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Filareto Bracâmio

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Filareto Bracâmio
Usurpador do Império Bizantino
Selo de Filareto como protocurolapata e doméstico das escolas
Reinado1071–1078
Antecessor(a)Romano IV
Sucessor(a)Nicéforo III
Dados pessoais
Morte1087

Filareto Bracâmio (em latim: Philaretus Brachamius; em grego: Φιλάρετος Βραχάμιος; romaniz.: Philáteros Brachámios; em armênio/arménio: Փիլարտոս Վահրամ Վարաժնունի; romaniz.: Pʼilartos Vahram Varažnuni) foi um distinto general bizantino e senhor da guerra de herança armênia. Foi por um tempo um pretendente ao trono imperial contra o imperador Miguel VII (r. 1071–1078). Filareto é atestado em selos como taxiarcas (comandante de um regimento de infantaria), bem como protoespatário e topoterita (comandante adjunto) dos tagmas da Capadócia, depois como magistro e duque, e finalmente como curopalata e duque.

Antecedentes

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Desde as décadas de 1060-1070, as terras altas armênias e as montanhas Antitauro foram expostas aos guerreiros turcomanos e seu governo, enquanto a presença de senhores cristãos locais na região que se estendia da planície da Cilícia até Diar Mudar persistiu.[1]

Filareto (Philaretus; Φιλάρετος, Philáteros) é um nome de origem grega que significa "virtuoso". Foi registrado em armênio como Filarto (Փիլարտոս, Pʼilartos).[2] Bracâmio, por sua vez, é uma forma tardia de outros nomes como Vararanes[3] ou Veramo (Veramus),[4] que correspondem aos teofóricos persa médios Vararã (𐭥𐭫𐭧𐭫𐭠𐭭, Waraḥrān) e Varã (𐭥𐭠𐭧𐭫𐭠𐭬, Waḥrām), que aludem a Veretragna (𐬬𐬆𐬭𐬆𐬚𐬭𐬀𐬖𐬥𐬀, vərəθraγna), o deus iraniano da vitória. Foi registrado em armênio como Varã (Վահրամ, Vahram), Verã (Վռամ Vṙām) e Vaã (Վահան, Vahan; assumida como uma forma abreviada de Vaagênio, a forma armênia do deus Veretragna[5]), em grego como Boanes (Βοάνης, Boánēs), Baanes (Βαάνης, Baánēs), Baranes (Βαράνης, Baránēs), Baânio (Βαάνιος, Baánios), Uarrames / Varrames (Ουαρράμης, Ouarrámēs), Barã (Βάραμ, Báram), Baramo (Βάραμος, Báramos) e Baram(a)anes (Βαραμ(a)άνης, Baram(a)ánēs),[6][7] em georgiano como Barã (ბარამ, Baram)[8] e em persa novo como Barã (بهرام, Bahrām).[7]

Filareto é descrito por Miguel, o Sírio como tendo um "caráter duro e robusto", enquanto Mateus de Edessa o via como um "príncipe sem lei e muito maligno".[9] Ocupava um alto comando no exército de Romano IV. Em 1069, recebeu o comando do principal exército bizantino que protegia a fronteira da Mesopotâmia enquanto Romano participava do cerco de Aquelate.[10] Foi derrotado pelos turcos seljúcidas que avançaram profundamente na Capadócia e na Licaônia e saquearam à vontade antes de recuar rapidamente com seus despojos. Esteve presente na Batalha de Manzicerta em 1071, onde comandou uma divisão do exército de Romano, e permaneceu à frente de um considerável corpo de tropas após a derrota.[11]

No rescaldo da batalha, comandou as forças da fortaleza Romanópolis, e com a morte de Romano assumiu o título de imperador. Como o único general bizantino remanescente no sudeste, estabeleceu um reino quase autônomo. O núcleo de seu exército era composto por oito mil "francos" (normandos) sob Raimbaldo. Em 1078, no início do governo de Nicéforo III, concordou em abandonar suas reivindicações imperiais com a condição de que Botaniates o nomeasse duque de Antioquia, que incluía Edessa.[11]

Ele manteve seu ducado até que os turcos começaram a pressioná-lo fortemente. Em dezembro de 1084, perdeu Antioquia para Solimão I, governante dos turcos de Rum.[12] Em 1087, Edessa caiu para Maleque Xá I e Filareto escapou de volta à fortaleza da Germaniceia; no entanto, algumas fontes indicam que morreu em 1086. Foi o último doméstico das escolas do Oriente conhecido. Seus filhos entregaram Germaniceia aos nobres da Primeira Cruzada em 1098. Após sua morte, seu principado se desfez e vários outros armênios assumiram o controle de frações dele: Basílio, o Ladrão controlava a área de Caissune, Rabã e Herongla, Teodoro controlava Edessa, Gabriel controlava Melitene e um certo Constantino a cidade de Gargar.[13][14]

Referências

Bibliografia

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  • Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962a). «Փիլարտոս». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians]. Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã 
  • Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962b). «Վահան». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians]. Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã 
  • Andrews, Tara L. (2016). Mattʿēos Uṙhayecʿi and His Chronicle History as Apocalypse in a Crossroads of Cultures. Leida: Brill. ISBN 9789004330351 
  • Beihammer, Alexander Daniel (2017). Byzantium and the Emergence of Muslim-Turkish Anatolia, Ca. 1040-1130. Abingdon-on-Thames: Taylor & Francis 
  • Finlay, George (1854). History of the Byzantine and Greek Empires from 1057 - 1453 (em inglês). 2. Edimburgo: William Blackwood & Sons 
  • Giorgi, Andrea U. De; Eger, A. Asa (2021). Antioch: A History. Londres e Nova Iorque: Routledge. ISBN 978-1-317-54041-0 
  • Justi, Ferdinand (1895). «Werepraghna 24». Iranisches Namenbuch. Marburgo: N. G. Elwertsche Verlagsbuchhandlung 
  • Martindale, J. R.; Jones, A. H. M. (1971). «Vararanes». The Prosopography of the Later Roman Empire, Vol. I AD 260-395. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press 
  • Moisés de Corene (1736). Historiae Armeniacae libri III. Londres: Caroli Ackers 
  • Peacock, Andrew Charles Spencer; De Nicola, Bruno (2016). Islam and Christianity in Medieval Anatolia. Londres e Nova Iorque: Taylor & Francis 
  • Rapp, Stephen H. Jr. (2014). The Sasanian World through Georgian Eyes: Caucasia and the Iranian Commonwealth in Late Antique Georgian Literature. Farnham: Ashgate Publishing, Ltd. ISBN 1472425529 
  • Vários autores (1988). «Bahrām». Enciclopédia Irânica Vol. III, Fasc. 5. Nova Iorque: Universidade de Colúmbia