Festival de Bayreuth

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Bayreuth Festspielhaus, onde ocorre o Festival.

O Festival de Bayreuth (em alemão Bayreuther Festspiele) é um festival anual que acontece em Bayreuth, Alemanha, com performances de óperas do compositor Richard Wagner. O próprio Wagner concebeu o festival para mostrar suas obras, em especial seu ciclo monumental Der Ring des Nibelungen e Parsifal.

As apresentações ocorrem em um teatro especialmente construído, o Bayreuth Festspielhaus. Wagner supervisionou pessoalmente o projeto do teatro, que continha inovações arquitetônicas necessárias para a particular produção de suas óperas.

O festival tornou-se uma meta de peregrinação de entusiastas wagnerianos, que às vezes devem esperar por anos para conseguir obter um bilhete.

Origens[editar | editar código-fonte]

As origens do Festival remontam ao interesse de Richard Wagner em obter sua independência financeira. Em 1865, um desentendimento com seu protetor, Luís II da Baviera, obrigou-o a abandonar Munique, cidade na qual originalmente pretendia promover o festival. Wagner optou então por Nurembergue, onde poderia, entre outras coisas, realizar os ideais expressos em Mestres Cantores. Finalmente, seguindo o conselho de Hans Richter escolheu Bayreuth, que gozava de três vantagens distintas.

Em primeiro lugar, a cidade contava com um explêndido cenário: o Marhgräfliches Opernhaus, construído para Nargrave Frederick e sua esposa em 1747. Com sua ampla capacidade e uma ótima acústica, o teatro se tornava ideal para o propósito de Wagner. Em segundo lugar, a cidade de Bayreuth se encontrava fora das regiões onde Wagner não desfrutava do direito de interpretar suas próprias obras, que havia vendido em 1864 por problemas financeiros. E finalmente, a cidade não tinha nenhuma outra atividade cultural que pudesse competir com o talento artístico de Wagner. Uma vez lançado, o Festival seria a única característica cultural de Bayreuth.

Em Abril de 1870, Wagner e sua esposa Cosima visitaram Bayreuth. E consideraram o Marhgräfliches Opernhaus inadequado, pois tinha sido construído pensando nas orquestras barrocas do século XVIII e não podia acomodas as montagens completas e as grandes orquestras que as óperas de Wagner requerem. Os Burgermeisters se mostraram dispostos a construir um teatro totalmente novo com uma data de inauguração para o ano de 1873. Após um reunião nada produtiva na primavera de 1871 com o chanceler alemão Otto von Bismarck para obter fundos, Wagner iniciou uma mobilização com uma turnê na Alemanha, incluindo Leipzig e Frankfurt.

Em um primeiro momento, o público mostrou-se muito decepcionado. Assim, Wagner seguiu o conselho de seu amigo e admirador Emil Heckel e promoveu a formação de inúmeras sociedades, para promover o festival wagneriano. Entre outras sociedades, foram formadas sociedades em Leipzig, Berlim e Viena.

Apesar do atrativo das sociedades, baseado no novo Reich alemão que ocupava Wagner, as sociedades e outras fontes financiadoras não alcançaram fundos necessários, até o final de 1872. Em agosto de 1873, Wagner tentou novamente o auxílio de Bismarck, que novamente o negou.

Desesperadamente, Wagner escreveu ao seu antigo patrono, Luís II, que finalmente concordou em dar apoio financerio. Em janeiro de 1874 começou a construção do teatro projetado por Gottfried Semper. A estreia, que era prevista para 1875 teve que ser adiada um ano devido a atrasos na construção do teatro.

A História dos Primeiros Festivais[editar | editar código-fonte]

Desde a sua inauguração, em 1876, o Festival de Bayreuth está sendo um fenômeno sociocultural. A inauguração do local, ocorreu no dia 13 de Agosto de 1876 com a performance de Das Rheingold. Presentes no dia, estavam o Kaiser Wilhem, Dom Pedro II do Brasil, Luís II e outro membros nobres; também estavam presentes o Filósofo Friedrich Nietzsche e alguns compositores, como Anton Bruckner, Edvard Grieg, Pyotr Tchaikovsky e Franz Liszt.

Artísticamente, o Festival foi um sucesso, mas o aspecto financeiro foi um desastre, pois o festival não começou a trazer benefícios até muitos anos após sua inauguração. Wagner foi obrigado a celebrar o festival em um segundo ano consecutivo e viajou a Londres, para dirigir uma série de concertos, para tentar diminuir o déficit. Apesar dos problemas financeiros dos primeiros anos, o Festival conseguiu se manter, graças a subsídios estatais e a doações influentes, como as de Luís II.

Desde sua criação, o festival atrai os mais renomados solistas e diretores, que muitas vezes fazem seus serviços gratuitamente. Entre estes, foi Hans Richter, que conduziu o primeiro Ciclo do Anel em 1876. Outro foi Hermann Levi, eleito por Wagner para dirigir Parsifal em 1882. Levi, filho de um rabino, se tornou o principal diretor do festival durante vinte anos. Mottle Felix, que participou em Bayreuth entre 1876 e 1901 conduziu Tristan und Isolde, em 1886.

