodiversidade
2012 Dimitra Theodossiou (Grécia) Música
2012 Maria Helena Mendes Pinto (Portugal) Património Cultural
2012 Miguel Ángel Simón (Espanha) Biodiversidade
2013 Enzo Dara (Itália) Música
2013 Associação dos Arqueólogos Portugueses (Portugal) Património Cultural
2014 Pedro Vaz Pinto (Angola) Biodiversidade
2014 Teresa Berganza (Espanha) Música
2014 Angelo Oswaldo de Araújo Santos (Brasil) Património Cultural
2014 Serafim Riem (Portugal) Biodiversidade
2015 Ismael Fernández de la Cuesta(Espanha) Música
2015 Centro Nacional de Cultura (Portugal) Património Cultural
2015 World Wide Fund for Nature (ONG internacional) Biodiversidade
2016 Michael Haefliger (Festival de Lucerna (Suíça)) Música
2016 Khaled al-Asaad (Póstumo)(Arqueólogo da Síria) Património Cultural
2016 Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal Biodiversidade
2017 Alberto Zedda (Póstumo) (Diretor Musical) Música
2017 Campo Arqueológico de Mértola Património Cultural
2017 Fundação Stiftung Schloss Dyck (Alemanha) Biodiversidade
2018 Peter Eötvös (Músico) Música
2018 Cidade de Albarracín – Fundación Santa María Património Cultural
2018 Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira – PORVID Biodiversidade
2018 João de Almeida (Arquiteto e Artista Plástico) Património Cultural
2018 Jardim Botânico Nacional de Cabo Verde Biodiversidade

Da tutela diocesana ao âmbito da sociedade civil[editar | editar código-fonte]

O Terras sem Sombra nasceu e desenvolveu-se no âmbito da Diocese de Beja. Porém, com a entrada em funções de um novo bispo, foi tomada a decisão de confiar a realização do Festival à sociedade civil. A associação Pedra Angular, fundada em 1996 e que já colaborava activamente com o projeto, passou a organizá-lo.

Com a extinção do DPHADB, em 2017, o afastamento desta mesma Diocese das actividades culturais e artísticas e o progressivo encerramento das igrejas do Baixo Alentejo, o Festival Terras sem Sombra passou a ter de realizar muitos concertos, inclusivamente de música religiosa, fora dos templos, o que acabou por ter consequências na própria conservação de alguns monumentos.[8]

Uma investigação do jornal Público, em Junho de 2020, avançou que o sucedido poderá ter estado relacionado com alegadas controvérsias na gestão de José António Falcão, ocorridas alguns anos antes da referida extinção.[9] A direção do Festival refutou esta leitura a posteriori dos factos e prestou esclarecimentos sobre o assunto.[10]

Notas

  1. «Sobre o Terras Sem Sombra - Um Festival no Alentejo». Terras sem Sombra. Consultado em 16 de setembro de 2020 
  2. Ana Santos, “Festival Terras sem Sombra de Música Sacra do Baixo Alentejo”, em Invenire, II, Lisboa, 2011, pp. 64-65.
  3. «Prémio Internaciomal | Terras Sem Sombra - Um Festival no Alentejo». Terras sem Sombra. Consultado em 14 de setembro de 2020 
  4. Lusa. «Festival Terras sem Sombra decorre em 13 concelhos alentejanos e vai até à República Checa». PÚBLICO. Consultado em 14 de setembro de 2020 
  5. «Sobre o Terras Sem Sombra - Um Festival no Alentejo». Terras sem Sombra. Consultado em 14 de setembro de 2020 
  6. “Festival Terras sem Sombra recebe Prémio Turismo do Alentejo para o Melhor Evento 2011”, em Diário do Sul, Évora, 26 de Abril de 2011, p. 15.
  7. Uma Breve Eternidade: Emoção e Comoção na Música Europeia (Séculos XII-XXI), Santiago do Cacém, Pedra Angular, 2020, pp. 278-281
  8. Ângela Ataíde, “O Cante e o Bispo”, em Diário do Alentejo, Beja, 16 de Fevereiro de 2018, p. 3.
  9. Cerejo, José António. «Projecto pioneiro não serviu para nada e custou meio milhão de euros à Diocese de Beja». PÚBLICO. Consultado em 14 de setembro de 2020 
  10. https://www.publico.pt/2020/07/31/culturaipsilon/noticia/projecto-nao-serviu-nada-custou-500-mil-diocese-beja-1926277/

Ligações externas[editar | editar código-fonte]