Até a década de 1920, as representações do Festival eram executadas rigorosamente de acordo com a tradição estabelecida por Luís II. Não podendo ser removida uma nota das óperas wagnerianas.

Festival e a Alemanha Nazista[editar | editar código-fonte]

Na década de 1920, Winifred Wagner, que dirigiu o festival depois da morte de seu marido, Siegfried Wagner em 1930, se converteu, virando uma fanática e amiga de Adolf Hitler. Graças a esta amizade, o festival manteve sua independência artística durante o Terceiro Reich. Ironicamente, Hitler assistiu a representações que incluíam canções judias e estrangeiras, muito depois de que foi proibido que fosse feitas em teatros alemães. A influência de Winifred serviu também, para que Hitler escrevesse para o diretor antifascista Arturo Toscanini, pedindo para ele dirigir o fesival, ao qual Arturo se negou. De 1933 a 1942 os diretores foram Karl Elmendorff e Hermann Abendroth.

Precisamente durante o Terceiro Reich, o festival rompeu com a tradição pela primeira vez, abandonando as deterioradas composições do século XIX idealizadas por Wagner. houve muitos protestos de prestigiados diretores como Toscanini e Richard Strauss e de familiares de Richard Strauss. Para muitos, as mudanças iam contra a herança deixada por Wagner. No entanto Hitler aprovou as mudanças, preparando o caminho para inovações, que ocorreriam nas próximas décadas.

Durante a guerra, o controle do festival pertencia ao Partido Nazista.

O Novo festival[editar | editar código-fonte]

Os bombardeios dos aliados, no final da guerra, destruiu dois terços de Bayreuth, no entanto, o teatro permaneceu intacto. Ao terminar a guerra, Winifred Wagner se viu obrigada a deixar a direção do festival, acusada de colaboração com o Partido e Regime Nazistas. As representações recomeçaram em 1951, depois de um período que ele serviu de teatro para os solados estadunidenses.

Sob a direção de Wieland Wagner, o "Novo Festival" deu início a uma nova era, revolucionária em muitos aspectos. Pela primeira vez em sua história, o público vaiou duas vezes no final do espetáculo. Wieland foi particularmente criticado pela produção de Die Meistersinger em 1956.

Wieland defendeu as mudanças como uma tentativa de criar um "cenário invisível" que permitiria o público experimentar todos os aspectos psicossociais do drama sem as distrações do teatro decorado.

A Nova Bayreuth foi um tempo em que brilhou, especialmente, um alto nível de cantores e diretores, como os diretores Hans Knappertsbusch, Wolfgang Sawallisch, André Cluytens, Clemens Krauss, Herbert von Karajan e cantores como Wolfgang Windgassen, Jon Vickers, Astrid Varnay, Birgit Nilsson, Martha Modl, Has Hotter, Gustav Neidlinger, Hermann Uhde, George London, Josef Greindl, Régine Crespin e Grace Bumbry.

Richard Wagner (retrato de Cäsar Willich, 1862).

Em 1973, o festival passou por esmagadoras críticas e litígios familiares, e o festival e seus atrativos foram transferidos para a recém criada Fundação Richard Wagner, cujo conselho de direção incluía membros da família de Wagner e outros nomeados pelo Estado, a presidência da administração se manteve com Wolfgang Wagner, sua aptidão para o cargo nunca foi questionada.

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Wolfgang Wagner, neto de Wagner abandonou o cargo em Agosto de 2008, depois de 57 anos a frente do Festival. As sucessoras são suas filhas e as suas meias-irmãs.

Apesar das brigas internas pelo controle, o festiva continua a atrair milhares de visitantes todos os verões. A procura (cerca de 500 mil pedidos) muito superior a oferta (60 mil entradas) faz o tempo de espera ficar entre 5 e 10 anos, com exceções para doadores, patronos e entusiastas.

Entre as grandes produções de Bayreuth no século XXI, devem-se destacar:

  • Die Meistersinger von Nürnberg: dirigido por Christian Thielemann, em uma produção de Wolfgang Wagner, com Robert Hall, Robert-Dea Smith e Emily Magee.
  • Lohengrin: dirigido por Andrew Davis, em uma produção de Keith Warner, com Peter Seiffert, Petra-Maria Schnitzer, John Wegner e Judit Nemeth.
  • Tannhäuser: dirigido por Christian Thielemann, com produção de Philippe Arlaud com Stephend Gould, Ricarda Merbeth e Roman Trekel.
  • Tristan und Isolde: dirigido por Peter Schneider, com uma produção de Christoph Marthaler, com Robert-Dean Smith, Nina Stemm e Kwangchul Youn.
  • Der Ring des Nibelungen: dirigido por Christian Thielemann, com uma produção de Tankred Dorst, com Albert Dohmen, Andrew Shore, Gerhard Siegel, Adrianne Pieczonka, Stephen Gould, Linda Watson e Han-Peter König.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]